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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Carta de Bento XVI aos seminaristas do mundo


Queridos Seminaristas,

Em Dezembro de 1944, quando fui chamado para o serviço militar, o comandante de companhia perguntou a cada um de nós a profissão que sonhava ter no futuro. Respondi que queria tornar-me sacerdote católico. O subtenente replicou: Nesse caso, convém-lhe procurar outra coisa qualquer; na nova Alemanha, já não há necessidade de padres. Eu sabia que esta "nova Alemanha" estava já no fim e que, depois das enormes devastações causadas por aquela loucura no país, mais do que nunca haveria necessidade de sacerdotes. Hoje, a situação é completamente diversa; porém de vários modos, mesmo em nossos dias, muitos pensam que o sacerdócio católico não seja uma "profissão" do futuro, antes pertenceria já ao passado. Contrariando tais objeções e opiniões, vós, queridos amigos, decidistes-vos a entrar no Seminário, encaminhando-vos assim para o ministério sacerdotal na Igreja Católica. E fizestes bem, porque os homens sempre terão necessidade de Deus – mesmo na época do predomínio da técnica no mundo e da globalização –, do Deus que Se mostrou a nós em Jesus Cristo e nos reúne na Igreja universal, para aprender, com Ele e por meio d’Ele, a verdadeira vida e manter presentes e tornar eficazes os critérios da verdadeira humanidade. Sempre que o homem deixa de ter a noção de Deus, a vida torna-se vazia; tudo é insuficiente. Depois o homem busca refúgio na alienação ou na violência, ameaça esta que recai cada vez mais sobre a própria juventude. Deus vive; criou cada um de nós e, por conseguinte, conhece a todos. É tão grande que tem tempo para as nossas coisas mais insignificantes: "Até os cabelos da vossa cabeça estão contados". Deus vive, e precisa de homens que vivam para Ele e O levem aos outros. Sim, tem sentido tornar-se sacerdote: o mundo tem necessidade de sacerdotes, de pastores hoje, amanhã e sempre enquanto existir.

O Seminário é uma comunidade que caminha para o serviço sacerdotal. Nestas palavras, disse já algo de muito importante: uma pessoa não se torna sacerdote sozinha. É necessária a "comunidade dos discípulos", o conjunto daqueles que querem servir a Igreja de todos. Com esta carta, quero evidenciar – olhando retrospectivamente também para o meu tempo de Seminário – alguns elementos importantes para o vosso caminho a fazer nestes anos.

1. Quem quer tornar-se sacerdote, deve ser sobretudo um "homem de Deus", como o apresenta São Paulo (1 Tm 6, 11). Para nós, Deus não é uma hipótese remota, não é um desconhecido que se retirou depois do "big-bang". Deus mostrou-Se em Jesus Cristo. No rosto de Jesus Cristo, vemos o rosto de Deus. Nas suas palavras, ouvimos o próprio Deus a falar conosco. Por isso, o elemento mais importante no caminho para o sacerdócio e ao longo de toda a vida sacerdotal é a relação pessoal com Deus em Jesus Cristo. O sacerdote não é o administrador de uma associação qualquer, cujo número de membros se procura manter e aumentar. É o mensageiro de Deus no meio dos homens; quer conduzir a Deus, e assim fazer crescer também a verdadeira comunhão dos homens entre si. Por isso, queridos amigos, é muito importante aprenderdes a viver em permanente contato com Deus. Quando o Senhor fala de "orar sempre", naturalmente não pede para estarmos continuamente a rezar por palavras, mas para conservarmos sempre o contato interior com Deus. Exercitar-se neste contato é o sentido da nossa oração. Por isso, é importante que o dia comece e acabe com a oração; que escutemos Deus na leitura da Sagrada Escritura; que Lhe digamos os nossos desejos e as nossas esperanças, as nossas alegrias e sofrimentos, os nossos erros e o nosso agradecimento por cada coisa bela e boa, e que deste modo sempre O tenhamos diante dos nossos olhos como ponto de referência da nossa vida. Assim tornamo-nos sensíveis aos nossos erros e aprendemos a trabalhar para nos melhorarmos; mas tornamo-nos sensíveis também a tudo o que de belo e bom recebemos habitualmente cada dia, e assim cresce a gratidão. E, com a gratidão, cresce a alegria pelo fato de que Deus está perto de nós e podemos servi-Lo.

2. Para nós, Deus não é só uma palavra. Nos sacramentos, dá-Se pessoalmente a nós, através de elementos corporais. O centro da nossa relação com Deus e da configuração da nossa vida é a Eucaristia; celebrá-la com íntima participação e assim encontrar Cristo em pessoa deve ser o centro de todas as nossas jornadas. Para além do mais, São Cipriano interpretou a súplica do Evangelho "o pão nosso de cada dia nos dai hoje" dizendo que o pão "nosso", que, como cristãos, podemos receber na Igreja, é precisamente Jesus eucarístico. Por conseguinte, na referida súplica do Pai Nosso, pedimos que Ele nos conceda cada dia este pão "nosso"; que o mesmo seja sempre o alimento da nossa vida, que Cristo ressuscitado, que Se nos dá na Eucaristia, plasme verdadeiramente toda a nossa vida com o esplendor do seu amor divino. Para uma reta celebração eucarística, é necessário aprendermos também a conhecer, compreender e amar a liturgia da Igreja na sua forma concreta. Na liturgia, rezamos com os fiéis de todos os séculos; passado, presente e futuro encontram-se num único grande coro de oração. A partir do meu próprio caminho, posso afirmar que é entusiasmante aprender a compreender pouco a pouco como tudo isto foi crescendo, quanta experiência de fé há na estrutura da liturgia da Missa, quantas gerações a formaram rezando.

3. Importante é também o sacramento da Penitência. Ensina a olhar-me do ponto de vista de Deus e obriga-me a ser honesto comigo mesmo; leva-me à humildade. Uma vez o Cura d’Ars disse: Pensais que não tem sentido obter a absolvição hoje, sabendo entretanto que amanhã fareis de novo os mesmos pecados. Mas – assim disse ele – o próprio Deus neste momento esquece os vossos pecados de amanhã, para vos dar a sua graça hoje. Embora tenhamos de lutar continuamente contra os mesmos erros, é importante opor-se ao embrutecimento da alma, à indiferença que se resigna com o fato de sermos feitos assim. Na grata certeza de que Deus me perdoa sempre de novo, é importante continuar a caminhar, sem cair em escrúpulos, mas também sem cair na indiferença, que já não me faria lutar pela santidade e o aperfeiçoamento. E, deixando-me perdoar, aprendo também a perdoar aos outros; reconhecendo a minha miséria, também me torno mais tolerante e compreensivo com as fraquezas do próximo.

4. Mantende em vós também a sensibilidade pela piedade popular, que, apesar de diversa em todas as culturas, é sempre também muito semelhante, porque, no fim de contas, o coração do homem é o mesmo. É certo que a piedade popular tende para a irracionalidade e, às vezes, talvez mesmo para a exterioridade. No entanto, excluí-la, é completamente errado. Através dela, a fé entrou no coração dos homens, tornou-se parte dos seus sentimentos, dos seus costumes, do seu sentir e viver comum. Por isso a piedade popular é um grande patrimônio da Igreja. A fé fez-se carne e sangue. Seguramente a piedade popular deve ser sempre purificada, referida ao centro, mas merece a nossa estima; de modo plenamente real, ela faz de nós mesmos "Povo de Deus".

5. O tempo no Seminário é também e sobretudo tempo de estudo. A fé cristã possui uma dimensão racional e intelectual, que lhe é essencial. Sem tal dimensão, a fé deixaria de ser ela mesma. Paulo fala de uma "norma da doutrina", à qual fomos entregues no Batismo (Rm 6, 17). Todos vós conheceis a frase de São Pedro, considerada pelos teólogos medievais como a justificação para uma teologia elaborada racional e cientificamente: "Sempre prontos a responder […] a todo aquele que vos perguntar 'a razão' (logos) da vossa esperança" (1 Ped 3, 15). Adquirir a capacidade para dar tais respostas é uma das principais funções dos anos de Seminário. Tudo o que vos peço insistentemente é isto: Estudai com empenho! Fazei render os anos do estudo! Não vos arrependereis. É certo que muitas vezes as matérias de estudo parecem muito distantes da prática da vida cristã e do serviço pastoral. Mas é completamente errado pôr-se imediatamente e sempre a pergunta pragmática: Poderá isto servir-me no futuro? Terá utilidade prática, pastoral? É que não se trata apenas de aprender as coisas evidentemente úteis, mas de conhecer e compreender a estrutura interna da fé na sua totalidade, de modo que a mesma se torne resposta às questões dos homens, os quais, do ponto de vista exterior, mudam de geração em geração e todavia, no fundo, permanecem os mesmos. Por isso, é importante ultrapassar as questões volúveis do momento para se compreender as questões verdadeiras e próprias e, deste modo, perceber também as respostas como verdadeiras respostas. É importante conhecer a fundo e integralmente a Sagrada Escritura, na sua unidade de Antigo e Novo Testamento: a formação dos textos, a sua peculiaridade literária, a gradual composição dos mesmos até se formar o cânon dos livros sagrados, a unidade dinâmica interior que não se nota à superfície, mas é a única que dá a todos e cada um dos textos o seu pleno significado. É importante conhecer os Padres e os grandes Concílios, onde a Igreja assimilou, refletindo e acreditando, as afirmações essenciais da Escritura. E poderia continuar assim: aquilo que designamos por dogmática é a compreensão dos diversos conteúdos da fé na sua unidade, mais ainda, na sua derradeira simplicidade, pois cada um dos detalhes, no fim de contas, é apenas explanação da fé no único Deus, que Se manifestou e continua a manifestar-Se a nós. Que é importante conhecer as questões essenciais da teologia moral e da doutrina social católica, não será preciso que vo-lo diga expressamente. Quão importante seja hoje a teologia ecumênica, conhecer as várias comunidade cristãs, é evidente; e o mesmo se diga da necessidade duma orientação fundamental sobre as grandes religiões e, não menos importante, sobre a filosofia: a compreensão daquele indagar e questionar humano ao qual a fé quer dar resposta. Mas aprendei também a compreender e – ouso dizer – a amar o direito canônico na sua necessidade intrínseca e nas formas da sua aplicação prática: uma sociedade sem direito seria uma sociedade desprovida de direitos. O direito é condição do amor. Agora não quero continuar o elenco, mas dizer-vos apenas e uma vez mais: Amai o estudo da teologia e segui-o com diligente sensibilidade para ancorardes a teologia à comunidade viva da Igreja, a qual, com a sua autoridade, não é um pólo oposto à ciência teológica, mas o seu pressuposto. Sem a Igreja que crê, a teologia deixa de ser ela própria e torna-se um conjunto de disciplinas diversas sem unidade interior.

