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quinta-feira, 24 de maio de 2012

Abençoada cruz que irá celebrar 2 mil anos da ressureição de Cristo





O Papa Bento XVI abençoou, nessa quarta-feira, 23, uma grande cruz de madeira que irá percorrer as capitais do mundo para celebrar os dois mil anos da Ressurreição de Cristo, no ano 2033. A informação foi divulgada ontem no jornal vaticano L'Osservatore Romano.

A cruz mede quatro metros de altura e é um “sinal de gratidão a Deus”.  O símbolo já percorreu a Ucrânia, Polônia, Lituânia, Letônia, Estônia, Finlândia, Noruega, Dinamarca, Suécia, Alemanha, Islândia, França, Países Baixos, Bélgica, Áustria, Hungria, Eslováquia e República Tcheca.

A iniciativa partiu de um grupo de fiéis ucranianos da localidade de L’viv. De 1918 a 1941 foi uma cidade polonesa e de 1941 a 1944 da Alemanha. Sua passagem à Ucrânia se deu em 1945. Em sua passagem por Roma, a cruz já esteve nas quatro basílicas papais: São Pedro, São João de Latrão, Santa Maria Maior e São Paulo fora dos Muros. Agora retomará o seu percurso ao redor do mundo inteiro.

L'Osservatore Romano assinala ainda que “esta iniciativa tem um valor ecumênico” como a do Padre Vladimiro Timoshenko, da Paróquia dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, na Rússia, que apresentou ao Papa o ícone de São Olaf para sua bênção. A imagem será colocada na igreja em substituição a um antigo ícone que foi destruído.
Fonte: Canção Nova

quarta-feira, 7 de março de 2012

Monsenhor comenta decisão sobre retirada de símbolos religiosos



Atendendo a um pedido da Liga Brasileira de Lésbicas e outras entidades sociais, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) determinou que todos os crucifixos e símbolos religiosos sejam retirados dos espaços públicos dos prédios da Justiça gaúcha. A decisão foi tomada por unanimidade na primeira sessão do ano do Conselho de Magistratura, realizada nesta terça-feira, 6.

O relator da matéria, Cláudio Baldino Maciel, recorreu ao princípio do distanciamento para justificar seu voto. "O julgamento feito numa sala de tribunal sob um expressivo símbolo de uma Igreja e de sua doutrina não parece a melhor forma de se mostrar o estado-juiz equidistante dos valores em conflito". 

A declaração presente no site do Tribunal de Justiça do Rio Grande Sul diz ainda que essa medida responde aos princípios de um estado laico. “Resguardar o espaço público do Judiciário para o uso somente de símbolos oficiais do estado é o único caminho que responde aos princípios constitucionais republicanos de um estado laico, devendo ser vedada a manutenção dos crucifixos e outros símbolos religiosos em ambientes públicos dos prédios".

Palavra do monsenhor

Para o vigário geral da arquidiocese do Rio Grande do Sul, monsenhor Tarcísio Pedro Scherer, a definição de estado laico adotada nesta situação está equivocada. “Esta definição está totalmente deturpada, porque para eles o estado laico significa estado ateu, isto já é uma posição ideológica. O estado laico significa que ele não dá preferência a nenhuma religião especificamente, mas o Estado não é a Nação. Eles confundem Estado com Nação. Nação é o povo, e a maioria da nação, do povo brasileiro, é cristão. Eles esquecem isso ou fazem de conta que não sabem”, afirmou. 

Sobre a melhor forma de ateus e religiosos conviverem harmoniosamente em um estado laico, o monsenhor citou o mandamento deixado por Cristo. “O mandamento que Cristo nos deu é amar, não só o próximo enquanto ele é amado, mas amar até os inimigos e fazer bem aos que nos fazem o mal. Nossa resposta é esta. Temos que continuar com nossa missão com amor e paciência. Vivermos a nossa fé autenticamente e procurarmos cativar os outros para o coração de Deus”.

Histórico 

O assunto gera polêmica desde 2009, quando o Ministério Público Federal entrou com uma ação pedindo a retirada de símbolos religiosos nos locais públicos federais de São Paulo. Na época, o então presidente do Superior Tribunal Federal, Gilmar Mendes, considerou a medida como um exagero. "Nós estamos agora no ano de 2009, que significa 2009 anos depois de Cristo. Vamos colocar isso em xeque? O próprio calendário, o sábado, o domingo, será revisto? A Páscoa, o Natal?", questionou Mendes na época.
Fonte: Canção Nova

terça-feira, 8 de março de 2011

Como ir à Missa e não perder a Fé


ROMA, terça-feira, 8 de março de 2011 (ZENIT.org) - Um enfraquecimento da fé e a diminuição do número de fiéis poderiam ser atribuídos aos abusos litúrgicos e às Missas ruins, quer dizer, às que traem seu sentido original e onde, no centro, já não está Deus, mas o homem, com a bagagem de suas perguntas existenciais.

