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sábado, 19 de março de 2011

sexta-feira, 18 de março de 2011

Tribunal decide pela permanência dos crucifixos nas escolas


O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDH) anulou nesta sexta-feira, 18, a condenação do Estado italiano pela presença de crucifixos nas salas de aula de escolas públicas, considerando que esta é uma decisão de cada Estado.

O veredito final, que não é passível de recurso, encerra o chamado “caso Lautsi”, tendo o TEDH decidido por maioria, com 15 votos contra 2, que não estava em causa qualquer violação da Convenção Europeia dos Direitos do Homem de 1950.

“O Tribunal considerou, em particular, que a questão da presença dos símbolos religiosos nas salas de aulas resulta, em princípio, da apreciação do Estado – tanto mais na falta de consenso europeu nesta questão – na medida, contudo, em que as escolhas neste domínio não conduzam a uma forma de doutrinamento”, informou o comunicado divulgado pela página oficial do TEDH.

A cidadã italiana de origem finlandesa, Soile Lautsi, apresentou uma queixa contra o Estado italiano em Estrasburgo, França, no ano de 2006, após o instituto público Vittorino da Feltre, frequentado pelos seus filhos, se ter negado, em 2002, a retirar os crucifixos que ali se encontravam expostos.

Para o Tribunal, uma “percepção subjectiva” não basta para que se possa falar em “violação” da Convenção de 1950.

Nesta sexta-feira, no Vaticano, o Presidente do Conselho Pontifício da Cultura, Cardeal Gianfranco Ravasi, disse aos jornalistas que “a presença cristã na cidade secular, durante os séculos, representou um elemento fundacional e absolutamente decisivo para a construção” da civilização europeia.

Antes de conhecer a decisão final, o Cardeal italiano sublinhava que “o crucifixo, além do seu significado teológico, é um sinal de civilização e constitui um dos maiores símbolos do ocidente”, acrescentando que este é um “dado cultural”.

Em comunicado de imprensa, o TEDH precisa que o “caso Lautsi”, se referia “à presença de crucifixos nas salas de aula das escolas públicas na Itália, que segundo os requerentes, é contrária ao direito à educação, particularmente ao direito dos pais de assegurar aos seus filhos uma educação e um ensino conformes às suas convicções religiosas e filosóficas”.

Na primeira sentença, emitida em 3 de Novembro de 2009, os sete juízes entenderam que a presença dos crucifixos nas escolas constituía “uma violação ao direito dos pais em educar os filhos segundo as próprias convicções” e uma “violação à liberdade religiosa dos alunos”.

A vitória de hoje não é só da Itália, mas também de todos os 47 países que fazem parte da União Europeia.

O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem foi criado em Estrasburgo pelos Estados membros do Conselho da Europa em 1959, para analisar alegações de violação da Convenção Europeia dos Direitos do Homem.
Fonte: Canção Nova

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Padroeira da Argentina poderia ser retirada do Congresso Nacional


A imagem da padroeira da Argentina, a Virgem de Luján, poderia ser substituída no Salão dos Pasos Perdidos do Congresso Nacional, em Buenos Aires, por um espaço mais genérico e multirreligioso.

A proposta foi apresentada pelo deputado socialista e vice-presidente do Bloco Nuevo Encuentro Popular y Solidario, Sergio Ariel Basteiro. A organização Para Hacerse Oír-Hablemos Claro, comprometida na defesa das raízes cristãs do país latinoamericano, enviou uma carta aberta ao político, contestando a iniciativa como "discriminatória" contra os católicos devido a um mal entendido conceito de laicidade do Estado.

"É a mais recente de uma série de tentativas análogas, promovidas em diversas partes de nosso país, destinadas a remover os símbolos religiosos dos lugares públicos", observa a organização argentina. Segundo Para Hacerse Oír, há uma frequente confusão entre o conceito de Estado laico ou não confessional e aquele de Estado agnóstico ou laicista.

"No primeiro [laico], definem-se os âmbitos de competência jurídica, enquanto no segundo [laicista] busca-se promover leis contra toda a manifestação religiosa em âmbito público. E, para chegar a esse objetivo, não se teme sequer a remoção da consciência coletiva dos valores religiosos, da cultura e da tradição que formam a identidade nacional", indica a carta.
Fonte: Canção Nova

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Aparição de Maria nos EUA,aprovada para o culto


Durante a festa da Imaculada Conceição, padroeira dos Estados Unidos, foi dada a aprovação diocesana oficial às aparições de Nossa Senhora em Wisconsin.

Durante a leitura do decreto, ontem, durante uma Missa especial no Santuário de Champion, Dom David Ricken, bispo de Green Bay, disse: "Declaro, com certeza moral e de acordo com as normas da Igreja, que os acontecimentos, aparições e locuções dadas a Adele Brise, em outubro de 1859, apresentam a substância de caráter sobrenatural, e eu, pela presente, aprovo tais aparições como dignas de fé - ainda que não obrigatórias - para os fiéis cristãos".

A declaração de ontem converteu o santuário de Nossa Senhora do Socorro de Champion no primeiro e único lugar nos Estados Unidos de uma aparição da Virgem Maria oficialmente aprovada.

Deslumbrante

As aparições - foram três - ocorreram em 1859. Nossa Senhora falou com Adele Brise (1831-1896), uma jovem imigrante de origem belga.

Foi no começo de outubro quando Brise viu a Virgem pela primeira vez: uma Senhora vestida de branco deslumbrante, com uma faixa amarela na cintura e uma coroa de estrelas na cabeça.

A visão desapareceu lentamente depois de alguns instantes, sem falar com Brise.

No domingo seguinte, 9 de outubro, Brise estava indo à Missa quando a Senhora voltou. Depois da Missa, Brise teve a oportunidade de perguntar ao seu confessor sobre as aparições, e ele lhe disse que, se era uma mensageira do céu, ela a veria novamente. Ele a encorajou a perguntar-lhe, em nome de Deus, quem era e o que queria dela.

No caminho de volta para casa, Nossa Senhora apareceu novamente e Brise fez o que seu confessor tinha recomendado.

"Eu sou a Rainha do Céu, que reza pela conversão dos pecadores, e desejo que faças o mesmo - respondeu a Senhora à pergunta de Brise. Recebeste a Sagrada Comunhão nesta manhã e isso é bom. Mas deves fazer mais. Faze uma confissão geral e oferece a Comunhão pela conversão dos pecadores. Se não se converterem e fizerem penitência, meu Filho vai ser obrigado a castigá-los."

Uma das mulheres que estavam com Brise lhe perguntou com quem ela estava falando e por que elas não conseguiam ver ninguém.

"Ajoelhem-se - disse Brise -, a Senhora disse que é a Rainha do Céu." Diante disso, a Senhora olhou amavelmente para as companheiras de Brise e disse: "Bem-aventurados os que creem sem ver".

A Senhora continuou: "O que fazes aqui parada, enquanto tuas companheiras trabalham na vinha do meu Filho?".

"O que mais posso fazer, querida Senhora?", perguntou Brise.

"Reúne as crianças deste país selvagem e mostra-lhes o que deveriam saber para salvar-se."

"Mas como lhes ensinarei o que eu mesma sei tão pouco?", replicou Brise.

"Ensina-lhes seu catecismo, como fazer o sinal da cruz e como se aproximar dos sacramentos; isso é o que eu desejo que faças - disse a Senhora. Vai e não tenhas medo. Eu te ajudarei."

O pai de Brise construiu uma pequena capela no local e ela continuou cumprindo o mandato de Nossa Senhora, uma missão que continuou até sua morte, em 1896.

A aprovação de Dom Ricken chegou depois de uma investigação de quase dois anos - desde janeiro de 2009 - sobre os acontecimentos e suas consequências.

A diocese de Green Bay postou em seu site material sobre aparições na Igreja.

Os documentos esclarecem que é o bispo diocesano, e não a Santa Sé ou a conferência episcopal, o responsável por julgar a autenticidade das aparições que supostamente acontecem em sua diocese.

Também se observa que nem todas as supostas aparições são aprovadas pela Igreja, e que nos Estados Unidos, por exemplo, supostas aparições em Necedah (Wisconsin) e Bayside (Nova York) foram examinadas e declaradas falsas.

"Ninguém pode provar o sobrenatural - recorda a declaração. A Igreja julga as aparições com base na sua coerência com as Sagradas Escrituras, com a Sagrada Tradição e com os ensinamentos da Igreja, nos benefícios espirituais subsequentes na vida das pessoas, e se há algo na vida do vidente que desmente a credibilidade do relato."

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Como Maria somos chamados a nos abrir ao Espírito Santo, diz Papa




Recebido com uma chuva de pétalas de rosas e com grande carinho pelos milhares de fiéis na Praça da Espanha, em Roma, Itália, o Papa Bento XVI deu graças à Imaculada Conceição da Virgem Maria, destacando que como Ela todos são chamados a abrir-se a ação do Espírito Santo.

Junto ao povo reunido em torno a imagem da Imaculada Conceição, monumento histórico, todo circundado por flores, símbolo do amor e devoção do povo romano pela Mãe de Jesus, o Papa lembrou que o dom mais lindo que a Ela se pode oferecer é a oração, aquela sincera que está no íntimo, os pedidos e agradecimentos pessoais.

