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domingo, 21 de abril de 2013

Igreja reza por vocações e constata aumento no número de padres


Neste 4º Domingo da Páscoa, 21 de abril, a Igreja celebra o 50º Dia Mundial de Oração pelas Vocações. A data foi instituída pelo Papa Paulo VI, em 1964, convocando aos católicos a pedirem a Deus, unanimemente, o envio de operários para Sua Igreja (cf. Mt 9,38).
Paulo VI, durante uma radiomensagem no dia 11 de abril de 1964, disse que o número insuficiente de sacerdotes [vocações] é um indicador concreto que aponta ou não a vitalidade da fé em cada comunidade paroquial e diocesana. Assim como, também é fruto do testemunho da saúde moral das famílias cristãs.
“Onde desabrocham numerosas as vocações para o estado eclesiástico e religioso, vive-se generosamente segundo o Evangelho”, disse Paulo VI.
Seguindo este pensamento, o Papa Emérito Bento XVI escreveu sua mensagem para o 50º Dia Mundial de Oração pelas Vocações e nela ressaltou a esperança como impulso da vida cristã e a oração como base para que os fiéis estejam atentos ao chamado de Cristo.
Nos primeiros parágrafos da mensagem, Bento XVI refletiu sobre as diversas vezes em que Deus socorreu seu povo, sustentado na esperança de Sua constante presença. Segundo o Papa, o fundamento seguro de toda a esperança está aqui: "Deus nunca nos deixa sozinhos e permanece fiel à palavra dada." E afirmou, "por este motivo, em toda a situação, seja ela feliz ou desfavorável, podemos manter uma esperança firme".
Depois, o Papa Emérito recordou que essa esperança está ligada à fidelidade de Deus que se manifestou ao mundo de diversas formas, especialmente em Jesus Cristo. Hoje, segundo o Papa, Deus continua sua fidelidade em Jesus, por meio daqueles que Ele mesmo chama para o seu serviço. 
“Também hoje, como aconteceu durante a sua vida terrena, Jesus, o Ressuscitado, passa pelas estradas da nossa vida e vê-nos imersos nas nossas atividades, com os nossos desejos e necessidades. É precisamente no nosso dia-a-dia que Ele continua a dirigir-nos a sua palavra; chama-nos a realizar a nossa vida com Ele, o único capaz de saciar a nossa sede de esperança”, explicou o Bispo Emérito de Roma.
Segundo Bento XVI, as vocações sacerdotais e religiosas nascem da experiência do encontro pessoal com Cristo, do diálogo sincero e familiar com Ele. Por isso, explicou, é necessário crescer na experiência de fé, entendida como profunda relação com Jesus, como escuta interior da sua voz que ressoa dentro do ser humano. 
O despertar para o chamado de Cristo e a resposta à Sua voz deve passar por uma intensa atmosfera de fé, destaca o Papa.  Mas também o testemunho de adesão ao Evangelho, uma paixão missionária alimentada pela Eucaristia e pela oração, são aspectos fundamentais para que mais operários sirvam à "Vinha do Senhor". 
“A oração constante e profunda faz crescer a fé da comunidade cristã, na certeza sempre renovada de que Deus nunca abandona o seu povo e que o sustenta suscitando vocações especiais, para o sacerdócio e para a vida consagrada, que sejam sinais de esperança para o mundo”, salientou Bento XVI. 
Ns últimos parágrafos da mensagem para o 50º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, Bento XVI deteve-se em fazer um apelo à Igreja demonstrando sua considerável preocupação com os jovens. Pediu que não faltem “sacerdotes zelosos” que saibam cuidar da juventude, ajudando-a no caminho “por vezes tortuosos e obscuros da vida.”
Por fim, não deixou de convidar os jovens a responderem à vocação. “Amados jovens, não tenhais medo de O seguir e de percorrer os caminhos exigentes e corajosos da caridade e do compromisso generoso. Sereis felizes por servir, sereis testemunhas daquela alegria que o mundo não pode dar, sereis chamas vivas de um amor infinito e eterno, aprendereis a ‘dar a razão da vossa esperança’ (1 Ped 3,15)”. 

Cresce o número de vocações no mundo
A oração da Igreja parece ser ouvida e Cristo continua a chamar homens e mulheres para o serviço na “Vinha do Senhor”. De acordo com o Setor Estatístico do Vaticano, o número de sacerdotes diocesanos e religiosos no mundo teve aumento considerável a partir do ano 2000. 
No Brasil, o aumento também foi constatado: o Censo Anual de 2010, realizado pelo Centro de Estatística e Investigações Sociais (CERIS), apontou um crescimento relevante em relação às vocações sacerdotais e religiosas no país.
A pesquisa do Setor Estatístico do Vaticano também sinaliza que em toda a Igreja há mais de 35 mil diáconos permanentes, concentrados especialmente nos EUA, no Canadá e na América Latina. 
Com relação ao número de sacerdotes que deixaram o ministério, este desceu para menos de 1000, enquanto 460 foram os sacerdotes que em 2011 pediram para serem reintegrados ao ministério. Monsenhor Formenti, diretor do Setor Estatístico do Vaticano, sublinhou no ano passado que estes números deixam claro um lento, mas constante crescimento.
Fonte: Canção Nova

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Atleta irá para o seminário após Jogos Olímpicos de Londres


Um atleta da delegação olímpica espanhola decidiu consagrar a sua vida a Deus e irá entrar para o seminário assim que terminar sua participação nos Jogos de Londres. 

Carlos Ballve, conhecido como "Litus" por seus amigos, joga na defesa da equipe espanhola de Hóquei em campo e participa pela primeira vez das Olimpíadas. 

De acordo com a EWTN News, o jogador espera aproveitar esta “experiência incrível e preciosa” para “ganhar” mas também “para crescer na vivência da fé e na partilha de Deus com pessoas vindas de todas as partes do mundo”.

O final da prova olímpica vai marcar o início da sua caminhada para o sacerdócio, num seminário na Bélgica, depois de um período de discernimento iniciado em 2005.

No verão desse ano, a sua vida mudou radicalmente, enquanto estava num campeonato do mundo na categoria sub-21.

A sua equipe “começou muito mal” a competição e Carlos decidiu “assumir um compromisso com Deus”.

O jovem disse a Deus que “se ajudasse a equipe a melhorar a sua prestação” ele iria até Medjugorje (pequena região da Bósnia Herzegovina onde alegadamente ocorreram aparições de Nossa Senhora) em peregrinação com o pai.

A sua seleção “fez história”, conquistou uma inédita “medalha de bronze” e o atleta cumpriu a sua promessa.

No entanto, apesar do reforço que aquele episódio trouxe à sua fé, “alguma coisa dentro de si dizia-lhe” que faltava algo mais à sua vida, “era livre mas não era feliz”.

E foi assim que, mesmo no auge da sua carreira, Carlos Ballve decidiu parar e ir em busca de Deus. Ele pediu apenas para realizar seu sonho de jogar nas Olimpíadas. 

A organização dos Jogos de Londres, que se concluem no dia 12 de agosto, reservou espaços inter-religiosos de oração e silêncio para os 16 mil atletas de mais de 200 países, incluindo Portugal.

O centro interconfessional da aldeia olímpica inclui mais de 50 clérigos cristãos, judeus, muçulmanos, budistas e hinduístas, entre outros, para "oferecer apoio, cuidado pastoral e ajuda espiritual”, bem como vários momentos de celebração e encontros de grupo, refere o site do evento.
Fonte: Canção Nova

quinta-feira, 15 de março de 2012

Por que é preciso rezar pelas vocações?



Para muitos, quando ouve-se a palavra "vocação" a mesma é tida como 'patrimônio' daqueles que assumiram uma vida de entrega radical a Cristo, como por exemplo, os padres e as freiras. Muito além da concepção que a maioria tem, cada pessoa é chamada a corresponder a uma 'vocação', a um chamado que a leva a desempenhar um papel, uma 'missão' que só ela pode desempenhar, como afirma o beato inglês Cardeal Jonh Henry Newman, um grande intelectual do século XVIII.