6. Os anos no Seminário devem ser também um tempo de maturação humana. Para o sacerdote, que terá de acompanhar os outros ao longo do caminho da vida e até às portas da morte, é importante que ele mesmo tenha posto em justo equilíbrio coração e intelecto, razão e sentimento, corpo e alma, e que seja humanamente "íntegro". Por isso, a tradição cristã sempre associou às "virtudes teologais" as "virtudes cardeais", derivadas da experiência humana e da filosofia, e também em geral a sã tradição ética da humanidade. Di-lo, de maneira muito clara, Paulo aos Filipenses: "Quanto ao resto, irmãos, tudo o que é verdadeiro, nobre e justo, tudo o que é puro, amável e de boa reputação, tudo o que é virtude e digno de louvor, isto deveis ter no pensamento" (4, 8). Faz parte deste contexto também a integração da sexualidade no conjunto da personalidade. A sexualidade é um dom do Criador, mas também uma função que tem a ver com o desenvolvimento do próprio ser humano. Quando não é integrada na pessoa, a sexualidade torna-se banal e ao mesmo tempo destrutiva. Vemos isto, hoje, em muitos exemplos da nossa sociedade. Recentemente, tivemos de constatar com grande mágoa que sacerdotes desfiguraram o seu ministério, abusando sexualmente de crianças e adolescentes. Em vez de levar as pessoas a uma humanidade madura e servir-lhes de exemplo, com os seus abusos provocaram devastações, pelas quais sentimos profunda pena e desgosto. Por causa de tudo isto, pode ter-se levantado em muitos, e talvez mesmo em vós próprios, esta questão: se é bom fazer-se sacerdote, se o caminho do celibato é sensato como vida humana. Mas o abuso, que há que reprovar profundamente, não pode desacreditar a missão sacerdotal, que permanece grande e pura. Graças a Deus, todos conhecemos sacerdotes convincentes, plasmados pela sua fé, que testemunham que, neste estado e precisamente na vida celibatária, é possível chegar a uma humanidade autêntica, pura e madura. Entretanto o sucedido deve tornar-nos mais vigilantes e solícitos, levando precisamente a interrogarmo-nos cuidadosamente a nós mesmos diante de Deus ao longo do caminho rumo ao sacerdócio, para compreender se este constitui a sua vontade para mim. É função dos padres confessores e dos vossos superiores acompanhar-vos e ajudar-vos neste percurso de discernimento. É um elemento essencial do vosso caminho praticar as virtudes humanas fundamentais, mantendo o olhar fixo em Deus que Se manifestou em Cristo, e deixar-se incessantemente purificar por Ele.

7. Hoje os princípios da vocação sacerdotal são mais variados e distintos do que nos anos passados. Muitas vezes a decisão para o sacerdócio desponta nas experiências de uma profissão secular já assumida. Frequentemente cresce nas comunidades, especialmente nos movimentos, que favorecem um encontro comunitário com Cristo e a sua Igreja, uma experiência espiritual e a alegria no serviço da fé. A decisão amadurece também em encontros muito pessoais com a grandeza e a miséria do ser humano. Deste modo os candidatos ao sacerdócio vivem muitas vezes em continentes espirituais completamente diversos; poderá ser difícil reconhecer os elementos comuns do futuro mandato e do seu itinerário espiritual. Por isso mesmo, o Seminário é importante como comunidade em caminho que está acima das várias formas de espiritualidade. Os movimentos são uma realidade magnífica; sabeis quanto os aprecio e amo como dom do Espírito Santo à Igreja. Mas devem ser avaliados segundo o modo como todos se abrem à realidade católica comum, à vida da única e comum Igreja de Cristo que permanece uma só em toda a sua variedade. O Seminário é o período em que aprendeis um com o outro e um do outro. Na convivência, por vezes talvez difícil, deveis aprender a generosidade e a tolerância não só suportando-vos mutuamente, mas também enriquecendo-vos um ao outro, de modo que cada um possa contribuir com os seus dotes peculiares para o conjunto, enquanto todos servem a mesma Igreja, o mesmo Senhor. Esta escola da tolerância, antes do aceitar-se e compreender-se na unidade do Corpo de Cristo, faz parte dos elementos importantes dos anos de Seminário.

Queridos seminaristas! Com estas linhas, quis mostrar-vos quanto penso em vós precisamente nestes tempos difíceis e quanto estou unido convosco na oração. Rezai também por mim, para que possa desempenhar bem o meu serviço, enquanto o Senhor quiser. Confio o vosso caminho de preparação para o sacerdócio à proteção materna de Maria Santíssima, cuja casa foi escola de bem e de graça. A todos vos abençoe Deus onipotente Pai, Filho e Espírito Santo.

Dado no Vaticano, aos 18 de Outubro - Festa de São Lucas, Evangelista - do ano de 2010.

Vosso no Senhor.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Ano Sacerdotal: tempo de purificação na Irlanda, diz cardeal O’Connor


Um período de "noite escura", mas também um momento em que "Deus não nos abandona": assim definiu o momento vivido atualmente pela Igreja Católica na Irlanda o cardeal Cormac Murphy O'Connor, arcebispo emérito de Westminster, atualmente visitador apostólico para a arquidiocese irlandesa de Armagh.

O purpurado se referiu ao tema na última terça-feira no seminário de Maynooth, num discurso por ocasião do encerramento do Ano Sacerdotal.

Referindo-se à carta do Papa Bento XVI às dioceses da Irlanda em resposta aos escândalos dos abusos sexuais cometidos por sacerdotes do país, o cardeal O'Connor disse ainda que "este é também um tempo de arrependimento, de purificação e de fé".

"Sentimos não só a crueza de nosso pecado, como também nossa pobreza", declarou. De qualquer forma, disse ser necessário afrontar esta realidade, que "nos coloca diante de nossa vida, de nossa identidade e de nosso chamado".

"Passei a compreender de uma forma nova ao falar com as vítimas sobre a dor e o grave dano por elas sofridos", disse o purpurado, que se disse ainda "não isento de culpa".

O cardeal O'Connor exortou ainda a Igreja na Irlanda a engajar-se num "simples exercício de penitência", convidando a uma "avaliação honesta de onde as estruturas e procedimentos eclesiais falharam, não apenas em nível jurídico, mas também humano".

Em seguida, citou a Carta de Bento XVI à Igreja na Irlanda, a quem dirigiu um apelo por "um arrependimento sincero", capaz de "abrir a porta para o perdão de Deus e para a graça de uma mudança verdadeira".

Para recuperar a fé e restabelecer a ligação com o povo irlandês, o cardeal O'Connor disse que "a fé e a coragem" deve ser os valores a guiar a Igreja no país. "Quando a fé nas instituições se esmaece, tudo o que podemos fazer é voltar à pessoa e ali começar a reconstrução", concluiu.

domingo, 13 de junho de 2010

Sacerdotes são operários da civilização do amor, afirma Papa


A conclusão do Ano Sacerdotal esteve no centro da oração mariana do Angelus deste domingo, 13, na Praça São Pedro, que o Papa Bento XVI rezou na presença de milhares de fiéis e turistas que não se deixaram intimidar pelo sol e pelo calor de Roma.

Esta cidade, disse o Papa, viveu jornadas inesquecíveis, com a presença de mais de 15 mil sacerdotes de todas as partes do mundo. "Por isso, hoje desejo dar graças a Deus por todos os benefícios que este Ano trouxe para a Igreja em todo o mundo. Ninguém jamais poderá medi-los, mas certamente estão visíveis e serão ainda mais visíveis os seus frutos."

A conclusão teve um significado ainda mais especial, destacou o Pontífice, pois foi celebrada na solenidade do Sagrado Coração de Jesus, que tradicionalmente é o dia de santificação sacerdotal:

"Com efeito, queridos amigos, o sacerdote é um dom do Coração de Cristo: um dom para a Igreja e para o mundo. Do coração do Filho de Deus, do qual transborda a caridade, brotam todos os bens da Igreja, e de modo particular tem origem a vocação daqueles homens que, conquistados pelo Senhor Jesus, deixam tudo para se dedicar inteiramente a serviço do povo cristão, a exemplo do Bom Pastor."

