quinta-feira, 19 de março de 2009

19 de Março - São José - Pai adotivo de Jesus, Esposo da Virgem Maria, Padroeiro Universal da Igreja



Celebra-se hoje, 19 de março, a solenidade de São José. Neste dia, a Igreja, espalhada pelo mundo todo, recorda solenemente a santidade de vida do seu Patrono.Esposo da Virgem MariaModelo de pai e esposo, protetor da Sagrada Família, foi escolhido por Deus para ser patrono de toda a Igreja de Cristo.Seu nome em hebraico significa “Deus cumula de bens”. No Evangelho de S. Mateus vemos como foi dramático para ele acolher misteriosamente com docilidade e obediência a Deus, esta escolha tão grande: ser pai adotivo de Jesus, o Messias, o Salvador do mundo."Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor tinha mandado e acolheu sua esposa." (Mt 1,24).O Verbo divino quis viver em família. Hoje, nos deparamos com o testemunho de José, “Deus cumula de bens”. Mas, para que este bem maior penetrasse na sua vida e na sua história, precisou renunciar a si mesmo, e na fé, obedecer a Deus, acolhendo a Virgem Maria e da mesma forma, ele acolhe a Igreja.José é um grande intercessor de todos nós. Que como ele, possamos ser dóceis à Palavra do Senhor.São José, rogai por nós!

O Papa em Camarões













Imagens da Santa Missa no Estádio Amadou Ahidjo de Yaoundé - Camarões

O silêncio, muitas vezes,consegue mais do que discursos, diz Papa



"Diante de sofrimentos atrozes, sentimo-nos inaptos e não encontramos as palavras certas. O silêncio respeitoso e compassivo, uma presença orante, um gesto de ternura e de conforto, um olhar bondoso, um sorriso, muitas vezes conseguem mais do que muitos discursos". Com estas palavras o Papa Bento XVI incentivou nesta tarde, 19, o apoio espiritual e conforto aos enfermos, em sua visita ao Centro Nacional de Recuperação de Deficientes de Camarões, Centro "Cardeal Paul Emile Léger". O Santo Padre deixou uma palavra de estímulo aos que, "na própria casa, nos hospitais, nos estabelecimentos especializados ou nos postos de atendimento médico, são portadores de uma deficiência, motora ou mental" e aos "que trazem na sua carne os sinais das violências e das guerras"."Penso também em todos os doentes e de modo especial aqui, na África, naqueles que são vítimas de doenças como a Aids, a malária e a tuberculose. Sei que, junto de vós, a Igreja Católica está fortemente empenhada numa luta eficaz contra estes terríveis flagelos, encorajando-a a prosseguir com determinação nesta obra urgente”, acrescentou.Trabalho com os sofredoresBento XVI defendeu que "para todo o homem, o respeito da vida é um direito e ao mesmo tempo um dever, porque cada vida é um dom de Deus". "A vós, investigadores e médicos, compete realizar tudo o que é legítimo para aliviar a dor; cabe-vos em primeiro lugar proteger as vidas humanas, ser os defensores da vida desde a sua concepção até ao seu termo natural", disse ainda.O Papa manifestou o seu apreço por todos os que "trabalham ao serviço das pessoas que sofrem" e encorajou "os sacerdotes e as pessoas que visitam os doentes a empenharem-se com a sua presença ativa e amiga na pastoral da saúde nos hospitais ou para assegurar uma presença eclesial no domicílio, para conforto e apoio espiritual dos doentes".Citando a figura de um africano, Simão de Cirene – que os Evangelhos apresentam como o homem que ajudou Jesus a carregar a cruz -, o Papa sublinhou que "todos os africanos e todos os homens que sofrem ajudam Cristo a levar a sua Cruz e sobem com Ele ao Gólgota, para com Ele ressuscitar um dia".Viagem do PapaEm seguida, o Papa encontrou-se com os membros do Conselho Episcopal para a África do Sínodo dos Bispos, na Nunciatura Apostólica de Yaoundé, capital de Camarões.Bento XVI fica em Camarões até amanhã, às 10h30 da manhã (hora local), quando parte para a Angola, na segunda etapa de sua visita ao continente africano.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Papa propõe São José como modelo para os sacerdotes