Mas a Igreja também precisa das chamadas 'vocações específicas' que abraçam ideais e formas de vida radicais fundadas nos três conselhos evangélicos: pobreza, obediência e castidade.

Não é a toa que a Igreja dedica um dia especial de oração pelas vocações, o qual será celebrado em 29 de abril de 2012.
“A verdade profunda da nossa existência está contida neste mistério admirável: cada criatura, e particularmente cada pessoa humana, é fruto de um pensamento e de um ato de amor de Deus” , disse o Papa na mensagem para o dia de oração pelas vocações 2012, a qual, foi publicada em 13 de fevereiro de 2012.
No Anuário Pontifício publicado recentemente pela Santa Sé,  a Igreja Católica apresenta um crescimento no número de vocações ao sacerdócio e uma leve queda no número de vocacionados à vida religiosa. Um motivo a mais para que cada católico assuma na oração todos aqueles que ainda acreditam que em meio ao mundo em que vivemos, é possível fazer escolhas voltadas para a doação a Deus e ao próximo.

“Por isso é preciso anunciar de novo, especialmente às novas gerações, a beleza persuasiva deste amor divino, que precede e acompanha: este amor é a mola secreta, a causa que não falha, mesmo nas circunstâncias mais difíceis”, disse o Papa na mensagem.
Fonte: Canção Nova

quarta-feira, 7 de março de 2012

Por amor, jovem italiano deixa vício das drogas e torna-se padre



O jovem sacerdote italiano Roberto Dichiera tem um forte testemunho de conversão, após ter sido usuário de drogas por quase dez anos. Sua vida é um exemplo de como Deus não abandona os seus filhos e que, mesmo quando parecem perdidos, eles podem encontrar a felicidade verdadeira se responderem à voz do Senhor.

Padre Roberto, 37 anos, percorre as ruas de Roma procurando resgatar jovens viciados em drogas, um drama que ele conhece bem por ter vivido o vício durante sua juventude.

Em uma entrevista ao grupo ACI, o sacertote contou que se afastou da fé católica aos 12 anos de idade. "Fiz a Crisma, mas lamentavelmente comecei a blasfemar contra a Virgem e contra Deus", recorda.

Aos 13 anos abandonou os estudos e começou uma "escalada de transgressão, de perigos, através da companhia de gente mais velha que eu, através das danceterias, do álcool e das drogas".

"Cheguei a ser um vendedor de droga e consumidor, desde êxtase a ácido –LSD–, alucinógenos, e cocaína. Não tinha nenhum sentido moral, nem acreditava o mais minimamente em Deus, e por quase nove anos deixei de confessar-me. Não acreditava nos sacerdotes, não acreditava na Igreja, não acreditava no Papa, nunca tinha lido a Bíblia", explica padre Roberto.

A mudança em sua vida começou a acontecer aos 20 anos, quando apaixonou-se por uma jovem católica e começou a ir a Missa. "Ela me servia de exemplo, com esta garota comecei a rezar, a me aproximar de novo da confissão que há tantos anos não fazia, e receber a Comunhão - receber o corpo de Cristo".

Nos dois anos seguintes, viveu uma transformação total "graças a esta garota, e à leitura do Evangelho" - que lia às escondidas para "não dar gosto" aos pais católicos.

Em junho de 1996, descobriu em uma peregrinação Mariana seu chamado à vida sacerdotal "algo que jamais tinha pensado".

Roberto terminou o namoro e com grande dificuldade deixou o mundo das drogas. "Foi um grande combate espiritual, uma luta, quanto mais me aproximava de Jesus, da oração, da acolhida do Espírito Santo, mais sentia a tentação do maligno, de todas as propostas que o mundo podia me fazer para permanecer como vendedor de drogas nas danceterias", recordou.

O sacerdote agora pertence à comunidade católica "Novos Horizontes", fundada pela italiana Clara Amirante, que desenvolve um apostolado de apoio aos jovens que vivem em dificuldades propondo valores como a solidariedade e a cooperação.
Fonte: ACI Digital

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Ex-jogador do Manchester entra para seminário católico





O Pontifício Colégio Irlandês de Roma, na  Itália, é agora o lar de Phil Mulryne, de 34 anos, ex-jogador do Manchester United e do Norwich, que descobriu no trabalho social sua vocação ao sacerdócio.

Conforme informou o site espanhol Religión en Libertad, "Mulryne tinha fama de ser divertido, amigável e um pouco indisciplinado". Formou-se nas divisões juvenis do Manchester United junto de David Beckham até que foi transferido ao Norwich em 1999. Ele chegou a integrar a seleção da Irlanda do Norte, de cuja concentração foi retirado em 2005 por falta disciplinar.

Devido às constantes lesões, ele deixou definitivamente o futebol em 2008. Religión en Libertad assinalou que sua participação em atividades solidárias e caritativas teria chamado a atenção do Bispo de Down and Connor (Irlanda), Dom Noel Treanor, quem lhe expôs sua possível vocação sacerdotal.

Seu ex-companheiro no Norwich, Paul McVeigh, disse à imprensa inglesa que mantinha contato com o Mulryne "e sabia que tinha dado uma reviravolta em sua vida, que fazia muito trabalho social e ajudava os sem teto semanalmente. Ainda assim, impactou-me que ele sentisse este chamado".

"O que está claro é que não é algo a ser tomado às pressas, porque para ser ordenado sacerdote católico ele terá que estudar dois anos de filosofia e quatro de teologia", afirmou o amigo.
Fonte: Canção Nova

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Dois novos Diáconos para a Diocese

Arlon (E) e Paulo Sérgio (D) os novos diáconos da Diocese

Os seminaristas diocesanos Arlon Niquison Beltrão da Silva e Paulo Sérgio Carlos concluíram o quarto ano de Teologia e se preparam para serem ordenados diáconos por Dom Fernando Mason neste mês de janeiro, em Santa Bárbara D’Oeste. Arlon será ordenado no dia 22, às 15 horas, na matriz da Paróquia Imaculada Conceição, e Paulo Sérgio no dia 29, também às 15 horas, na matriz da Paróquia Santa Bárbara.

Arlon iniciou sua formação presbiteral em 2004, quando ingressou no seminário propedêutico. Depois cursou três anos de Filosofia e quatro de Teologia na PUC – Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Exercerá o ministério diaconal na Paróquia Santa Maria, em Santa Maria da Serra.

Membro da Nova Comunidade “Corpus Christi”, Paulo Sérgio fez o Curso de Vida Religiosa no Seminário Seráfico São Fidélis, em Piracicaba, de 2005 a 2007. Depois cursou quatro anos de Teologia na PUC Campinas. Exercerá o ministério diaconal na Paróquia São José, em Santa Bárbara D’Oeste.

Depois de alguns meses como diáconos, os dois jovens serão ordenados sacerdotes no dia 1º. de julho em solene celebração na Catedral de Santo Antônio.
Fonte: Diocese de Piracicaba

domingo, 7 de agosto de 2011

Agosto, mês das vocações


Agosto, mês vocacional!
Por: Jonas Cunhaz










Agosto no Brasil, tradicionalmente é o mês em que se intensifica as orações de nossa Igreja pelas vocações. A vocação para os ministérios ordenados devem ocupar a atenção dos fiéis durante todo o mês, por serem indispensáveis para a vida da Igreja. Mas para uma reflexão de todas as vocações divide-se o mês em temas.

Na primeira semana se enfoca de maneira especial as vocações presbiterais e diaconais, por causa das festas de São João Maria Vianney, presbítero, a 4 de agosto, e a de São Lourenço, diácono, no dia 10.

A segunda semana é dedicada à vocação ao matrimônio com a Semana Nacional da Família.

Na terceira semana se reflete sobre as vocações religiosas e missionárias, recordando os vários chamados de Deus neste sentido, sejam para a vida contemplativa nos mosteiros, seja para vida ativa nas várias frentes pastorais e evangelizadoras.

Por fim, na última semana se dedica atenção especial à vocação laical, recordando de forma especial os catequistas, os pedagogos da fé, mas também os vários outros ministérios eclesiais e o papel do leigo no mundo.

