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sábado, 12 de novembro de 2011

A Revelação e a Fé


A Revelação e a Fé
Por: Jonas Cunha y Silva








O que é a Revelação?

É a revelação de Deus, do mistério de sua vontade, pelo qual os homens por intermédio de Cristo, Verbo feito carne, no Espírito Santo, têm acesso ao Pai e se tornam participantes da natureza divina. (Catecismo da Igreja Católica 51-67)

Como se dá a transmissão da Revelação?

Através da Igreja, de maneira oral e escrita.

Oralmente – pelos apóstolos, na pregação oral, por exemplos e instituições, por terem vivenciado as obras de Cristo ou aprenderem das sugestões do Espírito Santo.

Escrito – pelos apóstolos e varões apostólicos que, sob inspiração do mesmo Espírito Santo, puseram por escrito a mensagem da salvação. (Catecismo da Igreja Católica 75-95)

O que é Fé?

É a resposta ao convite do Deus invisível, que levado por seu grande amor, fala aos homens como a amigos e os convida à comunhão consigo e nela os recebe. A fé é primeiramente uma adesão pessoal do homem a Deus, é ao mesmo tempo e inseparavelmente, o assentimento livre a toda a verdade que Deus revelou. (Catecismo da Igreja Católica 142-165)

sábado, 25 de setembro de 2010

Celebrando o Dia da Bíblia e São Jerônimo


A Bíblia é o livro da fé por excelência, a base de toda a doutrina cristã. Nela se fundamentam os valores e os princípios que norteiam nossa vida; nela encontramos a revelação de Deus Pai a transmitir a seus filhos os ensinamentos para a plena realização. Ela é a “Palavra de Deus escrita na linguagem dos homens”.

Toda a Bíblia quer revelar o projeto de Deus: a libertação integral dos homens. Mostra um Deus que se preocupa com seu povo, libertando-o da escravidão do Egito; que busca a justiça dos pobres e excluídos; que não quer a morte mas o arrependimento e a vida do pecador. Mostra um Deus que deseja que todos tenham vida e a tenham em plenitudeNo último domingo de setembro, mês dedicado à Palavra de Deus, a Igreja celebra o Dia da Bíblia. A data é escolhida em função da proximidade da festa de São Jerônimo (dia 30), que dedicou sua vida ao estudo das Sagradas Escrituras. Exegeta, grande teólogo e doutor da Igreja, possuidor de uma grande cultura literária e bíblica, ele foi responsável pela tradução da Bíblia para o latim, edição conhecida como “Vulgata”.

A Bíblia é um conjunto de 73 livros de vários autores, escritos em épocas e locais diferentes, durante mais de mil anos. Certamente uma coleção literária com tais peculiaridades correria o risco de dispersão no seu conteúdo. Por que isso não aconteceu? Porque há um fio condutor, uma idéia comum que perpassa todos eles, do Gênesis ao Apocalipse: a aliança entre Deus e os homens.

A celebração do Dia da Bíblia nos lembra o nosso compromisso com a Palavra de Deus, convidando-nos a viver, nesta sociedade de tanta desunião, a nossa aliança com Ele, revelada na fraternidade, sinal mais marcante de seu reino.

São Jerônimo

No dia 30 de setembro, celebra-se a memória litúrgica de São Jerônimo que dedicou sua vida ao estudo da Bíblia. É considerado um dos doutores da Igreja, possuidor de uma grande cultura literária e bíblica. Foi responsável pela tradução da Bíblia para o latim, edição conhecida como “Vulgata”; ela se tornou texto oficial de referência para toda a Igreja, especialmente para a Igreja latina do Ocidente.Tradutor e exegeta das Sagradas Escrituras, é grande teólogo e doutor da Igreja.

Nasceu em uma família muito rica na Dalmácia, hoje Croácia, no ano 347. Com a morte dos pais, herdou uma boa fortuna, que aplicou na realização de sua vocação para os estudos, pois tinha uma inteligência privilegiada. Viajou para Roma, onde procurou os melhores mestres de retórica e desfrutou a juventude com uma certa liberdade. Jerônimo estudou por toda a vida, viajando da Europa ao Oriente com sua biblioteca dos clássicos antigos, nos quais era formado e graduado doutor.

