quarta-feira, 25 de abril de 2012

Bispos emitem nota sobre os 50 anos de abertura do Concílio Vaticano II



Os bispos do Brasil aprovaram uma mensagem sobre a celebração do 50º aniversário do Concílio Ecumênico Vaticano II. De acordo com a mensagem, A celebração do 50º aniversário do Concílio Ecumênico Vaticano II e a volta aos seus documentos “nos levem ao discernimento sobre o que o Espírito Santo continua a dizer à Igreja e à humanidade nas circunstâncias atuais, como observou o Papa Bento XVI, logo após sua eleição como Sucessor de Pedro: “com o passar dos anos, os textos conciliares não perderam sua atualidade; ao contrário, seus ensinamentos revelam-se particularmente pertinentes em relação às novas situações da Igreja e da atual sociedade globalizada” (Discurso aos cardeais eleitores, 20/04/2005)”.
Leia a íntegra da nota dos bispos do Brasil sobre a celebração do aniversário do Concílio Vaticano II:
Mensagem dos Bispos do Brasil sobre a celebração do 50º aniversário do Concílio Ecumênico Vaticano II
Ao clero, consagrados e consagradas na Vida Religiosa e em outras formas de consagração a Deus, ao querido povo de Deus em nossas Dioceses:
No dia 11 de outubro deste ano, o Papa Bento XVI presidirá, em Roma, à solene abertura do Ano da Fé, para comemorar o 50º aniversário do Concílio Ecumênico Vaticano II e o 20º aniversário do Catecismo da Igreja Católica. Celebrações tão significativas são motivo de grande alegria para a Igreja e convite para voltarmos nosso olhar para o imenso dom deste Concílio, no qual participaram os Bispos do mundo inteiro, convocados e presididos pelo Sucessor de Pedro. Mas é também ocasião para uma avaliação a respeito da aplicação das decisões conciliares e do caminho que resta ainda a ser percorrido nessa direção.
O Papa João XXIII, explicou que convocava o Concílio para “o crescimento da fé católica, a saudável renovação dos costumes no povo cristão e a melhor adaptação da disciplina da Igreja às necessidades de nosso tempo. [...] Sem dúvida constituirá maravilhoso espetáculo de verdade, unidade e caridade que, ao ser contemplado pelos que vivem separados desta Sé Apostólica, os convidará, como esperamos, a buscar e conseguir a unidade pela qual Cristo dirigiu ao Pai do Céu a sua fervorosa oração” (Encíclica Ad Petri Cathedram, 33). Assim, o Concílio Ecumênico poderia “restituir ao rosto da Igreja de Cristo o esplendor dos traços mais simples e mais puros de suas origens” (Homilia a um grupo bizantino-eslavo, 13/11/1963). O Beato João XXIII e o Venerável Paulo VI consideraram o Concílio, suscitado pelo Espírito Santo, um novo Pentecostes, uma verdadeira primavera para a Igreja.
Ao longo das quatro sessões conciliares, que contaram com a presença de presbíteros, consagrados e consagradas, de cristãos leigos e leigas e de representantes de outras Igrejas cristãs, a Igreja de nosso tempo pôde testemunhar como age o Espírito Santo no mundo, na História e no coração dos fiéis. Os dezesseis Documentos foram preparados por especialistas, debatidos e enriquecidos pelos Padres Conciliares e, uma vez aprovados pelos Bispos, foram apresentados ao Papa Paulo VI, que os promulgou com a bela fórmula: “nós, juntamente com os veneráveis Padres e o Espírito Santo, os aprovamos, decretamos e estatuímos”. Testemunhou-se assim, em pleno século XX, a experiência da Assembleia Apostólica de Jerusalém, no final da qual os Apóstolos divulgaram suas conclusões com esta declaração: “Decidimos, o Espírito Santo e nós...” (At 15,28).