Rezemos pelas vocações sacerdotais no mundo inteiro.
Pois a Messe é grande e os operários são poucos!
Nossa Senhora, mãe das vocações: Rogai por nós!

terça-feira, 22 de março de 2011

Cardeal Piacenza pede Adoração Eucarística pelas Vocações



Cada diocese precisa de uma capela de adoração dedicada a rezar pelos sacerdotes


CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 22 de março de 2011 (ZENIT.org) - O cardeal Mauro Piacenza, prefeito da Congregação para o Clero, afirma que não se pode subestimar o valor da adoração eucarística, e recomenda que cada diocese tenha uma capela ou santuário para a adoração eucarística, dedicada à oração pelas vocações consagradas e pela santificação do clero.

Isto foi afirmado em uma nota enviada, no último dia 4 de março, a Dom Dominique Rey, bispo de Toulon (França). Este bispo está promovendo uma conferência internacional sobre a adoração eucarística, que será realizada de 20 a 24 de junho, no ‘Salesianum' de Roma.

"Não podemos subestimar a importância de adorar o Senhor no Santíssimo Sacramento, sabendo que o culto é o maior ato do povo de Deus", escreve o cardeal.

A este respeito, acrescenta que a adoração eucarística é "um meio eficaz para promover a santificação do clero, a reparação dos pecados e as vocações ao sacerdócio e à vida religiosa".

"Com coragem, devemos pedir ao Senhor que envie novos operários para a sua messe", diz o cardeal Piacenza.

Acrescenta a recomendação de que "em cada diocese haja pelo menos uma igreja, capela ou santuário dedicado à adoração perpétua da Eucaristia, pela intenção específica de promover novas vocações e pela santificação do clero".

"Um renovado sentido da devoção a Cristo na Eucaristia - conclui o cardeal Piacenza - só pode enriquecer cada aspecto da vida e da missão da Igreja no mundo."
Fonte: Zenit

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Para que haja bons sacerdotes é preciso formar bons seminaristas


ROMA, terça-feira, 22 de fevereiro de 2011 (ZENIT.org) - Como obter resultados positivos na formação espiritual dos seminaristas? Como fazer para que os candidatos ao sacerdócio tenham maior clareza vocacional? O subjetivismo e a secularização representam um desafio para as novas gerações de sacerdotes?

Estas e outras questões foram discutidas durante a semana de estudo La formazione spirituale personale nei seminari (A formação espiritual pessoal nos seminários), realizada de 7 a 11 de fevereiro, no centro de formação sacerdotal da Pontifícia Universidade da Santa Cruz, em Roma.

O evento contou com a presença do cardeal Zenon Grocholewski, prefeito da Congregação para a Educação Católica, da Santa Sé.

Reitores de seminários, diretores espirituais e outros formadores, provenientes de diversas dioceses, contextos culturais e eclesiais puderam compartilhar ideias sobre como formar melhor aqueles que serão os sacerdotes das próximas gerações.

Algumas intervenções

Dom Francesco Cavina, da secretaria de Estado do Vaticano, em sua palestra sobre as primícias eclesiais nos candidatos para o sacerdócio, referiu-se aos novos desafios que os seminários de hoje enfrentam: enquanto, antigamente, muitos sacerdotes cresciam em famílias grandes, num ambiente católico, e descobriam sua vocação muito cedo, agora pertencem a famílias pequenas, muitas vezes de pais divorciados, nas quais não necessariamente receberam uma educação católica, e que fizeram sua opção em uma idade já madura.

O prelado apresentou algumas estatísticas que mostram como, hoje, muitos dos novos seminaristas provêm de grupos de jovens paroquiais e diocesanos, movimentos eclesiais, ou jornadas mundiais da juventude.

Por sua parte, Enrique da Lama, da Faculdade de Teologia da Universidade de Navarra, abordou o tema do acompanhamento espiritual, da necessidade da amizade, da consciência como esse sacrário interior da mente e do espírito.

Ele também se referiu ao tema da solidão em que o homem de hoje vive e alertou sobre o perigo de confundir a direção espiritual com uma consulta psicológica. Esclareceu que é essencial ver o homem em sua unidade biopsicoespiritual.

Da Lama disse que a direção espiritual deve centrar-se "no valor da amizade, no respeito à soberania da própria consciência e na ação do Espírito Santo", ao invés de limitar-se apenas a um simples acompanhamento ou aconselhamento esporádico.

Para Paul O' Callaghan, professor de teologia dogmática na Universidade da Santa Cruz, a vida espiritual do sacerdote é forjada especialmente no seminário.

Meios para a formação

Os oradores salientaram a necessidade de recorrer a documentos como a Pastores dabo vobis, do Papa João Paulo II, e a Carta aos seminaristas, de Bento XVI.

Os participantes tiveram a oportunidade de discutir a questão da relação com os superiores ou formadores, a quem decidiram chamar de "educadores", esclarecendo que quem forma é o Espírito Santo.

Disseram que o principal inimigo da vocação ao sacerdócio, mais que os pontos de discordância com as autoridades, é a vida dupla ou a hipocrisia.

Direção espiritual e fragilidade humana

O curso também abordou o tema da fragilidade emocional e psicológica, com duas intervenções: de Dom José María Yanguas, bispo de Cuenca (Espanha), e do psiquiatra Franco Poterzio.

Ambos se referiram à questão do desafio da imaturidade dos adolescentes e jovens (narcisistas, fracos, tristes e instáveis), que se prolonga em adultos inconstantes e dependentes. Estes são tópicos que devem ser abordados com frequência nos seminários.

A maneira de quebrar este círculo é procurar nos candidatos ao sacerdócio "a harmonia interna e externa do homem que integrou razão, vontade, sentimentos e instintos", sem descuidar da correção, quando necessário.

O último dia do curso foi dedicado ao tema da formação da plena maturidade espiritual; os assistentes e expositores puderam concluir que alguns meios para responder a este desafio são a oração e a caridade pastoral, que ajudam a construir personalidades "estruturadas em torno do sentido oblativo da vida, praticando constantemente as virtudes, através de critérios claros e com um coração felizmente centrado em Cristo".

(Carmen Elena Villa)

Fonte: Zenit

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Número de padres aumenta na África, Ásia e América Latina


A nova edição do Anuário Estatístico da Igreja Católica revela um aumento de 1,4% no número de padres em todo o mundo entre 1999 e 2009. os dados foram apresentados, nesta sexta-feira, 11, pela Santa Sé.

O volume, que vai ser apresentado nos próximos dias, elenca 410 mil sacerdotes, dos quais mais de 275 mil diocesanos e cerca de 135 mil de ordens e congregações religiosas.

De acordo com os dados, o número de padres ordenados em 2009 ultrapassou o dos sacerdotes que faleceram ou abandonaram este ministério, situação que não acontecia desde 1999. Na Europa, contudo, o número de mortes continua a ultrapassar o das ordenações sacerdotais.

O novo Anuário Estatístico revela ainda que o número de padres e de católicos aumenta na África, Ásia e América Latina, caindo na Europa e América do Norte.

O Annuarium Statisticum Ecclesiae 2009 é redigido pelo departamento central de estatística da Igreja e publicado pela Livraria Editora Vaticana.
Fonte: Agência Ecclesia

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Mensagem do Papa para o 48º Dia Mundial de Oração pelas Vocações




Queridos irmãos e irmãs!

O 48º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que será celebrado no dia 15 de maio de 2011, 4º Domingo de Páscoa, convida-nos a refletir sobre o tema: "Propor as vocações na Igreja local". Há 60 anos, o Venerável Papa Pio XII instituiu a Pontifícia Obra para as Vocações Sacerdotais. Depois, em muitas dioceses, foram fundadas pelos Bispos obras semelhantes, animadas por sacerdotes e leigos, correspondendo ao convite do Bom Pastor, quando, "ao ver as multidões, encheu-se de compaixão por elas, por andarem fatigadas e abatidas como ovelhas sem pastor" e disse: "A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua messe" (Mt 9, 36-38).

