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domingo, 21 de fevereiro de 2010

Cartaz da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2010


" Vocês não podem servir á Deus e ao Dinheiro " - Mt 6,24. Com esta frase em destaque, o cartaz desta Campanha da Fraternidade apresenta o desafio de uma escolha quotidiana em nossa vida.

O fundo escuro evoca a penumbra de um templo onde, no recolhimento da oração, as mãos em atitude de súplica diante de uma vela feita não de cera, mas de dinheiro, revelam o drama do ser humano que precisa de bens materiais para satisfazer suas necessidades, mas que pode também se tornar escravo da ganância. Aquelas mãos suplicantes dirigem uma prece a Deus, ou ao Dinheiro como se fosse Deus ? É a luz de Deus que ilumina ou é o cintilar do ouro que atrai ?

O cintilar do ouro e das moedas, porém, se mistura facilmente com a ambição e o desamor. Você pode se tornar escravo dos bens materiais e depositar neles a sua segurança. Você pode viver acumulando dinheiro e propriedades como se deles dependesse a sua vida. Você não pensa que seus bens podem ser supérfluos e suas necessidades podem ser imaginárias, induzidas pela propaganda, pela moda, pelas promoções de fim de semana. Você também acaba esquecendo que há crianças abandonadas, pobres morando nas ruas, pessoas famintas e doentes, e fica cuidando do seu dinheiro como se fosse Deus, fechando os olhos sobre as necessidades do próximo.

Este Cartaz convida você a se libertar da dependência dos bens materiais. A pôr a sua confiança em Deus. A fugir da ganância e do egoísmo. A cultivar sentimentos de fraternidade. A contribuir com o seu trabalho e os seus bens, para a construção de um mundo mais justo e solidário.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Campanha da Fraternidade Ecumênica 2010


Mais uma vez entramos no Tempo da Quaresma, um tempo forte, para conversão, oração, jejum e penitência.
E a Igreja no Brasil nos convida há mais de 40 anos, nesse tempo a meditarmos sobre a Campanha da Fraternidade.
Ela é realizada em âmbito nacional, e sua abertura oficial em todas as Arquidioceses, Dioceses, Prelazias, Paróquias, Comunidades é na Quarta – Feira de Cinzas e se encerra no Domingo de Ramos com a Coleta Nacional da Solidariedade.
Esse ano, por sua vez, a Campanha da Fraternidade é Ecumênica, realizada pelo CONIC = Conselho Nacional de Igrejas Cristãs. Essa é a terceira Campanha da Fraternidade Ecumênica, as outras duas foram realizadas em 2000 e 2005.
Foi proposto que a cada cincos anos a Campanha da Fraternidade seja Ecumênica.
Esse ano, a Campanha tem como tema: “Economia e Vida”, e como lema:” Vocês não podem servir á Deus e ao Dinheiro” – Mt 6,24.
Essa campanha vem nos lembrar que vivemos para Deus e não para o dinheiro, vem nos lembrar que nossa opção preferencial é pelos pobres e excluídos
Muitas vezes esquecemos-nos do Bem Comum, e acreditamos que o Ter, o Ser e o Poder sejam mais importantes que a Fé em Deus que é Trindade.
A CFE vem nos convidar a Conclamar, Educar e Denunciar. Conclamar a todos e todas para construir uma nova sociedade; Educar essa mesma sociedade afirmando que um novo modelo econômico é possível, e Denunciar as distorções da realidade econômica existente, para que a Economia esteja a Serviço da Vida.
Temos que entender que Economia significa = Administrar os Bens da Casa e não o que pensamos que Economia é o que temos guardado no banco. Ela vem nos ajudar a providenciar tudo o que é necessário á sobrevivência.
A CFE deve ser trabalhada em quatro níveis : Pessoal, Eclesial, Comunitário e Social.
A Igreja tem que voltar a ter voz e vez para denunciar tudo que ofende a Vida, lembrando que há alguns anos a Igreja no Brasil fez a Opção Preferencial pelos Pobres.
Só para saber, no Brasil quem ganha mais paga menos impostos e quem ganha menos paga mais impostos; temos que nos unir para que isso acabe, pois o Ressuscitado caminha conosco e não quer divisão e sim UNIÃO.
Vamos entender e ouvir o que a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2010 vem nos convidar a fazer.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

CNBB aprova tema e lema da Campanha da Fraternidade 2011




Nos últimos dias 15 e 16 de junho, o Conselho Episcopal de Pastoral da CNBB (Consep) se reuniu, em Brasília, para avaliar a Campanha da Fraternidade 2009 (CF) e escolher os temas e lemas para a Campanha de 2011.Foi escolhido, portanto, para 2011, o tema “Fraternidade e a vida no planeta” e o lema “A criação geme em dores de parto”. Em 2010, a campanha será ecumênica e terá como tema “Economia e vida” e lema “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro”, escolhido no ano passado.“A reunião acontece todos os anos e tem como finalidade avaliar a campanha do ano corrente, apresentar a campanha do ano seguinte e a escolha do tema e do lema para a campanha de dois anos depois”, afirmou o secretário executivo da CF, padre José Adalberto Vanzella.