Os sacerdotes são os primeiros operários da civilização do amor, disse o Papa, mencionando os inúmeros padres, famosos ou não, cuja lembrança permanece indelével nos fiéis. Como aconteceu em Ars, vilarejo da França onde S. João Maria Vianey desempenhou seu ministério. "Não é preciso acrescentar mais palavras ao que foi dito sobre ele nos últimos meses. Mas sua intercessão deve nos acompanhar ainda mais daqui para frente. Que sua oração, que seu 'Ato de amor' que muitas vezes recitamos durante este Ano Sacerdotal, continue a alimentar o nosso colóquio com Deus."

A seguir, citou o padre Jerzy Popiełuszko, sacerdote e mártir, que foi proclamado Beato domingo passado, em Varsóvia, na Polônia.

Ele exercitou o seu generoso e corajoso ministério ao lado das pessoas engajadas pela liberdade, pela defesa da vida e sua dignidade. Bento XVI notou que sua obra a serviço do bem e da verdade era um sinal de contradição para o regime vigente na Polônia na época. Todavia, seu testemunho foi semente de uma nova primavera na Igreja e na sociedade.

"Se olharmos para a história, podemos observar quantas páginas de autêntica renovação espiritual e social foram escritas com a contribuição decisiva de sacerdotes católicos, animados somente pela paixão pelo Evangelho e pelo homem, por sua verdadeira liberdade, religiosa e civil. Quantas iniciativas de promoção humana integral saíram da intuição de um coração sacerdotal!"

O Papa concluiu sua alocução, confiando ao Coração Imaculado de Maria, do qual celebramos ontem a memória litúrgica, todos os sacerdotes do mundo, para que, com a força do Evangelho, continuem a construir em todos os lugares a civilização do amor.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Milhares de sacerdotes "tingem" São Pedro de branco em histórica cerimônia de conclusão do Ano Sacerdotal



Na ocasião o Santo Padre proclamou São João Maria Vianney, Padroeiro de Todos os Padres do Mundo





O Papa Bento XVI esteve à frente dos 15 mil sacerdotes presentes na Praça São Pedro pela missa de conclusão do Ano Sacerdotal, já considerada a maior concelebração na história da Igreja Católica e realizada na manhã desta sexta-feira. Foi uma cerimônia grandiosa, reunindo um impressionante e inédito número de padres em júbilo pela sua vocação ministerial, um mar branco cobrindo a Praça petrina no dia do Sagrado Coração de Jesus.

Logo no início da homilia da cerimônia, o Papa abordou temas dolorosos para a Igreja, como os casos de abuso cometidos por alguns padres católicos, e declarou "pedir insistentemente perdão a Deus e às pessoas envolvidas". Apesar de o tema dos abusos ter dominado as notícias sobre a Igreja nos últimos meses e ter também estado presente nos discursos e na homilia, a celebração foi visivelmente um ato de festa da fé, do sacerdócio no seu fiel e jubiloso valor, o que foi demonstrado na emoção dos mais de 15 mil sacerdotes.

"Se o Ano Sacerdotal tivesse sido uma glorificação da nossa pessoal prestação humana, teria sido destruído por esses acontecimentos", observa o Papa. "Mas o que ocorreu foi precisamente o oposto: nós crescemos em gratidão pelo dom de Deus (...)"."Justamente neste ano de alegria pelo sacramento do sacerdócio, vieram à tona os pecados dos sacerdotes - principalmente o abuso às crianças"O "inimigo" da Igreja, que é o pecado. Diante de todos os presentes o pontífice pediu "insistentemente perdão a Deus e às pessoas envolvidas" e prometeu "fazer todo o possível para que tal abuso não possa nunca mais acontecer".

Bento XVI garantiu que a Igreja irá investir e estar mais atenta à formação dos seminaristas para "avaliar a autenticidade da vocação" e também para acompanhar os sacerdotes "para que o Senhor os proteja e os guarde em situações penosas e nos perigos da vida". O sacerdócio é como uma "pérola preciosa" que requer a coragem e a humildade à Deus, e "o dever de purificação, um dever que nos acompanha em direção ao futuro".

Sobre os valores do sacerdócio, o Papa disse que o "perene fundamento" e "o válido critério, de cada ministério sacerdotal" é o sacerdócio de Jesus. "Deus quer que nós, como sacerdotes, em um pequeno ponto da história, compartilhemos as suas preocupações pelos homens" - recorda aos sacerdotes. Isto diz respeito a "conhecer" o seu rebanho. Mas "conhecer" - explica o pontífice - "não é nunca somente um saber externo assim como se conhece o número de telefone de uma pessoa", "mas ser interiormente próximo ao outro".

Ao fim de sua homilia, o Santo Padre afirmou que "o pastor precisa do bastão contra as feras selvagens que querem atacar" os fiéis e ele mesmo. "Justamente o uso do bastão pode ser um serviço de amor. Hoje vemos que não se trata de amor, quando se toleram comportamentos indignos da vida sacerdotal. Bem como não se trata de amor se se deixa proliferar a heresia, o desvio e o esfacelamento da fé, como se nós autonomamente inventássemos a fé", observa o pontífice pedindo a todos os fiéis e aos sacerdotes em particular, para serem "água da vida em um mundo sedento".

Depois da homilia, os sacerdotes renovaram as promessas sacerdotais, como na Quinta-Feira Santa, na Missa crismal.

Ao fim da missa o Papa dirigiu uma saudação a todos os presentes nas línguas próprias de cada grupo: francês, inglês, alemão, português, polonês e italiano. Aos sacerdotes de língua portuguesa disse: "Dou graças a Deus pelo que sois e pelo que fazeis, recordando a todos que nada jamais substituirá o ministério dos sacerdotes na vida da Igreja. A exemplo e sob o patrocínio do Santo Cura d'Ars, perseverai na amizade de Deus e deixai que as vossas mãos e os vossos lábios continuem a ser as mãos e os lábios de Cristo, único Redentor da humanidade. Bem hajam!"."

Também em espanhol o Papa manifestou a sua alegria por este extraordinário evento. "Esta celebración se convierta en un vigoroso impulso para seguir viviendo con gozo, humildad y esperanza su sacerdocio, siendo mensajeros audaces del Evangelio, ministros fieles de los Sacramentos y testigos elocuentes de la caridad. Con los sentimientos de Cristo, Buen Pastor, os invito a continuar aspirando cada día a la santidad, sabiendo que no hay mayor felicidad en este mundo que gastar la vida por la gloria de Dios y el bien de las almas."

Foram dispostas duas tribunas no átrio, também outras menores sobre as escadas, seis setores na Praça, todos reservados aos concelebrantes da missa com o Papa na conclusão do Ano Sacerdotal. Outros quatro setores menores foram ocupados pelas religiosas, sacerdotes e fiéis.

Hoje os sacerdotes que trabalham no Vaticano tiveram o dia livre para poder participar na cerimônia. A Praça de São Pedro, assim como ontem à noite, foi dominada pelos sacerdotes de todo o mundo. Antes da missa havia uma intensa atmosfera de preparação como aquela das sacristias das igrejas. Os fiéis aproveitavam a numerosa presença dos sacerdotes para a confissão, para tirar fotos deste histórico evento. Era tocante a alegria dos sacerdotes assim como a de Padre José, um sacerdote brasileiro presente à cerimônia, que declarou estar "muito feliz" de estar lá e celebrar a missa com o Papa.

O sacerdócio é sacramento e testemunho de fé, não ofício, afirma Bento XVI em vigília





O Papa Bento XVI participou na noite desta quinta-feira de uma grande vigília junto aos milhares de sacerdotes de todo o mundo, na espera da missa de sexta-feira pela conclusão do Ano Sacerdotal.

"Bem-vindo em meio a nós", foi como o cardeal prefeito da Congregação para o Clero, Dom Claudio Hummes, saudou o Papa. "Todos os sacerdotes presentes, junto a seus coirmãos espalhados pelo mundo, desejam manifestar a sua mais filial devoção, sua profunda estima, seu apoio e afeto sinceros". As palavras do cardeal foram confirmadas com um grande aplauso dos mais de 10 mil sacerdotes presentes à vigília.

"Obrigado de coração Santidade, por tudo que fez, está fazendo e fará por todos os sacerdotes, mesmo por aqueles perdidos", prossegui o Cardeal Hummes em sua saudação. "Gostaríamos que o Ano Sacerdotal não terminasse nunca, isto é, não terminasse nunca a atenção de cada um para a santidade na própria identidade", continuou.

O Santo Padre chegou à Praça em papamóvel, passando pelos setores. A parte da vigília com a presença do pontífice consistiu em cinco perguntas feitas por padres de cinco continentes. Os temas foram os mais significativos para os padres, como o desenrolar de sua ação pastoral, o celibato, a teologia. O pontífice reforçou a eles que não se pode "fazer o que se quer ou se deveria fazer, porque nossas forças são limitadas e a sociedade é cada vez mais diversificada e complicada".

O sacerdócio não é uma profissão " como qualquer trabalho. É o que diz o Santo Padre Bento XVI sobre a realidade da vocação sacerdotal no mundo de hoje, o testemunho da fé, do celibato e da teologia.

O Papa advertiu ainda contra "a arrogância da razão", que obscura a presença de Deus no mundo. "Nós, teólogos, devemos usar a razão grande e ter coragem de ir além do positivismo e ir além da experiência. Não nos submetendo a todas as hipóteses do momento", observo o Santo Padre.