“É muito mais importante aquilo que recebemos de Maria do que aquilo que oferecemos a ela”, enfatizou o Papa, colocando-se numa atitude de escuta. “E o que nos diz Maria? Ela fala com a palavra de Deus que se fez carne no seu ventre. Sua mensagem não é outra que Jesus, Ele que é toda a sua vida. E graças a Ele e por Ele, Ela é imaculada. Como o Filho de Deus se fez homem por nós, Ela, mãe, foi preservada do pecado por todos nós, como uma antecipação da salvação de Deus para cada homem”, elucidou o Santo Padre.

Assim, salientou o Papa, Maria nos diz que somos todos chamados a abrir-nos a ação do Espírito Santo para poder alcançar nosso destino final: sermos imaculados plenamente e definitivamente, livres do mal.

“Isso Ela nos diz com sua própria santidade, com um olhar cheio de esperança e compaixão que invoca palavras como essas: Não tema, filho. Deus o ama pessoalmente, te chamou a existência. Para encher seu coração de vida, e por isso Ele veio ao seu encontro , se fez como você, se tornou Jesus, homem em tudo parecido com você, menos no pecado. Ele deu a si mesmo por você, até morrer na cruz”.

Para aqueles que se sentem sozinhos e abandonados, o Santo Padre recordou que o olhar Maria é como o olhar de Deus para nós. Dessa forma, ela nos abençoa e se comporta como nossa advogada. “Mesmo que todos falassem mal de nós, Ela, a mãe, falaria bem, porque o seu coração imaculado está sintonizado a misericórdia de Deus”, disse Bento XVI.

Maria vê a cidade não como um aglomerado humano, mas uma constelação onde Deus conhece a todos pelo nome, e chama cada um a resplandecer Sua luz.

A Mãe nos olha como Deus olhou para Ela. Pequena garota de nazaré, insignificante para o mundo, mas grande aos olhos do Senhor. “Ninguém melhor que Ela sabe que nada é impossível a Deus”, destacou o Papa.

Esta mensagem que recebemos de Maria é uma mensagem de confiança e esperança para todos. Uma mensagem composta não apenas por palavras, mas escrita com sua própria história. Ela que deu à luz ao Filho de Deus e compartilhou com Ele sua vida.

“Este também é o destino de todos: serem santos como nosso Pai, imaculados como Jesus, serem filhos amados, todos adotados para formar uma grande família, sem fronteiras de nacionalidade, de cor ou língua, porque um só é Deus, Pai de cada homem”, sublinhou o Santo Padre.

Por fim, o Papa agradeceu a Maria, Mãe Imaculada, por estar sempre presente, e pediu que Ela vigiasse todo o povo, confortando os doentes, enconrajando os jovens e sustentando as famílias, infundindo a força para resistir ao mal e escolher o bem.

“Mesmo quando for difícil e custar comportar ir contra a corrente, dai-nos a alegria de sentirnos amados por Deus, abençoados por Ele, predestinados a sermos seus filhos. Dolcíssima Mãe nossa, rogai por nós”, pregou.

Imaculada Conceição de Maria: o que significa ?


Em 1854, o Papa Pio IX definiu o dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria, através da bula Ineffabilis Deus.

As raízes dessa devoção se reportam ainda aos primeiros séculos da Cristandade. Já os Padres da Igreja do Oriente, de fato, ao exaltar a Mãe de Deus, usavam expressões que a colocavam acima do pecado original.

No entanto, qual é exatamente o significado desse dogma e como não confundi-lo com outros títulos referentes a Maria? A seguir, confira a explicação do mariólogo padre Stefano De Fiores.

Padre Stefano: É preciso evitar um equívoco: o de confundir a Imaculada Conceição, que diz respeito à pessoa de Maria, no primeiro instante de sua existência, com a virgindade de maria, que, ao contrário, é uma decisão na sua vida, quando está consciente, portanto, quando já cumpriu um bom caminho de anos, ao menos até a sua adolescência.

E poderíamos dizer que a Imaculada Conceição é isso: não é um privilégio que distancia Maria de nós, porque, antes das diferenças, está a igualdade. A igualdade está nisso: tanto Maria quanto nós somos redimidos em Cristo. Nós somos redimidos mediante a libertação do pecado, enquanto, para Maria, trata-se de uma preservação do pecado original, isto é, Jesus foi perfeitíssimo mediador para Maria enquanto não esperou que ela caísse em pecado para depois absolvê-la, mas a sua graça redentora foi tão forte a ponto de impedir que Maria caísse no pecado.

Pergunta: Como compreender, portanto, neste sentido, o livre arbítrio de Maria?

Padre Stefano: Maria foi protegida pela graça de maneira toda especial, mas essa graça não tolhe a liberdade, porque Deus não pode tratar a nós – por Ele criados livres – como se não fôssemos livres! E, de fato, a Maria é pedido o consenso para a Encarnação do Filho de Deus. Ela teria podido dizer ‘não’: sustentada pela graça, pôde dar aquele sim completo, total, perfeito de disponibilidade “sem qualquer peso de pecado”, diz o Concílio Vaticano II. E, portanto, com a plenitude da sua humanidade, pôde aderir a Deus entregando toda a sua vida à Palavra de Deus, à promessa que Deus havia feito de torná-la Mãe do Filho de Deus.

Pergunta: De que modo ler, viver a presença desta festividade na imediata proximidade do natal?

Padre Stefano: No Advento, nós temos a preparação que vem do profeta Isaías com o seu invencível otimismo, que nos leva a trabalhar por um mundo novo, por um mundo de paz. Depois, vem João Batista, que nos faz ver que é a via da conversão que pode verdadeiramente levar-nos à salvação; enfim, eis que vem Maria como a preparação radical para a vinda do Messias. De fato, Maria ensina-nos a plena disponibilidade, portanto, Maria é a preparação mais perfeita para que possamos acolher verdadeiramente o Verbo de Deus que se fez carne. Assim, como diz Bento XVI, agora não podemos mais fazer teologia sem mariologia, porque o nosso Deus é o Deus encarnado no ventre da Virgem Maria por obra do Espírito.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

8 de dezembro: Igreja celebra a Imaculada Conceição


No dia 8 de dezembro, a Igreja celebra a solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Maria. Essa festa celebra a fé de que Maria não conheceu o pecado original, para que fosse digna mãe do Filho de Deus.

Para ser a mãe de Cristo, Deus escolheu uma mulher santa e pura, cheia de graça. Por isso, como afirma o Concílio Vaticano II, na constituição “Lumen gentium”, Maria, “desde o primeiro instante de sua existência, é enriquecida com uma santidade surpreendente, absolutamente única” (LG, 56).

É esse o mistério que celebramos no dia 8 de dezembro: para ser digna Mãe do Verbo, Deus preservou Maria do pecado original e a fez cheia de graça, a fez imaculada desde sua concepção.

Essa verdade de fé foi proclamada pelo Papa Pio IX em 8 de dezembro de 1.854, através da bula “Ineffabilis Deus” que, no número 42, declara: "Pela inspiração do Espírito Santo Paráclito, para honra da santa e indivisa Trindade, para glória e adorno da Virgem Mãe de Deus, para exaltação da fé católica e para a propagação da religião católica, com a autoridade de Jesus Cristo, Senhor nosso, dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, e nossa, declaramos, promulgamos e definimos que a Bem-aventurada Virgem Maria, no primeiro instante de sua conceição, foi preservada de toda mancha de pecado original, por singular graça e privilégio do Deus Onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador dos homens, e que esta doutrina está contida na Revelação Divina, devendo, portanto, ser crida firme e para sempre por todos os fiéis."

Maria foi também redimida pela graça de Cristo, como todo ser humano. Entretanto o modo pelo qual Maria foi redimida é todo especial, porque Deus a preservou de contrair a mancha do pecado original desde o primeiro instante de sua concepção. Deus a redimiu em vista dos méritos de Cristo. É o que expressa o Concílio Vaticano II com estas palavras: “Em vista dos méritos de seu Filho foi redimida de um modo mais sublime” (LG, 52).

A origem da devoção e do dogma

A convicção da pureza completa da Mãe de Deus foi definida em 1854, mas antes disso a devoção popular à Imaculada Conceição de Maria já era grande.

A origem do dogma da Imaculada encontra-se presente em escritos cristãos dos primeiros séculos, como evangelhos apócrifos. A doutrina da santidade original de Nossa Senhora se firmou inicialmente no Oriente, por volta do século VI ou VII, daí passou para o Ocidente. A festa é conhecida já no século VIII.

Os estudos e discussões teológicas avançaram através dos tempos sem um consenso. Quem resolveu a questão foi um frade franciscano escocês e grande doutor em teologia, o bem-aventurado John Duns Scot (1266-1308). Na linha de pensamento de São Francisco de Assis, ele defendeu a concepção imaculada de Maria como início do projeto central de Deus: o nascimento do seu Filho feito homem para a redenção da humanidade.

Desde 1263, a Ordem Franciscana celebrou com muita solenidade a Imaculada Conceição, no dia 8 de dezembro de cada ano, e costumava celebrar a Missa em sua honra aos sábados. Em 1476, o Papa Xisto IV colocou a festa no calendário litúrgico da Igreja. Em 1484, Santa Beatriz da Silva, filha de pais portugueses, fundou uma ordem contemplativa de mulheres, conhecidas como Irmãs Concepcionistas, para venerar especialmente e difundir o privilégio mariano da Imaculada Conceição.