Na tarde desta quarta-feira, 18, na Basílica Maria Rainha dos Apóstolos, em Iaundê, realizou-se a celebração das Vésperas da Solenidade de São José com os bispos, sacerdotes, religiosos, seminaristas, diáconos, movimentos eclesiais e representantes de outras confissões cristãs em Camarões.Na celebração, de acordo com a liturgia vespertina, Bento XVI convidou a contemplar os traços característicos de São José.Falando da paternidade, Bento XVI afirmou que ser pai é ser, primariamente, servidor da vida e do crescimento. Esta mesma paternidade deve ser vivida pelos sacerdotes. "O sacerdócio ministerial comporta um vínculo profundo com Cristo, que nos é dado na Eucaristia", recordou, fazendo votos de que a celebração da Eucaristia seja verdadeiramente o centro da vida sacerdotal, para que seja também o centro da missão eclesial."Celebrando este sacramento em nome e na pessoa do Senhor, não é a pessoa do sacerdote que deve aparecer em primeiro plano: ele é um servidor, um instrumento humilde que reenvia a Cristo, porque o próprio Cristo é que Se oferece em sacrifício pela salvação do mundo", afirmou, acrescentando que o ministério pastoral não é feito somente de renúncias, mas é também fonte de alegria.São José deve servir de exemplo também aos irmãos e irmãs comprometidos na vida consagrada ou nos movimentos eclesiais. José acolheu o mistério que estava em Maria e o mistério que ela própria representava. São José, disse o papa, ensina-nos que se pode amar sem possuir: "José desvenda-nos o segredo duma humanidade que vive na presença do mistério. Nele, não há separação entre fé e ação. A sua fé orienta decididamente as suas ações".Dirigindo-se aos membros das outras confissões cristãs, Bento XVI citou a vida de São José como um sinal eloqüente para todos os discípulos de Jesus que aspiram à unidade da Igreja. "O seu exemplo incita-nos a compreender que é abandonando-se plenamente à vontade de Deus que o homem se torna um obreiro eficaz do desígnio de Deus, que deseja reunir os homens numa única família, numa única assembleia, numa única "ecclesia". (...) É em Jesus que somos chamados a reconhecer-nos irmãos, filhos de um mesmo Pai", concluiu o Pontífice.