A arte de promover e cuidar das vocações encontra um luminoso ponto de referência nas páginas do Evangelho, onde Jesus chama os seus discípulos para O seguir e educa-os com amor e solicitude. Objeto particular da nossa atenção é o modo como Jesus chamou os seus mais íntimos colaboradores a anunciar o Reino de Deus (cf. Lc 10, 9). Para começar, vê-se claramente que o primeiro ato foi a oração por eles: antes de os chamar, Jesus passou a noite sozinho, em oração, à escuta da vontade do Pai (cf. Lc 6, 12), numa elevação interior acima das coisas de todos os dias. A vocação dos discípulos nasce, precisamente, no diálogo íntimo de Jesus com o Pai. As vocações ao ministério sacerdotal e à vida consagrada são fruto, primariamente, de um contato constante com o Deus vivo e de uma oração insistente que se eleva ao "Dono da messe" quer nas comunidades paroquiais, quer nas famílias cristãs, quer nos cenáculos vocacionais.

O Senhor, no início da sua vida pública, chamou alguns pescadores, que estavam a trabalhar nas margens do lago da Galileia: "Vinde e segui-Me, e farei de vós pescadores de homens" (Mt 4, 19). Mostrou-lhes a sua missão messiânica com numerosos "sinais", que indicavam o seu amor pelos homens e o dom da misericórdia do Pai; educou-os com a palavra e com a vida, de modo a estarem prontos para ser os continuadores da sua obra de salvação; por fim, "sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai" (Jo 13, 1), confiou-lhes o memorial da sua morte e ressurreição e, antes de subir ao Céu, enviou-os por todo o mundo com este mandato: "Ide, pois, fazer discípulos de todas as nações" (Mt 28, 19).

A proposta, que Jesus faz às pessoas ao dizer-lhes "Segue-Me!", é exigente e exaltante: convida-as a entrar na sua amizade, a escutar de perto a sua Palavra e a viver com Ele; ensina-lhes a dedicação total a Deus e à propagação do seu Reino, segundo a lei do Evangelho: "Se o grão de trigo cair na terra e não morrer, fica só ele; mas, se morrer, dá muito fruto" (Jo 12, 24); convida-as a sair da sua vontade fechada, da sua ideia de auto-realização, para embrenhar-se noutra vontade, a de Deus, deixando-se guiar por ela; faz-lhes viver em fraternidade, que nasce desta disponibilidade total a Deus (cf. Mt 12, 49-50) e se torna o sinal distintivo da comunidade de Jesus: "O sinal por que todos vos hão de reconhecer como meus discípulos é terdes amor uns aos outros" (Jo 13, 35).

Também hoje, o seguimento de Cristo é exigente; significa aprender a ter o olhar fixo em Jesus, a conhecê-Lo intimamente, a escutá-Lo na Palavra e a encontrá-Lo nos Sacramentos; significa aprender a conformar a própria vontade à d’Ele. Trata-se de uma verdadeira e própria escola de formação para quantos se preparam para o ministério sacerdotal e a vida consagrada, sob a orientação das autoridades eclesiásticas competentes. O Senhor não deixa de chamar, em todas as estações da vida, para partilhar a sua missão e servir a Igreja no ministério ordenado e na vida consagrada; e a Igreja "é chamada a proteger este dom, a estimá-lo e amá-lo: ela é responsável pelo nascimento e pela maturação das vocações sacerdotais" (JOÃO PAULO II, Exort. ap. pós-sinodal Pastores dabo vobis, 41). Especialmente neste tempo, em que a voz do Senhor parece sufocada por "outras vozes" e a proposta de O seguir oferecendo a própria vida pode parecer demasiado difícil, cada comunidade cristã, cada fiel, deveria assumir, conscientemente, o compromisso de promover as vocações. É importante encorajar e apoiar aqueles que mostram claros sinais de vocação à vida sacerdotal e à consagração religiosa, de modo que sintam o entusiasmo da comunidade inteira quando dizem o seu "sim" a Deus e à Igreja. Da minha parte, sempre os encorajo como fiz quando escrevi aos que se decidiram entrar no Seminário: "Fizestes bem [em tomar essa decisão], porque os homens sempre terão necessidade de Deus – mesmo na época do predomínio da técnica no mundo e da globalização –, do Deus que Se mostrou a nós em Jesus Cristo e nos reúne na Igreja universal, para aprender, com Ele e por meio d’Ele, a verdadeira vida e manter presentes e tornar eficazes os critérios da verdadeira humanidade" (Carta aos Seminaristas, 18 de Outubro de 2010).

É preciso que cada Igreja local se torne cada vez mais sensível e atenta à pastoral vocacional, educando a nível familiar, paroquial e associativo, sobretudo os adolescentes e os jovens – como Jesus fez com os discípulos – para maturarem uma amizade genuína e afetuosa com o Senhor, cultivada na oração pessoal e litúrgica; para aprenderem a escuta atenta e frutuosa da Palavra de Deus, através de uma familiaridade crescente com as Sagradas Escrituras; para compreenderem que entrar na vontade de Deus não aniquila nem destrói a pessoa, mas permite descobrir e seguir a verdade mais profunda de si mesmos; para viverem a gratuidade e a fraternidade nas relações com os outros, porque só abrindo-se ao amor de Deus é que se encontra a verdadeira alegria e a plena realização das próprias aspirações. "Propor as vocações na Igreja local" significa ter a coragem de indicar, através de uma pastoral vocacional atenta e adequada, este caminho exigente do seguimento de Cristo, que, rico de sentido, é capaz de envolver toda a vida.

Dirijo-me particularmente a vós, queridos Irmãos no Episcopado. Para dar continuidade e difusão à vossa missão de salvação em Cristo, "promovam o mais possível as vocações sacerdotais e religiosas, e de modo particular as missionárias" (Decr. Christus Dominus, 15). O Senhor precisa da vossa colaboração, para que o seu chamamento possa chegar aos corações de quem Ele escolheu. Cuidadosamente escolhei os dinamizadores do Centro Diocesano de Vocações, instrumento precioso de promoção e organização da pastoral vocacional e da oração que a sustenta e garante a sua eficácia. Quero também recordar-vos, amados Irmãos Bispos, a solicitude da Igreja universal por uma distribuição equitativa dos sacerdotes no mundo. A vossa disponibilidade face a dioceses com escassez de vocações torna-se uma bênção de Deus para as vossas comunidades e constitui, para os fiéis, o testemunho de um serviço sacerdotal que se abre generosamente às necessidades da Igreja inteira.

O Concílio Vaticano II recordou, explicitamente, que o «dever de fomentar as vocações pertence a toda a comunidade cristã, que as deve promover sobretudo mediante uma vida plenamente cristã» (Decr. Optatam totius, 2). Por isso, desejo dirigir uma fraterna saudação de especial encorajamento a quantos colaboram de vários modos nas paróquias com os sacerdotes. Em particular, dirijo-me àqueles que podem oferecer a própria contribuição para a pastoral das vocações: os sacerdotes, as famílias, os catequistas, os animadores. Aos sacerdotes recomendo que sejam capazes de dar um testemunho de comunhão com o Bispo e com os outros irmãos no sacerdócio, para garantirem o húmus vital aos novos rebentos de vocações sacerdotais. Que as famílias sejam "animadas pelo espírito de fé, de caridade e piedade" (Ibid., 2), capazes de ajudar os filhos e as filhas a acolherem, com generosidade, o chamamento ao sacerdócio e à vida consagrada. Convictos da sua missão educativa, os catequistas e os animadores das associações católicas e dos movimentos eclesiais "de tal forma procurem cultivar o espírito dos adolescentes a si confiados, que eles possam sentir e seguir de bom grado a vocação divina" (Ibid., 2).