Maria também foi remida por Cristo

Muitos Padres e Doutores da Igreja, ao exaltar a grandeza de Maria, chamavam-na de “intemerata, toda bela e formosa, a cheia de graça, o lírio da inocência, a mais pura que os anjos, mais esplendorosa do que o sol.”

Na Igreja do Ocidente, embora Maria sempre tenha sido exaltada como a mais sublime de todas as criaturas, a doutrina da Imaculada Conceição encontrava certa resistência. Apesar da sua reconhecida devoção a Nossa Senhora, homens como São Bernardo, Santo Alberto Magno, São Boaventura e São Tomás de Aquino tiveram dificuldade em admitir a concepção imaculada. Para eles, era difícil conciliar o privilégio de Maria com a doutrina da universalidade da redenção. Proclamar a imaculada concepção parecia retirar a Virgem Maria da órbita da redenção em Jesus Cristo, a qual, por ser necessária e absoluta, era tão universal como o pecado original. Se a Virgem Maria não estivesse incluída no número dos que contraíam o pecado de Adão, ficava então igualmente excluída da redenção, e esta não seria universal, pois não abrangeria todos os descendentes de Adão. Perante essa alternativa, foram como que obrigados a negar o privilégio de Maria até ser possível conciliá-lo com o dogma da universalidade da redenção em Cristo.

No século XIII o tema provocou acaloradas discussões, envolvendo Santo Tomás de Aquino que não aceitava esse privilégio mariano, baseando-se na universalidade do pecado e da redenção, e o brilhante teólogo franciscano Duns Scot que elaborou a chave teológica de compreensão do dogma. O teólogo franciscano, partindo da filosofia de Aristóteles que afirmava que “só de um ser perfeito pode surgir outro perfeito”, defendia que o Filho de Deus só podia nascer de uma mulher perfeita.

Para Duns Scot, Maria também foi redimida por Cristo como todas as pessoas, mas com o privilégio de ser preservada do pecado original, em previsão dos méritos do Redentor que lhe são aplicados também. Para a onipotência divina isso era possível e conveniente, por isso Maria foi preservada do pecado original, pois ela era destinada a ser a mãe do Filho de Deus.

Essa explicação acabou por ser recebida na teologia e nas declarações do Magistério da Igreja. E foi esse argumento que serviu de caminho para a proclamação do dogma séculos mais tarde.

Fundamento da santidade de Maria

Em 1854, o Papa Pio IX proclamou o dogma da Imaculada Conceição. E quatro anos mais tarde, em 1.858, Nossa Senhora confirmava essa verdade. Aparecendo a Bernadete Soubirous, na gruta de Massabielle, na cidade francesa de Lurdes, apresentou-se: “Eu sou a Imaculada Conceição”.

A proclamação do dogma só veio confirmar a fé que já se vivia. No século 18, Santo Afonso de Ligório, em seu livro “Glórias de Maria”, resume assim o grande mistério: “Nenhum outro filho podia escolher sua mãe. Mas, se a algum deles fosse dada tal escolha, qual seria aquele que, podendo tê-la nobre, a quisesse vil? Ou, podendo tê-la amiga, a quisesse inimiga de Deus? Ora, o Filho de Deus, e ele tão somente, pôde escolher para si a mãe de seu agrado. Por conseguinte, deve-se ter por certo que a escolheu tal como convinha a um Deus. Mas a um Deus puríssimo convinha uma Mãe isenta de toda culpa.”

O fundamento de toda sua santidade reside na sua missão: ela foi escolhida para trazer Jesus ao mundo, para ser a Mãe de Deus. Por isso, em previsão dos méritos de Jesus Cristo, Deus modelou Maria toda bela e santa. Como afirma Santa Teresinha do Menino Jesus, “Deus agiu com Maria como um pai, que não apenas levanta a filha que tropeçou numa pedra e caiu, mas correu na frente e retirou a pedra para que ela não caísse”.

A maternidade divina é o fundamento de toda a santidade de Maria. Convinha que ela possuísse toda a santidade possível a uma criatura, sendo imaculada, cheia de graça e do favor de Deus desde o primeiro instante de vida no ventre de sua mãe. “A Imaculada Conceição nos apresenta a face do homem redimido, em que se refaz mais misteriosamente ainda o projeto do paraíso.” (Documento 26 da CNBB)

Essa verdade de fé não é apenas mariológica, “mas também eclesiológica e escatológica, no sentido de que Maria antecipa, assim, o estado de inocência ao qual todos somos chamados. “ (Padre Johan Konings, SJ)

“Maria, com vistas à maternidade divina e por antecipação da libertação por Cristo, foi concebida e nasceu sem ser contaminada pelo pecado da humanidade, o pecado original. Ela é a primeira em quem se realizou totalmente a libertação. Será que ela poderia ter recusado ser a mãe do Salvador? Poderia. O mérito de Maria consiste em ter dado livremente seu ‘sim’ à graça de Deus e à sua missão de ser mãe do Salvador. Então, ela não era predestinada para isso? Era, sim. Mas não forçada! Poderia ter recusado sua (pré-)destinação. A predestinação da graça, que fez com que ela nascesse livre do pecado original, era o projeto da parte de Deus. Mas ela não foi forçada a aceitar este projeto. Também Adão não tinha pecado original, mas ele não foi fiel ao projeto de Deus. Maria, sim. Corrigiu a desistência de Adão. Assumiu de mão cheia o original projeto de Deus, aquilo que Deus predestinou para ela e para todos.” (idem)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Na casa da Mãe, todo Brasil se encontra, diz Dom Serafim


"Aqui nesta casa da Mãe, todo o Brasil se encontra". Foi o que o arcebispo emérito de Belo Horizonte (MG), Dom Serafim Fernandes, destacou na homilia da Missa na festa da Padroeira do Brasil. A Basílica de Nossa Senhora Aparecida, interior de São Paulo, ficou lotada nesta terça-feira, 12, com fiéis de todo o Brasil que foram demonstrar sua devoção à Nossa Senhora. O Arcebispo de Aparecida (SP), Dom Raymundo Damasceno de Assis, não pôde estar presente, pois participa do Sínodo dos Bispos para o Oriente Médio, no Vaticano.

Dom Serafim, recordou a história de Nossa Senhora Aparecida, encontrada por pescadores no Rio Paraíba. E destacou que no ano que o Papa Pio XI a proclamou Padroeira do Brasil, o Pontífice destacou que esse título serviria para "o bem espiritual de todo o povo brasileiro" e para o "aumento de sua devoção à Mãe de Deus".

"[Maria] brilha como modelo de virtude para todas as comunidades dos eleitos. Sua fé viva faz é o modelo da fé que os fiéis precisam ter", destacou o bispo. E complementou: "Em toda vida de humildade da 'Serva do Senhor', desde o dia em que recebeu a saudação do Anjo, até uma vida inteira de serviço amoroso, Maria é o modelo para a Igreja, de serviço, de oração".

E concluiu agradecendo a Nossa Senhora por tantos ensinamentos. "Virgem Mãe de Deus, muito obrigado por tudo".

Participaram da Celebração, autoridades como o candidato à presidência, José Serra, e o governador eleito de SP, Geraldo Alckmin.

Celebrando Nossa Rainha e Padroeira


A Igreja no Brasil celebra, no dia 12 de outubro, a solenidade de Nossa Senhora Aparecida. A devoção popular que se iniciou em 1717, quando a imagem foi encontrada no Rio Paraíba, foi crescendo e atingindo todas as regiões brasileiras, tornando-se o maior movimento religioso do país.

A Mãe de Jesus merece dos cristãos um carinho especial e a devoção por ela se manifesta em todos os lugares, venerada sob os mais diferentes títulos e em muitas igrejas – desde modestas capelas a imponentes santuários. Em nosso país, ela é venerada como Nossa Senhora da Conceição Aparecida, e como rainha e padroeira do Brasil.

Assim nasceu a devoção

A história dessa devoção mariana iniciou-se na segunda quinzena de outubro de 1717. No Porto Itaguaçu, no Rio Paraíba do Sul, três pescadores encontraram o corpo de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição sem a cabeça; lançada novamente a rede, foi encontrada a cabeça da mesma imagem. Os pescadores – Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves – viram nesse fato um sinal de Deus, devido à pesca abundante que se seguiu.

A imagem foi colocada, no aconchego de um lar humilde, sobre um altar de paus, e o povo se reunia diante dela para rezar o terço e outras orações. Era a casa de Filipe, o mais velho dos pescadores, que conservou a imagem em sua casa por 15 anos. Seu filho Atanásio construiu um pequeno oratório onde as famílias vizinhas se reuniam para rezar. Foi o início de uma devoção que depois se tornaria o maior movimento religioso do país, a devoção à Mãe de Deus, sob o título Nossa Senhora da Conceição, que depois viria a ser conhecida com o acréscimo “Aparecida”, dada a maneira como “apareceu”.

Mais tarde, diante da crescente afluência do povo, a imagem foi transferida para uma capela primitiva, construída no Porto Itaguaçu, marcando o local onde ela foi encontrada. Depois de peregrinar por diversas casas, em 1745 foi levada para uma capela maior. O culto já recebe a aprovação oficial da Igreja.