"Há uma teologia que quer ser acadêmica e científica e que esquece a realidade vital, a presença de Deus, o seu falar hoje, e não somente no seu passado". A "verdadeira teologia" é aquela que "vem do amor de Deus e de Cristo", explicou o pontífice, que advertiu contra a "tentação" do clericalismo, mal "de todos os tempos", e também de hoje.

Sobre o celibato, Bento XVI reforçou que o mundo deve pensar no seu futuro, não somente em se concentrar no hoje. O sacerdócio é aquele sinal do futuro que todo homem espera. O presente problema é entender o significado do celibato como "moda para não se casar" que promove o "viver sozinho e por si mesmo, enquanto o celibato é um sim definitivo". São coisas diferentes, explica Bento XVI. "Se desaparecer o casamento entre o homem e a mulher, desaparece a raiz da nossa cultura". As palavras do Papa são recebidas pelos padres presentes com um longo aplauso.

O mundo vê o escândalo no celibato, enquanto "não quer ver que existem também os escândalos dos nossos pecados, que obscuram o grande escândalo". O Papa ressalta "enorme fidelidade" e "grande sinal da fé" no celibato.

O Papa pediu aos sacerdotes que "tornem possível para todos a Eucaristia dominical e para celebrá-la de forma a tornar visível o Senhor", além de "serem presentes para os sofredores".

A adoração do Santíssimo concluiu a vigília. Calor, alegria e também oração dominaram a atmosfera da praça. O Santo Padre foi recebido com um grande aplauso e um forte coro de "Bento, Bento". O Papa estava sorridente.

Aos leigos e religiosas foram preparados somente dois setores na Praça São Pedro para a noite de quinta-feira, todos os outros foram reservados aos sacerdotes, aproximadamente 15 mil, em Roma para celebrar com o Santo Padre a conclusão do Ano Sacerdotal.

Hoje é dia de festa pela alegria do dom do sacerdócio, diz arcebispo



Neste dia em que o Papa promove o encerramento do Ano Sacerdotal em Roma, o momento é “de festa, sem triunfalismos, pela alegria do dom do sacerdócio”, afirma o arcebispo de Belo Horizonte (Brasil), Dom Walmor Oliveira de Azevedo.

“Hoje, o mundo se volta para a Praça de São Pedro, no Vaticano, em Roma, e impressionam as cenas maravilhosas”, destaca o arcebispo, em artigo divulgado no site da arquidiocese.

“Desde ontem, milhares de sacerdotes presentes, bispos, evangelizadores e ministros - o Povo de Deus ao redor do altar, para celebrar esse grande dom, sob a presidência terna e exemplar do sacerdote que é o Papa Bento XVI.”

Dom Walmor considera que este momento “abre um novo ciclo na vida da Igreja, na coragem de ações e na qualificação de empenhos, fortalecendo o dom do sacerdócio ao fazer de cada Padre um anunciador da Palavra de Deus, educador da fé e da moral da Igreja”.

A festa em Roma estende-se “numa grande rede de ternura e amor, recordando sacerdotes amigos, servidores, presença de Deus nas suas vidas”.

“Aceite o convite para participar dessa festa, com um gesto simples e significativo, demonstrando gratidão e amor ao seu sacerdote conhecido, amigo: com uma oração, com um telefonema, um contato por meio eletrônico, uma carta, um abraço, ou a presença na celebração eucarística”, convida o arcebispo.

“Tudo fecundado por lembranças de empenhos abnegados, proféticos. Lembranças de palavras e gestos do dom do sacerdócio dom”, afirma.

Significado


O termo sacerdócio – explica Dom Walmor – “abriga na sua significação semântica referência à generosidade e ao desvelo no exercício de uma missão”.

“A missão exercida de modo sacerdotal significa corajosa e denodada oferta de si, porque assume sacrifícios, ultrapassa com destemor horários, desafios, situações difíceis e adversas. Vale o bem, o que beneficia o outro. O bem daqueles que mais precisam.”

Sacerdócio, então – prossegue o arcebispo –, “torna-se referência honrosa e qualificadora de um exercício profissional, de um devotamento voluntário a causas humanitárias e nobres na edificação de uma sociedade mais justa e solidária”.

No sentido estrito de sua significação, sacerdócio “é referência àquele que consagra sua vida a serviço do Evangelho, no seu anúncio, movido por um amor apaixonado por Jesus Cristo”.

“Significa o permanente desafio de traduzir este amor em gestos e comprometimentos, como guia de um povo, educador de sua fé, referência de sua unidade na experiência de celebrar e testemunhar o Deus da vida.”

O sacerdote – enfatiza Dom Walmor – “é selado na sua existência, apesar de seus limites humanos, como dom, em tudo o que faz, em tudo o que é. É desafiado a ser coerente, verdadeiro, sincero, transparente, a exemplo de seu Mestre e Senhor, que ‘não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos’”.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Amanhã: maior concelebração da história de Roma



Amanhã, sexta-feira, dia do encerramento do Ano Sacerdotal, a Igreja viverá "a Celebração Eucarística com o maior número de concelebrantes da história de Roma. Estão previstos cerca de 15 mil", anuncia o mestre das celebrações litúrgicas pontifícias.

Dom Guido Marini revela, além disso, que Bento XVI utilizará, na celebração, o cálice que pertencia a São João Maria Vianney, que hoje é conservado na paróquia de Ars.

João Maria Vianney (1786-1859), acrescenta Marini, "esteve no centro do Ano Sacerdotal e nesta ocasião será proclamado pelo Santo Padre como padroeiro de todos os sacerdotes".

Na Celebração Eucarística, haverá momentos particulares, como o "rito de aspersão com a água benta, como ato penitencial", fazendo referência "ao sangue e à água manados do Coração do Senhor como salvação para o mundo e também para retomar o tema da purificação, sobre o qual o Papa falou ultimamente, em diversas ocasiões".

Segundo Dom Marini, "depois da homilia, os sacerdotes renovarão as promessas sacerdotais, como na Quinta-Feira Santa, na Missa crismal".

"No final da concelebração, antes da bênção final, o Santo Padre renovará o ato de consagração dos sacerdotes a Nossa Senhora, segundo a fórmula utilizada por ocasião da recente peregrinação a Fátima."

Onda de ataques ao sacerdócio exige purificação e oração





Ao momento atual, caracterizado por uma onda de contestação e oposição ao sacerdócio, é preciso responder com purificação e oração, explicou hoje o cardeal Marc Ouellet, arcebispo de Québec, em uma meditação dirigida aos quase 10 mil sacerdotes que participam do congresso internacional preparado para o encerramento deste Ano Sacerdotal.

Diante desta situação, comentou o prelado, "rezamos juntos pela unidade da Igreja e pela santificação dos sacerdotes, arautos da Boa Nova da salvação".

O cardeal canadense recordou que "a Igreja Católica conta hoje com 408.024 sacerdotes, divididos nos 5 continentes; 400 mil sacerdotes é muito pouco para 1 bilhão de católicos; 400 mil sacerdotes e, no entanto, um único Sacerdote, Jesus Cristo".

"O sacerdote que age in persona Christi Capitis e em representação do Senhor não faz nada em nome de um ausente, mas na Pessoa de Cristo Ressuscitado, que se faz presente com sua ação realmente eficaz", recordou Ouellet, citando Bento XVI.

Por isso, aconselhou os sacerdotes a conservarem "uma consciência viva de estar agindo na pessoa de Cristo".

Na homilia, o cardeal Tarcisio Bertone insistiu em que o sacerdote deve ser, antes de tudo, um homem de oração, para viver em profundidade a beleza do celibato.

Para o prelado, a dimensão orante constitui "não somente uma tarefa, mas a ‘coluna vertebral' da nossa existência, sua alma".

O celibato, sublinhou, "é sinal e ao mesmo tempo estímulo da caridade pastoral e fonte especial de fecundidade no mundo".

De fato, concluiu, "seu valor está claramente presente e é estimado com grande honra pela tradição das igrejas orientais, que também reconhecem a possibilidade de um ministério sacerdotal uxorado" (casado).

“Sacerdotes Hoje”: encontro multitudinário e testemunhos de fidelidade



Sacerdotes que descobriram ou cultivaram sua vocação em meio à guerra, que abandonaram uma vida dedicada ao vício, que descobriram sua vocação em meio à crise de fé do país ao que pertencem ou em meio à doença... Estes foram os testemunhos compartilhados ontem, no Vaticano, no encontro "Sacerdote Hoje", por ocasião do encerramento do Ano Sacerdotal.

O encontro foi promovido pelos sacerdotes do movimento dos Focolares, Shoenstatt, Renovação Carismática, além de outros movimentos eclesiais da Europa e da América Latina. Também contou com o apoio da Congregação para o Clero.

O evento começou às 16h, acompanhado por coreografias, músicas, vídeos sobre a vocação sacerdotal e alguns extratos de discursos do Papa ao longo do Ano Sacerdotal. Neste ambiente festivo, havia milhares de sacerdotes, procedentes dos cinco continentes, com fones de ouvido para a tradução simultânea, dispostos a ouvir os testemunhos dos seus irmãos no sacerdócio, que compartilhavam, em primeira pessoa, como Deus tocou seu coração e como continua lhes dando a graça da fidelidade ao chamado.

