domingo, 31 de março de 2013

Semana Santa com o Papa Francisco - Fotos

O Santo Padre o Papa Francisco celebrou sua primeira Semana Santa como Pontífice Máximo. Em muitas celebrações o Santo Padre fez questão de frisar a opção pelos pobres e os apelos de paz no mundo. Mas o gesto mais significativo de Sua Santidade foi de preferir celebrar a Missa In Coena Domini ( Ceia do Senhor) em um instituto penal e lavar os pés dos detentos.
Confira algumas fotos:

Domingo de Ramos



Missa do Crisma ( Santos Óleos)



Missa In Coena Domini (Ceia do Senhor)


Celebração da Paixão do Senhor





Via Sacra no Coliseu


Vigília Pascal

Domingo de Páscoa e Benção Urbi et Orbi



Fotos: Rádio Vaticano - Programa Brasileiro

quinta-feira, 28 de março de 2013

Papa Francisco no Instituto Penal para Menores: "Devemos nos ajudar mutuamente"


Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco presidiu na tarde desta Quinta-feira Santa a Santa Missa da Ceia do Senhor no Instituto Penal para Menores de Casal del Marmo, em Roma. 

"Isto é comovente. Jesus que lava os pés dos seus discípulos. Pedro não entendia nada, rejeitava isto. Mas Jesus lhe explicou. Jesus – Deus – fez isto! E ele mesmo explica aos discípulos: Entenderam aquilo que eu fiz para vocês? Vocês me chamam de Mestre e Senhor, e o dizem bem, porque o sou. Se então eu, o Senhor e Mestre, lavei os pés de vocês, também vocês devem lavar os pés uns dos outros. Dei-lhes o exemplo, de fato, para que também vocês façam como eu", disse o Papa em sua homilia, citando as palavras de Jesus.

O pontífice frisou que este é o exemplo do Senhor. "Ele é o mais importante e mesmo assim lava os pés, para que também entre nós, aquele que está numa posição mais elevada, esteja a serviço dos outros. Este é um símbolo, é um sinal, não? Lavar os pés que dizer 'eu estou a seu serviço'. E também nós, entre nós, não é que devemos lavar os pés todos os dias uns dos outros, mas, o que significa isto? Que devemos nos ajudar, um ao outro. Às vezes fico irritado com alguém, mas...., deixa prá. E, se depois ele te pede um favor, faça este favor para ele", sublinhou o Papa Francisco.

"Ajudar-nos mutuamente: é isso que Jesus nos ensina e isso é aquilo que eu faço, e o faço de coração, porque é meu dever. Como Sacerdote e como Bispo devo estar a seu serviço, mas é um dever que me vem do coração: amar o outro. Amo isso e amo fazê-lo porque o Senhor assim me ensinou. Mas também vocês: ajudem-se, ajudem-se sempre. Um ao outro. E assim, nos ajudando mutuamente, faremos o bem", disse ainda.

O Papa concluiu a homilia dizendo: "Agora faremos essa cerimônia de lavar-nos os pés e cada um de nós pense: 'Eu, verdadeiramente estou disposto, estou disposta a servir, a ajudar o outro?'. Pensemos somente isto. E pensemos que este gesto é um carinho que Jesus nos faz, porque Jesus veio justamente para isto: para servir, para nos ajudar". 

Ao final da cerimônia um dos jovens dirigiu-se ao Santo Padre agradecendo a sua visita e lhe perguntou: “Eu quero saber uma coisa: por que você veio hoje aqui em Casal del Marmo? Só quero saber isto e basta!”

Papa Francisco respondeu ao jovem: “É um sentimento que veio do coração, eu senti isto. Onde estão aqueles que talvez me ajudarão mais a ser humilde, a ser servidor como deve ser um bispo. E eu pensei, e eu perguntei: “Onde estão aqueles que gostariam de uma visita?” E me disseram: “Casal Del Marmo, talvez”. E quando me disseram isto, decidi vir aqui. Mas isto veio do coração, somente do coração. As coisas do coração não tem explicação, elas vem sozinhas. Obrigado!

Ao se despedir, Papa Francisco disse: “Agora me despeço. Muito obrigado. Rezem por mim e não deixem que vos roubem a esperança. Sempre em frente. Muito obrigado”.

(JE/MJ)
Fonte: Rádio Vaticano

Francisco na Missa do Crisma: “Ser pastor é sentir o cheiro das ovelhas”


Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco celebrou na manhã desta Quinta-feira Santa, que abre o Tríduo Pascal, a Missa do Crisma na Basílica Vaticana.