Queridos irmãos e irmãs, o vosso empenho na promoção e cuidado das vocações adquire plenitude de sentido e de eficácia pastoral, quando se realiza na unidade da Igreja e visa servir a comunhão. É por isso que todos os momentos da vida da comunidade eclesial – a catequese, os encontros de formação, a oração litúrgica, as peregrinações aos santuários – são uma ocasião preciosa para suscitar no Povo de Deus, em particular nos mais pequenos e nos jovens, o sentido de pertença à Igreja e a responsabilidade em responder, com uma opção livre e consciente, ao chamamento para o sacerdócio e a vida consagrada.

A capacidade de cultivar as vocações é sinal característico da vitalidade de uma Igreja local. Invoquemos, com confiança e insistência, a ajuda da Virgem Maria, para que, seguindo o seu exemplo de acolhimento do plano divino da salvação e com a sua eficaz intercessão, se possa difundir no âmbito de cada comunidade a disponibilidade para dizer "sim" ao Senhor, que não cessa de chamar novos trabalhadores para a sua messe. Com estes votos, de coração concedo a todos a minha Bênção Apostólica.

Vaticano, 15 de Novembro de 2010


Fonte: Canção Nova

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Carta de Bento XVI aos seminaristas do mundo


Queridos Seminaristas,

Em Dezembro de 1944, quando fui chamado para o serviço militar, o comandante de companhia perguntou a cada um de nós a profissão que sonhava ter no futuro. Respondi que queria tornar-me sacerdote católico. O subtenente replicou: Nesse caso, convém-lhe procurar outra coisa qualquer; na nova Alemanha, já não há necessidade de padres. Eu sabia que esta "nova Alemanha" estava já no fim e que, depois das enormes devastações causadas por aquela loucura no país, mais do que nunca haveria necessidade de sacerdotes. Hoje, a situação é completamente diversa; porém de vários modos, mesmo em nossos dias, muitos pensam que o sacerdócio católico não seja uma "profissão" do futuro, antes pertenceria já ao passado. Contrariando tais objeções e opiniões, vós, queridos amigos, decidistes-vos a entrar no Seminário, encaminhando-vos assim para o ministério sacerdotal na Igreja Católica. E fizestes bem, porque os homens sempre terão necessidade de Deus – mesmo na época do predomínio da técnica no mundo e da globalização –, do Deus que Se mostrou a nós em Jesus Cristo e nos reúne na Igreja universal, para aprender, com Ele e por meio d’Ele, a verdadeira vida e manter presentes e tornar eficazes os critérios da verdadeira humanidade. Sempre que o homem deixa de ter a noção de Deus, a vida torna-se vazia; tudo é insuficiente. Depois o homem busca refúgio na alienação ou na violência, ameaça esta que recai cada vez mais sobre a própria juventude. Deus vive; criou cada um de nós e, por conseguinte, conhece a todos. É tão grande que tem tempo para as nossas coisas mais insignificantes: "Até os cabelos da vossa cabeça estão contados". Deus vive, e precisa de homens que vivam para Ele e O levem aos outros. Sim, tem sentido tornar-se sacerdote: o mundo tem necessidade de sacerdotes, de pastores hoje, amanhã e sempre enquanto existir.

O Seminário é uma comunidade que caminha para o serviço sacerdotal. Nestas palavras, disse já algo de muito importante: uma pessoa não se torna sacerdote sozinha. É necessária a "comunidade dos discípulos", o conjunto daqueles que querem servir a Igreja de todos. Com esta carta, quero evidenciar – olhando retrospectivamente também para o meu tempo de Seminário – alguns elementos importantes para o vosso caminho a fazer nestes anos.

1. Quem quer tornar-se sacerdote, deve ser sobretudo um "homem de Deus", como o apresenta São Paulo (1 Tm 6, 11). Para nós, Deus não é uma hipótese remota, não é um desconhecido que se retirou depois do "big-bang". Deus mostrou-Se em Jesus Cristo. No rosto de Jesus Cristo, vemos o rosto de Deus. Nas suas palavras, ouvimos o próprio Deus a falar conosco. Por isso, o elemento mais importante no caminho para o sacerdócio e ao longo de toda a vida sacerdotal é a relação pessoal com Deus em Jesus Cristo. O sacerdote não é o administrador de uma associação qualquer, cujo número de membros se procura manter e aumentar. É o mensageiro de Deus no meio dos homens; quer conduzir a Deus, e assim fazer crescer também a verdadeira comunhão dos homens entre si. Por isso, queridos amigos, é muito importante aprenderdes a viver em permanente contato com Deus. Quando o Senhor fala de "orar sempre", naturalmente não pede para estarmos continuamente a rezar por palavras, mas para conservarmos sempre o contato interior com Deus. Exercitar-se neste contato é o sentido da nossa oração. Por isso, é importante que o dia comece e acabe com a oração; que escutemos Deus na leitura da Sagrada Escritura; que Lhe digamos os nossos desejos e as nossas esperanças, as nossas alegrias e sofrimentos, os nossos erros e o nosso agradecimento por cada coisa bela e boa, e que deste modo sempre O tenhamos diante dos nossos olhos como ponto de referência da nossa vida. Assim tornamo-nos sensíveis aos nossos erros e aprendemos a trabalhar para nos melhorarmos; mas tornamo-nos sensíveis também a tudo o que de belo e bom recebemos habitualmente cada dia, e assim cresce a gratidão. E, com a gratidão, cresce a alegria pelo fato de que Deus está perto de nós e podemos servi-Lo.

2. Para nós, Deus não é só uma palavra. Nos sacramentos, dá-Se pessoalmente a nós, através de elementos corporais. O centro da nossa relação com Deus e da configuração da nossa vida é a Eucaristia; celebrá-la com íntima participação e assim encontrar Cristo em pessoa deve ser o centro de todas as nossas jornadas. Para além do mais, São Cipriano interpretou a súplica do Evangelho "o pão nosso de cada dia nos dai hoje" dizendo que o pão "nosso", que, como cristãos, podemos receber na Igreja, é precisamente Jesus eucarístico. Por conseguinte, na referida súplica do Pai Nosso, pedimos que Ele nos conceda cada dia este pão "nosso"; que o mesmo seja sempre o alimento da nossa vida, que Cristo ressuscitado, que Se nos dá na Eucaristia, plasme verdadeiramente toda a nossa vida com o esplendor do seu amor divino. Para uma reta celebração eucarística, é necessário aprendermos também a conhecer, compreender e amar a liturgia da Igreja na sua forma concreta. Na liturgia, rezamos com os fiéis de todos os séculos; passado, presente e futuro encontram-se num único grande coro de oração. A partir do meu próprio caminho, posso afirmar que é entusiasmante aprender a compreender pouco a pouco como tudo isto foi crescendo, quanta experiência de fé há na estrutura da liturgia da Missa, quantas gerações a formaram rezando.

3. Importante é também o sacramento da Penitência. Ensina a olhar-me do ponto de vista de Deus e obriga-me a ser honesto comigo mesmo; leva-me à humildade. Uma vez o Cura d’Ars disse: Pensais que não tem sentido obter a absolvição hoje, sabendo entretanto que amanhã fareis de novo os mesmos pecados. Mas – assim disse ele – o próprio Deus neste momento esquece os vossos pecados de amanhã, para vos dar a sua graça hoje. Embora tenhamos de lutar continuamente contra os mesmos erros, é importante opor-se ao embrutecimento da alma, à indiferença que se resigna com o fato de sermos feitos assim. Na grata certeza de que Deus me perdoa sempre de novo, é importante continuar a caminhar, sem cair em escrúpulos, mas também sem cair na indiferença, que já não me faria lutar pela santidade e o aperfeiçoamento. E, deixando-me perdoar, aprendo também a perdoar aos outros; reconhecendo a minha miséria, também me torno mais tolerante e compreensivo com as fraquezas do próximo.

4. Mantende em vós também a sensibilidade pela piedade popular, que, apesar de diversa em todas as culturas, é sempre também muito semelhante, porque, no fim de contas, o coração do homem é o mesmo. É certo que a piedade popular tende para a irracionalidade e, às vezes, talvez mesmo para a exterioridade. No entanto, excluí-la, é completamente errado. Através dela, a fé entrou no coração dos homens, tornou-se parte dos seus sentimentos, dos seus costumes, do seu sentir e viver comum. Por isso a piedade popular é um grande patrimônio da Igreja. A fé fez-se carne e sangue. Seguramente a piedade popular deve ser sempre purificada, referida ao centro, mas merece a nossa estima; de modo plenamente real, ela faz de nós mesmos "Povo de Deus".