O Padre José Alves Villela, vigário da Paróquia de Santo Antônio de Guaratinguetá, decidiu construir essa nova igreja no alto do Morro dos Coqueiros. No dia 25 de julho de 1745, o povo realizou uma grande procissão para levar a imagem da Senhora Aparecida para a nova igreja. No dia seguinte, o Padre Villela abençoava e inaugurava a primeira igreja dedicada a Nossa Senhora da Conceição Aparecida.

Com essa inauguração, nasciam o santuário e as bases do povoado de Aparecida. Em 1760, a capela foi reformada e recebeu a segunda torre.

Basílica antiga

Como era crescente o número de fiéis que visitava o local, Frei Joaquim do Monte Carmelo resolveu dar a Nossa Senhora uma igreja maior. Ampliou a capela, deu-lhe altares artísticos, mudou o estilo colonial para o barroco, com alguns elementos do neoclássico.

Em 24 de junho de 1888, a nova igreja era solenemente entregue aos seus devotos. Em 1893, recebeu o título de Santuário Episcopal.

Em 1908, Dom Duarte Leopoldo e Silva, arcebispo de São Paulo, pediu à Santa Sé o título de Basílica Menor para o santuário de Aparecida, a igreja que fica na parte alta e mais antiga da cidade, conhecida como basílica velha. Essa dignidade foi concedida pelo papa São Pio X, em 29 de abril de 1908.

Finalmente, em 1928, a vila que se formou ao redor da capela foi emancipada de Guaratinguetá, tornando-se uma nova cidade, Aparecida do Norte.

Maior santuário mariano

Aparecida torna-se a “capital mariana do Brasil”. A primeira basílica ficou pequena, por isso era necessária a construção de outro templo, bem maior, que pudesse acomodar tantos romeiros.

O lançamento da pedra fundamental da nova basílica deu-se no dia 10 de setembro de 1946, mas o início efetivo da construção ocorreu em 11 de novembro de 1955. Com projeto do arquiteto Benedito Calixto de Jesus Neto, a basílica tem a forma de uma cruz grega, com capacidade para abrigar 45 mil peregrinos.

Em 4 de julho de 1980, na primeira visita ao Brasil, o Papa João Paulo II celebrou a cerimônia de consagração da nova igreja, embora inacabada, e recebeu o título de Basílica Menor. Em 1984, a CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil declarou-a oficialmente Santuário Nacional.

As atividades religiosas no Santuário, em definitivo, passaram a ser realizadas a partir de 3 de outubro de 1982, quando aconteceu a transladação da imagem da antiga basílica para a nova.

O Santuário Nacional é considerado o centro da fé católica no Brasil, recebendo anualmente mais de 7 milhões de fiéis peregrinos. É o maior centro de peregrinação religiosa da América Latina, o maior santuário mariano do mundo, imenso em sua pujante e bela arquitetura, que reflete a grandiosidade do amor e devoção dos brasileiros por sua rainha e padroeira.

A imagem encontrada

A imagem de Nossa Senhora encontrada era pequenina, de terracota, isto é, argila que, depois de modelada, é cozida em forno apropriado, medindo 39 centímetros de altura, incluindo o pedestal. Quando foi pescada, estava, muito provavelmente, sem as cores originais devido aos anos em que esteve mergulhada nas águas e no lodo do rio. Seu estilo é seiscentista, como atestam alguns especialistas. Ainda conforme estudos dos peritos, a imagem foi moldada com argila paulista da região de Santana do Parnaíba, situada na Grande São Paulo.

A cor acanelada com que hoje é conhecida deve-se ao fato de ter sido exposta, durante anos ao calor das chamas das velas e dos candeeiros. A partir de 8 de setembro de 1904, quando foi coroada, a imagem passou a usar oficialmente a coroa e o manto azul-marinho, ofertados pela Princesa Isabel.

No dia 16 de maio de 1978, a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi alvo de um atentado que a reduziu em 165 pedaços. Mas foi totalmente reconstituída graças ao trabalho competente da artista plástica Maria Helena Chartuni, na época restauradora do Museu de Arte de São Paulo.

Coroação de Nossa Senhora

Em 1901, os bispos da Província Eclesiástica Meridional do Brasil, acatando a ideia de Dom Joaquim Arcoverde, arcebispo do Rio de Janeiro, formalizaram pedido ao papa para a coroação da imagem de Nossa Senhora Aparecida.

Em fevereiro de 1904, o Papa Pio X, traduzindo o sentimento do povo e atendendo ao pedido de Dom Joaquim Arcoverde, feito em nome do episcopado brasileiro, autorizou, como era usual na Igreja para imagens e quadros insignes, a coroação solene da imagem de Nossa Senhora Aparecida.

Assim, no dia 8 de setembro, Dom José de Camargo Barros, bispo de São Paulo, coroou solenemente a imagem da Padroeira do Brasil, com a coroa doada pela Princesa Isabel. A cerimônia contou com a presença do Núncio Apostólico, Dom Júlio Tonti, numerosos sacerdotes, religiosos e milhares de romeiros. Em seguida, foi inaugurado o monumento à Imaculada Conceição em comemoração aos 50 anos do dogma da Imaculada Conceição (proclamado pelo Papa Pio IX em 8 de dezembro de 1854).

Em 1930, o Papa Pio XI reconheceu, por decreto, de forma oficial, a Virgem Aparecida como “Rainha e Padroeira do Brasil”. No dia 17 de julho, atendendo ao pedido dos bispos brasileiros, o papa assinou o Decreto de Proclamação de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil.

Em 1931, no dia 16 de julho, na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil, o presidente Getúlio Vargas, acompanhado de todo o seu ministério, autoridades diplomáticas, civis, militares e eclesiásticas e de uma grande multidão de fiéis, comemoraram solenemente Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil.

NOVA COROA - No dia 8 de setembro de 2004, o Santuário Nacional de Aparecida viveu uma grande celebração, comemorando os 150 anos de proclamação do dogma da Imaculada Conceição e os 100 anos da coroação de Nossa Senhora Aparecida. Nessa celebração, a imagem da Padroeira do Brasil recebeu uma nova coroa, confeccionada em ouro e pedras preciosas.

Ela foi desenvolvida pela “designer” mineira Lena Garrido, em parceria com Débora Camisasca, que venceram o “Concurso Nacional para o Centenário da Coroação de Nossa Senhora Aparecida”. Foi confeccionada em ouro e pedras preciosas, em projeto financiado pela Ajoresp – Associação dos Joalheiros e Relojoeiros do Noroeste Paulista.

A antiga coroa, doada pela Princesa Isabel, foi restaurada e é conservada no Museu do Santuário, sendo utilizada apenas em ocasiões especiais.

A nova coroa foi escolhida entre cinco por uma comissão formada por 12 jurados; também se levou em consideração um voto do júri popular, que expressou a preferência entre 63.870 fiéis. As cinco coroas que foram propostas à votação eram protótipos, apenas a vencedora foi feita de ouro e pedras preciosas. Mas os cinco protótipos, em prata, passaram a fazer parte do acervo do Museu Nossa Senhora Aparecida, onde podem ser vistos pelos devotos.

Rosa de Ouro

A Rosa de Ouro é um presente oferecido pelo papa para honrar e distinguir pessoas que contribuíram com ações que beneficiaram o bem comum, para condecorar cidades que se destacaram na manifestação da fé católica ou ainda para realçar santuários que se tornaram centro de peregrinação e irradiação de profunda espiritualidade.

O Brasil já foi agraciado com três Rosas de Ouro: em 1888, o Papa Leão XIII concedeu à Princesa Isabel, por ter abolido a escravatura no país; as outras duas foram ao Santuário de Aparecida.

Em 1967, o Papa Paulo VI concedeu Rosa de Ouro por ocasião dos 250 anos do encontro da imagem. Em agosto daquele ano, o Cardeal Amleto Giovanni Cicognani entregava ao Santuário de Aparecida uma Rosa de Ouro, confeccionada pelo artista plástico Mário de Marchis, com um recado do Papa Paulo VI: “Dizei a todos os brasileiros, Senhor Cardeal, que esta flor é a expressão mais espontânea do afeto que temos por esse grande povo, que nasceu sob o signo da Cruz. No Santuário de Nossa Senhora Aparecida, ela dará testemunho de nossa constante oração à Virgem Santíssima para que interceda junto de seu Filho pelo progresso espiritual e material do Brasil”.

Em 15 de agosto, o Legado Pontifício, no interior da nova basílica, entregou ao Cardeal Motta a oferta do papa. Era um presente de aniversário pelos 250 anos do encontro da imagem da Senhora Aparecida no Rio Paraíba do Sul.

A terceira Rosa de Ouro foi oferecida também ao santuário pelo Papa Bento XVI, em sua viagem ao Brasil em maio de 2007. Numa plaquetinha está gravado que o papa, com muito amor, oferece a Rosa de Ouro à Virgem Maria de Aparecida, a padroeira da nação brasileira.

Os papas e a padroeira

Na história, sempre encontramos provas da predileção dos Santos Padres por Nossa Senhora Aparecida.

Leão XIII, em 1895, concede licença para que sua festa seja celebrada no primeiro domingo de maio.

Pio X assina o decreto da Coroação em 1904 e o da dignidade de Basílica Menor em 1908.

Pio XI declara Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil em 1930.

Pio XII, em 1958, eleva Aparecida a arquidiocese.

Paulo VI, em 1967, presenteia Nossa Senhora com a Rosa de Ouro.