Ele foi batizado pelo Papa Libério, já com 25 anos de idade. Passando pela França, conheceu um monastério e decidiu retirar-se para vivenciar a experiência espiritual. Uma de suas características era o gosto pelas entregas radicais. Ficou muitos anos no deserto da Síria, praticando rigorosos jejuns e penitências, que quase o levaram à morte. Em 375, depois de uma doença, Jerônimo passou ao estudo da Bíblia com renovada paixão. Foi ordenado sacerdote pelo bispo Paulino, na Antioquia, em 379. Mas Jerônimo não tinha vocação pastoral e decidiu que seria um monge dedicado à reflexão, ao estudo e divulgação do cristianismo.

Voltou para Roma em 382, chamado pelo Papa Dâmaso, para ser seu secretário particular. Jerônimo foi incumbido de traduzir a Bíblia, do grego e do hebraico, para o latim. Nesse trabalho, dedicou quase toda sua vida. O conjunto final de sua tradução da Bíblia em latim chamou-se "Vulgata" (que significa “usual, comum”) e tornou-se oficial no Concílio de Trento.

Devido a certas intrigas do meio romano, retirou-se para Belém, onde viveu como um monge, continuando seus estudos e trabalhos bíblicos. Morreu no ano 420, em 30 de setembro, com, praticamente, 80 anos de idade. Foi declarado padroeiro dos estudos bíblicos.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Mês da Bíblia será celebrado com estudo do Livro de Jonas


Desde o Concílio Vaticano II, convocado em dezembro de 1961, pelo Papa João XXIII, a Bíblia ocupou espaço privilegiado na família, nos círculos bíblicos, na catequese, nos grupos de reflexão, nas comunidades eclesiais. O mês de setembro se tornou o mês referência para o estudo, a vivência e o testemunho da Palavra de Deus. Tornando-se o Mês da Bíblia.

Este ano, 2010, será o 39º ano que a Igreja celebra o Mês da Bíblia. A celebração surgiu em 1971, por ocasião do cinquentenário da Arquidiocese de Belo Horizonte (MG), e logo em seguida, a proposta foi lançada e aceita por toda a Igreja no Brasil.

A Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-catequética, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), juntamente com o Grupo de Reflexão Bíblica Nacional (GREBIN), dando continuidade à 12ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos (2008), propôs para o Mês da Bíblia deste ano o estudo do livro de Jonas, com destaque para a evangelização e a missão na cidade.

“Ele [livro de Jonas] tem como objetivo principal ajudar o povo a cumprir o anseio do último Sínodo (2008) que destacou o mandato missionário de todo cristão como consequência do Batismo. Acrescenta-se a isso o fato do documento de Aparecida também destacar o valor do mandato missionário. Outras motivações contribuíram para a escolha do livro de Jonas: a Campanha da Fraternidade Ecumênica e o Ano Paulino, que refletiram sobre a evangelização do mundo urbano. Através do livro de Jonas, Deus faz o mesmo apelo aos cristãos de hoje: ‘Levanta-te e vai à grande cidade’ (Jn 1,2) para denunciar as injustiças e proclamar a sua misericórdia”, destacou o bispo da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-catequética, Dom Jacinto Bergmann.

Para a assessora da Comissão Bíblico-catequética, Maria Cecília Rover, responsável pela parte bíblica da Comissão, o Documento de Aparecida trata o caminho de formação dos discípulos missionários, principalmente apontando para o texto escolhido para o Mês da Bíblia 2010. “O Documento de Aparecida nos alerta para as muitas formas de nos aproximarmos da Sagrada Escritura, e destaco a Leitura Orante como a maneira privilegiada. No Livro de Jonas, ele nos ensina a não temermos os grandes desafios, levando o Evangelho a todas as direções que seguirmos. Este é o grande auxílio que vejo com o Mês da Bíblia, ele mobiliza a sociedade em torno de um tema específico, fortalecendo a comunhão social e despertando o ardor missionário de cada cristão”.

Este ano, a novidade fica por conta do livreto, em forma de leitura orante, confeccionado pelo GREBIN, e nele consta quatro leituras sobre o livro de Jonas. Além do livro, há o cartaz e o texto-base. Os materiais podem ser adquiridos pelas Edições CNBB, no endereço www.edicoescnbb.com.br e o texto-base está disponível gratuitamente na página da Comissão.

domingo, 8 de agosto de 2010

As bodas de Caná da Galileia

As Bodas de Caná da Galileia
Jo (2, 1-11)
Por Jonas Cunha y Silva
















A Intercessão de Maria Santíssima

É fato que várias páginas do Antigo Testamento narram várias histórias dos feitos das santas mulheres que edificaram a história do povo de Israel. Todas elas foram uma prefigura de Maria, assim foram Ruth, Susana e Ester.