5. O tempo no Seminário é também e sobretudo tempo de estudo. A fé cristã possui uma dimensão racional e intelectual, que lhe é essencial. Sem tal dimensão, a fé deixaria de ser ela mesma. Paulo fala de uma "norma da doutrina", à qual fomos entregues no Batismo (Rm 6, 17). Todos vós conheceis a frase de São Pedro, considerada pelos teólogos medievais como a justificação para uma teologia elaborada racional e cientificamente: "Sempre prontos a responder […] a todo aquele que vos perguntar 'a razão' (logos) da vossa esperança" (1 Ped 3, 15). Adquirir a capacidade para dar tais respostas é uma das principais funções dos anos de Seminário. Tudo o que vos peço insistentemente é isto: Estudai com empenho! Fazei render os anos do estudo! Não vos arrependereis. É certo que muitas vezes as matérias de estudo parecem muito distantes da prática da vida cristã e do serviço pastoral. Mas é completamente errado pôr-se imediatamente e sempre a pergunta pragmática: Poderá isto servir-me no futuro? Terá utilidade prática, pastoral? É que não se trata apenas de aprender as coisas evidentemente úteis, mas de conhecer e compreender a estrutura interna da fé na sua totalidade, de modo que a mesma se torne resposta às questões dos homens, os quais, do ponto de vista exterior, mudam de geração em geração e todavia, no fundo, permanecem os mesmos. Por isso, é importante ultrapassar as questões volúveis do momento para se compreender as questões verdadeiras e próprias e, deste modo, perceber também as respostas como verdadeiras respostas. É importante conhecer a fundo e integralmente a Sagrada Escritura, na sua unidade de Antigo e Novo Testamento: a formação dos textos, a sua peculiaridade literária, a gradual composição dos mesmos até se formar o cânon dos livros sagrados, a unidade dinâmica interior que não se nota à superfície, mas é a única que dá a todos e cada um dos textos o seu pleno significado. É importante conhecer os Padres e os grandes Concílios, onde a Igreja assimilou, refletindo e acreditando, as afirmações essenciais da Escritura. E poderia continuar assim: aquilo que designamos por dogmática é a compreensão dos diversos conteúdos da fé na sua unidade, mais ainda, na sua derradeira simplicidade, pois cada um dos detalhes, no fim de contas, é apenas explanação da fé no único Deus, que Se manifestou e continua a manifestar-Se a nós. Que é importante conhecer as questões essenciais da teologia moral e da doutrina social católica, não será preciso que vo-lo diga expressamente. Quão importante seja hoje a teologia ecumênica, conhecer as várias comunidade cristãs, é evidente; e o mesmo se diga da necessidade duma orientação fundamental sobre as grandes religiões e, não menos importante, sobre a filosofia: a compreensão daquele indagar e questionar humano ao qual a fé quer dar resposta. Mas aprendei também a compreender e – ouso dizer – a amar o direito canônico na sua necessidade intrínseca e nas formas da sua aplicação prática: uma sociedade sem direito seria uma sociedade desprovida de direitos. O direito é condição do amor. Agora não quero continuar o elenco, mas dizer-vos apenas e uma vez mais: Amai o estudo da teologia e segui-o com diligente sensibilidade para ancorardes a teologia à comunidade viva da Igreja, a qual, com a sua autoridade, não é um pólo oposto à ciência teológica, mas o seu pressuposto. Sem a Igreja que crê, a teologia deixa de ser ela própria e torna-se um conjunto de disciplinas diversas sem unidade interior.

6. Os anos no Seminário devem ser também um tempo de maturação humana. Para o sacerdote, que terá de acompanhar os outros ao longo do caminho da vida e até às portas da morte, é importante que ele mesmo tenha posto em justo equilíbrio coração e intelecto, razão e sentimento, corpo e alma, e que seja humanamente "íntegro". Por isso, a tradição cristã sempre associou às "virtudes teologais" as "virtudes cardeais", derivadas da experiência humana e da filosofia, e também em geral a sã tradição ética da humanidade. Di-lo, de maneira muito clara, Paulo aos Filipenses: "Quanto ao resto, irmãos, tudo o que é verdadeiro, nobre e justo, tudo o que é puro, amável e de boa reputação, tudo o que é virtude e digno de louvor, isto deveis ter no pensamento" (4, 8). Faz parte deste contexto também a integração da sexualidade no conjunto da personalidade. A sexualidade é um dom do Criador, mas também uma função que tem a ver com o desenvolvimento do próprio ser humano. Quando não é integrada na pessoa, a sexualidade torna-se banal e ao mesmo tempo destrutiva. Vemos isto, hoje, em muitos exemplos da nossa sociedade. Recentemente, tivemos de constatar com grande mágoa que sacerdotes desfiguraram o seu ministério, abusando sexualmente de crianças e adolescentes. Em vez de levar as pessoas a uma humanidade madura e servir-lhes de exemplo, com os seus abusos provocaram devastações, pelas quais sentimos profunda pena e desgosto. Por causa de tudo isto, pode ter-se levantado em muitos, e talvez mesmo em vós próprios, esta questão: se é bom fazer-se sacerdote, se o caminho do celibato é sensato como vida humana. Mas o abuso, que há que reprovar profundamente, não pode desacreditar a missão sacerdotal, que permanece grande e pura. Graças a Deus, todos conhecemos sacerdotes convincentes, plasmados pela sua fé, que testemunham que, neste estado e precisamente na vida celibatária, é possível chegar a uma humanidade autêntica, pura e madura. Entretanto o sucedido deve tornar-nos mais vigilantes e solícitos, levando precisamente a interrogarmo-nos cuidadosamente a nós mesmos diante de Deus ao longo do caminho rumo ao sacerdócio, para compreender se este constitui a sua vontade para mim. É função dos padres confessores e dos vossos superiores acompanhar-vos e ajudar-vos neste percurso de discernimento. É um elemento essencial do vosso caminho praticar as virtudes humanas fundamentais, mantendo o olhar fixo em Deus que Se manifestou em Cristo, e deixar-se incessantemente purificar por Ele.

7. Hoje os princípios da vocação sacerdotal são mais variados e distintos do que nos anos passados. Muitas vezes a decisão para o sacerdócio desponta nas experiências de uma profissão secular já assumida. Frequentemente cresce nas comunidades, especialmente nos movimentos, que favorecem um encontro comunitário com Cristo e a sua Igreja, uma experiência espiritual e a alegria no serviço da fé. A decisão amadurece também em encontros muito pessoais com a grandeza e a miséria do ser humano. Deste modo os candidatos ao sacerdócio vivem muitas vezes em continentes espirituais completamente diversos; poderá ser difícil reconhecer os elementos comuns do futuro mandato e do seu itinerário espiritual. Por isso mesmo, o Seminário é importante como comunidade em caminho que está acima das várias formas de espiritualidade. Os movimentos são uma realidade magnífica; sabeis quanto os aprecio e amo como dom do Espírito Santo à Igreja. Mas devem ser avaliados segundo o modo como todos se abrem à realidade católica comum, à vida da única e comum Igreja de Cristo que permanece uma só em toda a sua variedade. O Seminário é o período em que aprendeis um com o outro e um do outro. Na convivência, por vezes talvez difícil, deveis aprender a generosidade e a tolerância não só suportando-vos mutuamente, mas também enriquecendo-vos um ao outro, de modo que cada um possa contribuir com os seus dotes peculiares para o conjunto, enquanto todos servem a mesma Igreja, o mesmo Senhor. Esta escola da tolerância, antes do aceitar-se e compreender-se na unidade do Corpo de Cristo, faz parte dos elementos importantes dos anos de Seminário.