Em sua homilia, falou da simbologia dos ungidos, seja na forma, seja no conteúdo. A beleza de tudo o que é litúrgico, explicou, não se reduz ao adorno e bom gosto dos paramentos, mas é presença da glória do nosso Deus que resplandece no seu povo vivo e consolado. 

“O óleo precioso, que unge a cabeça de Aarão, não se limita a perfumá-lo, mas se espalha e atinge «as periferias». O Senhor dirá claramente que a sua unção é para os pobres, os presos, os doentes e quantos estão tristes e abandonados. A unção não é para perfumar a nós mesmos, e menos ainda para que a conservemos num frasco, pois o óleo tornar-se-ia rançoso... e o coração amargo.”

Para Francisco, o bom sacerdote reconhece-se pelo modo como é ungido o seu povo: “Nota-se quando o povo é ungido com óleo da alegria; por exemplo, quando sai da Missa com o rosto de quem recebeu uma boa notícia. O nosso povo gosta do Evangelho quando é pregado com unção, quando o Evangelho que pregamos chega ao seu dia a dia, quando escorre como o óleo de Aarão até às bordas da realidade, quando ilumina as situações extremas, «as periferias» onde o povo fiel está mais exposto à invasão daqueles que querem saquear a sua fé”. 

Ser sacerdote é estar nesta relação com Deus e com o seu povo, pois assim a graça passa através dele para ser mediador entre Deus e os homens. Esta graça, todavia, precisa ser reavivada, para intuir o desejo do povo de ser ungido e experimentar o seu poder e a sua eficácia redentora: “Nas «periferias» onde não falta sofrimento, há sangue derramado, há cegueira que quer ver, há prisioneiros de tantos patrões maus”. 

Não é nas reiteradas introspecções que encontramos o Senhor, adverte o Pontífice, nem mesmo nos cursos de autoajuda. O poder da graça cresce na medida em que, com fé, saímos para nos dar a nós mesmos oferecendo o Evangelho aos outros, para dar a pouca unção que temos àqueles que nada têm.

“O sacerdote que sai pouco de si mesmo, que unge pouco, perde o melhor do nosso povo, aquilo que é capaz de ativar a parte mais profunda do seu coração presbiteral. Quem não sai de si mesmo, em vez de ser mediador, torna-se pouco a pouco um intermediário, um gestor. Daqui deriva precisamente a insatisfação de alguns, em vez de serem pastores com o «cheiro das ovelhas», pastores no meio do seu rebanho, e pescadores de homens.” 

Para enfrentar a crise de identidade sacerdotal, que se soma à crise de civilização, Papa Francisco convida a lançar as redes em nome Daquele em que depositamos a nossa confiança: Jesus. 

E conclui: “Amados fiéis, permanecei unidos aos vossos sacerdotes com o afeto e a oração, para que sejam sempre Pastores segundo o coração de Deus. Amados sacerdotes, Deus Pai renove em nós o Espírito de Santidade com que fomos ungidos, o renove no nosso coração de tal modo que a unção chegue a todos, mesmo nas «periferias» onde o nosso povo fiel mais a aguarda e aprecia”. 
(BF)
Fonte: Rádio Vaticano

quarta-feira, 27 de março de 2013

Primeira Audiência Geral: "Na Semana Santa, abrir as portas do nosso coração"



Cidade do Vaticano (RV) – Esta quarta-feira realizou-se a primeira Audiência Geral do Papa Francisco.

A Praça S. Pedro estava cheia para ouvir as palavras do Pontífice, que dedicou sua catequese à Semana Santa. Depois da Páscoa, anunciou ele, retomará as catequeses sobre o Ano da Fé, como vinha fazendo seu predecessor.

“Mas que significa viver a Semana Santa para nós?” – questionou. É acompanhar Jesus no seu caminho rumo à Cruz e à Ressurreição. Em sua missão terrena, ele falou a todos, sem distinção, aos grandes e aos humildes, trouxe o perdão de Deus e sua misericórdia, ofereceu esperança; consolou e curou. Foi presença de amor.

Na Semana Santa, vivemos o vértice desse caminhada de Jesus, que se entregou voluntariamente à morte para corresponder ao amor de Deus Pai, em perfeita união com sua vontade, para demonstrar o seu amor por nós. 

O Papa então perguntou: “Que tudo isso tem a ver conosco? Significa que esta é também a minha, a tua, a nossa caminhada. Viver a Semana Santa seguindo Jesus quer dizer aprender a sair de nós mesmos, ir ao encontro dos outros, ir às periferias da existência, encontrar sobretudo os mais distantes, os que mais necessitam de compreensão, de consolação, de ajuda”. 