João Paulo II, em 1980, consagra a nova basílica.

Bento XVI em 2007 também presenteia com a Rosa de Ouro.

Entre os devotos, a família real

A história em torno da devoção nacional a Nossa Senhora Aparecida inclui até a família real brasileira. No dia 20 de agosto de 1822, o príncipe Dom Pedro I foi rezar na antiga capela de Nossa Senhora Aparecida, para ter sucesso na solução de problemas políticos que, poucos dias depois, desaguariam na proclamação da Independência.

O imperador Dom Pedro II e a imperatriz D. Teresa Cristina estiveram em 1843 e em 1865 na capela de Aparecida, para rezar diante da imagem.

Também a Princesa Isabel lá esteve com seu marido, o Conde D’Eu, em 1868, para pedir a graça de um herdeiro para o trono. Naquela ocasião, doou à imagem de Nossa Senhora Aparecida um riquíssimo manto azul-marinho, simbolizando o céu estrelado brasileiro, enfeitado com 21 brilhantes, representando as 20 províncias do império e a capital.

Em 1884, a princesa voltou a Aparecida para agradecer a Nossa Senhora os benefícios recebidos, acompanhada do marido e de seus três filhos, os príncipes Pedro, Luís e Antônio. Desta vez, ela levou para a imagem uma belíssima coroa de ouro, cravejada de brilhantes (24 maiores e 16 menores) que serviu, em 1904, para a coroação solene da imagem.

domingo, 10 de outubro de 2010

Papa recomenda oração do Santo Rosário a fiéis


"O Rosário é oração bíblica, toda tecida de Sagrada Escritura. É oração do coração, em que a repetição da Ave Maria orienta o pensamento e o afeto para Cristo, tornando-se súplica confiante na sua e nossa Mãe", explicou o Papa Bento XVI na mensagem antes da oração do Ângelus, no Vaticano.

O Santo Padre recordou que Outubro é chamado “o mês do Rosário”, e que somos convidados a deixar-nos “guiar por Maria nesta oração antiga e sempre nova”, que “nos conduz diretamente a Jesus, contemplado os seus mistérios de salvação”.

O Papa destacou também a presença dos Líderes das Igrejas Orientais, em Roma, para participarem na assembleia sinodal. "Uma realidade diferente, onde a única Igreja de Cristo se exprime em toda a riqueza das suas antigas tradições", destacou.

“Nestes países, infelizmente marcados por profundas divisões e dilacerados por conflitos que duram há muito tempo, a Igreja é chamada a ser sinal e instrumento de unidade e de reconciliação, segundo o modelo da primeira comunidade de Jerusalém, na qual a multidão dos que se tinham tornado crentes tinha um só coração e uma só alma”, disse Bento XVI.

E concluiu confiando à intercessão de Maria o Sínodo para o Oriente Médio. Dentre as saudações em diversos idiomas, não faltou uma em português:

“A minha saudação estende-se a todos os peregrinos de língua portuguesa, em particular aos fiéis cristãos da cidade de Jundiaí, no Brasil, invocando abundantes graças divinas sobre os seus passos para construírem a vida sobre aquela rocha firme que é Cristo vivo na sua Igreja. Deus a todos guarde e abençoe!”

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Papa propõe "recuperar" Terço Diário



CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 6 de outubro de 2010 (ZENIT.org) - Antes de concluir suas saudações nos diversos idiomas, durante a audiência geral realizada hoje na Praça de São Pedro, o Papa Bento XVI animou os fiéis a "redescobrir" a oração do terço.

"Outubro é o mês do rosário, que nos convida a valorizar essa oração tão querida pela tradição do povo cristão", afirmou o Pontífice, durante sua tradicional saudação aos doentes, jovens e recém-casados.

Recordando que amanhã a Igreja celebrará Nossa Senhora do Rosário, o Papa convidou os jovens a "fazer do terço sua oração de todos os dias".

"Animo-vos, queridos doentes, a crescer, graças à oração do terço, no confiante abandono nas mãos de Deus", prosseguiu.

Aos recém-casados, o Papa concluiu exortando a "fazer do terço uma contemplação constante dos mistérios de Cristo".

sábado, 25 de setembro de 2010

Celebrando o Dia da Bíblia e São Jerônimo


A Bíblia é o livro da fé por excelência, a base de toda a doutrina cristã. Nela se fundamentam os valores e os princípios que norteiam nossa vida; nela encontramos a revelação de Deus Pai a transmitir a seus filhos os ensinamentos para a plena realização. Ela é a “Palavra de Deus escrita na linguagem dos homens”.

Toda a Bíblia quer revelar o projeto de Deus: a libertação integral dos homens. Mostra um Deus que se preocupa com seu povo, libertando-o da escravidão do Egito; que busca a justiça dos pobres e excluídos; que não quer a morte mas o arrependimento e a vida do pecador. Mostra um Deus que deseja que todos tenham vida e a tenham em plenitudeNo último domingo de setembro, mês dedicado à Palavra de Deus, a Igreja celebra o Dia da Bíblia. A data é escolhida em função da proximidade da festa de São Jerônimo (dia 30), que dedicou sua vida ao estudo das Sagradas Escrituras. Exegeta, grande teólogo e doutor da Igreja, possuidor de uma grande cultura literária e bíblica, ele foi responsável pela tradução da Bíblia para o latim, edição conhecida como “Vulgata”.

A Bíblia é um conjunto de 73 livros de vários autores, escritos em épocas e locais diferentes, durante mais de mil anos. Certamente uma coleção literária com tais peculiaridades correria o risco de dispersão no seu conteúdo. Por que isso não aconteceu? Porque há um fio condutor, uma idéia comum que perpassa todos eles, do Gênesis ao Apocalipse: a aliança entre Deus e os homens.

A celebração do Dia da Bíblia nos lembra o nosso compromisso com a Palavra de Deus, convidando-nos a viver, nesta sociedade de tanta desunião, a nossa aliança com Ele, revelada na fraternidade, sinal mais marcante de seu reino.

São Jerônimo

No dia 30 de setembro, celebra-se a memória litúrgica de São Jerônimo que dedicou sua vida ao estudo da Bíblia. É considerado um dos doutores da Igreja, possuidor de uma grande cultura literária e bíblica. Foi responsável pela tradução da Bíblia para o latim, edição conhecida como “Vulgata”; ela se tornou texto oficial de referência para toda a Igreja, especialmente para a Igreja latina do Ocidente.Tradutor e exegeta das Sagradas Escrituras, é grande teólogo e doutor da Igreja.

Nasceu em uma família muito rica na Dalmácia, hoje Croácia, no ano 347. Com a morte dos pais, herdou uma boa fortuna, que aplicou na realização de sua vocação para os estudos, pois tinha uma inteligência privilegiada. Viajou para Roma, onde procurou os melhores mestres de retórica e desfrutou a juventude com uma certa liberdade. Jerônimo estudou por toda a vida, viajando da Europa ao Oriente com sua biblioteca dos clássicos antigos, nos quais era formado e graduado doutor.

Ele foi batizado pelo Papa Libério, já com 25 anos de idade. Passando pela França, conheceu um monastério e decidiu retirar-se para vivenciar a experiência espiritual. Uma de suas características era o gosto pelas entregas radicais. Ficou muitos anos no deserto da Síria, praticando rigorosos jejuns e penitências, que quase o levaram à morte. Em 375, depois de uma doença, Jerônimo passou ao estudo da Bíblia com renovada paixão. Foi ordenado sacerdote pelo bispo Paulino, na Antioquia, em 379. Mas Jerônimo não tinha vocação pastoral e decidiu que seria um monge dedicado à reflexão, ao estudo e divulgação do cristianismo.

Voltou para Roma em 382, chamado pelo Papa Dâmaso, para ser seu secretário particular. Jerônimo foi incumbido de traduzir a Bíblia, do grego e do hebraico, para o latim. Nesse trabalho, dedicou quase toda sua vida. O conjunto final de sua tradução da Bíblia em latim chamou-se "Vulgata" (que significa “usual, comum”) e tornou-se oficial no Concílio de Trento.

Devido a certas intrigas do meio romano, retirou-se para Belém, onde viveu como um monge, continuando seus estudos e trabalhos bíblicos. Morreu no ano 420, em 30 de setembro, com, praticamente, 80 anos de idade. Foi declarado padroeiro dos estudos bíblicos.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Exaltação da Santa Cruz


No dia 14 deste mês, a Igreja celebra a festa litúrgica da Exaltação da Santa Cruz. Como a da Transfiguração, também essa festa é intensamente celebrada na Igreja Oriental e participa da mesma atmosfera: a presença da glória divina no sofrimento e morte de Jesus. A liturgia renovada deu a essas festas um destaque especial, tendo em vista a comunhão com as Igrejas Orientais.

A festa da Exaltação da Santa Cruz tem origem no século 4º, em 13 de setembro de 335, quando se celebrou a Dedicação das basílicas do Gólgota e do Santo Sepulcro, construídas pelo imperador Constantino; no dia seguinte, foram apresentados fragmentos da Cruz em que Jesus foi crucificado. A festa foi trazida para o Ocidente, no século 7º, pelo Papa Sisto I.

Em nossa diocese, Santa Cruz é festejada como padroeira de uma paróquia em Rio Claro, de uma paróquia em Piracicaba (que tem São Dimas como copadroeiro) e de uma quase-paróquia no bairro rural de Anhumas, também em Piracicaba.