Em meio à guerra

Os primeiros a compartilhar a história da sua vocação foram 3 sacerdotes do Burundi (África), Ildephonse Niyogabo, Pasteur Manirambona e Marc Bigirindavyi. O primeiro deles contou que entrou no seminário em 1992 e, pouco tempo depois, começou uma guerra civil em seu país. As tropas invadiram o seminário menor de Buta, onde ele fazia sua formação.

"Lembro que, no dia 29 de abril de 1997, os adversários entraram no nosso seminário. Nós nos perguntávamos: ‘como devemos nos comportar?' - testemunhou. Pensamos em permanecer unidos. Começaram a atirar sem controle. Continuamos unidos e, naquele dia, perdi meu irmão, junto aos outros seminaristas."

"Fui atingido e acabei parando embaixo da cama. Logo depois, houve uma grande explosão: jogaram uma granada no lugar em que estávamos - recordou. E continuaram atirando. No meio desse inferno, meus companheiros morriam, dizendo: ‘Deus, perdoai-os, porque não sabem o que fazem'. Os sobreviventes começaram a curar as feridas dos outros, correndo o risco de morrer também."

O Pe. Niyongabo confessou que, depois desse episódio, ele viveu uma batalha interior e começou a se questionar se era preciso ser sacerdote para ser um bom cristão. Quando o reitor do seminário lhe pediu para lecionar lá, ele se sentiu novamente chamado. "Entrei no seminário maior e, em 2004, tornei-me sacerdote", concluiu.

Em uma cultura secularizada
Outro testemunho foi o de Dom Joseph Grech, bispo de Sandhurst (Austrália), que comentou que o único objetivo da sua vocação é "ajudar as pessoas a ter uma relação profunda com Jesus Cristo".

"Agradeço a Deus pelo meu primeiro pároco que, um dia, não muito tempo depois da minha chegada à paróquia, orou comigo. Ele pediu a Deus que eu pudesse, desde o início do meu ministério sacerdotal, experimentar o que significava ser testemunha de Cristo ressuscitado", afirmou.

"No profundo do meu coração, sei que Jesus está presente em tudo o que faço e toca aqueles que passam pelo meu caminho, assim como fazia quando passava pelas ruas de Israel", disse o bispo.

Na escravidão do álcool

O Pe. Helmut Kappes, da Alemanha, confessou ao público os problemas de alcoolismo que enfrentou em sua juventude: "Eu pensava que isso me ajudaria a enfrentar melhor as situações difíceis. Mas, ao contrário, elas aumentaram".

E foi assim como ele decidiu começar uma terapia de reabilitação: "Diferentes encontros me fizeram entender quão importante era escutar o que havia no fundo da minha alma".

Hoje, o Pe. Kappes trabalha em tempo integral no apostolado: "Sinto-me sustentado pela minha comunidade", concluiu.

Na provação da doença

O sacerdote venezuelano Cristian Díaz Yepes contou que, na juventude, queria ser pintor e escritor, "mas Deus me chamava a algo maior".

Porém, no caminho rumo ao sacerdócio, foi-lhe diagnosticada esclerose múltipla, doença que o impediria de ser ordenado.

"Procurei viver cada momento com intensidade, para que os meus companheiros realizassem esta vocação que eu supostamente estava perdendo", comentou.

No entanto, sua saúde começou a melhorar e seus superiores lhe permitiram continuar no seminário. Entre a ordenação diaconal e presbiteral, teve outra doença, mas finalmente pôde superá-la e chegar ao sacerdócio: "Tenho certeza de que minha segurança não pode ser outra fora de Deus", concluiu.

Em meio aos escândalos
Outro testemunho veio do sacerdote irlandês Brendan Purcell, quem, após contar a história da sua vocação, refletiu sobre o momento difícil que a Igreja vive na Irlanda por causa dos escândalos de abusos sexuais por parte de alguns sacerdotes.

Ele contou que, ao ser convidado para participar de um debate sobre este tema em um programa de televisão, adotou um propósito: "Não devo ganhar, e sim amar".

"Ao invés de dizer que não tenho nada a ver com isso, falei da minha vergonha e assumi os pecados dos outros." Uma das vítimas de abusos, que estava presente no programa, ao invés de atacar o sacerdote, comentou: "É bom ouvir um sacerdote assim".

O encontro dos sacerdotes terminou com vésperas solenes, presididas pelo cardeal Cláudio Hummes, prefeito da Congregação para o Clero.

Seguir as pegadas dos grandes sacerdotes, indica cardeal



Nesta semana em que se encerra o Ano Sacerdotal, o arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Scherer, indica aos padres que eles sigam o exemplo dos grandes sacerdotes da Igreja.

“Na Igreja do passado e do presente temos, felizmente, muitos exemplos exímios de sacerdotes, que foram pastores vigilantes e corajosos do rebanho de Cristo”, afirma Dom Odilo, em artigo publicado na edição desta semana do jornal O São Paulo.

Sacerdotes que foram “guias sábios e decididos, que ajudaram a barca de Cristo a atravessar os mares agitados da história”. Segundo o cardeal, ter lembrado o exemplo deles “foi um grande bem trazido à Igreja pelo Ano Sacerdotal”.

Dom Odilo cita a figura de São Bonifácio, que a Igreja celebrou no dia 5 de junho passado. “Monge inglês, promoveu no início do século 8º, com coragem e dinamismo, em várias regiões da Alemanha, algo que hoje chamaríamos de ‘nova evangelização’. Por
isso, ele é conhecido como apóstolo da Alemanha”.

“Por fim, foi bispo, pastor solícito e vigilante sobre o rebanho e mártir de Cristo. Numa carta ao clero, fala da missão de governar a Igreja: ‘A Igreja é como uma grande barca, que navega pelo mar deste mundo. Sacudida pelas diversas ondas das tentações, ela não deve ser abandonada a si mesma, mas governada’”.

Segundo o arcebispo de São Paulo, diante dos desafios e dificuldades que enfrentava, Bonifácio confessa que sentia vontade de abandonar o leme da barca de Cristo. “Mas o exemplo dos grandes e santos pastores da Igreja lhe devolvia forças para permanecer firme na sua missão”, escreve Dom Odilo.

Bonifácio indica aos sacerdotes: ‘Permaneçamos firmes na justiça e preparemos nossas almas para a provação. Suportemos as demoras de Deus; confiemos naquele que colocou sobre nós este fardo. Não podendo carregá-lo sozinhos, confiemos no auxílio daquele que é onipotente e nos diz: ‘meu jugo é suave e meu fardo é leve’’.

“Bonifácio tem palavras inspiradas para encorajar os pastores do povo: ‘fiquemos firmes no combate, porque vieram sobre nós dias de angústia e de tribulação. Não sejamos cães mudos, não sejamos sentinelas caladas, não sejamos mercenários que fogem dos lobos, mas pastores solícitos, vigilantes sobre o rebanho de Cristo’”.

O cardeal cita ainda o monge inglês: ‘enquanto Deus nos der forças, preguemos toda a doutrina do Senhor ao grande e ao pequeno, ao rico e ao pobre, a todas as classes e idades, oportuna e inoportunamente’.

Segundo Dom Odilo, é preciso seguir as pegadas de grandes sacerdotes como São Bonifácio. Mas, mais ainda, “seguir o exemplo de Cristo”.

Sacerdote, chamado à nova evangelização



Este Ano Sacerdotal quer ser uma ocasião para renovar nos sacerdotes a consciência de sua missão evangelizadora, afirmou o cardeal Cláudio Hummes, prefeito da Congregação para o Clero, na homilia da Missa com a qual iniciaram hoje os atos de clausura deste Ano, na Basílica de São João de Latrão.

"O grande objetivo do Ano Sacerdotal foi renovar em cada presbítero a consciência e a atualidade concreta de sua verdadeira identidade sacerdotal e de sua específica espiritualidade, com a finalidade de continuar novamente a missão de forma renovada", afirmou o purpurado.

Diante dos milhares de presbíteros procedentes de todo o mundo que foram a Roma para o Encontro Internacional da clausura, o cardeal Hummes afirmou a urgência "da missão ad gentes e a nova evangelização missionária nas terras já evangelizadas".

"Isso significa que é urgente se levantar e ir em missão. É isso que o Espírito Santo, em encontro internacional, quer renovar em todos nós", explicou.

"Devemos ser muito conscientes da atual urgência missionária. Sintamo-nos mais uma vez convocados pelo Senhor e enviados por Ele. É necessário levantar e seguir em missão por todos os lugares."

Por um lado, a "descristianização dos países da antiga evangelização"; por outro, "a nova evangelização, que muitas vezes deverá ser uma verdadeira primeira evangelização, além do primeiro anúncio de Jesus Cristo nos países e nos ambientes em sentido estrito chamados terras e âmbitos de missão ad gentes".

O prefeito da Congregação para o Clero recordou que "os meios para viver e atuar sua vocação e sua missão, o presbítero os encontra, sobretudo, na Palavra de Deus, na Eucaristia e na oração".

"O contato diário com a Palavra de Deus, em particular, na forma da lectio divina e do estudo da teologia, é indispensável para aprofundar sua adesão a Jesus Cristo e alimentar o conteúdo de sua evangelização."

Por sua vez, a Eucaristia "é centro e ápice da vida da Igreja e, desta forma, da vida do presbítero".

Todo o ministério do presbítero "está ordenado à Eucaristia e parte da Eucaristia para a missão. A missão busca levar novos discípulos à mesa do Senhor e, da mesa eucarística, os discípulos partem novamente para a missão", concluiu.