É nessa perspectiva, de perceber a ação de Maria na história dos milagres de Jesus, que devemos analisar o evangelho das Bodas de Caná.

O milagre

Não é de se admirar que o primeiro milagre de Cristo tenha se dado em uma festa de casamento, pois, naquele tempo, as festas de casamentos eram muito solenes, cheio de pompas etc. Segundo diz a tradição judaica, o casamento começava a ser preparado um ano antes, pois, isso garantia, segundo eles, a estabilidade do lar.

A Mãe de Jesus, certamente tinha relações de amizade com aqueles noivos, há quem diga até que poderia haver um grau de parentesco entre Maria e os noivos, por isso Maria se julgou no dever de compareçer.

Nosso Senhor Jesus acompanhou Maria, levando também os primeiros discípulos, segundo alguns padres, cardeais e até Papas, Cristo compareçeu ao casamento para dignificá-lo e para torná-lo e elevá-lo à dignidade de Sacramento da futura Igreja que deixaria à Pedro. Esta passagem também nos mostra o comportamento Cristão, que ao contrário do que muitos pensam, não é anti-social, Nosso Senhor gostava de festas, como todo jovem, como todos nós, participava delas e se alegrava nas danças e rituais judaicos de festas, mas claro, que tudo com a realeza que sempre teve.

Sempre desejosa de fazer o bem aos outros

"Como o vinho faltou, a Mãe de Jesus Lhe disse: Eles não tem mais vinho".

Neste versículo, vêmos a bondade de Maria, quando viu que não havia mais vinho no casamento, logo disse ao filho, que era o único que poderia fazer alguma coisa, naquele tempo, o casamento que faltava bebida era marcado para o resto da vida, os noivos eram rechassados por todos. Do mesmo modo, que Maria quis o bem daquele casal, assim também quer o nosso, por isso nós Católicos confiamos muito em Maria Santíssima, a quem chamamos carinhosamente de Nossa Senhora.

Nossa confiança em Maria deve ser total

"Sua mãe disse aos que estavam servindo: Fazei o que Ele vos disser".

Nós devemos ter confiança total em Nossa Senhora, pois a ela podemos recorrer quando também a nós "faltar o vinho", se Cristo, sendo Deus na Terra, não negou nada a sua mãe, quanto mais no céu negará? Por isso temos a confiança plena de que Maria Santíssima interçede por nós sim! Assim como intercedeu pelos noivos de Caná, agora que está no céu, intercede a todos que a Ela pedem.

Deus quer a nossa Cooperação nos milagres

"Jesus disse aos que estavam servindo: Enchei as talhas com água".

Assim como Cristo precisou da cooperação dos serventes para fazer o milagre, assim também pede a nossa, não adianta, apenas pedir, quando queremos o milagre, é preciso "cooperar com a graça" como diria um amigo meu chamado Abílio. Não adianta pedir pão e não trabalhar para tê-lo... Cristo quer nos dar tudo, assim como Maria também quer, mas é preciso pedir, rezar e "COOPERAR COM A GRAÇA!"

Finalmente

É neste trecho das Sagradas escrituras que "nasce" a confiança total dos Católicos na interseção da Bem aventurada e Sempre Virgem Maria, assim como Ela intercedeu pelos noivos, intercede por nós no Céu, e dizem ainda os sábios escritores do catolicismo que Maria quer dar muitas graças a todo o gênero humano, mas, ninguém pede à Ela, por isso, em nossas orações peçamos à Ela aquilo de que precisamos e não pedimos. Existe uma história que diz: "Todos nós sabemos que no céu, só entra gente bonita, bem vestida etc, pois num belo dia, começou a entrar no jardim do céu, uma gente feia, mal vestida, que não falava direito, mas que era fervorosa, que tinha sede e desejo de estar com Deus, São Pedro estando com Cristo, percebeu que aquela gente não tinha passado pelo portão que ele cuidava, após muitos dias, resolveu dar uma volta em todo o muro do céu, quando de repente viu uma escada e Maria puxando todos aqueles que queriam entrar no céu."
Espero que esta reflexão sobre as bodas de caná tenha sido útil a todos...