Essa é uma ideia sustentada por Nicola Bux, teólogo e consultor da Congregação para a Doutrina da Fé e do Ofício de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice.

Apresentado em Roma no dia 2 de março, em seu livro "Come andare a Messa e non perdere la fede" [Como ir à Missa e não perder a fé, N. do T.], Bux lança-se contra a virada antropológica da liturgia.

Bux replica a quantos criticaram Bento XVI, acusando-o de ter traído o espírito conciliar. Ao contrário – argumenta o teólogo – os documentos oficiais do Concílio Vaticano II foram traídos precisamente por essas pessoas, bispos e sacerdotes à frente, que alteraram a liturgia com “deformações ao limite do suportável”.

Participar de uma celebração eucarística pode significar, de fato, também se encontrar perante as formas litúrgicas mais estranhas, com sacerdotes que discutem economia, política e sociologia, tecendo homilias em que Deus desaparece. Proliferam os ensaios de antropologia litúrgica até reduzir a esta dimensão os próprios sinais sacramentais, “agora chamados – denuncia Bux – preferivelmente de símbolos”. A questão não é pequena: enfrentá-la implica ser tachado de anticonciliar.

Todos se sentem com o direito de ensinar e praticar uma liturgia “ao seu modo”, tanto que hoje é possível assistir, por exemplo, “à afirmação de políticos católicos que, considerando-se ‘adultos’, propõem ideias de Igreja e de moral em contraste com a doutrina”.

Entre aqueles que iniciaram esta mudança, Bux recorda Karl Rahner, quem, à raiz do Concílio, denunciava a reflexão teológica então imperante que, em sua opinião, mostrava-se pouco atenta ou esquecida da realidade do homem.

O jesuíta alemão sustentava em contrapartida que todo discurso sobre Deus brotaria da pergunta que o homem lança sobre si mesmo. Em consequência – esta é a síntese – a tarefa da teologia deveria ser falar do homem e de sua salvação, lançando as perguntas sobre si e sobre o mundo. Um pensamento teológico que, com triste evidência, foi capaz de gerar erros, o mais clamoroso dos quais é o modo de entender o sacramento, hoje já não sentido como procedente do Alto, de Deus, mas como participação em algo que o cristão já possui.

“A conclusão que Häuβling tira disso – recuerda Bux – é que o homem, nos sacramentos, acabaria por participar de uma ação que não corresponde realmente a sua exigência de ser salvo”, já que abre mão da intervenção divina. A semelhante tese “sacramental” e à derivação anexa da liturgia, responde Joseph Ratzinger, que já no dorso do volume XI, “Teologia da Liturgia”, de sua Opera omnia, escreve: “Na relação com a liturgia se decide o destino da fé e da Igreja”.

A liturgia é sagrada, de fato, se tiver suas regras. Apesar disso, se por um lado o ethos, ou seja, a vida moral, é um elemento claro para todos, por outro lado, ignora-se quase totalmente que existe também um “jus divinum”, um direito de Deus a ser adorado. “O Senhor é zeloso de suas competências – sustenta Bux –, e o culto é o que lhe é mais próprio. Em contrapartida, precisamente no campo litúrgico, estamos frente a uma desregulação”.

Sublinhando, em contrapartida, que sem “jus” o culto torna-se necessariamente idolátrico, em seu livro o teólogo cita uma passagem da “Introdução ao espírito da liturgia”, de Ratzinger, que escreve: “Na aparência, tudo está em ordem e presumivelmente também o ritual procede segundo as prescrições. E no entanto é uma queda na idolatria (...), faz-se Deus descer ao nível próprio, reduzindo-o a categorias de visibilidade e compreensibilidade”.

E acrescenta: “trata-se de um culto feito à própria medida (...), converte-se em uma festa que a comunidade faz para si mesma; celebrando-a, a comunidade não faz mais que confirmar a si mesma”. O resultado é irremediável: “Da adoração a Deus se passa a um círculo que gira em torno de si mesmo: comer, beber, divertir-se”. Em sua autobiografia (Mi vida), Ratzinger declara: “Estou convencido de que a crise eclesial em que hoje nos encontramos depende em grande parte do colapso da liturgia”.

Para encerrar, uma sugestão e uma advertência. A primeira é relançar a liturgia romana “olhando para o futuro da Igreja – escreve Bux –, em cujo centro está a cruz de Cristo, como está no centro do altar: Ele, Sumo Sacerdote a quem a Igreja dirige seu olhar hoje, como ontem e sempre”. A segunda é inequívoca: “se acreditamos que o Papa herdou as chaves de Pedro – conclui –, quem não o obedece, antes de tudo em matéria litúrgica e sacramental, não entra no Paraíso”.
Fonte: Zenit