A Igreja no Brasil, com o seu Plano de Pastoral de Conjunto (1966-1970), aprovado pela CNBB nos últimos dias do Concílio, acolheu com entusiasmo as decisões conciliares. Com as outras Igrejas Particulares da América-Latina e do Caribe, abriu caminhos para uma recepção fiel e criativa do Concílio, nas Conferências Continentais do Episcopado: Medellín, Puebla, Santo Domingo e Aparecida.
Os frutos desse Concílio manifestam-se nos mais diversos âmbitos da vida eclesial: na compreensão da Igreja como povo de Deus, corpo de Cristo e templo do Espírito Santo; na abertura aos desafios do mundo atual, partilhando suas alegrias, tristezas e esperanças; na colegialidade dos Bispos; na renovação da liturgia; no conhecimento e na acolhida da Palavra de Deus; no dinamismo missionário e ministerial das comunidades; no diálogo ecumênico e inter-religioso...
A celebração do 50º aniversário do Concílio Ecumênico Vaticano II e a volta aos seus documentos nos levem ao discernimento sobre o que o Espírito Santo continua a dizer à Igreja e à humanidade nas circunstâncias atuais, como observou o Papa Bento XVI, logo após sua eleição como Sucessor de Pedro: “com o passar dos anos, os textos conciliares não perderam sua atualidade; ao contrário, seus ensinamentos revelam-se particularmente pertinentes em relação às novas situações da Igreja e da atual sociedade globalizada” (Discurso aos cardeais eleitores, 20/04/2005).
Destacando a necessidade de ler, conhecer e assimilar os Documentos do Concílio, como textos qualificados e normativos do Magistério, no âmbito da Tradição da Igreja, o Papa cita o Beato João Paulo II: no Concílio, “encontra-se uma bússola segura para nos orientar no caminho do século que começa” (Novo millennio ineunte, 57). E continua: “Se o lermos e recebermos, guiados por uma justa hermenêutica, o Concílio pode ser e tornar-se cada vez mais uma grande força para a necessária renovação da Igreja” (Porta Fidei, 5).
A CNBB promove a comemoração do cinquentenário do Concílio ao longo de quatro anos. Cada Diocese saberá descobrir modos de celebrar este aniversário, unindo-se às iniciativas que se multiplicarão pelas Igrejas Particulares do mundo inteiro. Essas celebrações serão tanto mais proveitosas, e seus frutos duradouros, se forem orientadas pelas grandes indicações do Ano da Fé: a busca de uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo, e a convicção de que “o amor de Cristo nos impele” a uma nova evangelização (cf. 2Cor 5, 14). Incentivamos, de modo especial, nossos centros de estudos, seminários e organizações eclesiais a aprofundarem, com renovado ânimo, o estudo dos Documentos do Concílio, como importante parte da formação teológica e pastoral.
Fazendo um forte convite a redescobrir a riqueza do Concílio Vaticano II e a avaliar seus frutos ao longo desses 50 anos pós-conciliares, a CNBB oferece algumas sugestões específicas para tal celebração, que podem ser encontradas no site da CNBB (www.cnbb.org.br).
Nesta promissora tarefa, acompanhe-nos, com sua intercessão, aquela que é a “Mãe do Filho de Deus e, por isso, filha predileta do Pai e templo do Espírito Santo” (Concílio Vaticano II, Lumen Gentium, 53), invocada por nós com o título de Nossa Senhora da Conceição Aparecida.
Fonte: CNBB