Nossa Senhora Rainha dos Céus! Rogai por nós!

sábado, 26 de setembro de 2009

Igreja celebra o Dia da Bíblia


A Igreja celebra, no dia 27, último domingo de setembro, o Dia da Bíblia. A origem dessa comemoração remonta ao ano de 1947, quando a Liga de Estudos Bíblicos organizou a 1ª Semana Bíblica Nacional. Uma proposta dessa Semana foi a instituição do Dia da Bíblia, celebrado no último domingo de setembro, próximo da festa de São Jerônimo (dia 30), responsável pela tradução da Bíblia para o latim, edição conhecida como Vulgata. A celebração desse dia foi crescendo em importância na vida da Igreja. Com o passar dos anos passou-se para a Semana da Bíblia e, a partir de 1971, setembro passou a ser o Mês da Bíblia, celebrado como um tempo especial para nos conscientizar mais ainda sobre seu valor. A Igreja sempre nutriu um grande amor e respeito pela Palavra de Deus. E, após o Concílio Vaticano II, valorizou-a ainda mais, propondo que nas celebrações, ao lado da Mesa Eucarística, esteja também a Mesa da Palavra.

Frases e pensamentos sobre a Bíblia

Beijar a Bíblia é beijar o rosto de Deus. (Santo Agostinho)
A Bíblia é a carta de amor de nosso Pai, e nós a deixamos fechada no envelope. (São Gregório Magno)
Ainda agora Deus passeia pelo paraíso quando leio as divinas Escrituras. (Santo Ambrósio)
Toda a Sagrada Escritura fala de Cristo e encontra sua plenitude em Cristo, porque forma um único livro, o livro da vida, que é Cristo. (Hugo de São Vitor)
Ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo. (São Jerônimo)
A Bíblia é resultado final da longa caminhada, fruto da ação de Deus, que quer o bem dos homens, e do esforço dos homens que querem conhecer e praticar a vontade de Deus. (Frei Carlos Mesters)
Não basta ler somente a Bíblia. É preciso sorver o seu conteúdo que é a plenitude da vida. (Dom Bernardo Schuch, OSB)
Cumpre amar a Bíblia para entendê-la. (Daniel Rops)
Não se compreendem as Escrituras senão de joelhos. (Maurice Zundel)
Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, repreender, corrigir, educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, qualificado para toda boa obra. (2Tm 3, 16- 17)
Porque a Palavra de Deus é viva, eficaz e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes. Ela penetra até o ponto onde a alma e o espírito se encontram, e até onde as juntas e medulas se tocam; ela sonda os sentimentos e as intenções do coração. (Heb. 4, 12)
A Bíblia foi escrita para instruir e para manter firme a nossa esperança. (Rm. 15, 4)Donoso Cortês tem uma belíssima página sobre a Bíblia e nela estes dizeres: "Livro prodigioso aquele no qual o gênero humano começou a ler, faz trinta e três séculos e, lendo nele todos os dias e todas as horas, ainda não acabou sua leitura. Livro prodigioso aquele que vê tudo e sabe tudo; que sabe os pensamentos que se levantam no coração do homem, e os que estão presentes na mente de Deus; que vê o que se passa nos abismos da terra; que conta ou prediz todas as catástrofes dos povos, todos os tesouros da justiça e todos os tesouros da vingança e onde se encerram e entesouram todas as maravilhas da misericórdia. Livro, enfim, que quando a terra desmaiar e o sol recolher sua luz e as estrelas apagarem-se permanecerá ele apenas com Deus, porque é eterna sua palavra, ressoando eternamente nas alturas."

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Bíblia: alma da Igreja - Dom Fernando Mason



