sábado, 14 de agosto de 2010

50 Anos de Posse de Dom Aníger em Piracicaba



Sessão do Concílio Ecumênico Vaticano II, Dom Aníger se encontra na terceira fileira, o segundo da esquerda para a direita


No dia 15 deste mês, nossa diocese comemora 50 anos da posse de seu segundo bispo diocesano, Dom Aníger Francisco de Maria Melillo. Ele foi nomeado pelo Papa João XXIII em 29 de maio de 1960, ordenado bispo no dia 29 de junho e tomou posse no dia 15 de agosto. Tinha como lema episcopal “Omnes unum sint” (Que todos sejam um).

Ao iniciar seu ministério na diocese, visitou todas as paróquias, reconhecendo o trabalho de seu antecessor e tomando ciência das dificuldades e necessidades.

Participou do Concílio Vaticano II (1962-1965) e imprimiu na diocese a renovação proposta por esse concílio. Dinamizou o trabalho pastoral diocesano na linha do Plano de Emergência da CNBB.

No dia 9 de maio de 1967, constituiu o primeiro Conselho Diocesano de Presbíteros, com as finalidades a ele atribuídas pelo Concílio Vaticano II. Dentro do espírito de renovação que a Igreja vivia e com o objetivo de um melhor trabalho pastoral, em dezembro do mesmo ano, dividiu a diocese em três regiões pastorais: Piracicaba, Rio Claro e Capivari. Criou doze paróquias e ordenou catorze padres diocesanos, entre eles, o futuro bispo Dom Mauro Morelli.

Uma das preocupações de Dom Aníger foi com a organização da Pastoral Familiar e para tanto incentivou a implantação, na diocese, do Movimento Familiar Cristão. Estimulou os movimentos leigos, notadamente os Focolares e os Cursilhos de Cristandade. Ficou conhecido como o “Defensor da família”, pela sua luta intransigente contra a legalização do divórcio.

OUTRAS REALIZAÇÕES - Criou a Faculdade de Serviço Social, o Colégio Comercial “Imaculada Conceição” e o Cemitério Parque da Ressurreição. Reformou e ampliou as instalações da casa de campo dos seminaristas, no Bairro Nova Suíça, transformando-a no novo seminário diocesano que, no final de 1966, encerrou suas atividades, passando o prédio a abrigar o Centro Diocesano de Formação e hoje também o Seminário Propedêutico “Imaculada Conceição”. Deixou vários imóveis pessoais para o patrimônio da diocese.

Durante o período da ditadura militar, em 1966, marchou à frente das forças vivas na defesa dos princípios democráticos, em Piracicaba e Rio Claro. Abriu as portas da Catedral para abrigar reunião de estudantes da Escola de Agronomia e os acompanhou em passeata, defendendo a democracia, evitando confronto com os policiais.

Dados biográficos

Dom Aníger nasceu em Campinas, no dia 27 de junho de 1911, filho de Vicente Melillo e Regina Morato Melillo. Foi ordenado sacerdote em 31 de dezembro de 1933, em Campinas. Em 29 de maio de 1960, foi nomeado bispo de Piracicaba pelo Papa João XXIII; em 29 de junho, foi ordenado bispo, em Campinas, por Dom Rui Serra, bispo de São Carlos.

Tomou posse na diocese em 15 de agosto de 1960, na festa da assunção de Nossa Senhora. Governou efetivamente a diocese até 28 de fevereiro de 1980, quando assumiu Dom Eduardo Koaik como Bispo Coadjutor e Administrador Apostólico “Sede Plena”, mas continuou como bispo titular até 11 de janeiro de 1984, quando sua renúncia foi aceita pelo Papa João Paulo II, tornando-se bispo emérito.

Dom Aníger já havia trabalhado em Piracicaba, nos primeiros anos de sacerdócio (de 1937 a 1940), como coadjutor do Monsenhor Manoel Francisco Rosa na Matriz de Santo Antônio (hoje catedral). Participou do Congresso Eucarístico, no qual a diocese foi instalada, em 1944.

Teve a alegria de poder ordenar padre, a pedido do Cardeal Dom Agnelo Rossi, seu próprio pai, o Dr. Vicente Melillo, viúvo e com 83 anos, em 15 de agosto de 1966.

JUBILEU SACERDOTAL - Em 1983 celebrou seu Jubileu de Ouro Sacerdotal. A diocese havia lhe preparado e vinha desenvolvendo um programa de festividades durante o segundo semestre daquele ano. Mas, a partir do mês de novembro, foram interrompidos os atos comemorativos face à grave doença de que Dom Aníger fora acometido. Como ele não pôde estar na Catedral no dia 31 de dezembro, data de seu Jubileu, Dom Eduardo esteve em sua casa, para celebrar, junto com os familiares, a Eucaristia dos seus 50 anos de padre.

Por ocasião do jubileu, Dom Aníger recebeu uma amável carta do Papa João Paulo II, saudando-o pelos 50 anos de ministério sacerdotal, que assim se inicia: “Unindo esta nossa fraternal felicitação à alegria da celebração de toda a comunidade católica de Piracicaba, desejamos, venerável irmão, enviar-te esta carta, para que, não só recebas uma prova concreta de nossa estima para contigo, mas também o testemunho de nossa grande admiração pelas tuas obras durante o longo currículo de tua sagrada missão.”

Em outro trecho da mensagem, o papa diz que “em verdade, ficamos satisfeitos conhecendo a tua dedicação verdadeiramente apostólica e também o total empenho nos teus deveres; sabemos, assim, que és verdadeiro filho da Igreja e digno ministro de Cristo.”

Dom Aníger faleceu em São Paulo no dia 17 de abril de 1985 e está sepultado na cripta da nossa Catedral de Santo Antônio.

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