Viver a Semana Santa é entrar sempre mais na lógica de Deus, do Evangelho. Mas acompanhar Cristo exige sair de nós mesmos, deixar de lado um modo habitudinário de viver a fé . Deus saiu de Si mesmo para vir ao nosso encontro e também nós devemos fazer o mesmo. A falta de tempo não é desculpa, disse o Papa. Não podemos nos contentar com uma oração, uma Missa dominical distraída e não constante, de algum gesto de caridade, e não ter a coragem de “sair” para levar Cristo. 


“A Semana Santa é um tempo de graça que o Senhor nos doa para abrir as portas do nosso coração, da nossa vida, das nossas paróquias, dos movimentos, das associações, e ‘sair’ ao encontro dos outros para levar a luz e a alegria da nossa fé, um raio de amor do Senhor. Sair sempre! E isso com o amor e a ternura de Deus, no respeito e na paciência.”

Após a catequese, como de costume, o Pontífice saudou os grupos presentes. Francisco não falou nas várias línguas, mas sim em italiano. A síntese da catequese e da saudação foi lida por um tradutor. Em português, foi feita pelo Pe. Bruno Lins:


Queridos irmãos e irmãs, na Semana Santa, centro de todo o Ano Litúrgico, somos chamados a seguir Jesus pelo caminho do Calvário em direção à Cruz e Ressurreição. Este é também o nosso caminho. Ele entregou-se voluntariamente ao amor de Deus Pai, unido perfeitamente à sua vontade, para demonstrar o seu amor por nós: assim o vemos na Última Ceia, dando-nos o seu Corpo e o seu Sangue, para permanecer sempre conosco. Portanto, a lógica da Semana Santa é a lógica do amor e do dom de si mesmo, que exige deixar de lado as comodidades de uma fé cansada e rotineira para levar Cristo aos demais, abrindo as portas do nosso coração, da nossa vida, das nossas paróquias, movimentos, associações, levando a luz e a alegria da nossa fé. Viver a Semana Santa seguindo Jesus significa aprender a sair de nós mesmos para ir ao encontro dos demais, até as periferias da existência. Há uma necessidade imensa de levar a presença viva de Jesus misericordioso e rico de amor. Queridos peregrinos de língua portuguesa, particularmente os grupos de jovens vindos de Portugal e do Brasil: sede bem-vindos! Desejo-vos uma Semana Santa abençoada, seguindo o Senhor com coragem e levando a quantos encontrardes o testemunho luminoso do seu amor. A todos dou a Bênção Apostólica!

(BF)
Fonte: Rádio Vaticano

Papa Francisco tomará posse da Catedral de Roma


Cidade do Vaticano (RV) - Realiza-se em 7 de abril próximo, em Roma, a celebração eucarística de tomada de posse da Cátedra do Bispo de Roma, Papa Francisco, na Basílica de São João de Latrão, sede da diocese. A missa terá inicio às 17h30 locais.

A chamada cerimônia de 'incatedratio' de Francisco na cátedra romana sublinha a ligação do Papa à Diocese de Roma, e é dedicada ao Espírito Santo para implorar sabedoria.

Sendo o Papa o Bispo de Roma, São João de Latrão é sua Igreja Catedral, onde está sua cátedra, sua cadeira de pastor e mestre. A cátedra é uma palavra utilizada na Teologia como símbolo da autoridade do ensinamento cristão, atribuído em especial à sede de Roma, que preside sobre todas as outras Igrejas locais na comunidade católica.

A Basílica de São João de Latrão é a mais antiga das quatro basílicas papais de Roma: a sua consagração, em 320, é celebrada anualmente no calendário litúrgico da Igreja a 9 de novembro.

A construção foi primeiramente dedicada a Cristo Salvador, cuja figura está no alto do frontispício da mesma, e mais tarde recebeu o título de São João, pela dedicação a São João Batista e São João Evangelista.

Na última década do século XVII a basílica, restaurada por Inocêncio X sob a direção do arquiteto Borromini (1646-50) adquiriu a sua configuração atual, com uma fachada de 1700 desenhada por Alexandro Galilei, com cinco portas, uma para cada nave; a porta da direita é a Porta Santa que se abre nos anos jubilares. (MJ/Agência Ecclesia)
Fonte: Rádio Vaticano

Brasão Papal sofre pequenas modificações


Cidade do Vaticano (RV) – O brasão do Papa Francisco sofreu ligeiras modificações. A estrela, inicialmente com 5 pontas, passou a ter oito, em referência às oito bem-aventuranças. O nardo também mudou e o lema “Miserando atque eligendo” foi inserido em uma faixa branca com a parte de trás em vermelho. Permanece inalterado o emblema da Companhia de Jesus, no centro do brasão.