Discurso do Papa aos bispos de Camarões







Senhor Cardeal,
Amados Irmãos no Episcopado!
Este encontro com os pastores da Igreja Católica nos Camarões representa para mim uma grande alegria. Agradeço a D. Simon-Victor Tonyé Bakot, Arcebispo de Yaoundé e Presidente da vossa Conferência Episcopal, as amáveis palavras que me dirigiu em vosso nome. É a terceira vez que o vosso país acolhe o Sucessor de Pedro e, como sabeis, o motivo da minha viagem é primariamente uma ocasião para encontrar os povos deste amado continente africano e entregar aos Presidentes das Conferências Episcopais o Instrumentum laboris da Segunda Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a África. Nesta manhã, desejo, por vosso intermédio, saudar afectuosamente todos os fiéis que estão confiados aos vossos cuidados pastorais. A graça e a paz do Senhor Jesus estejam com cada um de vós, com todas as famílias do vosso grande e belo país, como os presbíteros, os religiosos e as religiosas, os catequistas e as pessoas comprometidas convosco no anúncio do Evangelho.
Neste ano dedicado a São Paulo, é particularmente oportuno recordarmo-nos da urgente necessidade de anunciar o Evangelho a todos. Este mandato, que a Igreja recebeu de Cristo, permanece uma prioridade, porque são ainda numerosas as pessoas que aguardam pela mensagem de esperança e amor que lhes permitirá «participar, livremente, da glória dos filhos de Deus» (Rom 8, 21). E assim convosco, queridos Irmãos, são enviadas as vossas comunidades diocesanas inteiras a dar testemunho do Evangelho. O Concílio Vaticano II recordou vigorosamente que «a actividade missionária dimana intimamente da própria natureza da Igreja» (Ad gentes, 6). Para guiar e estimular o Povo de Deus nesta tarefa, os Pastores devem ser eles mesmos, antes de mais, anunciadores da fé a fim de conduzir a Cristo novos discípulos. O anúncio do Evangelho é próprio do Bispo, que pode afirmar também, como São Paulo: «Se anuncio o Evangelho, não tenho de que me gloriar, pois que me é imposta essa obrigação: Ai de mim se não evangelizar!» (1 Cor 9, 16). Os fiéis, para confirmar e purificar a sua fé, têm necessidade da palavra do seu Bispo, que é o catequista por excelência.
Para desempenhar esta missão de evangelização e dar resposta aos múltiplos desafios da vida do mundo actual, é indispensável, para além dos encontros institucionais naturalmente necessários, que uma profunda comunhão una os Pastores da Igreja. A qualidade dos trabalhos da vossa Conferência Episcopal, que bem reflectem a vida da Igreja e da sociedade camaronesa, permite-vos buscar, juntos, respostas para os vários desafios que a Igreja deve enfrentar e, por meio das vossas cartas pastorais, dar directrizes comuns para ajudar os fiéis na sua vida eclesial e social. A consciência profunda da dimensão colegial do vosso ministério deve impelir-vos a realizar entre vós as múltiplas expressões da fraternidade sacramental, que vão do acolhimento e da estima recíproca até às diversas delicadezas de caridade e colaboração concreta (cf. Pastores gregis, 59). Uma efectiva cooperação entre as dioceses, nomeadamente para uma melhor distribuição dos presbíteros no vosso país, só pode favorecer as relações de solidariedade fraterna com as Igrejas diocesanas mais pobres a fim de que o anúncio do Evangelho não sofra pela falta de ministros. Esta solidariedade apostólica há-de alargar-se generosamente às necessidades das outras Igrejas locais, e de modo particular às do vosso continente. Deste modo manifestar-se-á claramente que também as vossas comunidades cristãs, a exemplo das que vos trouxeram a mensagem evangélica, são uma Igreja missionária.