Dom Orani Tempesta: "A Jornada Mundial da Juventude é um momento de oração"



Jovens de todas as partes do mundo tem um encontro marcado com o Papa Bento XVI em 2013 no Rio de Janeiro (RJ). Entre os dias 23 e 28 de julho, a capital fluminense será sede da JMJ – Jornada Mundial da Juventude 2013.
O arcebispo do Rio de Janeiro e presidente do Comitê Organizador Local (COL), dom Orani João Tempesta e o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB, dom Eduardo Pinheiro participaram da coletiva de imprensa na 50ª Assembleia Geral da CNBB, nesta quarta-feira (25), no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida em Aparecida.
Atendendo aos jornalistas, dom Orani falou sobre a preparação e o trabalho da CNBB para a JMJ e  a peregrinação dos ícones da jornada pelo Brasil.
Segundo dom Orani a Jornada Mundial da Juventude tem aspecto de peregrinação e não de turismo, ressaltando que a JMJ é tempo de oração.
De acordo com dom Orani, a CNBB, por meio de sua Comissão para a Juventude não mede esforços para fazer desse grande evento um marco na história das Jornadas e juntamente com a Arquidiocese do Rio de Janeiro e da comunidade católica de todo Brasil já começou a procurar parceiros para essa grande festa da juventude.
O arcebispo do Rio de Janeiro afirmou que despois de 26 anos da JMJ de Buenos Aires, a primeira edição em nível mundial do evento retorna a América Latina e se insere no contexto da missão continental proposta pelos bispos do CELAM durante o encontro de Aparecida em 2007.
“Estamos cumprindo a missão da CNBB, que em 2007 fez o apelo para que o Brasil sediasse este encontro, que foi prontamente acolhido pelo Papa”, afirmou dom Orani.
Dom Orani ainda falou sobre as questões logísticas do encontro e ressaltou que a Arquidiocese do Rio de Janeiro tem feito contato com o governo municipal, estadual e federal para acertar detalhes como de infraestrutura, transporte e vistos dos peregrinos.
“Em julho deste ano teremos a definição dos locais onde serão realizados os grandes momentos da Jornada, das celebrações e o início das inscrições dos peregrinos pelo site oficial da JMJ”, declarou.
Dom Orani ressaltou que o evento já conta com cerca de 20 mil voluntários inscritos e que a perspectiva é de que se alcance o número de 60 mil voluntários.
Campanha de Hospedagem - Uma das etapas principais da JMJ é a acolhida aos peregrinos que virão de todas as partes do mundo.
De acordo com Dom Orani, a arquidiocese do Rio de Janeiro já está trabalhando para que aconteça a hospedagem de todos os jovens.
Os peregrinos poderão se hospedar nas paróquias e comunidades. Foi também lançada uma a Campanha de Hospedagem.
Para ser um hospedeiro durante a JMJ Rio 2013 é necessário fazer um cadastro no endereçowww.rio2013.com\pt\hospedagem.
O arcebispo do Rio de Janeiro falou ainda que com a preparação da jornada a Igreja mostra que confia na juventude e que os jovens tem o poder de transformar a sociedade com entusiasmos e valores cristãos.
Para o bispo auxiliar de Campo Grande (MS) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB, dom Eduardo Pinheiro a organização da JMJ quer ser uma luz no trabalho da Pastoral da Juventude.
“A JMJ está imersa em contexto maior que vem fortalecer o trabalho da Igreja com os jovens. Acredito que a sociedade vai se surpreender com o impacto positivo desse grande evento”, afirmou.
Dom Eduardo afirmou que a CNBB já possui uma história com a juventude e citou toda a  preocupação da Igreja com os jovens também brota no documento 85 da CNBB, que ressalta  que Jesus envia a Igreja ao mundo para dar continuidade à sua obra.
“Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade e todos os nossos esforços para a realização da Jornada reforça a que a Igreja acredita na nossa juventude”, afirmou dom Eduardo.
O bispo ainda falou sobre a Campanha da Fraternidade de 2013 que vai abordar as questões ligadas a juventude.
“A CNBB tem mostrado varias de suas manifestações pela juventude. Nas últimas assembleias já falamos sobre as questões ligadas aos nossos jovens e isso mostra a preocupação do episcopado com a juventude”, afirmou.
Dom Eduardo ainda citou que nessa mudança de época em que vivemos existe uma preocupação da Igreja com a cultura midiática, em especial as redes sociais na vida dos jovens e que isso deverá ser uma das abordagens da Campanha da Fraternidade de 2013.
Todas as noticias e informações sobre a organização da JMJ RIO 2013 podem ser obtidas através do site www.rio2013.com.
Fonte: CNBB