O Papa Francisco conservou seu brasão de bispo, ao qual acrescentou os símbolos da dignidade pontifícia e a mitra colocada entre as chaves de prata e ouro, entrelaçadas com um cordão vermelho.
Na parte alta do brasão se encontra o emblema da Companhia de Jesus: um sol radiante amarelo com as letras em vermelho ‘IHS’: “Jesus, Homem e Salvador”.

Sobre a letra H se encontra uma cruz, em ponta, e debaixo das letras IHS, sempre dentro do sol radiante, três cravos em preto. Na parte inferior do brasão, a sua direita, se encontra uma estrela e à esquerda a flor de nardo.

A estrela simboliza a Virgem Maria, mãe de Cristo e da Igreja, e a flor de nardo São José, padroeiro da Igreja universal. Na tradição espanhola, São José é representado por um ramo de nardos na mão.

Com este brasão, o Papa quis ressaltar sua particular devoção a Virgem e a São José. A flor de nardo, no desenho anterior, poderia em princípio ser confundida com um ramo de videira. Com a modificação do desenho, passou a ser mais fiel ao que seria um ramo de nardos.

O lema do pontificado, “Miserando atque eligendo” (“Olhou para ele com misericórdia e o escolheu”), foi retirado das homilias de São Beda, o Venerável, o qual, comentando o Evangelho de Mateus, escreveu “Vidit ergo Iesus publicanum et quia miserando atque eligendo vidit, ait illi Sequere me” (Viu Jesus a um publicano e como olhou para ele com sentimentos de amor o escolheu e disse: seque-me”. 

Esta homilia é uma homenagem à misericórdia divina e é reproduzida na Liturgia das Horas de São Mateus. Ela tem um significado particular na vida e no caminho espiritual do Papa. De fato, na festa de São Mateus de 1953, o jovem Jorge Bergoglio experimentou de modo particular, aos 17 anos, a presença amorosa de Deus na sua vida. Após uma confissão, sentiu seu coração ser tocado por um ‘olhar de amor terno’, que o chamava à vida religiosa, à exemplo de Santo Inácio de Loyola. 

Após ser eleito bispo, Dom Bergoglio, recordando tal acontecimento que marcou o início de sua total consagração a Deus, decidiu de escolher, como lema e programa de vida, a expressão de São Breda miserando atque eligendo, que foi reproduzida em seu próprio brasão de pontificado. 

(JE)
Fonte: Rádio Vaticano

sexta-feira, 22 de março de 2013

Papa celebra missa para jardineiros e garis do Vaticano: é preciso abrir o coração para o amor




Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco celebrou a missa na manhã desta sexta-feira, na capela da Casa Santa Marta, com a participação dos garis e jardineiros que trabalham no Vaticano. Foi uma grande surpresa para os mais de 30 funcionários que acolheram com alegria o convite do Pontífice.

"Somos os invisíveis": assim se expressou Luciano Cecchetti, responsável pelo trabalho dos jardins e da limpeza pública, referindo-se aos que no Vaticano, todos os dias, trabalham para manter limpa a Praça São Pedro e cuidam das plantas que tornam o pequeno Estado um belo jardim.

Uma dedicação que o Papa quis premiar convidando-os à missa das 7h na Casa Santa Marta:

Luciano Cecchetti:- "Encontrar-se diante do Santo Padre, numa missa para nós, é uma coisa que não acontece todos os dias. Olhei algumas vezes e via a expressão facial dos funcionários: saímos todos comovidos. Foi uma missa realmente muito simples, em contato direto com quem há poucos dias foi eleito Pontífice. E nós lhe expressamos o nosso reconhecido agradecimento... especialmente quando nos cumprimentou no final: fomos apresentados um a um e para cada um de nós dirigiu uma palavra. O que disse a todos nós foi: 'Rezem por mim'. Muitos funcionários, sendo jardineiros, pediram-lhe que visitasse os jardins junto com eles: ele deu seu assentimento fazendo um aceno com a cabeça. Não nos disse não..."

Na homilia sem texto – referiu o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi –, o Papa deteve-se sobre a passagem do Evangelho do dia, que fala das pedras que os judeus pegaram para lapidar Jesus. "Se nós temos o coração fechado – disse o Papa Francisco –, se temos o coração de pedra, as pedras chegam às nossas mãos e estamos prontos a lançá-las", por isso é preciso abrir o coração ao amor.

Ao término da missa, o Pontífice sentou-se num dos bancos em meio aos fiéis, numa das últimas filas, para um momento de oração pessoal.