Amados Irmãos no Episcopado, o Bispo e os seus presbíteros são chamados a cultivar relações de particular comunhão, fundadas sobre a sua especial participação no único sacerdócio de Cristo, embora em graus diversos. A qualidade dos vínculos com os presbíteros, que são os vossos colaboradores principais e insubstituíveis, é de importância fundamental. Vendo no seu Bispo um pai e um irmão que os ama, que os escuta e conforta nas suas provações, que presta uma atenção privilegiada ao seu bem-estar humano e material, eles sentem-se encorajados a assumir plenamente o seu ministério de maneira digna e eficaz. O exemplo e a palavra do seu Bispo é para eles uma ajuda preciosa para atribuírem à sua vida espiritual e sacramental um lugar central no seu ministério, incitando-os a descobrir e viver cada vez mais profundamente que o específico do pastor é ser primariamente um homem de oração e que a vida espiritual e sacramental é uma riqueza extraordinária que nos é dada para nós mesmos e para o bem do povo que nos está confiado. Convido-vos, enfim, a velar com particular atenção pela fidelidade dos presbíteros e das pessoas consagradas aos compromissos assumidos com a sua ordenação e com o seu ingresso na vida religiosa, a fim de perseverarem na sua vocação para uma maior santidade da Igreja e para a glória de Deus. A autenticidade do seu testemunho requer que não haja qualquer diferença entre o que ensinam e o que vivem cada dia.
Nas vossas dioceses, são numerosos os jovens que se apresentam como candidatos ao sacerdócio. E por isso não podemos senão dar graças ao Senhor. É essencial que se faça um discernimento sério. Com tal finalidade, não obstante as dificuldades de organização que possam às vezes verificar-se a nível pastoral, encorajo-vos a dar prioridade à selecção e preparação dos formadores e dos directores espirituais. Devem ter um conhecimento pessoal e profundo dos candidatos ao sacerdócio e serem capazes de garantir-lhes uma sólida formação humana, espiritual e pastoral que faça deles homens maduros e equilibrados, bem preparados para a vida sacerdotal. O vosso constante apoio fraterno ajudará os formadores a cumprirem a sua tarefa movidos pelo amor à Igreja e à sua missão.
Desde as origens da fé cristã nos Camarões, os religiosos e as religiosas têm dado um contributo fundamental para a vida da Igreja. Convosco dou graças a Deus e alegro-me pelo crescimento da vida consagrada entre as filhas e filhos do vosso país, que permitiu também a manifestação dos carismas próprios da África nas comunidades nascidas no vosso país. Com efeito, a profissão dos conselhos evangélicos é como «um sinal que pode e deve atrair eficazmente todos os membros da Igreja a corresponderem animosamente às exigências da vocação cristã» (Lumen gentium, 44).
No vosso ministério de proclamação do Evangelho, sois ajudados também por outros agentes pastorais, particularmente os catequistas. Na evangelização do vosso país, estes tiveram e têm ainda um papel determinante. Agradeço-lhes a sua generosidade e fidelidade no serviço da Igreja. Através deles, realiza-se uma autêntica inculturação da fé. Por isso, é essencial a sua formação humana, espiritual e doutrinal. O apoio material, moral e espiritual que os pastores lhes dão para cumprirem a sua missão em boas condições de vida e de trabalho, é também para eles a expressão do reconhecimento, por parte da Igreja, da importância do seu compromisso para o anúncio e o desenvolvimento da fé.
Entre os numerosos desafios que encontrais na vossa responsabilidade de Pastores, preocupa-vos de modo particular a situação da família. As dificuldades devidas especialmente ao impacto da modernidade e da secularização com a sociedade tradicional induzem-vos a preservar com determinação os valores fundamentais da família africana, fazendo da sua evangelização em profundidade uma das prioridade principais. Na promoção da pastoral familiar, tendes a peito favorecer uma melhor compreensão da natureza, dignidade e função do matrimónio que supõe um amor indissolúvel e estável.