Bispos divulgam nota sobre a Reforma do Código Penal



Os bispos reunidos na 50ª Assembleia Geral (AG) no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida em Aparecida (SP) aprovaram a criação de uma comissão para acompanhar o trabalho de reforma do Código penal Brasileiro, que está sendo feito por um grupo de juristas no Senado Federal.
De acordo com os bispos, “a revisão do Código, em conformidade com as conquistas asseguradas pela Constituição Federal de 1988, requer amplo diálogo com a sociedade, portanto a legislação se torna mais consistente quando conta com efetiva participação de representantes dos diversos segmentos sociais em sua elaboração”.
Segundo dom Dimas Lara Barbosa, presidente da Comissão Episcopal de Pastoral para a Comunicação da CNBB, como se trata de um tema abrangente e delicado, as questões levantadas por alguns setores preocupam a igreja. “Aqueles que defendem a redução da maioridade penal, a pena de morte, a descriminalização do aborto e alguns outros temas que não levam em conta em primeiro lugar a pessoa humana”.
Segue a nota:
NOTA DA CNBB SOBRE A REFORMA DO CÓDIGO PENAL
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por ocasião da reforma do Código Penal, encaminhada pelo Senado Federal através de uma Comissão de Juristas, expressa, por missão e dever, seu interesse em acompanhar o processo em marcha e declarar seu compromisso de corresponsabilidade na consolidação da democracia.
Preocupam-nos algumas propostas que devem ser apresentadas pela referida Comissão, relativas aos capítulos que tratam sobre os crimes contra a vida e contra o patrimônio.
Reconhecemos que, para atender melhor às exigências da sociedade, o Código Penal em vigor, aprovado em 1940, precisa incorporar elementos novos, exigência das grandes transformações, que marcam os tempos atuais, sem prejuízo dos valores perenes como a vida e a família.
A revisão do Código, em conformidade com as conquistas asseguradas pela Constituição Federal de 1988, requer amplo diálogo com a sociedade, porquanto a legislação se torna mais consistente quando conta com efetiva participação de representantes dos diversos segmentos sociais em sua elaboração. Tal prática reforça a democracia e ajuda a população a assimilar melhor as normas jurídicas, que interferem profundamente em sua vida e nos relacionamentos humanos e sociais.
Os redatores do novo Código, de posse das propostas encaminhadas pela Comissão de Juristas, considerem que toda lei deve ser elaborada, a partir do respeito aos direitos humanos, na perspectiva de superação da impunidade e a serviço do bem comum. Deve reconhecer e preservar os princípios éticos e morais bem como os valores culturais que integram a vida quotidiana do povo brasileiro.
A Lei penal deve ser aplicada tendo por base os pressupostos de defesa e promoção da dignidade humana em todas as dimensões, deixando claro que a punição tem como finalidade a reabilitação do infrator, independente de sua condição social, política, econômica, étnica, conforme determinam os artigos 3º e 5º da Constituição.
Esperamos que o sentido de justiça, a serviço do bem maior – a pessoa humana - anime a todos nesta tarefa, inspirados na palavra do Beato João Paulo II: “A justiça sozinha não basta; e pode mesmo chegar a negar-se a si própria, se não se abrir àquela força mais profunda que é o amor” (Mensagem para o Dia Mundial da Paz – 2004).
Que o Espírito Santo ilumine o coração e a mente dos legisladores, Senadores e Deputados Federais, sobre quem invocamos também a proteção de Nossa Senhora Aparecida para que, em comunhão com todos os brasileiros, busquem realizar o que Jesus Cristo nos indica como promessa e tarefa: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundancia” (Jo 10,10).
Aparecida-SP, 25 de abril de 2012.
Raymundo Cardeal Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB

Dom José Belisário da Silva
Arcebispo de São Luís do Maranhão – MA
Vice-presidente da CNBB

Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília - DF
Secretário Geral da CNBB
Fonte: CNBB

Preparativos da JMJ são apresentados aos bispos da 50ª AG



A Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude, que completa um ano de existência, apresentou um resumo de suas atividades. O foco principal são os preparativos para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que vai se realizar no Rio de Janeiro em julho de 2013.
Dom Eduardo Pinheiro da Silva, presidente da Comissão, apresentou os subsídios produzidos pela Comissão desde sua criação. “A Pastoral Juvenil quer garantir que antes, durante e depois da JMJ a formação dos nossos jovens em vista da construção da civilização do Amor”, destacou.
O arcebispo do Rio, dom Orani João Tempesta, apresentou o Comitê Organizador Local (COL) da Jornada, bem como um vídeo a respeito do evento. “É com muita alegria e responsabilidade que acolhemos esta missão de organizar a JMJ”, declarou dom Orani. Cada bispo presente na 50ª AG recebeu um kit com as informações gerais da organização do evento.
“A Jornada é maior que a Jornada”, afirmou o padre Joel Portela Amado, coordenador geral da COL. Para ele, isso se deve ao grande esforço de evangelização do evento, que terá um grande legado pastoral, social e ecológico.
As inscrições para a JMJ serão feitas pelo site oficial (www.rio2013.com), a partir de julho de 2013. Haverão três possibilidades de hospedagem: hotéis, casa de família ou alojamentos, com destaque para a setorização linguística, ou seja, os peregrinos serão reunidos a partir de seu idioma, para facilitar a participação nas catequeses do evento.
A apresentação terminou com um resumo da peregrinação da Cruz e do Ícone de Nossa Senhora pelo Brasil. 118 dioceses já foram visitadas até agora, e a partir de agosto possivelmente em todos os folhetos de missa do país haverá uma motivação de oração para a JMJ. Seminários destinados a jovens sobre comunicação, bioética e missionariedade serão realizados ainda este ano.
Fonte: CNBB

terça-feira, 24 de abril de 2012

Comissão Brasileira Justiça e Paz apresenta seus trabalhos aos bispos em Assembleia