Já na quinta-feira pela manhã – disse ainda Pe. Lombardi –, o Papa celebrara uma missa para os funcionários da Casa Santa Marta, junto com o secretário da Congregação para os Bispos, Dom Lorenzo Baldisseri, e o secretário Pe. Alfred Xuereb.

"É um modo para encontrar as pessoas que dificilmente depois terá ocasião de ver", concluiu o porta-voz vaticano. (RL)
Fonte: Rádio Vaticano

Papa "abraça o mundo" e convida a lutar juntos contra a pobreza e em prol da paz



Cidade do Vaticano (RV) – “O abraço do Papa ao mundo”: assim Francisco definiu a audiência esta manhã, na Sala Regia, no Vaticano, ao Corpo Diplomático acreditado junto à Santa Sé.

“Por vosso intermédio, encontro os vossos povos e deste modo posso, em certa medida, alcançar cada um dos vossos concidadãos com suas alegrias, dramas, expectativas e desejos” – disse o papa no início do seu discurso, recordando a preocupação primordial da Santa Sé, isto é, o bem de todo o homem que vive nesta terra.

Nessa missão, afirmou o Pontífice, é bom poder contar com a amizade dos países acreditados, fazendo votos de que se inicie também um caminho com os poucos países que ainda não têm relações diplomáticas com a Santa Sé.

Como em outras ocasiões, o Papa voltou a falar dos motivos que o levaram escolher o nome Francisco: um dos primeiros é o amor que Francisco tinha pelos pobres.

“Ainda há tantos pobres no mundo! E tanto sofrimento passam estas pessoas! A exemplo de Francisco de Assis, a Igreja tem procurado, sempre e em todos os cantos da terra, cuidar e defender quem passa indigência e penso que podereis constatar, em muitos dos vossos países, a obra generosa dos cristãos que, deste modo, trabalham para construir sociedades mais humanas e mais justas.”

Mas há ainda outra pobreza, advertiu Francisco, que é a pobreza espiritual, que afeta gravemente os países considerados mais ricos. É aquilo que Bento XVI chama de “ditadura do relativismo”, que deixa cada um como medida de si mesmo, colocando em perigo a convivência entre os homens.

“E assim chego à segunda razão do meu nome. Francisco de Assis diz-nos: trabalhai por edificar a paz. Mas, sem a verdade, não há verdadeira paz. Não pode haver verdadeira paz, se cada um é a medida de si mesmo, se cada um pode reivindicar sempre e só os direitos próprios, sem se importar ao mesmo tempo do bem dos outros, do bem de todos, a começar da natureza comum a todos os seres humanos nesta terra.”

Ser Pontífice, explicou, é servir de ponte entre Deus e os homens, fazendo votos de que o diálogo entre a Santa Sé e os países ajude a construir pontes entre todos os homens, de tal modo que cada um possa encontrar no outro não um inimigo nem um concorrente, mas um irmão que se deve acolher e abraçar. Além disso, acrescentou, suas próprias origens impelem-no a trabalhar para construir pontes: “Como sabeis, a minha família é de origem italiana; e assim está sempre vivo em mim este diálogo entre lugares e culturas distantes”.

Neste trabalho, o Papa considera fundamental o papel da religião, já que não se podem construir pontes entre os homens esquecendo Deus; e vice-versa. “Por isso, é importante intensificar o diálogo entre as diversas religiões”, citando de modo especial o diálogo com o Islã e com os que não creem.

Lutar contra a pobreza, tanto material como espiritual, edificar a paz e construir pontes: este é o caminho para o qual Papa Francisco convida cada país. “Um caminho que será difícil, se não aprendermos a amar cada vez mais esta nossa terra. Também neste caso, me serve de inspiração o nome de Francisco: ele ensina-nos um respeito profundo por toda a criação, ensina-nos a guardar este nosso meio ambiente, que muitas vezes não usamos para o bem, mas desfrutamos com avidez e prejudicando um ao outro.”

(BF)

Fonte: Rádio Vaticano

quarta-feira, 20 de março de 2013

Papa confirma que virá à JMJ, no Brasil, e visitará Aparecida, diz presidente Dilma