A liturgia ocupa um lugar importante na manifestação da fé das vossas comunidades. Habitualmente, estas celebrações eclesiais são festivas e animadas, exprimindo o fervor dos fiéis, felizes por estarem juntos, como Igreja, para louvar o Senhor. Entretanto é essencial que a alegria assim manifestada não seja obstáculo mas meio para entrar em diálogo e comunhão com Deus, através de uma real interiorização das estruturas e palavras de que se compõe a liturgia, para que esta traduza o que se passa no coração dos crentes, em real união com todos os participantes. Um sinal eloqüente desta é a dignidade das celebrações, sobretudo quando estas se desenrolam com grande afluência de participantes.
O avanço de seitas e movimentos esotéricos e a influência crescente de uma religiosidade supersticiosa como também do relativismo são um premente convite a dar um novo impulso à formação dos jovens e dos adultos, particularmente nos meios universitários e intelectuais. Nesta perspectiva, desejo encorajar e louvar os esforços do Instituto Católico de Yaoundé e de todas as instituições eclesiais que têm por missão tornar acessível e compreensível a todos a Palavra de Deus e a doutrina da Igreja. Alegro-me por saber que, no vosso país, os fiéis leigos estão cada vez mais empenhados na vida da Igreja e da sociedade. As numerosas associações de leigos que florescem nas vossas dioceses são sinal da obra do Espírito no coração dos fiéis e contribuem para um renovado anúncio do Evangelho. Apraz-me sublinhar e encorajar a participação activa das associações femininas nos diversos sectores da missão da Igreja, demonstrando assim uma real consciência da dignidade da mulher e da sua vocação específica na comunidade eclesial e na sociedade. Dou graças a Deus pelo empenho que os leigos manifestam de contribuir para o futuro da Igreja e para o anúncio Evangelho. Pelos sacramentos da iniciação cristã e os dons do Espírito Santo, eles ficam habilitados e comprometidos a anunciar o Evangelho servindo a pessoa e a sociedade. Por isso encorajo-vos vivamente a perseverar nos vossos esforços para lhes dar uma sólida formação cristã que lhes permita «desempenharem plenamente o seu papel de animação cristã da ordem temporal (política, cultural, económica, social), que é empenho característico da vocação secular do laicado» (Ecclesia in Africa, 75).
No contexto da globalização que bem conhecemos, a Igreja nutre um interesse particular pelas pessoas mais necessitadas. A missão do Bispo impele-o a ser o principal defensor dos direitos dos pobres, a suscitar e favorecer o exercício da caridade, manifestação do amor do Senhor pelos humildes. Assim os fiéis são levados a descobrir concretamente que a Igreja é uma verdadeira família de Deus, congregada pelo amor fraterno, que exclui todo o etnocentrismo e particularismo excessivos e contribui para a reconciliação e a colaboração entre as etnias para o bem de todos. Por outro lado, a Igreja quer, através da sua doutrina social, despertar a esperança nos corações dos marginalizados. Dever dos cristãos, sobretudo dos leigos que têm responsabilidades sociais, económicas, políticas, é também deixar-se guiar pela doutrina social da Igreja, a fim de contribuírem para a edificação dum mundo mais justo onde cada um possa viver com dignidade.
Senhor Cardeal, amados Irmãos no Episcopado, no termo do nosso encontro, quero exprimir uma vez mais a minha alegria por estar no vosso país e encontrar o povo camaronês. Agradeço-vos o vosso caloroso acolhimento, sina da generosa hospitalidade africana. Que a Virgem Maria, Nossa Senhora da África, vele sobre todas as vossas comunidades diocesanas. Confio-Lhe o povo camaronês inteiro, e do fundo do coração concedo uma afectuosa Benção Apostólica a vós bem como aos presbíteros, aos religiosos e religiosas, aos catequistas e a todos os fiéis das vossas dioceses.