O secretário adjunto da Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP), Carlos Moura, apresentou na manhã de hoje, 24, aos bispos que participam da 50ª Assembleia Geral dos Bispos da CNBB, em Aparecida (SP), o andamento dos trabalhos realizados por este organismo vinculado à Conferência dos Bispos.
Doutor Carlos Moura, como é conhecido, agradeceu à Presidência da CNBB pela oportunidade de apresentar os trabalhos da Comissão. “Destacamos, em primeiro lugar, o trabalho vigilante quanto ao desempenho das atividades políticas, especialmente, as articulações que resultam na aprovação da Lei Complementar 135/2010, popularmente conhecida como Ficha Limpa. A proposta, de iniciativa popular que originou a referida lei foi aprovada, em 2008, na 46ª Assembleia Geral da CNBB. Seus efeitos já se fazem sentir, seja por impugnação pela justiça eleitoral, de inúmeros candidatos, seja por desistência em razão do risco de se enquadrarem nas restrições previstas na lei”, destacou Carlos Moura.
O doutor Carlos Moura lembrou ainda que 12 estados membros da federação e centenas de prefeituras já incorporaram as hipóteses previstas na lei da Ficha Limpa, como impeditivo à posse na administração direta e indireta em cargos de confiança e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) poderá também considerar os critérios da Lei Complementar 135.
“A CBJP, em decorrência da Campanha da Fraternidade de 2011, juntamente com entidades da sociedade civil, criou Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável. Este Comitê tem, entre outras atividades relativas ao tema, colaborar para a aprovação de um Código Florestal que garanta a Agricultura Familiar e proteja as florestas e a biodiversidade”, acrescentou o doutor Carlos Moura.
Entre outros temas, citou que a Comissão acompanha os debates sobre a Conferência Rio+20, que acontecerá no Rio de Janeiro, no mês de junho. “A CBJP integra ainda o Grupo de Articulação da ‘Cúpula dos Povos – Rio+20’ – espaço organizado pela sociedade civil global”, completou.
Finalizando, Carlos Moura falou sobre a parceria da entidade com a Conferência Episcopal Italiana (CEI) para a realização do primeiro Curso sobre Direitos Humanos. “Nossa meta é capacitar agentes pastorais para que atuem, à luz da Doutrina Social da Igreja, na área de Direitos Humanos e na promoção de uma cultura de paz”.

Cardeal Cláudio Hummes fala sobre os desafios de inculturar a fé nos povos da Amazônia



Hoje, 24, na coletiva de imprensa da 50ª AG dos bispos da CNBB, esteve presente o arcebispo emérito de São Paulo e Presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia da CNBB, Cardeal Cláudio Hummes. Na ocasião, o arcebispo afirmou que “a fé tem um caráter missionário”, e falou sobre os desafios de levar a evangelização a povos longínquos da Amazônia como ribeirinhos, povos da floresta e indígenas.
Durante sua declaração, o cardeal ressaltou que um dos desafios da missão evangelizadora, é a falta de uma constante formação de clero local nessas comunidades da floresta. “Existe uma dificuldade cultural de se formar padres nessas localidades”, disse dom Cláudio Hummes.  De acordo com o cardeal, mesmo entre os índios católicos, que fazem parte da igreja há três ou quatro gerações, é complexa a tarefa de formação de sacerdotes.
“Na igreja, a cultura europeia tem uma preponderância muito grande, então como um índio, por exemplo, se sente em um seminário, onde a grande maioria são brancos, e poucos índios? Obviamente eles não se sentem em casa”, explica. Além da questão cultural, para ele, há a necessidade de se destinar mais verbas para os povos da Amazônia. “Como acolher as vocações se os recursos são escassos?”, questiona o cardeal.
Para dom Cláudio, é sempre um desafio quando duas culturas distintas têm que coexistir. Com os índios, por exemplo, ele explica que a forma ideal de conviver e de evangelizar, é a partir do diálogo. “Temos que ouvir os povos indígenas. Eles têm uma forma própria de entender a vida, tem sua religiosidade. É preciso dialogar com esses elementos verdadeiros que eles possuem”, disse.
O Cardeal acredita que é necessário fazer com que a fé no evangelho amadureça nas localidades cristãs. “A igreja missionária deve inculturar a fé nas culturas onde se prega o evangelho. Uma fé não inculturada, não é uma fé vivida e madura”, alega.
O arcebispo finalizou dizendo que um dos grandes desafios é fazer cm que a Amazônia avance sem perder sua identidade. “Temos que atender aos pedidos dos povos, ouvir suas necessidades. Eles precisam ser ouvidos para serem sujeitos de sua própria história. Temos que fazer com que a Amazônia progrida, porém mantendo sua particularidade”, disse.
Fonte: CNBB