Há quem à Bíblia dedica uma praça, faz-lhe um monumento, usa-a como um talismã protetor do lar... Nós lhe dedicamos, de forma mais direta, um mês. Um mês de estudo, reflexão, oração, ação. Quanto já se orou, se refletiu, se estudou a Bíblia durante o mês de setembro!A Bíblia, a Palavra de Deus escrita, sempre foi a alma da Igreja. Por isso desde o segundo século, a Igreja, já então chamada de católica para diferenciá-la dos grupos sectários, assumiu a “lista “ (cânon, livros canônicos) dos textos sagrados do Antigo Testamento, conforme a tradução do hebraico para o grego chamada “dos Setenta”, tradução em uso entre os cristãos daquele tempo. E sentiu a necessidade de criar a lista dos novos textos sagrados, o Novo Testamento, surgidos a partir do testemunho dos apóstolos sobre Jesus. Estes textos, transmitidos de comunidade em comunidade, foram sendo reconhecidos por toda a Igreja como autênticos e sagrados, tanto que no fim do segundo século já havia unanimidade nas comunidades acerca dos textos que compunham o Novo Testamento.Por mil e trezentos anos, nunca ninguém colocou em dúvida o cânon, isto é, a lista dos textos que compunham a Bíblia. Somente Martinho Lutero achou por bem recusar os textos (que depois foram chamados “deuterocanônicos”) que estavam na tradução chamada “dos Setenta”, mas não no cânon hebraico, assumido por ele.Ao longo de dois mil anos, com as variantes necessárias ligadas às diversas culturas e vicissitudes, a Igreja estudou a Bíblia com intensidade e amor, guiada pela inspiração do Espírito Santo. E a estuda ainda agora, ao ser ela, a Igreja, “rede lançada” nas águas profundas do novo milênio.A Igreja terá força de futuro, isto é, capacidade de fermentação no novo milênio, na medida em que souber, sempre de novo e com intensidade, voltar à sua fonte originária de inspiração: a Sagrada Escritura.Um dos pontos que caracterizam a escuta “católica” da Palavra de Deus é a consciência de que a Bíblia é um “todo” de revelação. A Igreja tem consciência de que fixar-se unilateralmente neste ou naquele trecho, separando-o do todo, antes de ser iluminação, é surdez e cegueira, causa de tantos equívocos e interpretações pretextuosas, de ontem e de hoje, ainda que televisionadas e proferidas por autodenominados bispos, apóstolos e missionários! A Bíblia foi escrita por homens “inspirados pelo Espírito Santo”, mas que utilizaram a linguagem e a cosmovisão de seu mundo e de sua época. Por isso não se pode lê-la com espírito fundamentalista. Ao vivermos os primeiros anos do novo milênio, ao enfrentarmos as águas deste mar, ao assumirmos o desafio de irmos em profundidade no nosso ser pessoa, comunidade e sociedade, queremos fazê-lo a partir do dom inestimável da Palavra de Deus, viva entre nós.É importante que busquemos na Palavra de Deus nosso sustento espiritual. Em todas as celebrações ela está presente, mas é necessário que esteja também no nosso dia-a-dia. Para que se faça presente de forma eficaz em nossa vida, são necessárias algumas atitudes importantes: fé, oração, humildade, ligação com a vida; ter o coração livre para amar, a boca para anunciar e denunciar, a cabeça para pensar e meditar, os joelhos dobrados em oração. Desta maneira estaremos em sintonia com o ensinamento do apóstolo Paulo que, na segunda carta a Timoóteo (2Tm 3, 16- 17), afirma que “toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, repreender, corrigir, educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, qualificado para toda boa obra.“

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Celebrando o Mês da Bíblia


Para a Igreja no Brasil, setembro é o Mês da Bíblia. A origem dessa comemoração remonta ao ano de 1947, quando a Liga de Estudos Bíblicos organizou a 1ª Semana Bíblica Nacional. Uma proposta dessa Semana foi a instituição do Dia da Bíblia, celebrado no último domingo de setembro, próximo da festa de São Jerônimo (dia 30), responsável pela tradução da Bíblia para o latim, edição conhecida como Vulgata. A celebração desse dia foi crescendo em importância na vida da Igreja. Com o passar dos anos passou-se para a Semana da Bíblia e, a partir de 1971, setembro passou a ser o Mês da Bíblia, celebrado como um tempo especial para nos conscientizar mais ainda sobre seu valor.
A Bíblia é o livro mais importante dos cristãos. Nela se fundamentam os valores e os princípios que norteiam nossa vida. Nela encontramos a revelação de Deus Pai a transmitir a seus filhos os ensinamentos para a plena realização. Por isso ela ocupa um lugar especial nas nossas comunidades.

Livro da fé por excelência

Ela é a “Palavra de Deus escrita na linguagem dos homens”. É a revelação do projeto de amor que Deus tem para seus filhos. É o livro da fé por excelência, a base de toda a doutrina cristã. Dividida em duas grandes partes – o Antigo e o Novo Testamentos – tem como centro a pessoa de Jesus Cristo. Por isso, o filósofo Hugo de São Vito dizia que “toda a Sagrada Escritura fala de Cristo e encontra sua plenitude em Cristo, porque forma um único livro, o livro da vida, que é Cristo.” E São Jerônimo ensina que “ignorar as Escrituras Sagradas é ignorar a Cristo”. O Antigo Testamento relata a experiência religiosa do povo hebreu, preparando-se para a vinda do Messias prometido; no início os relatos eram orais e só mais tarde, a partir do século 10º a. C., passaram a ser registrados por escrito. O Novo Testamento, escrito nos séculos 1º e 2º d.C, mostra a vida e os ensinamentos de Jesus de Nazaré e a experiência das primeiras comunidades na vivência desses ensinamentos. Toda a Bíblia quer revelar o projeto de Deus: a libertação integral dos homens. Mostra um Deus que se preocupa com seu povo, libertando-o da escravidão do Egito; que busca a justiça dos pobres e excluídos; que não quer a morte mas o arrependimento e a vida do pecador. Mostra um Deus que deseja que todos tenham vida e a tenham em plenitude.