Festa do Cristo vencedor

Na festa litúrgica da Exaltação da Santa Cruz, celebra-se a exaltação do Cristo vencedor. Também se exalta a salvação que nos vem pela cruz; nela Jesus Cristo, verdadeiro Deus verdadeiro homem, fez a entrega da sua vida pela vida do mundo. O Cristo Crucificado, pela sua morte e ressurreição, trouxe-nos vida e salvação.

“Quanto mais abraçamos a Cruz, mais nos aproximamos de Jesus que está cravado nela.” (Bem-aventurado Charles de Foucauld)

A celebração litúrgica quer reavivar em nós o amor pela cruz. E o evangelho dessa festa (Jo 3, 13-17) nos revela a razão dessa devoção: “Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve ser levantado (na cruz) o Filho do Homem, para que todo aquele que nele crer tenha a vida eterna. Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por Ele.”

O fio central da liturgia é o simbolismo da elevação na cruz como elevação na glória, desenvolvido por São João no evangelho. Na sua crucificação, levantado ao alto, Jesus é sinal da salvação realizada pelo amor de Deus, como a serpente de bronze levantada por Moisés no deserto foi sinal de salvação para o povo (1ª leitura). Por isso, contemplamos a cruz de Cristo, “da qual pendeu a salvação do mundo”. E, professando nossa fé, bendizemos ao Senhor que “pela Santa Cruz remiu o mundo”.

Sinal de vida e salvação

“A cruz, antes de ser sinal de sofrimento e de morte, é sinal de salvação. A celebração nos ensina a olhá-la como manifestação do amor de Deus. Por seu amor e ternura radical, Ele, assim como uma mãe ou um pai, não gosta de ver seus filhos sofrendo. E não pode ser visto como mandante do assassinato do próprio Filho. Jesus morreu em consequência de sua fidelidade ao Pai. Foi vítima das autoridades da época, que o consideravam perigoso. De fato, a cruz era o suplício dos escravos e dos subversivos.” (Padre Nilo Luza, SSP)

A cruz é o maior símbolo de nossa fé, é o estandarte sobre o qual se eleva e se exibe ao mundo o amor de Deus. Ela atrai o olhar de todos que procuram a salvação. Ela atrai os olhares de toda a humanidade, como se proclama na Liturgia Eucarística dessa festa: “Santa Cruz adorável, de onde a vida brotou, nós por ti redimidos te cantamos louvor.”

A cruz nos fala de um amor sem medida, capaz de ir até o fim: “Como amou os seus que estavam neste mundo, amou-os até o fim”. Este amor até o fim está bem retratado nas palavras do Apóstolo Paulo: “Jesus Cristo tinha a condição divina e não se apegou à sua igualdade com Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, apresentando-se como simples homem, humilhou a si mesmo e foi obediente até a morte e morte de cruz. Por isso, Deus o exaltou!” (Fl 2, 2-6)

Pela cruz à ressurreição

“Todas as ações de Cristo são glória da Igreja Católica, mas a glória das glórias é a Cruz do Senhor.” (São Cirilo de Jerusalém)

Depois que Jesus Cristo morreu na cruz, ela se tornou sinal de vida e não mais de morte, sinal de salvação e não de castigo ignominioso. Ela passou a ser sinal de exaltação e de glória, tornou-se sinal de vitória e não de derrota.

“Quando eu for levantado na cruz, atrairei tudo a mim.” Foi por amor que Ele foi levantado na cruz: “Prova de amor maior não há que doar a vida.” Esse amor é que nos atrai. A cruz nos mostra, mediante a fé, até onde vai o amor de Cristo. Foi elevado na cruz para que ninguém ficasse sem vê-lo. E vendo-o nos deixasse fortemente atraídos por ele.

Não podemos falar da morte de Jesus Cristo na cruz e esquecer a ressurreição. São Paulo, escrevendo aos cristãos de Corinto, falou de um modo taxativo: “Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé.” (1 Cor 15, 14)

Ao ressuscitar dos mortos, Jesus Cristo sepultou para sempre o nosso pecado e abriu a porta para a vida nova. Ele ressuscitou e nos ressuscitou com Ele, por isso o apóstolo nos adverte: “Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita do Pai; afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra.” (Cl 3, 1-2)

Pela cruz à luz

Na cerimônia batismal, quando fomos apresentados à comunidade, fomos marcados com o sinal da cruz. Todas as celebrações se iniciam e terminam com esse sinal. E todos os dias, desde o momento que levantamos até a hora do repouso, são várias as ocasiões em que nos persignamos, traçando em nós o sinal da cruz redentora de Jesus.

Depois que Jesus Cristo morreu na cruz, ela passou a ser uma exigência para quem deseja tornar-se seu discípulo. O cristão vive de fé e na fé; é com fé que acolhe a Palavra do próprio Cristo: “Deus amou de tal forma o mundo que entregou seu Filho único, para que todo o que nele acredita não morra, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3, 16) Na expressão de São Bernardo, “pela cruz é que se alcança a luz”.

Na Liturgia das Horas, a Igreja reza: “Santa Cruz adorável, de onde a vida brotou, nós por ti redimidos te cantamos louvor.” Nós louvamos e bendizemos a Jesus, porque pela sua santa cruz nos libertou da escravidão do pecado e nos tornou irmãos e filhos do seu Pai.

A cruz está presente em nossas vidas. Em nossas igrejas, em muitos lares e prédios públicos, ela se destaca como ícone sagrado de nossa fé. E são muitos os cristãos que fazem questão de carregar um crucifixo, pois, como ensina São Paulo, “não pretendo jamais gloriar-me, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.” (Gl 6, 14)

sábado, 11 de setembro de 2010

Diocese de Piracicaba realiza Romaria a Aparecida


No dia 12 de setembro, realiza-se a 26ª Romaria Diocesana ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, quando o bispo, padres, diáconos permanentes e leigos representantes das nossas comunidades paroquiais se reúnem aos pés da Mãe de Deus para agradecer e implorar sua bênção e proteção.

Este ano a romaria tem como tema “Ensina teu povo a rezar” e como lema “Maria educadora, protetora e capaz de moldar santos”. A programação prevê missa na basílica às 8 horas (com transmissão pela TV Cultura); em seguida caminhada até o Morro do Cruzeiro e Via Sacra.

Como já é tradicional, a coordenação diocesana de pastoral elaborou um livrinho com orações e cantos, como subsídio para um melhor aproveitamento desse tradicional evento diocesano.

DADOS HISTÓRICOS - Em 26 de maio de 1985, realizou-se a primeira Romaria Diocesana a Aparecida, como preparação ao Congresso Eucarístico Nacional, celebrado em julho daquele ano, em Aparecida. O então bispo diocesano Dom Eduardo ficou entusiasmado com o grande número de participantes e o grande espírito de fé. Por isso, no ano seguinte, realizou-se a segunda romaria no dia 25 de maio. Depois, todos os anos a diocese promoveu este evento mariano.

Em 20 de setembro de 1998, aconteceu a décima quarta romaria, a partir da qual passou-se a definir tema e lema. Pela primeira vez, foi elaborado um livrinho com cantos, orações, celebrações e informações práticas. Esta romaria teve como tema “O Espírito em Maria” e como lema “Maria, bendita é a esperança que nasceu de Ti”.

A décima oitava romaria, em 15 de setembro de 2002, foi a primeira presidida pelo bispo Dom Moacyr José Vitti; teve como tema “Maria e a unidade” e o lema “Com Maria, um só coração”. A décima nona, em 14 de setembro de 2003, dentro do ano comemorativo aos 60 anos da diocese, teve como tema “Diocese de Piracicaba – 60 anos” e como lema “Igreja diocesana lançando redes sob a proteção de Maria”.

No dia 18 de setembro de 2005 a diocese realizou a vigésima primeira romaria, com o tema "Maria, comunidade e missão" e o lema "Comunidade com Maria em missão e romaria". Foi a primeira presidida pelo atual bispo diocesano, Dom Fernando Mason.

domingo, 15 de agosto de 2010

Assunção : Glorificação de Nossa Senhora


No domingo, dia 15, a Igreja celebra a solenidade da Assunção de Nossa Senhora. É uma verdade de fé proclamando que Maria, terminada sua existência terrena, foi elevada ao céu em corpo e alma. É a festa da glorificação daquela que se fez serva do Altíssimo e que foi por Ele agraciada.

Mulher realizada, plena da graça divina, colaboradora na obra da redenção, Maria tomou parte ativa e intensiva na vida de Jesus, participando na obra da libertação. Como tal, ela atingiu a plenitude humana na salvação. Terminada sua existência terrena, ela foi assunta à glória celestial em corpo e alma, antecipando o que há de acontecer a todos os justos.