terça-feira, 17 de março de 2009

Venho à África como pastor, diz Bento XVI em sua chegada à Camarões








O Papa Bento XVI já se encontra em terras africanas. O Santo Padre deixou Roma às 10 horas da manhã (hora local) desta terça-feira, e chegou a Yaundé, capital de Camarões, às 16 horas, (hora local) meio-dia em Brasília. Camarões é a primeira etapa desta viagem à África, que levará o Pontífice também a Angola.Num acolhimento caloroso no aeroporto Nsimalen, Bento XVI foi recebido pelo presidente do país, Paul Biya. No discurso na cerimônia de boas-vindas, Bento XVI disse que visita a África como pastor: "Venho para confirmar os meus irmãos e as minhas irmãs na fé. Este foi o dever que Cristo confiou a Pedro na Última Ceia, e esta é a função dos sucessores de Pedro".
E como pastor, está em Yaundê para apresentar o Instrumentum laboris para a II Assembleia Especial, que terá lugar em Roma no próximo mês de outubro.O Papa recordou que a mensagem cristã traz sempre consigo esperança, mesmo em meio aos maiores sofrimentos, e citou como exemplo a vida de Santa Josefina Bakhita, que transformou uma situação de grande sofrimento e injustiça a partir do encontro com o Deus vivo. "Diante da dor ou da violência, da pobreza ou da fome, da corrupção ou do abuso de poder, um cristão nunca pode ficar calado" – disse o Pontífice, que faz uma análise do continente:"Aqui na África, como em tantas outras partes do mundo, continuou, inumeráveis homens e mulheres anseiam por ouvir uma palavra de esperança e conforto. Conflitos locais deixam milhares de desalojados e necessitados, de órfãos e viúvas. Num continente que no passado viu muitos de seus habitantes cruelmente raptados e levados para além-mar a fim de trabalhar como escravos, o tráfico de seres humanos, especialmente de inermes mulheres e crianças, tornou-se uma moderna forma de escravatura. Num tempo de global escassez alimentar, de confusão financeira, de modelos causadores de alterações climáticas, a África sofre demasiado: um número crescente de seus habitantes acaba prisioneiro da fome, da pobreza e da doença. Estes clamam por reconciliação, justiça e paz; e isto é precisamente o que a Igreja lhes oferece."O que a África necessitaO que a África necessita, disse o Papa, não são novas formas de opressão econômica ou política, mas a liberdade gloriosa dos filhos de Deus. Não amargas rivalidades inter-étnicas ou interreligiosas, mas a retidão, a paz e a alegria do Reino de Deus, descrito de modo muito apropriado pelo Papa Paulo VI como "civilização do amor".Para Bento XVI, Camarões é terra de esperança para muitos na África Central. Milhares de refugiados, vindos dos países da região devastados pela guerra, encontraram acolhimento. Camarões é descrito como uma "África em miniatura", pátria de mais de duzentos grupos étnicos diferentes que vivem em harmonia uns com os outros. Tudo isto são razões para louvar e agradecer a Deus."Ao chegar hoje ao vosso meio, rezo pela Igreja, aqui e por toda a África, para que possa continuar a crescer na santidade, no serviço à reconciliação, à justiça e à paz. Deus abençoe Camarões! Deus abençoe a África!"Próximas atividadesNa conclusão da cerimônia de boas-vindas, o Papa deixou o aeroporto e se dirigiu para a nunciatura apostólica, onde pernoitará.Amanhã, quarta-feira, o primeiro compromisso do Papa será a visita de cortesia ao presidente da República. O Santo Padre encontrará ainda os bispos de Camarões e presidirá, na Basílica Maria Rainha dos Apóstolos, a oração das primeiras Vésperas da solenidade de São José, com a participação dos bispos, sacerdotes, religiosos, seminaristas, diáconos, movimentos eclesiais e de representantes de outras confissões cristãs.

A bordo do avião Bento XVI fala sobre AIDS e crise econômica




No avião em que segue para Camarões, o papa Bento 16 concedeu entrevista coletiva aos jornalistas. Sobre a AIDS, doença que assola o continente africano, o Papa disse que o problema não pode ser resolvido com a distribuição de preservativos. Afirmou também que a solução passa por um 'despertar espiritual e humano' e pela 'amizade com os que sofrem'.O papa lançou ainda um apelo à comunidade internacional para que o continente africano não seja esquecido diante da crise econômica mundial. Bento XVI também declarou que a crise econômica deve retomar a centralidade da ética. "Esta crise econômica é o produto de um déficit de ética", afirmou.
Entre outros assuntos, o Pontífice também falou sobre sua próxima encíclica, a terceira, que será destinada aos problemas sociais e econômicos. "Estava quase pronta, mas veio a recessão mundial e tivemos que retrabalhar o conteúdo para oferecer uma mensagem à humanidade nesta conjuntura".Em resposta à imprensa italiana, que sugeriu a 'solidão' de Bento 16 depois da suspensão da excomunhão do bispo britânico Richard Williamson, o Santo Padre disse que não se sente só. Sorriu e destacou que todo o dia está cercado de amigos.