Deus é o autor da Bíblia

Inspirada por Deus, a Bíblia foi escrita por autores diversos, em épocas diferentes. Os hagiógrafos (autores sagrados) procuraram transmitir a mensagem divina mas com a linguagem e a cosmovisão de sua época. Por isso não se pode lê-la com espírito fundamentalista, interpretando tudo literalmente, mas sabendo ver na linguagem humana as verdades divinas.Também são diversos os gêneros literários: celebrações, histórias reais ou lendárias, leis, poesias, orações, provérbios, sabedoria popular, ensinamentos, essa grande variedade, como um grande caleidoscópio, forma a riqueza da Bíblia. Mas em toda essa obra humana, reconhecemos também a autoria de Deus, pois o apóstolo Pedro nos ensina que “homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus.” (2Pd 1, 20-21)O Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática “Dei Verbum”, ressalta que Deus é o autor principal de toda a Bíblia, mas Ele se serviu de homens para concretizar seu plano: “Na redação dos livros sagrados, Deus escolheu homens, dos quais se serviu fazendo-os usar suas próprias faculdades e capacidades, a fim de que, agindo Ele próprio neles e por eles, escrevessem, como verdadeiros autores, tudo e só aquilo que Ele próprio quisesse.” (DV, 11)Por isso, quando lemos a Bíblia, é o próprio Deus que através dela entra em contato conosco, para nos comunicar sua vida. Essa certeza levou Santo Ambrósio a exclamar: “Ainda agora Deus passeia pelo paraíso quando leio as Escrituras”.

Viver e comunicar a Palavra divina

Somos convidados a ler, entender, viver e comunicar essa palavra, vendo nela a carta de amor que Deus escreveu para nós. Como nos adverte São Gregório Magno, “a Bíblia é a carta de amor de nosso Pai, e nós a deixamos fechada no envelope.”É importante que busquemos na Palavra de Deus nosso sustento espiritual. Em todas as celebrações ela está presente, mas é necessário que esteja também no nosso dia-a-dia, ensinando, corrigindo, como nos lembra o Apóstolo Paulo em sua segunda carta a Timóteo: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, repreender, corrigir, educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, qualificado para qualquer boa obra.” (2Tm 3, 16- 17)Que a Bíblia seja o livro especial dentro dos nossos lares e das nossas comunidades, a iluminar nossa vida e nossa caminhada. Mostremos por ela o mesmo amor que temos por Deus, recordando as palavras de Santo Agostinho: “Beijar a Bíblia é beijar o rosto de Deus.”

A Bíblia mostra o ponto de partida

“Muitos cristãos lêem a Bíblia como um livro de receitas que teria solução para todos os problemas da vida. E ficam frustrados quando descobrem que a Bíblia não dá solução para tudo. Por exemplo, a Bíblia não diz nada diretamente sobre como devemos votar, pois na época do povo da Bíblia não havia eleições democráticas para cargos públicos. Diante dos problemas da vida atual não adianta buscar solução pronta na Bíblia. Ele diz apenas qual o ponto de partida que o povo deve tomar. Quanto ao resto, o povo tem que refletir e decidir.Outro perigo é o do fundamentalismo: interpretar a o texto sagrado ao pé da letra, sem levar em conta o que o texto diz por trás das palavras. Costuma levar ao fanatismo e à intolerância. “Se o teu olho leva você a pecar, arranque-o e jogue-o fora.” (Mt. 5, 29) – não poucas pessoas leram isso ao pé da letra... e Jesus falava em linguagem simbólica. A Bíblia é a Palavra de Deus quando é aberta, lida, meditada e praticada. Quando, porém, fica fechada num canto ou é lida de modo errado, deixa de comunicar a verdade e pode se tornar instrumento de opressão.” (Maria Paula Rodrigues)