Queridos seminaristas! Com estas linhas, quis mostrar-vos quanto penso em vós precisamente nestes tempos difíceis e quanto estou unido convosco na oração. Rezai também por mim, para que possa desempenhar bem o meu serviço, enquanto o Senhor quiser. Confio o vosso caminho de preparação para o sacerdócio à proteção materna de Maria Santíssima, cuja casa foi escola de bem e de graça. A todos vos abençoe Deus onipotente Pai, Filho e Espírito Santo.

Dado no Vaticano, aos 18 de Outubro - Festa de São Lucas, Evangelista - do ano de 2010.

Vosso no Senhor.

sábado, 28 de agosto de 2010

Celebrando o Dia do Catequista


No último domingo do Mês Vocacional, celebra-se o Dia do Catequista, um dos importantes ministérios leigos. Para comemorar a data, as regiões pastorais da diocese farão celebrações especiais homenageando nossos catequistas.

É com admiração, reconhecimento e gratidão que a Igreja celebra esta festividade. A catequese é o sucesso de Jesus, o bem supremo da Igreja, a humanização e evangelização das pessoas, real colaboração na renovação da sociedade. A catequese é o útero da mãe Igreja, onde o Espírito Santo gera novos cristãos, como gerou Jesus no seio de Maria. Sendo a Igreja Corpo de Cristo, a catequese é seu sangue e vitalidade. Sem o ensino da fé, a igreja fenece. “A catequese é a alma da Igreja”.

Enquanto processo de educação da fé, a catequese começa no ventre materno até à eternidade. A missão do catequista é transmitir a experiência de fé para que seus ouvintes experimentem o fascínio do Evangelho, descubram a beleza da comunidade e se dediquem na transformação da sociedade.

Segundo o Papa Bento XVI, “os catequistas são os colaboradores indispensáveis dos sacerdotes no anúncio do Evangelho. Eles têm uma função essencial, não somente na primeira evangelização e para o catecumenato, mas também na animação e no apoio das vossas comunidades, em linha com os demais agentes pastorais.”

SUBLIME MINISTÉRIO – No Dia do Catequista, somos convidados a homenagear aquelas pessoas que, num testemunho de fé e generosidade, dedicam-se ao sublime ministério de transmitir as verdades divinas a crianças, adolescentes e jovens. A missão dos catequistas é das mais importantes dentro da Igreja, que sempre valorizou esse ministério confiado geralmente aos cristãos leigos.

“O trabalho dos catequistas, muitas vezes humilde e escondido, mas realizado com zelo inflamado e generoso, é uma forma eminente de apostolado leigo, particularmente importante naquelas partes onde, por diversas razões, as crianças e os jovens não recebem no lar formação religiosa conveniente” – ensinava o Papa João Paulo II.

O catequista exerce o serviço da Palavra. Ele fala em nome de Deus e da Igreja. Ele é o comunicador da Boa Nova de Jesus Cristo.

Mensagem aos catequistas

Carta de Dom Eugênio Rixen, presidente da Comissão para
Animação Bíblico-catequética, da CNBB, para os catequistas do Brasil

“Catequista, você é especial para Deus! Sua vocação foi gestada no coração do Pai, para que pudesse chegar aos corações dos seus filhos e filhas com a mensagem da vida: Jesus Cristo.

O último domingo de agosto é o Dia do Catequista. É com admiração, reconhecimento e gratidão que a Igreja celebra essa festividade. Celebrar o Dia do Catequista é sempre uma graça, motivo de alegria e de reflexão mais profunda sobre o ser do catequista, sua vocação e missão na Igreja e sociedade. Sentimos ainda os “ecos” e a chama da esperança que ardeu em nosso coração com a realização da 3ª Semana Brasileira de Catequese.

Sentimo-nos movidos pela força do Espírito, que nos chama e envia, pelas intuições e propostas do tema da 3ª Semana Brasileira de Catequese: “Iniciação à Vida Cristã”. Nesse Espírito, celebrar o Dia do Catequista tem um significado especial, pois são vocês, catequistas, os protagonistas, aqueles que fazem com que o processo de um novo jeito de fazer catequese seja possível. Portanto confiamos em cada um de vocês, com seus dons partilhados, junto com as forças vivas de toda a Igreja, as comunidades, as pastorais, os movimentos, para que a iniciação à vida cristã seja possível.

Ao celebrar o Dia do Catequista, queremos refletir sobre a vocação do catequista, que é a vocação do profeta, aquele que fala em nome de Deus e da comunidade a que pertence. A iniciativa sempre parte de Deus. O chamado a ser catequista não é algo pessoal, mas obra divina, graça.

A missão do catequista está na raiz da palavra “catequese”, que vem do grego “katechein” e quer dizer fazer eco. Logo, catequista é aquele que se coloca a serviço da Palavra, que se faz instrumento para que a Palavra ecoe. O Senhor chama você para que, através da sua vida, da sua pessoa, da sua comunicação, a Palavra seja proclamada, Jesus Cristo seja anunciado e testemunhado.

Catequista, você não é só transmissor de ideias, conhecimentos, doutrina, pois sua experiência fundante está no encontro pessoal com a pessoa de Jesus Cristo. Essa experiência é comunicada pelo ser, saber e saber fazer em comunidade (DNC 261). O ser e o saber do catequista sustentam-se numa espiritualidade da gratuidade, da confiança, da entrega, da certeza de que o Senhor está presente, é fiel.

Catequista, você é especial para Deus! Sua vocação foi gestada no coração do Pai, para que pudesse chegar aos corações dos seus filhos e filhas com a mensagem da vida: Jesus Cristo. Sabemos das dificuldades que enfrenta para realizar a sua missão, mesmo assim teimosa e dedicadamente prossegue neste peregrinar de partilha, de despojamento e aprendizagens.

Isso demonstra que você cultiva uma profunda espiritualidade alicerçada na Palavra, nos sacramentos, na vida em comunidade. É a experiência do discípulo-missionário que vai se configurando na sua trajetória de avanços, desafios e alegrias. É a pedagogia divina, que se concretiza na sua vida permeada de fragilidades e grandeza, medos e coragem, humana e humanizadora.

É com a certeza da ação amorosa do Deus da vida que você assume a missão de profeta que ouve o chamado de Deus: “Levanta-te e vai à grande cidade (Jn 1,2). Seu anúncio é traduzido em atitudes proféticas que testemunham os valores evangélicos, é o ser do catequista partilhado na sua inteireza, no serviço generoso, para que o reino aconteça.

Catequista, que a experiência do encontro com Jesus Cristo seja a força motivadora capaz de lhe trazer o encantamento por esse fascinante caminho de discipulado, cheio de desafios que o fazem crescer e acabam gerando profundas alegrias.

Catequista, nesse dia acolha o abraço de gratidão de milhares de pessoas, vidas agradecidas, pela sua presença na educação da fé de crianças, adolescentes, jovens e adultos. Em sua ação se traduz de uma forma única e original a vocação da Igreja-Mãe que cuida maternalmente dos filhos que gerou na fé pela ação do Espírito.

Querido catequista, parabéns! Que a força da Palavra continue a suscitar-lhe a fé e o compromisso missionário!

Que os sacramentos sejam a fonte inesgotável da misericórdia, da reconciliação, da justiça e do reencantamento.

Que a comunidade continue sendo o referencial da experiência do encontro com Cristo naqueles que sofrem, naqueles que buscam acolhida e necessitam ser “cuidados”.

A bênção amorosa do Pai, que cuida com carinho dos seus filhos e filhas, que um dia nos chamou a viver com alegria a vocação do discípulo missionário, esteja na sua vida, na vida da sua comunidade hoje e sempre.”

Ser catequista: compromisso de amor

Ao assumir o compromisso de transmitir a Boa Nova de Jesus Cristo, de fazer conhecer e de vivenciar a sua mensagem, o catequista precisa conhecer o processo que torna possível a sua missão.