Encontro sacerdotal no Vaticano evidencia “beleza do celibato”



Os sacerdotes são irmãos de todo homem e de toda mulher: assim se explica a "atualidade e a beleza" do celibato, disse o cardeal Tarcisio Bertone nesta quarta-feira, em uma tarde de reflexão dedicada ao testemunhos dos presbíteros.

Os sacerdotes são, essencialmente, "irmãos entre os irmãos, nos quais se vislumbra o rosto de Cristo. Irmãos de cada pessoa humana, a quem amam e servem com total dedicação, sem esperar nada em troca, sem buscar seus próprios interesses", explicou o secretário de Estado vaticano.

"Assim se compreende a atualidade e a beleza do celibato - acrescentou. E em vós, esta beleza resplandece daquele amor incondicional que sempre foi tão importante para a Igreja, como símbolo e estímulo à caridade, e como uma fonte especial de fecundidade no mundo."

A Igreja e a humanidade "necessitam de sacerdotes desta estirpe, autênticos profetas de um novo mundo; o mundo iniciado com a vinda de Cristo, em contínuo devir, em contínua formação", assegurou.

O encontro, do qual participaram milhares de sacerdotes provenientes de 70 países, teve por tema "Os Sacerdotes hoje" e foi promovido por sacerdotes ligados ao movimento dos Focolares, Schoenstatt, Renovação Carismática Católica e outras associações eclesiais.

O cardeal Bertone enfatizou como, "nestes tempos, experimentamos a dor causada pela infidelidade, por vezes tão grave, por parte de alguns membros do clero", a ponto do Pontífice dizer aos jornalistas, durante sua viagem a Portugal, de "uma perseguição que nasce do interior da própria Igreja".

Ao final do encontro, seguiu a celebração das vésperas. Em sua homilia, o cardeal Cláudio Hummes, prefeito da Congregação para o Clero, falou do momento de um "renovado Pentecostes", no qual, em primeiro lugar, os presbíteros são chamados a atender à missão a eles confiada pelo Senhor.

"Para tal - concluiu -, o presbítero é pastor sempre, 24 horas por dia."

Cardeal Meisner: antes de mudar Igreja, é preciso mudar próprio coração


Para tornar a Igreja "mais atraente", o primeiro passo não deve ser tentar mudá-la, e sim buscar mudar o próprio coração.

Foi o que afirmou o cardeal Joachim Meisner, arcebispo de Colônia (Alemanha), na manhã desta quarta-feira,09 de junho, na Basílica de São Paulo de fora dos Muros, durante a meditação por ele oferecida antes da Celebração Eucarística presidida pelo cardeal Cláudio Hummes, por ocasião do encerramento do Ano Sacerdotal.

Uma vez que a Igreja é a Ecclesia semper reformanda, explicou o cardeal Meisner, nela tanto o sacerdote como o bispo são também um semper reformandus e, como Paulo em Damasco, "devem sempre ser atirados ao chão de seu cavalo, para cair nos braços de Deus misericordioso, que os envia depois ao mundo".

Para isso, "não é suficiente que em nosso trabalho pastoral desejemos levar a cabo correções nas estruturas de nossa Igreja (...); é preciso uma mudança de coração, em meu coração".

"Somente um Paulo convertido foi capaz de mudar o mundo", enfatizou.

O cardeal Meisner reconheceu que "uma das perdas mais trágicas" sofridas pela Igreja na segunda metade do século XX foi "a perda do Espírito Santo no sacramento da Reconciliação".

A participação escassa neste sacramento é, segundo ele, "a raiz de muitos males na vida da Igreja e do sacerdote".

"Quando os fiéis me perguntam: ‘como podemos ajudar nossos sacerdotes?', sempre respondo: ‘confessando-se com eles!'", acrescentou.

Para o purpurado, "quando o sacerdote deixa de ser um confessor, torna-se um assistente social religioso, entrando em uma grave crise de identidade".

"Confessar-se significa recomeçar a crer - e, ao mesmo tempo, descobrir - que até então não havíamos nos dedicado com suficiente profundidade e que, por isso, devemos pedir perdão."

De fato, é nesse sacramento que se encontra "o Pai misericordioso com os dons mais preciosos que tem para oferecer - o perdão e a graça".

Com a confissão, concluiu, "volta-se para o interior do próprio movimento do amor de Deus e do amor fraterno, na união com Deus e com a Igreja, pelo qual se exclui o pecado".

quarta-feira, 9 de junho de 2010

“Contribuição do Papa à Liturgia vem de seu ensinamento e magistério”, diz Monsenhor Guido Marini



Cidade do Vaticano (Quarta-feira, 09-06-2010, Gaudium Press) Na semana em que se conclui em Roma o Ano Sacerdotal convocado pelo Papa, Gaudium Press traz uma entrevista exclusiva sobre o tema com Monsennhor Guido Marini, Mestre das Celebrações Litúrgicas do Papa, realizada por Anna Artymiak, correspondente da agência no Vaticano.

Nela, o responsável pela liturgia do missal do Santo Padre fala, ainda, sobre seu trabalho junto ao pontífice, sobre as mudanças litúrgicas ocorridas nos últimos anos e sobre o surgimento de sua vocação sacerdotal. Acompanhe.


Gaudium Press - Na Igreja Católica se conclui o Ano Sacerdotal. Qual é o real significado da celebração litúrgica da missa e da Eucaristia na vida de um sacerdote?

Creio que uma celebração litúrgica em geral, e em particular a celebração da missa, seja o centro, o coração da vida de um sacerdote, seja do ponto de vista pessoal, seja do ponto de vista do seu ministério em meio ao povo de Deus. Do ponto de vista pessoal, porque a vida de um sacerdote é como a de um fiel; porém a sua em particular ganha plenitude a partir da celebração litúrgica, da missa. Poderíamos dizer que toma a forma do sacrifício eucarístico porque nisso o sacerdote aprende o que significa ser Jesus entre o seu povo. Por outro lado, na celebração eucarística o sacerdote encontra também o centro e o coração para a sua vida ministerial, seja porque a missa é o ato maior que o sacerdote pode realizar em favor do povo que lhe foi confiado, portanto, em favor da Igreja, e também porque justamente da participação na celebração litúrgica, na missa, na Eucaristia, o sacerdote encontra a caridade do coração do Senhor, e portanto, o estímulo para cumprir sua missão, seu ministério.


GP - O senhor dá assistência ao Santo Padre em todas as celebrações. Como Bento XVI vive a oração e a missa?

Sim, tenho essa graça de poder estar muito perto dele e portanto, de poder vê-lo também muito de perto. Creio, por outro lado, que também todos aqueles que estão presentes na celebração do Papa possam perceber alguns aspectos do seu modo de celebrar. Certamente o Papa vive, no momento da celebração, o momento mais alto, mais importante de seu próprio ministério enquanto Sumo Pontífice. Pessoalmente pode-se vê-lo sempre muito recolhido durante a missa, partícipe em primeira pessoa daquilo que está celebrando, daquilo que está vivendo. Creio que poder estar presente em uma celebração do Papa, para todos, para mim em modo particular visto que estou muito próximo a ele, é uma verdadeira escola do celebrar - como o Papa diria, do "ars celebrandi". Creio que o Papa seja um mestre no "ars celebrandi".

GP - O então Cardeal Ratzinger escreveu um famoso livro sobre a liturgia, "Introdução ao espírito da Liturgia", que ajuda a entender melhor o empenho de Bento XVI no desenrolar da liturgia. Qual é a contribuição de Bento XVI na liturgia no nosso tempo pós-conciliar?

Creio que a contribuição que Bento XVI deu e está dando à liturgia, porque conhece cada primeiro desenvolvimento, é cada vez mais significativamente em linha com o Concílio Vaticano II, ao mesmo tempo a continuidade com toda a grande tradição litúrgica da Igreja, e através de dois níveis. Através de seu ensinamento, o seu magistério neste âmbito litúrgico, e depois através do exemplo de seu celebrar que diz respeito a São Pedro, Roma, mas diz respeito também aos momentos inteiros, também das virtudes das celebrações do Papa nos vários países que visita. Parece-me que os dois grandes atos do magistério sejam de um lado o motu próprio, de grande importância pelos seus conteúdos e pelas avaliações que o Papa apresentou, e de outro a exortação pós-sinodal sobre a Eucarisita, aquela que se seguiu ao Sínodo sobre a Eucaristia, "Sacramentum caritatis". E também, repito, o exemplo de sua celebração, na qual é possível encontrar tantos elementos que realmente são uma ajuda de desenvolvimento orgânico da liturgia na Igreja de hoje.

GP - Há quase três anos o senhor é encarregado como Mestre das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice. O senhor introduziu algumas mudanças, como por exemplo a colocação do crucifixo no centro do altar e a distribuição da Eucaristia de joelhos colocada na boca. Por quê? No início deste ano, em uma fala sua aos sacerdotes, o senhor disse que há uma continuação na liturgia e que é errado separar a liturgia pré-conciliar daquela pós-conciliar. Como é possível entender essas mudanças? Essas mudanças são um retorno ou significam algo mais?