Como nos ensina o Papa Paulo VI, no documento “Marialis culto” (n. 7), a assunção de Maria “é a festa do seu destino de plenitude e de bem-aventurança; é a festa da glorificação da sua alma imaculada e do seu corpo virginal; é a festa da sua perfeita configuração com Cristo ressuscitado.” E o saudoso papa afirma:

A solenidade da Assunção proclama a glória daquela que é “modelo de vida cristã, pois toda a sua existência é uma plena comunhão com o Filho, uma entrega total a Deus em todos os seus caminhos, numa união única que culmina na glória.” (Documento 26 da CNBB, n. 233)

A assunção é a digna glorificação da Mãe de Deus. É imagem e modelo da criatura plenamente salva, liberta, realizada. “A assunção manifesta o destino do corpo santificado pela graça, a criação material participando do corpo ressuscitado de Cristo, e a integridade humana, corpo e alma, reinando após a peregrinação da história”. (idem, n. 235)

Proclamação do dogma

O dogma da Assunção foi proclamado no Ano Santo de 1.950, pelo Papa Pio XII, no dia 1o. de novembro, através da Constituição Apostólica “Munificentissimus Deus”. No n. 44 desse documento pontifício, está a definição solene dessa verdade de fé: "Pelo que, depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a paz do Espírito de verdade, para glória de Deus onipotente que à virgem Maria concedeu a sua especial benevolência, para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da morte, para aumento da glória da sua augusta mãe, e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos São Pedro e São Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial."

Primeira redimida e glorificada

A festa da Assunção tem uma característica nota de alegria e exultação. Pio XII, ao proclamar o dogma, fez ver que a assunção corpórea de Maria está ligada estreitamente com a sua divina maternidade virginal e com a sua isenção do pecado. O corpo de Maria, que estivera tão intimamente unido ao de Cristo, recebe um destino semelhante ao corpo de Cristo: fica isento da corrupção após a morte e é glorificado por Deus.

Maria nos dá a certeza de que podemos confiar plenamente em Deus, que suas promessas não vão falhar. Ela é a primeira redimida e glorificada. Podemos ter a segurança de que, se um membro do Corpo Místico de Cristo – Maria – já foi glorificado, todos nós o seremos um dia. Maria nos dá o consolo da esperança final.

Maria, sempre dócil à Palavra de Deus, que acompanhou os passos de seu divino Filho, presente ao pé da cruz e na ressurreição, foi com Ele glorificada e, no céu, é o sinal da realização plena a que todos somos chamados. Como mãe terna, vela por todos nós seus filhos e nos convida a participar com ela da glória celeste, a plenitude do Reino de Deus.

A virgem mãe de Deus, a mãe imaculada assunta ao céu caminha a nosso lado, como “modelo de vida cristã pois toda a sua existência é uma plena comunhão com o Filho, uma entrega total a Deus.”

Imagem e modelo
Em Maria assunta ao céu, a Igreja celebra a realização do mistério pascal. Sendo ela “cheia de graça”, sem sombra alguma de pecado, quis o Pai associá-la à ressurreição de Jesus.

Glorificada na assunção, Maria é a criatura que atingiu a plenitude humana na salvação. Para o cristão, a ressurreição é a etapa conclusiva da salvação. Nesse sentido, Maria elevada ao céu é imagem e modelo da criatura plenamente salva, liberta, realizada. No Evangelho, encontramos o fato, a dinâmica e todo o objetivo da vida que em Maria se realiza livre e plena.

Na atitude de Maria, ser humano realizado, toda pessoa encontra inspiração de vida, fé e amor: o projeto de Deus se torna realidade: o mal é vencido, o amor triunfa. Na assunção de Maria, a terra e o céu se encontram.

Origem da festa

A festividade da Assunção teve suas origens na antiga liturgia de Jerusalém. No século VI foi também acolhida pela liturgia bizantina com o nome de “Dormição da Mãe de Deus”. Na liturgia romana, a festa só foi introduzida no século VII, com o nome de “dormitio”, pausatio, natalis”, com conteúdo pouco definido. No século VIII, sob o Papa Adriano, a festa recebeu o nome de “Assunção”, que perdura até hoje.

Na definição dogmática de Pio XII, a festa ganhou um conteúdo bem claro: trata-se da assunção corpórea de Maria ao céu. E instituiu-se o dia 15 de agosto para esta celebração. No Brasil, quando a data não ocorre num domingo, por razões pastorais passamos a solenidade para o domingo seguinte.

A Igreja acredita que Maria é a única criatura humana – depois de Cristo e no seu seguimento – que entrou de corpo e alma na bem-aventurança do céu, depois de ter concluído a peregrinação por este mundo. Na solenidade da Assunção, juntam-se a glorificação e a consumação corpórea de Maria. Com isso a Igreja demonstra sua fé na superioridade de Maria, comparada com o resto da humanidade. Em Maria antecipa-se aquilo que está reservado a todos os crentes no fim do mundo, no momento da ressurreição dos mortos.

Celebrar a Assunção de Maria é, pois, acreditar no inexplicável, no inefável, e confiar no amor salvífico de Deus que convida todos os seus filhos para o banquete eterno em seu Reino.

Maria se encontra, com o corpo glorificado, em companhia de Jesus, seu Filho, do Pai e do Espírito Santo e de todos os santos do céu. A “cheia de graça”, quis o Pai associá-la à ressurreição de Jesus; ela já é o que somos chamados a ser.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Arcebispo critica desmonte de capela em hospital de Porto Alegre


O Arcebispo de Porto Alegre (RS), Dom Dadeus Grings, critica ordem da Direção do Hospital de Clínicas da capital gaúcha (HCPA) para o desmonte da capela católica presente no local há mais de 30 anos.

Segundo o arcebispo, a capela surgiu após um pedido formal do próprio hospital. Agora, no entanto, sem notificação alguma à Igreja, os funcionários da entidade receberam ordens para desmontá-la. O que inclui a retirada de todas as imagens e do Santíssimo Sacramento (a Eucaristia) que, como dogma católico, é o próprio Corpo de Jesus Cristo.

O chefe de gabinete da presidência do HCPA, Jair Ferreira, diz que a decisão se baseou no artigo 19 da Constituição, que proíbe órgãos públicos de patrocinar cultos religiosos ou igrejas. O artigo abre exceção para os casos em que haja "a colaboração de interesse público".

Ferreira informa que a capela foi criada como espaço ecumênico, mas era administrada pela Associação Literária Boaventura de Caxias do Sul (RS), um órgão católico, com o qual o HCPA finalizou contrato no dia 1º de junho. "O contrato foi feito, cumprido até o final, mas não foi renovado".

"O espaço será transformado num espaço de espiritualidade que contemple qualquer credo, qualquer religião. Enfim, um espaço espiritual neutro", explica Ferreira.

Para Dom Dadeus, a decisão da Direção do HCPA fere a Constituição e o Acordo firmado entre o Brasil e a Santa Sé no ano passado. "Nesse Acordo se prevê a cessão de espaços públicos para a Igreja Católica. Está previsto. Tirar depois que foi cedido fere o Acordo, onde explicitamente diz que o Estado não vai fechar nenhuma Igreja Católica".

"Se a atual direção do hospital julgasse inoportuna a permanência da capela, não lhe caberia mandar aos seus funcionários desativá-la. Deveria dirigir um ofício à Mitra Arquidiocesana expondo suas razões para um eventual diálogo. É o que não foi feito. A capela é de competência do arcebispo. Mandar descaracterizá-la, tirando-lhe sua característica própria, sem consultar a Mitra, constitui uma afronta", declarou Dom Dadeus em artigo publicado no Jornal do Comércio de Porto Alegre, no dia 1º deste mês.

"O que mais dói no caso do Hospital de Clínicas", de acordo com o arcebispo, "não é o desrespeito para com a Igreja Católica, nem a exclusão das imagens, mas a expulsão de Cristo, presente no sacrário, do seu recinto. Isto não pode deixar ninguém insensível!".

"Até agora, não recebi comunicação. Quando tiver uma notícia oficial, vamos tomar as medidas também. Acho que foi um ato de desrespeito à Igreja Católica", diz Dom Dadeus.

O escritor Percival Puggina, em artigo publicado no dia 4 deste mês no Jornal Zero Hora de Porto Alegre, também critica a decisão do HCPA. "Se 80% da população de um país é católica, desconhecê-lo não é apenas expressão de pouco senso: é agressão a um valor essencial da política e da democracia. É perder o sentido de proporcionalidade essencial à Justiça!"

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Bispos espanhois: um povo sem seus símbolos é indefeso



"Atentar contra os símbolos dos valores que plasmaram a história e a cultura de um povo é deixá-lo indefeso diante de outras ofertas culturais nem sempre positivas, e obscurecer as fontes fundamentais da ética e do direito que têm se mostrado fecundas no reconhecimento, promoção e tutela da dignidade da pessoa".

É o que assinala uma declaração da Comissão Permanente da Conferência Episcopal Espanhola (CEE), publicada por ocasião da resolução, a ser publicada no próximo 30 de junho, do Tribunal Europeu de Direitos Humanos referente ao recurso apresentado pela Itália sobre a retirada dos crucifixos das escolas públicas.

Os bispos da Comissão sublinharam a importância da exposição pública de símbolos religiosos, em especial nos ambientes em que são educadas as crianças, a fim de transmitir sua identidade e valores.

"As sociedades de tradição cristã na devem se opor à exposição pública de seus símbolos religiosos, particularmente nos locais onde se educam as crianças", assinala a declaração.

"Em caso contrário, estas sociedades dificilmente lograrão transmitir às gerações futuras a identidade e os valores que a ela pertencem".

"Se tornarão assim sociedades contraditórias, que rejeitam a herança espiritual e cultural na qual se firmam suas raízes e interrompem seu caminho em direção ao futuro".