1- Ensinar: não é apenas repassar informações, mas é um processo que envolve preparação e conhecimento da doutrina, da história da Igreja e da História da Salvação. O processo de ensinar na catequese deverá: conduzir o catequizando à descoberta do conhecimento da fé; despertar para a oração, promovendo a intimidade com Cristo; preparar para a vida em comunidade e orientar para ser presença cristã na sociedade; propiciar oportunidades de entender o que é experiência de fé a partir do Evangelho.

2- Aprender: este aprendizado é para ser realizado em grupo, pelo grupo e com o grupo. Esse processo deverá ser gradual. É fazer do conteúdo da catequese elemento essencial e significativo na vida do catequizando para que ele possa: anunciar com clareza (dar a razão de sua fé); celebrar (partilhar a sua experiência de fé na comunidade); viver (colocar em prática o que aprendeu e fazer experiência de conversão); transmitir (iniciar a missão de evangelizar).

3- Sentir: estabelece a relação entre a realidade e as perspectivas apresentadas no Evangelho. Possibilita a intimidade com o Pai e a realização da Profissão de Fé de maneira coerente.

4- Criar: precisamos acreditar para criar condições de divulgar. O criar está ligado à sensibilidade. O olhar atento garante a possibilidade contínua de criar um jeito novo de catequizar e entender os mistérios do Reino.

5- Descobrir: é achar a presença do divino na sua vida, através do diálogo íntimo com Deus, encontrando gratuidade no seu amor e a necessidade de desenvolver os dons, para crescer e amadurecer a sua experiência de comunidade de fé.

6- Experienciar: é a soma das etapas anteriores que culmina na adaptação à vida pessoal.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Cardeal pede orações pelas vocações sacerdotais




Neste mês que a Igreja no Brasil dedica ao tema das vocações, o arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Scherer, convida os católicos a rezarem de modo especial pelas vocações sacerdotais.

Cada comunidade precisa “de muitos bons sacerdotes para a realização da sua missão nesta Metrópole. Apoiemos e colaboremos com os diáconos e padres no exercício de sua missão; apoiemos os seminários, onde são preparados os novos padres”, afirma o cardeal, em artigo publicado na edição desta semana do jornal O São Paulo.

No contexto do mês das vocações, o arcebispo explica que, na Igreja, “somos um povo de vocacionados, que Deus chama para missões e serviços diferenciados; e para desempenhá-los, concede uma graça especial a cada um”.

“Embora de diversos modos, todos são chamados a manifestar na sua vida a mesma alegria da salvação e a colaborar na única grande obra de Deus.”

Dom Odilo recorda a vocação dos fiéis leigos, que, pelo batismo, “são chamados por Deus para viver a alegria da fé e testemunhar a vida nova que vem do Evangelho no meio do mundo”.

Outra vocação, na Igreja, é a dos ministros ordenados – bispos, padres e diáconos –, que “receberam o chamado especial para serem pastores e servidores da comunidade dos fiéis, com a missão de zelar, em nome de Cristo, pelo bem de cada membro da Igreja e de cuidar para que esta cumpra bem sua missão”.

Os ministros ordenados “exercem em graus diversos, por encargo da Igreja e do próprio Cristo, a tríplice missão de anunciar o Evangelho, santificar e pastorear o rebanho do Senhor”.

Há ainda a vocação à Vida Consagrada, “com suas numerosas Ordens, Congregações e Institutos, e também as múltiplas formas de vida consagrada secular; hoje florescem diversas formas de consagração nas ‘Novas Comunidades’, que o Espírito Santo suscita na Igreja”.

Segundo o cardeal Scherer, é preciso lembrar sempre que “a primeira e mais importante ‘consagração’ a Deus é aquela do Batismo. Por ela, todos receberam o ‘selo do Deus vivo’, pertencem a Ele, receberam a ‘vida nova’ e são herdeiros dos bens que Deus destina para todos aqueles que o amam”.

“No entanto – afirma o arcebispo –, a vocação à Vida Consagrada é um chamado especial para viver de maneira mais intensa e desimpedida a vida nova’, segundo o Evangelho.”

E os consagrados “fazem isso assumindo os Conselhos Evangélicos da pobreza, obediência e castidade ‘por causa do de Jesus Cristo e do reino dos céus’. Assim, eles se tornam ‘sinal vivo’ do Evangelho e das promessas de Deus para seus irmãos batizados e para o mundo inteiro.”

“Somos um povo de vocacionados” – diz o arcebispo. “O Espírito de Cristo não deixa de suscitar todo tipo de vocações na Igreja, dando dons diferentes a cada um para a colaboração de todos na missão da Igreja”.

Dom Odilo deseja que as paróquias e comunidades sejam “generosas em acolher todos os dons de Deus, vivas e dinâmicas na missão, através da vocação e da colaboração de cada um de seus membros”.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Os sacerdotes abusaram de mim...



Os Sacerdotes que abusaram de mim!

“Quanto era muito criança, sem ter consciência, sem liberdade, sem poder defender-me, um deles me fez filho de Deus, herdeiro da Vida Eterna, Templo do Espírito Santo e membro da Igreja, nunca poderei perdoar-lhe por ter-me feito tanto bem.

Outro insistiu em meus tenros anos em inculcar-me, violentando a minha vontade, o respeito pelo nome de Deus, a necessidade absoluta da oração diária, a obediência e a reverência aos meus pais, o amor pela minha pátria, e me ensinou a utopia de não mentir, não roubar, não falar mal dos outros, perdoar e todas essas coisas que nos fazem tão hipócritas e ridículos…

Outro apareceu mencionando que o Espírito Santo devia vir completar a obra começada no Batismo, que me fariam falta seus dons e seus frutos, que já era hora de que viesse em minha ajuda Aquele que me faria defender a Fé, como um soldado. Que ousadia falar em termos tão bélicos! Fez nessa época que eu cuidasse minha alma frente ao mundo, que fosse nobre, leal e honesto…

Outro abusou dando-me livros para ler, não lhe bastassem seus conselhos, que faziam colocar o olhar na eternidade e viver como estranho aqui na terra. Quem tirará agora da minha cabeça os quatro Evangelhos? As glórias de Maria? A imitação de Cristo? As Confissões? As Moradas? Etc. Quem será capaz de curar-me de todos esses tesouros que me marcaram para sempre?

Outro abusou da minha ignorância ensinando-me coisas que não sabia. Outro não falava, mas sua vida virtuosa me inclinava cada vez mais a imitá-lo. Houve alguns que se aproveitaram de mim em momentos inesperados e me corrigiram, me alentaram, e até rezaram por mim.

Outros, quando eu já estava em um círculo do qual não podia sair, insistiram com minha natureza caída e me incitaram a receber a Jesus Cristo em Corpo e Sangue, para resistir aos embates do inimigo, para fortalecer minha fraqueza e santificar-me cada dia mais. Embora, para aquele que leia esta denúncia, pareça que isso já é demasiado e que não seja possível, digo-lhe que os abusos seguiram aumentando, e tudo passou a coisas maiores. Cada vez que conhecia um sacerdote, se aproveitava de mim com renovados métodos, relíquias, santinhos, água benta, terços, bênçãos e orações de todo tipo, armavam um cerco com tremendos benefícios que chegaram ao limite do suportável.

Quero deixar clara esta injustiça cheia de perversidade, e que atendam a minha reclamação nesta denúncia, por que sei que alguns deles estarão esperando-me para seguir com essa iniqüidade, sentado num confessionário ou ao lado de minha cama quando estiver moribundo, e, ainda que desapareça, seguirão com sufrágios pela minha alma e súplicas de misericórdia.

Quero que se somem a minha voz todos aqueles que foram vítimas desses incidentes, e se sentiram ultrajados por estas pessoas, pois sei que a outros os uniram em matrimônio, a outros lhes descobriram a vocação, a outros até chegaram a ajudar-lhes materialmente ou guardaram com chave em seu coração, para sempre, segredos tremendos de suas misérias humanas.

Cuidemos seriamente para não termos trato com eles. Não demos a eles nossos dados. Não os olhemos nos olhos, não os consultemos absolutamente para nada. Não sigamos nenhum de seus passos, pois corremos o risco de um dia cair em suas armadilhas e salvar-nos eternamente”.