Falar de liturgia pré-conciliar, pós-conciliar é possível. O importante é que esse modo de falar não seja entendido como uma separação e, assim, ver que o que era antes é negativo e o que vem depois é positivo. Porque esta não é a vida da Igreja. A vida da Igreja é como um organismo vivo que não pode ser separado, quebrado, mas deve ser sempre considerado justamente segundo aquele critério que o Papa cita tantas vezes, um desenvolvimento orgânico em continuidade de sua vida. Istoé no que concerne à terminologia. E então, na prática da liturgia, se deve viver a contraposição entre o passado e o presente. Nós temos um patrimônio enorme que está no nosso passado porque ainda vive, que vive também no mundo. O fato que possam existir alguns aspectos que recuperam as coisas do patrimônio precedente não significa um retorno ao passado, significa mais encontrar uma nova síntese, justamente porque coloca lado a lado novamente alguns elementos importantes, verdadeiros do passado, que fazem dar um passo à frente no desenvolvimento da liturgia.


GP - Bento XVI restituiu a missa tridentina. Um dia podemos ver o Papa celebrar a missa tridentina?

Isto eu não sei dizer. Não creio que neste momento haja intenções a esse respeito. Penso que no momento em que o Papa deu esta oportunidade, estendendo-a e de fato a retomando, desenvolvendo o que João Paulo II já havia concedido um pouco, foi de certa forma para criar um movimento de reconciliação dentro da Igreja. De forma que o antigo e o novo não se olhem com suspeita, contraposição, mas se olhem com cordialidade, pensando que ambas as formas podem contribuir para que o povo de Deus viva bem a celebração litúrgica. Por outro lado, creio que o Santo Padre desta maneira tente favorecer o enriquecimento das duas formas. Porque a forma antiga, extraordinária certamente pode ser enriquecida de forma ordinária. E a forma ordinária, enriquecida de forma extraordinária. Esse recíproco enriquecimento no tempo constitui o próprio desenvolvimento orgânico da Igreja.

GP - Como é o cotidiano do Mestre das Celebrações Litúrgicas? Quais são seus compromissos? Poderia nos apresentar um pouco o seu trabalho?

É um dia geralmente ocupado, no sentido que o trabalho deste departamento é um trabalho contínuo de preparar, predispor, cuidar do desenrolar de todas as celebrações do Papa, seja em São Pedro, em Roma, na Itália, seja nas viagens ao exterior. Se passa de uma celebração a outra. Depois, é verdade que há algumas celebrações que entram na dimensão mais simples, mas que precisam também ser preparadas, porém em modo mais tranquilo. Enquanto isso, são celebrações mais elaboradas, porque fora do ordinário, as celebrações das viagens ao exterior. Essas requerem uma preparação mais acurada, também mais longa. O trabalho do departamento é um trabalho cotidiano que diz respeito ao departamento como edifício. Quer dizer também ir aos lugares antecipadamente para uma vistoria, para os ensaios, para a preparação. Então diria que é um trabalho que ocupa total e integralmente o meu tempo e de meus colaboradores.

GP - Como nasceu a sua vocação sacerdotal e o seu interesse na liturgia?

A minha vocação está no coração do Senhor desde sempre. Eu comecei a sentir a vocação quando estava no ensino médio, o liceu clássico. De um lado este sentir a vocação foi um processo interior que vivi naqueles anos e que certamente me ajudou, apoiado pela presença de alguns sacerdotes que foram para mim exemplares e que me ajudaram também a entender o chamado do Senhor. Devo dizer que vivi a vocação sacerdotal como uma passagem de uma vida de fé um pouco em água de rosas à uma vida de fé que é mais empenhada, mas esta passagem coincidiu justamente com o sentir que o Senhor me chamava para o sacerdócio. Logo vivi uma experiência de fé, aquele encontro com o Senhor neste modo mais radical, principalmente através da liturgia. Esse foi um momento privilegiado do meu encontro com o Senhor, da minha compreensão de sua vontade em mérito.


Anna Artymiak

Roma acolhe a maior reunião internacional de sacerdotes da história



Cerca de 9 mil sacerdotes participam do Encontro Internacional que começou hoje em Roma e seguirá até a sexta-feira, como conclusão do Ano Sacerdotal, convocado pelo Papa Bento XVI por ocasião do 150° aniversário do dies natalis de João Maria Vianney, santo padroeiro de todos os párocos do mundo, que agora será proclamado pelo Papa “patrono de todos os sacerdotes do mundo”.

O acontecimento, promovido pela Congregação para o Clero e confiado em sua organização técnico-logística à Obra Romana de Peregrinações, coloca-se em continuidade com os encontros internacionais do clero precedentes que, entre 1996 e 2004, ocorreram em Fátima, Yamoussoukro, Guadalupe, Nazaré, Belém, Jerusalém, Roma (no grande jubileu de 2000) e em Malta.

O Encontro Internacional dos Sacerdotes retorna a Roma, com o tema “Fidelidade de Cristo, Fidelidade do Sacerdote”, que promete se converter na reunião de padres mais numerosa da história, assim como no maior acontecimento eclesial do ano.

A capital preparou-se para acolher os 9 mil sacerdotes procedentes de 19 países. Os locais de celebração destes “três dias sacerdotais” são as basílicas de São Paulo Fora dos Muros, São João de Latrão e São Pedro.

Na manhã de hoje, houve nas basílicas de São Paulo e São João, unidas por vídeo-conferência, uma meditação, seguida de adoração eucarística e Missa.

No início da noite desta quinta-feira (20h30), acontece uma vigília na Praça de São Pedro, com a presença do Papa. No dia seguinte, às 9h30, novamente na Praça, Bento XVI presidirá à Missa conclusiva do Encontro, concelebrada pelos sacerdotes.

Depois da Missa, a Obra de Peregrinações encerrará o evento sacerdotal com um momento de encontro no Castelo de Sant'Angelo.

O evento está aberto não só aos religiosos, mas também aos seminaristas, diáconos permanentes, às religiosas e aos leigos que trabalham junto aos padres em suas comunidades paroquiais, assim como aos fiéis em geral, que poderão participar dos momentos na Praça de São Pedro.

Nestes dias estão previstas algumas iniciativas promovidas por movimentos e outros organismos eclesiais, coordenados pela Congregação para o Clero.

A Obra Romana de Peregrinações também propõe algumas outras experiências de peregrinação, como a “Roma Cristã”, ou a continuação da viagem rumo à Terra Santa, Lourdes, Assis ou a San Giovanni Rotondo.

Três padres estaram representado a Diocese de Piracicaba : Pe. Aparecido Barbosa - Pároco da Paróquia São Francisco de Assis - Piracicaba; Pe. Claudemir Aparecido da Rocha - Pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida - Piracicaba e Pe. Edmundo de Lima Calvo - Pároco da Paróquia São Francisco de Assis - Rio Claro

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Fidelidade de Cristo, Fidelidade do Sacerdote, como fica ?


Acontecerá nos dias 09,10 e 11 de junho o encontro internacional de sacerdotes em Roma, e No dia 10 celebraremos o dia de santificação do clero,e ainda no dia 11 solenidade do sagrado coração de Jesus,encerraremos o ano sacerdotal, portanto nesta semana tão sacerdotal,meditemos um pouco a cerca do sacerdócio no dias de Hoje, e também dos frutos deste ano sacerdotal.
O sacerdote é aquele que mesmo com seus pecados age no “In Persona Christi Capitis” (Na pessoa do Cristo Cabeça), e é isso o mais impressionante no sacerdócio, Agir na pessoa do Cristo, e assim renovar diariamente o Santo Sacrifico da Cruz de Cristo.O sacerdócio é o quem faz Jesus presente ,real e substancialmente sobre as espécies do pão e do vinho consagrados.
Só quem é fiel a Igreja entende o valor do sacerdote, e compreende sua grande missão, pois o sacerdote nesta sociedade tão marcada pela pluralidade religiosa,tem a desafiadora missão de ensinar uma fé tão bonita e autentica, que é a fé católica. O sacerdote insubstituível na sociedade, porque o padre é um homem moldado pela auto-revelação de Deus ao mundo.
É uma grande alegria poder falar do sacerdócio neste ano tão bonito convocado pelo papa Bento XVI, o ano sacerdotal, que esta para se encerrar e que tem como tema: “Fidelidade de Cristo, Fidelidade do sacerdote”, o sacerdote é aquele que é chamado por Cristo a ser fiel a Ele e a humanidade para qual foi constituído em cristo, Pastor e Juiz.
Para mim, Um Jovem Vocacionado a vida sacerdotal, é uma alegria constatar no Sacerdote a fidelidade a Cristo e a sua Igreja, e também constar no sacerdote, a Alegria de servir a Cristo, nesta especial vocação! Animado pelo dia mundial de santificação do Clero, quero fazer menção aqui, a todos os últimos escândalos envolvendo a igreja de Jesus Cristo, e perguntar a todos, Qual o motivo que a mídia tem para atacar tão severamente a Igreja como instituição?Porque a mídia quer usar o celibato clerical, como motivo da pedofilia? Será coincidência, todas essas acusações virem à tona, justo dentro do ano sacerdotal, proclamado pelo Papa Bento XVI, Isso todo só tem um motivo Satanás quer atingir a Igreja e sabe que para isso basta atingir os padres, Pois sabe que não poderá existir Igreja sem Sacerdote!Satanás e sua legião querem Mostrar sinais de fraqueza que por ventura surgiram em alguns sacerdotes, para abalar a fidelidade de tantos e tantos sacerdotes, que dão a vida pela causa do evangelho, quer também abalar as inúmeras vocações sacerdotais que vem surgindo no seio da Igreja! Mais ao encerramos este ano sacerdotal teremos que gritar pra o mundo e os infernos ouvirem que: ... "As portas do inferno nunca prevalecerão contra a Igreja de Jesus"!(Mt.16,18)

Walace Prado - Vocacionado da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro - RJ.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Relatório apresentado no Vaticano mostra como sacerdotes vêm usando a internet


Um relatório com "indicações práticas" sobre como a Congregação para o Clero deve responder ao "desafio" deixado pelo Papa em sua última Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações, para os padres "serem mais presentes no mundo digital", é como classifica, o cardeal Dom Cláudio Hummes, o documento divulgado hoje "Picture", sobre o uso de Tecnologias da Informação pelos padres da Igreja Católica.