“A Igreja é essencialmente missionária” diz dom Sérgio Braschi



O bispo de Ponta Grossa (PR), dom Sérgio Braschi, que é presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da CNBB, participou da sétima entrevista coletiva da 50ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), nesta terça-feira, 24.
Dom Sérgio afirmou que a Igreja é missionária, pois continua a missão de Jesus. “Nossa Igreja é missionária por excelência, em suas raízes e assim se faz por continuar a missão de Jesus Cristo”, afirmou.
O bispo de Ponta Grossa falou também sobre o 3º Congresso Missionário Nacional, evento que vai acontecer em Palmas (TO), entre os dias 12 e 15 de julho, deverá reunir pessoas de todas as regiões do país.
Com o tema “Discipulado missionário: do Brasil para um mundo secularizado e pluricultural, à luz do Vaticano II” e lema “Como o Pai me enviou, assim eu vos envio (Jo 20, 21)”,o encontro tem por objetivo preparar as lideranças missionárias para o 4º Congresso Americano Missionário e o 9º Congresso Missionário Latino-Americano, que serão realizados simultaneamente em Maracaibo, Venezuela, em 2013.
O evento é realizado pelas Pontifícias Obras Missionárias (POM) e demais forças missionárias da Igreja Católica no Brasil: Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB); Conselho Missionário Nacional (Comina) e Centro Cultural Missionário (CCM).
Segundo dom Sérgio, outra reflexão importante e central durante o evento brasileiro será o mundo secular e pluricultural em que vivemos hoje e qual o papel da dimensão missionária nessa nova realidade.
“Este é também um momento importante e se insere nas preocupações da nossa Igreja como forma de transmissão da fé para as novas gerações de famílias e novas comunidades”, destacou o presidente da Comissão Episcopal para a Animação Missionária e Cooperação Intereclesial.
Dom Sérgio falou também sobre as novas vocações missionárias e sobre os jovens que desejam fazer este trabalho. “Todo batizado é missionário. Pelo batismo ou pela crisma nós já somos chamados a continuar a missão de Jesus”, afirmou.
O bispo ainda disse que há no meio do povo de Deus pessoas que são chamadas para missões para levar a Palavra de Deus até as comunidades que são mais distantes.
“Há uma grande abertura no seio da nossa juventude para essas vocações. O jovem é tem anseio de conhecer outras culturas e estar em contato com outras realidades. Acredito que isso os levem a ser jovens de fé”, acrescentou.
Dom Sérgio ainda disse aos jornalistas que a Igreja vive uma primavera de missionários e que essas vocações também são fruto do Concílio Vaticano II.
O bispo de Ponta Grossa ainda citou a Conferência de Aparecida, realizada em 2007, e que trouxe um “brotar”, um novo renascimento e muito entusiasmo para as missões.
“Quero destacar também que todos os leigos podem participar da missão da Igreja. Desde a criança, adolescentes, jovens e adultos são chamados a essas vocações. Precisamos envolver toda a comunidade para que rezem pelos nossos missionários em tantos lugares do mundo”.
Programa de reabilitação pós terremoto no Haiti
Respondendo às perguntas dos jornalistas, Dom Sérgio falou sobre os missionários atuantes nos programas de reconstrução do Haiti.
“Este é um trabalho de suma importância junto aos nossos irmãos haitianos. Nossos missionários trabalham em projetos destinados a auxiliar em segurança, na reconstrução de casas e Igrejas, em programas de economia solidária, educação, saúde entre outros”, afirmou.
Dom Sérgio acrescentou que a solidariedade desses missionários no Haiti é sinônimo de esperança para a população do Haiti.
Fonte: CNBB