A declaração da comissão da CEE se une às de outras conferência episcopais, personalidades e organismos da Europa que ergueram voz em defesa da exposição pública do crucifixo também nas escolas.

"É justamente graças ao cristianismo que a Europa soube consolidar a autonomia dos campos espiritual e secular e abrir-se para o princípio da liberdade religiosa, respeitando tanto os direitos dos crentes como os dos não crentes", constatam os prelados.

Para os bispos, "a presença de símbolos religiosos cristãos nos âmbitos públicos, em particular a presença do crucifixo, reflete o sentimento religioso dos cristãos de todas as confissões e não pretende excluir ninguém".

"Ao contrário, é a expressão de uma tradição da qual todos reconhecem grande valor e um catalisador do diálogo entre as pessoas de boa vontade, bem como um amparo para todos os que sofrem ou estão em necessidade, sem distinção de fé, raça ou nação".

"A declaração lembra ainda que "na cultura e tradição religiosa cristã, a cruz representa a salvação e a libertação da humanidade", dizem os bispos.

"Da cruz nascem o altruísmo e a generosidade mais puros, bem como uma solidariedade sincera oferecida a todos, sem nada impor a ninguém".

O texto conclui afirmando que "somente em uma Europa em que sejam respeitadas ao mesmo tempo a liberdade religiosa de cada um e as tradições de cada povo ou nação, é que se poderá desenvolver relações adequadas entre as religiões e os povos, na justiça e na liberdade".

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Cardeal Herranz: sentença contra Crucifixo é expressão de “fundamentalismo laicista”



A sentença do Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH) que proíbe a exposição do crucifixo nas salas de aula italianas é expressão de um “fundamentalismo laicista”, segundo as palavras do cardeal Julián Herranz Casado, presidente emérito do Conselho Pontifício para os Textos Legislativos.

O purpurado interveio na última terça-feira na mesa-redonda realizada em Roma por iniciativa da presidência do Conselho de Ministros do Governo Italiano, responsável pelo recurso apresentado junto à Corte de Estrasburgo, que se pronunciará a respeito em 30 de junho próximo.

O “fundamentalismo laicista”, explicou o cardeal espanhol, “ao afastar-se da concepção correta de ‘laicidade’, pretende relegar a fé cristã e o fenômeno religioso em geral ao âmbito privado da consciência pessoal, excluindo qualquer símbolo religioso ou manifestação exterior de fé da esfera pública e das instituições civis”.

O purpurado analisou as motivações desta visão equivocada do princípio da laicidade que estariam por trás desta sentença, segundo a qual a exposição do crucifixo nas escolas constituiria uma pressão moral sobre os alunos em formação e uma agressão à sua liberdade de aderir ou não a uma religião qualquer.

Em primeiro lugar, explicou o cardeal Herranz Casado na reunião, “tal sentença não encontra fundamentação, uma vez que a simples exposição do crucifixo não pode ter caráter discriminatório nem ferir a liberdade religiosa de alunos não cristãos, e ainda desrespeita os direitos dos alunos cristãos das escolas italianas no que se refere ao artigo 18 da Declaração Universal dos Direitos Humanos”.

“Esta, de fato, garante o direito à liberdade religiosa, a qual inclui a liberdade de manifestar, seja individualmente ou em grupo, seja publicamente ou em particular, a própria religião”, lembrou o cardeal.

Em segundo lugar, indicou que “a sentença não ponderou suficientemente que a ‘laicidade’ representa, em si, um princípio constitutivo dos Estados democráticos, mas são estes que determinam, nos casos particulares, suas formas concretas de atuação, à luz das circunstâncias e tradições locais”.

“Não se trata de um princípio ideológico a ser imposto à sociedade violentando as tradições, sentimentos e crenças religiosas de seus cidadãos”, assinalou.

Para o cardeal Herranz, “também o conceito de ‘neutralidade’ religiosa segundo a sentença da Corte de Estrasburgo é interpretado no sentido ideológico de um relativismo agnóstico (...). A neutralidade do Estado significa apenas que nenhuma religião terá caráter estatal, mas não que o Estado deva ser ‘anticonfessional’”.

“Tal postura de rejeição da religião faria do ateísmo uma espécie de ideologia ou religião oficial do Estado”, acrescentou.

O purpurado ressaltou que “a experiência já demonstrou” que proibições do gênero – como a aprovada na França em 2004, “não favorece a integração”, e citou um artigo publicado no Herald Tribune em 2008 segundo o qual, na França, um número crescente de famílias muçulmanas optava por matricular seus filhos em escolas católicas.

O cardeal concluiu pedindo às instituições da União Europeia que defendam estes direitos garantidos pela Declaração Universal dos Direitos Humanos.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Bispos gregos advertem contra retirada do crucifixo



Os bispos católicos gregos advertiram que a proibição da exposição do crucifixo em repartições públicas não contribuirá para a convivência pacífica na Europa.

É o que afirmam em um comunicado divulgado em 11 de junho pelo Santo Sínodo da Hierarquia Católica da Grécia, por ocasião da decisão judicial de 30 de junho referente ao recurso da Itália, apoiado por outros países da União Europeia, sobre a sentença que obriga a retirada dos crucifixos das repartições públicas.

O comunicado é assinado pelo presidente do Sínodo, Dom Franghiskos Papamanolis, bispo de Santorini e vigário de Creta, e pelo secretário do órgão, Dom Nikolaos Printesis, arcebispo de Naxos, Andros, Tinos e Mykonos e vigário de Chios.

Para os prelados, “a condenação da Itália, um país de cultura cristã universal e tradição histórica, cuja capital é também sede da Santa Sé Apostólica do Bispo de Roma e centro da Igreja Católica, seria o mais importante de uma série de ações já explicitadas, entre as quais a recusa dos dirigentes políticos e representantes dos países europeus em reconhecer na Constituição as raízes cristãs de nosso velho continente”.

“Uma pequena minoria pode impedir que uma vasta maioria expresse sua fé em conformidade com as tradições de seu povo, mas que ao mesmo tempo, não permitirá que as minorias religiosas sejam impedidas de expressar sua própria fé”, diz o comunicado.

Os prelados insistem no fato de que “o respeito recíproco às tradições religiosas é necessário numa sociedade que se torna cada vez mais multicultural”.

Esta é a única maneira de se “assegurar a convivência pacífica entre todos os credos e tradições, condenando toda forma de fundamentalismo religioso, que só trouxe dor à humanidade”.

Para os bispos gregos, “não se deve proibir a exibição pública de símbolos cristãos em sociedades que têm séculos de tradição cristã, especialmente nos ambientes em que se desenvolve a autoconsciência religiosa das crianças e dos jovens”.

“Seria uma contradição negar o patrimônio espiritual e cultural de um país, cujas raízes fazem parte do futuro”, concluem os prelados.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

"Crucifixo é patrimônio religioso e cultural da Europa e expressão de liberdade e democracia", dizem bispos europeus



O crucifixo é um "patrimônio religioso e cultural" dos países europeus e "expressão de liberdade e de democracia", afirmam os bispos da Grécia e da Eslovênia. Após os prelados italianos, que se manifestaram ontem através da presidência da Conferência Episcopal italiana, as conferências episcopais de outros dois países europeus, Grécia e Eslovênia, falaram hoje sobre o tema, em vista da decisão final da Corte Europeia dos Direitos Humanos sobre a exposição de símbolos religiosos, em particular crucifixos, em logradouros públicos, esperada para o dia 30 de junho.

"Nos países de secular tradição cristã, a exposição de símbolos religiosos não deveria ser vetada, em particular nos lugares onde se forma a consciência das crianças e dos jovens. Do contrário seria uma contradição e uma negação do patrimônio religioso e cultural de um país", afirma nota publicada hoje pela Conferência Episcopal da Grécia. Além disso, os bispos gregos desejam um recíproco respeito pelas maiorias e minorias religiosas, para garantir a coexistência pacífica de todas as religiões e condenam toda forma de fundamentalismo religioso.

"Uma pequena minoria não deveria impedir à grande maioria o exercício da própria fé religiosa, segundo as tradições do povo. Da mesma forma, a maioria não deve impedir o mesmo à minoria", lê-se na declaração.

Os bispos da Eslovênia, por sua vez, recordam na sua nota que "o crucifixo é um símbolo que reflete não somente a herança religiosa, mas também cultural das nações europeias", cuja exposição foi "expressamente apoiada por convenções e acordos europeus". Além disso, como outros símbolos religiosos em lugares públicos, "não servem como forma de discriminação ou exclusão, sendo mais uma expressão de liberdade e de democracia, além de respeito pela tradição secular de cada uma das nações europeias".

Os bispos gregos veem a condenação da Itália como o "início de uma série de procedimentos que se perfilam no horizonte e que se referem à rejeição de alguns líderes políticos e representantes da comunidade europeia de reconhecer na Constituição europeia as raízes cristãs do continente". A Conferência Episcopal da Eslovênia exprime na sua nota o "apoio" aos bispos italianos e a outros países europeus que se opõem à iminente decisão da Corte Europeia dos direitos humanos.

"A Eslovênia, assim como outros países europeus, é literalmente salpicada de igrejas, crucifixos e outras imagens e símbolos religiosos em lugares públicos, que representam toda a herança nacional e cultural do país", observam bispos eslovenos, que classificam a remoção de "separação forçada da identidade nacional de suas tradições espirituais e culturais".