Os resultados foram apresentados em uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira na Rádio Vaticana. O estudo apresenta 4992 respostas pessoais, o que corresponde a 1,2% do número total de padres, e é fruto da colaboração entre a Universidade da Suíça italiana de Lugano, na Suíça e a Escola de Comunicação da Igreja da Pontifícia Universidade da Santa Cruz, em Roma, Itália.

Na coletiva, o prefeito da Congregação para o Clero afirmou que "a mídia de massa recentemente se tornou parte dos instrumentos comuns através dos quais as comunidades eclesiais se expressam". O cardeal Hummes enxerga o estudo como "muito útil para pensar as iniciativas pastorais e formativas para os padres da Igreja Católica". Além disso, o dicastério vê "indicações práticas" para atividades pastorais na realidade digital.

PICTURE significa, na sigla em inglês, "Uso da Tecnologia da Informação pelos Padres em suas Experiências Religiosas", e mostra um panorama do acesso e do uso pessoal da internet em atividades chave para os padres (homilias, oração e aconselhamento espiritual), estudo e inculturação. O relatório foi inspirado por e feito à luz do Ano Sacerdotal.

O tempo destinado às respostas foi curto, notou Dom Lucio Riz, da Pontifícia Universidade da Santa Cruz: de 15 de novembro de 2009 a 28 de fevereiro de 2010, para dar tempo para serem analisados os resultados. Apesar do endosso da Igreja, não se trata de um estudo eclesiástico, mas realizado pela secular New Media in Education program, da Uniservidade Suíça.

O questionário foi enviado para padres no mundo inteiro por meio das agências de imprensa de todas as Conferências Episcopais (somente Católicas, para eu fosse assegurado o resultado correto e o entendimento da proposta). Embora os padres tenham sido aconselhados para responder as questões de forma anônima, a maioria deles deixou nomes e contatos, o que ajuda em uma melhor análise do estudo, observou Dom Ruiz.

As questões estavam disponíveis em sete idiomas: português, espanhol, inglês, italiano, francês, alemão e polonês; com a possibilidade de a resposta ser dada tanto on line quanto em papel. A maior parte das respostas foi em espanhol (31,9%) e a menor, em português (4,9%).

Todas as 4992 respostas recebidas vêm de 117 diferentes países, distribuídas da seguinte forma: 54,6% da Europa, 37,3% das Américas, 3,9% da Ásia, 2,6% da África e 1,6% da Oceania, o que corresponde com a distribuição dos padres em cada parte do mundo.

O estudo mostra que os sacerdotes que responderam usam a internet quase diariamente. À procura de materiais para homilias, declararam acessar pelo menos uma vez por semana, o que significa que a internet se tornou uma fonte altamente valorizada no preparo de atividades de pregação. É menos utilizada quando se trata de aconselhamentos espirituais, com apenas 13,3% de frequência declarada, cinco vezes por semana. A internet como uma fonte de oração também não está ainda tão comum: 35,7% dos padres em todo o mundo nunca fazem online, quando quase a mesma porcentagem, 35,9% declara utilizar para esse fim somente uma vez por semana.

Para 26% dos padres a Internet é útil para o estudo diário, enquanto 34,1% fazem com a frequência de uma vez por semana. Somente 9,4% declaram nunca utilizar a web para estudar. Resultados elevados também na opinião sobre a utilidade da internet para o aprimoramento da formação sacerdotal: 40,6% concordam com a declaração, 23,8% fortemente concordam, enquanto apenas 6,4% discordam.

Para os sacerdotes, a internet tem um papel igualmente muito importante em apresentar a mensagem cristã: 52,2% veem utilidade sob esse propósito, e 7% acreditam que não há. Ainda para 72,9%, "novas tecnologias permitem a inculturação no mundo atual", enquanto 2,7% discordam.

O estudo denota ainda uma atitude positiva com relação às novas tecnologias pela maioria dos sacerdotes - em torno de 41,6%, sendo que apenas 12,2% têm uma percepção negativa. Enquanto isso, 38,2% veem mais oportunidades que perigos na web, mas 17,5% têm opinião contrária.

sábado, 29 de maio de 2010

Congresso Missionário vai reunir 150 seminaristas em julho


A formação missionária dos futuros padres é uma das preocupações do Conselho Missionário Nacional (Comina) e da Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados da CNBB, que promovem, de 4 a 10 de julho, o primeiro Congresso Missionário exclusivamente para seminaristas e formadores dos futuros padres. O Congresso, que será acolhido pelo Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora de Fátima, em Brasília, reunirá 150 seminaristas a partir do 3º ano de filosofia e 50 formadores.

A abertura do Congresso será no dia 4, às 19h, com missa presidida pelo secretário geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa. “O objetivo do congresso é ajudar os seminaristas do Brasil a assumir a dimensão missionária universal da vocação cristã e presbiteral”, explica o diretor das Pontifícias Obras Missionárias (POM), padre Daniel Lagni.

O Congresso vai discutir o tema “formação presbiteral para uma missão sem fronteiras”. “Por ocasião do Ano Sacerdotal, pareceu-nos oportuno promover um evento que fosse avaliação da caminhada feita e articulação, reflexão, compromisso e avanço em vista de uma formação presbiteral profundamente missionária”, acrescenta padre Daniel.

Uma cartilha foi elaborada pelos organizadores do Congresso e deverá ser estudada previamente pelos seminaristas que se inscreveram para o Congresso. Cartazes também foram distribuídos por todos os regionais da CNBB, divulgando o evento.

O evento é organizado pelas Pontifícias Obras Missionárias (POM), Centro Cultural Missionário (CCM) e pelas Comissões Episcopais para Animação Missionária e para os Ministérios Ordenados, ambas da CNBB. As entidades contam com o apoio da paróquia Divino Espírito Santo, de Brasília.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Em Roma, padres representam Diocese de Piracicaba


Pe. Edmundo de Lima Calvo - Pároco da Paróquia São Francisco de Assis - Rio Claro

Pe. Claudemir Aparecido da Rocha - Pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida - Piracicaba


Pe. Aparecido Barbosa - Pároco da Paróquia São Francisco de Assis - Piracicaba



Proclamado pelo Papa Bento XVI, a Igreja está celebrando o Ano Sacerdotal, em comemoração aos 150 anos de morte de São João Maria Vianney, conhecido como São Cura D’Ars, patrono dos párocos e que foi proclamado pelo Papa Bento XVI também patrono de todos os sacerdotes.

Esse ano jubilar teve início no dia 19 de junho do ano passado, solenidade do Sagrado Coração de Jesus e Dia de Oração pela Santificação do Clero. E seu encerramento será na mesma solenidade litúrgica deste ano, no dia 11 de junho.

As atividades de encerramento do Ano Sacerdotal acontecerão de 9 a 11 de junho, em Roma, com a realização de um grande congresso internacional para sacerdotes. A Diocese de Piracicaba estará representada pelos padres Aparecido Barbosa, Claudemir Aparecido da Rocha e Edmundo de Lima Calvo.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Padre é instrumento pelo qual Cristo chega às almas, diz Papa


"Cada pastor é um instrumento através do qual Cristo chega às almas, para instruí-las e preservá-las". Foi o disse o Papa Bento XVI na catequese desta quarta-feira, 26, junto aos milhares de peregrinos reunidos na Praça São Pedro, no Vaticano. O Santo Padre recordou que, nas últimas semanas, falou sobre o ministério do sacerdote de ensinar e de santificar e, hoje, destacou o seu ofício de governar a porção do povo de Deus a ele confiado.

Segundo explicou Bento XVI, "para guiar o rebanho, o sacerdote necessita ter uma profunda amizade com o Senhor, uma contínua disponibilidade para deixar que Ele governe a sua vida e uma real obediência à Igreja".

"Por isso, na base do ministério pastoral, está o encontro pessoal e constante com o Senhor, para conformar a própria vontade com a d’Ele", complementou.

O Papa fez o convite aos sacerdotes para participarem das celebrações conclusivas do Ano Sacerdotal, de 9 a 11 de junho, quando "meditaremos sobre a conversão e a missão, o dom do Espírito e a relação com a Virgem Maria e renovaremos as nossas promessas sacerdotais, sustentados por todo o povo de Deus".

No final da Catequese, o Papa fez a saudação aos fiéis em vários idiomas. Em português, disse:
"Amados peregrinos de língua portuguesa, com destaque para a Associação 'Família da Esperança' pela numerosa presença dos seus membros: a minha saudação amiga para vós e para os fiéis de Niterói e de Curitiba. De coração a todos abençoo, pedindo que rezeis por mim, Sucessor de Pedro, cuja tarefa específica é governar a Igreja de Cristo, bem como pelos vossos Bispos e sacerdotes para que saibamos cuidar de todas as ovelhas do rebanho que Deus nos confiou. Obrigado!"