O Papa Francisco recebeu na manhã desta quarta-feira, 20, a presidente da República, Dilma Rousseff. O encontro que durou pouco mais de 20 minutos, tratou de temas ligados à juventude, JMJ Rio 2013, o problema das drogas e a pobreza que assola o continente sul-americano.
“Ele é uma pessoa extremamente carismática e, ao mesmo tempo, tem um grande compromisso com os pobres. Isso torna a relação com o Brasil muito importante (…) Um Papa muito modesto. Ele comentou que não se pode ter orgulho nem pretensões”, disse a presidente, em coletiva de imprensa após o encontro.
Dilma também ressaltou que o Papa enfatizou, durante a conversa, a importância da proteção das populações mais fragilizadas. No que se refere à Jornada Mundial da Juventude, ela considerou o Santo Padre entusiasmado com essa que será uma de suas primeiras viagens apostólicas.
“Ele me disse que tem uma grande esperança de que haja uma presença maciça de jovens”, ressaltou.
Ainda falando sobre a juventude, Dilma ressaltou que o Pontífice acompanhou as notícias referentes à tragédia de Santa Maria (RS), em janeiro deste ano.
“Ele disse que ficou comovido com a questão de Santa Maria e que nós temos de demonstrar força e ternura. O Papa disse que o Brasil, em relação a Santa Maria, demonstrou essa força e ternura”, afirmou.
Visita a Aparecida (SP)
De acordo com Dilma, após a Jornada Mundial da Juventude, o Santo Padre pretende ir a Aparecida (SP), onde, em 2007, participou da V Conferência Episcopal dos Bispos Latino-americanos.
Fonte: Canção Nova

Papa Francisco: "Amizade e respeito entre pessoas de várias tradições religiosas"


Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco recebeu nesta quarta-feira, na Sala Clementina, no Vaticano, as delegações ecumênicas e de outras religiões, que vieram a Roma para a missa de início de seu pontificado.

Pouco antes, o pontífice encontrou-se com o Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, com o qual conversou por cerca de 20 minutos e que mais tarde agradeceu como "meu irmão André", e com o Metropolita Hilarion de Volokolamsk, chefe do Departamento das Relações Exteriores do Patriarcado de Moscou. Bartolomeu e Hilarion doaram ao Papa dois ícones marianos. 

Falando sobre a missa de início de seu pontificado celebrada nesta terça-feira, na Praça São Pedro, o Papa Francisco ressaltou: "Reconheci espiritualmente presentes as comunidades que vocês representam. Nesta manifestação de fé, pareceu-me viver de maneira mais urgente a oração pela unidade de todos os fiéis em Cristo e juntos ver de algum modo prefigurado a plena realização que depende do plano de Deus e de nossa colaboração leal."

"Inicio o meu ministério apostólico neste ano que o meu venerado Predecessor, o Papa Bento XVI, com uma intuição realmente inspirada, proclamou para a Igreja Católica o Ano da Fé. Com essa iniciativa, que desejo continuar e espero que seja um estímulo para a caminhada de fé de todos, ele quis marcar o 50° Aniversário de abertura do Concílio Vaticano II, propondo uma espécie de peregrinação essencial para cada cristão: a relação pessoal e transformadora com Jesus Cristo, Filho de Deus, que morreu e ressuscitou para a nossa salvação", frisou ainda o pontífice.

O Papa Francisco recordou o que o Concílio Vaticano II significou para o caminho ecumênico e lembrou as palavras proferidas pelo Beato João XXIII no discurso de inauguração do Concílio: "A Igreja Católica considera seu dever trabalhar ativamente para que se cumpra o grande mistério da unidade que Cristo Jesus com orações fervorosas pediu ao Pai Celestial na iminência de seu sacrifício".

"Queridos irmãos e irmãs em Cristo sintamo-nos todos intimamente unidos na oração de nosso Salvador na Última Ceia: ut unum sint (Que todos sejam um). Peçamos ao Pai misericordioso para que vivamos plenamente a fé que recebemos como dom no dia de nosso Batismo e saibamos testemunhá-la de maneira livre, alegre e corajosa. Será este o nosso melhor serviço para a causa da unidade dos cristãos, um serviço de esperança para um mundo ainda marcado por divisões, contrastes e rivalidades".

A seguir o Santo Padre acrescentou: "Quanto mais formos fiéis à sua vontade, nos pensamentos, nas palavras e ações, caminharemos mais e substancialmente para a unidade." 

"De minha parte, desejo assegurar, na esteira dos meus antecessores, o desejo de prosseguir no caminho do diálogo ecumênico, e agradeço desde agora o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos pela ajuda que continua oferecendo em meu nome, em favor desta causa nobre", frisou ainda o Papa Francisco. 

A seguir, o Papa dirigiu a palavra aos representantes do povo judeu: "Obrigado por sua presença e estou confiante de que, com a ajuda do Altíssimo, continuaremos de maneira profícua o diálogo fraterno que o Concílio desejava e que se realizou dando muitos frutos, sobretudo nas últimas décadas".

Saudando os representantes de outras religiões, o Papa Francisco dirigiu-se especialmente aos muçulmanos: "Aprecio muito sua presença: nela vejo um sinal tangível da vontade de crescer na estima recíproca e na cooperação para o bem comum da humanidade." 

O Papa Francisco explicou que a Igreja Católica tem consciência da importância do diálogo inter-religioso: "A Igreja Católica tem consciência da importância que tem a promoção da amizade e do respeito entre homens e mulheres de várias tradições religiosas. Isso eu quero repetir: promoção da amizade e do respeito entre homens e mulheres de várias tradições religiosas. A Igreja está consciente da responsabilidade que todos nós temos para com este mundo, com a criação que devemos amar e proteger. E nós podemos fazer muito em favor do bem dos pobres, dos fracos e de quem sofre, para favorecer a justiça, promover a reconciliação e construir a paz". 

Devemos manter viva no mundo a sede do Absoluto: "Não permitindo que prevaleça uma visão da pessoa humana numa só dimensão, segundo a qual o homem se reduz ao que produz e ao que consuma: esta é uma das armadinhas mais perigosas para o nosso tempo".

"Sabemos que a violência produziu na história recente a tentativa de eliminar Deus e o divino do horizonte da humanidade e sentimos o valor de testemunhar em nossas sociedades a abertura originária para a transcendência que está ínsita no coração humano", disse ainda o pontífice. 

"Sentimo-nos próximos a todos os homens e mulheres que, embora não pertencentes a nenhuma tradição religiosa, caminham em busca da verdade, do bem, da beleza e de Deus, e que são nossos preciosos aliados nos esforços para a defesa da dignidade humana, na construção de uma convivência pacífica entre os povos e guardiões da criação", concluiu o Papa Francisco. (MJ)
Fonte: Rádio Vaticano

terça-feira, 19 de março de 2013

Papa Francisco recebe presidenta Dilma Rousseff nesta quarta-feira



Após participar na manhã desta terça-feira, 19 de março, da missa de inauguração do pontificado do Papa Francisco, a Presidente da República Dilma Rousseff cumprimentou o Santo Padre e conversou por alguns minutos com ele, dentro da Basílica de São Pedro, no Vaticano. Antes do encontro, a presidente disse que sua intenção era falar sobre o combate à pobreza e à fome. E está marcado um encontro dos dois líderes nesta quarta-feira, às 11h de Roma, (7h de Brasília).
Dilma elogiou o empenho do Papa em dar prioridade aos pobres, mas pediu que ele compreenda as “opções diferenciadas” no mundo. Ela ressaltou ontem que Francisco “tem um papel importante a cumprir”.
Na homilia, o papa apelou aos líderes políticos para que sejam responsáveis. Francisco usou as expressões “por favor” e “pedir” ao se dirigir aos líderes para que assumam o papel de “guardiões”, afastando os riscos de destruição e morte do mundo. “Queria pedir, por favor, a quantos ocupam cargos de responsabilidade em âmbito econômico, político ou social, a todos os homens e mulheres de boa vontade: sejamos 'guardiões' da criação, do desígnio de Deus inscrito na natureza, guardiões do outro, do ambiente; não deixemos que sinais de destruição e morte acompanhem o caminho deste nosso mundo”, disse Francisco.
Pelo menos 132 países enviaram delegações. Dilma participou da missa acompanhada por uma comitiva de ministros e assessores. De acordo com a Santa Sé, também estavam presentes 32 líderes de distintas religiões.
Fonte: CNBB

Missa de início do Pontificado: "Cuidar das pessoas que estão na periferia do nosso coração"





Cidade do Vaticano (RV) – Na solenidade de São José, Papa Francisco dedicou toda a sua homilia às virtudes do patrono da Igreja – e como podemos nos inspirar em suas qualidades.

Logo no início, recordou seu Predecessor, que celebra seu onomástico, para que o acompanhemos com a oração, “cheia de estima e gratidão”. 

Comentando as leituras do dia, falou da missão de José: ser custos, guardião. Guardião de quem? De Maria e de Jesus, mas é uma guarda que depois se alarga à Igreja. Uma guarda que se realiza com discrição, com humildade, no silêncio, mas com uma presença constante e uma fidelidade total, mesmo quando não consegue entender. 

“Deus não deseja uma casa construída pelo homem, mas quer a fidelidade à sua Palavra, ao seu desígnio.”

José responde à vocação de Deus com disponibilidade e prontidão; tendo Cristo no centro da vocação cristã. Entretanto, a vocação de guardião não diz respeito apenas a nós, cristãos, mas tem uma dimensão antecedente, que é simplesmente humana e diz respeito a todos: é a de guardar a criação inteira, a beleza da criação, como se diz no livro de Génesis e nos mostrou São Francisco de Assis: é ter respeito por toda a criatura de Deus e pelo ambiente onde vivemos. 

É guardar as pessoas, cuidar carinhosamente de todas elas e cada uma, especialmente das crianças, dos idosos, daqueles que são mais frágeis e que muitas vezes estão na periferia do nosso coração. É cuidar uns dos outros na família. É viver com sinceridade as amizades. “Sejam guardiões dos dons de Deus!”

E quando o homem falha nesta responsabilidade, quando não cuida da criação e dos irmãos, então encontra lugar a destruição e o coração fica ressequido. “Infelizmente, em cada época da história, existem «Herodes» que tramam desígnios de morte, destroem e deturpam o rosto do homem e da mulher.” 

Papa Francisco pediu “por favor” aos que ocupam cargos de responsabilidade em âmbito econômico, político ou social, a todos os homens e mulheres de boa vontade: “Sejamos ‘guardiões’ da criação, do desígnio de Deus inscrito na natureza, guardiões do outro, do ambiente; não deixemos que sinais de destruição e morte acompanhem o caminho deste nosso mundo! Mas, para «guardar», devemos também cuidar de nós mesmos. Lembremo-nos de que o ódio, a inveja, o orgulho sujam a vida; então guardar quer dizer vigiar sobre os nossos sentimentos, o nosso coração, porque é dele que saem as boas intenções e as más: aquelas que edificam e as que destroem. Não devemos ter medo de bondade, ou mesmo de ternura”.

A seguir, Francisco falou do início do seu ministério como novo Bispo de Roma, Sucessor de Pedro, que inclui também um poder. Mas de que poder se trata? – questionou, respondendo com o convite de Jesus a Pedro: apascenta as minhas ovelhas. 

“Jamais nos esqueçamos que o verdadeiro poder é o serviço, e que o próprio Papa, para exercer o poder, deve entrar sempre mais naquele serviço que tem o seu vértice luminoso na Cruz; deve olhar para o serviço humilde, concreto, rico de fé, de São José e, como ele, abrir os braços para guardar todo o Povo de Deus e acolher, com afeto e ternura, a humanidade inteira, especialmente os mais pobres, os mais fracos, os mais pequeninos, aqueles que Mateus descreve no Juízo final sobre a caridade: quem tem fome, sede, é estrangeiro, está nu, doente, na prisão.”

Este é o serviço que o Bispo de Roma e todos nós somos chamados a cumprir: dar esperança perante tantos ‘pedaços de céu cinzento’. 

“Guardar a criação, cada homem e cada mulher, com um olhar de ternura e amor, é abrir o horizonte da esperança, é abrir um rasgo de luz no meio de tantas nuvens, é levar o calor da esperança! Para nós cristãos, a esperança que levamos tem o horizonte de Deus que nos foi aberto em Cristo, está fundada sobre a rocha que é Deus”, concluiu Papa Francisco, pedindo a intercessão da Virgem Maria, de São José, de São Pedro e São Paulo, de São Francisco, para que o Espírito Santo acompanhe o seu ministério.

(BF)
Fonte: Rádio Vaticano

Os ritos: canto, pálio, anel, oração e promessa


Cidade do Vaticano (RV) – Antes do início da Missa de início de seu Pontificado, o Papa Francisco desceu ao túmulo de São Pedro, embaixo do altar da Confissão, na Basílica de São Pedro. Depois de se deter alguns minutos em oração, incensou o Trophaeum apostólico e se juntou à procissão de cardeais concelebrantes. 

À frente, estavam os diáconos levando o Pálio pastoral, o Anel do Pescador e o Evangelho. Quando a procissão chegou ao átrio da Basílica, ecoou o canto das 'Laudes regiae', que também faz parte da série de ritos específicos do início de um pontificado.

Já fora da Basílica, no altar da Praça São Pedro, o cardeal-protodiácono, Jean-Louis Tauran, impôs o Pálio (estola decorada com as cruzes do martírio); o cardeal protopresbítero Godfried Danneels, fez uma oração, e o cardeal decano Angelo Sodano entregou ao Pontífice o Anel do Pescador. Neste momento, seis cardeais, em nome de todo o Colégio Cardinalício, prestaram obediência ao Papa. 

Todos os cardeais, patriarcas e arcebispos maiores das Igrejas orientais católicas; o secretário do Conclave, Dom Lorenzo Baldisseri, e os padres Fr. Jose' Rodriguez Carballo e Alfonso Nicolas SJ, respectivamente presidente e vice-presidente da União dos Superiores Gerais, concelebraram com Francisco a sua primeira Missa como Papa. 
(CM)
Fonte: Rádio Vaticano