Avaliação da CF 2009

É feita pelo Consep, juntamente com os responsáveis pela CF nos regionais e pelos assessores da CNBB.Padre José Vanzella apresentou os números da avaliação colhidos a partir de questionários enviados às dioceses e regionais. A análise dos dados, enviados pela internet, teve o auxílio da professora da Universidade Católica de Brasília (UCB), Maria Valéria. O resultado mostra que a Campanha foi realizada com êxito e que a Via Sacra foi um dos subsídios mais usados pelas paróquias.Uma preocupação do Consep foi o baixo número de dioceses que participaram da avaliação, apenas 17% respondendo ao questionário. Segundo padre Vanzella, esse número aumentou em relação ao ano passado.Ainda de acordo com o padre Vanzella, após a escolha dos temas, o próximo passo será a realização de um seminário que acontecerá nos dias 10 e 11 de setembro, na sede da CNBB em Brasília, para estabelecer os assuntos e as estruturas para a Campanha de 2011 e, posteriormente, apresentá-las para aprovação dos bispos.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

A Paz é Fruto da Justiça - Is 32,17


" A Paz é Fruto da Justiça" - Com esse lema, a CNBB motiva a CF/2009, que tem como tema: “Fraternidade e Segurança Pública”. Não há necessidade de justificar essa opção, porque a violência domina o Brasil, tento nas capitais como no interior, e cresce assustadoramente, resistindo a medidas já tomadas para o seu combate. O poder constituído apresenta projetos, da cabeça do povo saem sugestões, mas a sociedade brasileira ainda está muito distante de uma solução que resgate a tranqüilidade do povo e conduza os brasileiros para uma cultura de Paz.
A proposta da CF/2009 proclama, por meio do seu lema, que a violência é conseqüência da injustiça nas suas varias manifestações, também no que toca á igualdade. Infelizmente vivemos numa realidade profundamente injusta e desigual. A diferença entre o salário mínimo e os salários máximos vai muito além do admissível, permitindo que poucos tenham muito e muitos possuam pouco ou mesmo nada. Esse cenário social gera revolta manifestada nas formas mais brutais de agressividade. O combate á violência passa obrigatoriamente pela pratica da Justiça.
Há mais de meio século, quando as pessoas não viviam tão inseguras e temerosas como hoje, o Papa Pio XII já anunciava que a Paz é Fruto da Justiça. E agora, na primeira década do novo século, os bispos do Brasil compreendem que a luta pela Paz só será vitoriosa quando os povos e os governantes, os privilegiados e os excluídos fraternalmente se unirem para estabelecer a Justiça como primeira pedra da nova sociedade.

Segurança pública é tema da Campanha da Fraternidade




Com a Quarta-feira de Cinzas, a Igreja inicia a Quaresma, tempo litúrgico em preparação à Páscoa, a festa mais importante dos cristãos. É um tempo de oração, meditação, penitência e caridade, convidando todos à conversão. No tempo da Quaresma, a Igreja no Brasil celebra a Campanha da Fraternidade. É um projeto de evangelização libertadora que ressalta o valor da fraternidade, o espírito comunitário, apresentando a cada ano um tema específico, tratado à luz do projeto de Deus.Este ano, a Campanha da Fraternidade tem como tema “Fraternidade e segurança púbica” e como lema “A paz é fruto da justiça”. A CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil “pretende debater a segurança pública com a finalidade de colaborar na criação de condições para que o Evangelho seja mais bem vivido em nossa sociedade por meio da promoção de uma cultura de paz, fundamentada na justiça social.” (Texto-base da CF – apresentação)Os meios de comunicação noticiam diariamente casos de violência, injustiças que deixam nossa sociedade mais insegura, tornando a convivência entre as pessoas cada vez mais difícil. A CF quer ser um meio de conscientização de todos para que se crie uma cultura de paz.

OBJETIVO - Segundo o texto-base, o objetivo geral da CF “é suscitar o debate sobre a segurança pública e contribuir para a promoção da cultura da paz nas pessoas, na família, na comunidade e na sociedade, a fim de que todos se empenhem efetivamente na construção da justiça social que seja garantia de segurança para todos. A paz buscada é a paz positiva, orientada por valores humanos como a solidariedade, a fraternidade, o respeito ao ‘outro’ e a mediação pacífica dos conflitos, e não a paz negativa, orientada pelo uso da força das armas, a intolerância com os ‘diferentes’ e tendo como foco os bens materiais.” (Texto-base, 4)Para que o objetivo geral seja atingido, são propostos objetivos específicos, como: – desenvolver a capacidade de reconhecer a violência na sua realidade pessoal e social; – denunciar a gravidade dos crimes contra a ética, a economia e as gestões públicas, assim como a injustiça presente nos institutos da prisão especial, do foro privilegiado da imunidade parlamentar para crimes comuns; – fortalecer a ação educativa e evangelizadora, objetivando a construção da cultura da paz;– denunciar a predominância do modelo punitivo presente no sistema penal brasileiro, expressão de mera vingança, buscando-se meios para aplicação da justiça restaurativa; – desenvolver ações que visem à superação das causas e dos fatores da insegurança; despertar o agir solidário para com as vítimas da violência; – apoiar as políticas governamentais que valorizam os direitos humanos. (cf. texto-base, 5)

GESTO CONCRETO - A Campanha da Fraternidade também contempla um gesto concreto de partilha e solidariedade. No Domingo de Ramos, dia 5 de abril, realiza-se em todo o Brasil o Dia Nacional da Coleta da Solidariedade. Todas as doações realizadas nas igrejas do país são encaminhadas à respectiva diocese; esta, por sua vez, encaminha 40 por cento do total para o Fundo Nacional de Solidariedade da CNBB, que realiza diversos projetos sociais
CARTAZ - Um grupo da Agência Oficina Design & Comunicação, de Campinas, elaborou o cartaz da CF. O grupo foi vencedor do concurso nacional promovido pela CNBB, do qual participaram 47 cartazes.“O conceito principal da imagem é mostrar que a paz pode ser conseguida em qualquer nível cultural ou econômico e a cultura é uma forte ferramenta para conseguirmos a paz”, explicam os autores do cartaz vencedor Adauto Henrique Cavalcante e Luís Gustavo Cavalcante, de Mogi Mirim, e Nathália Bellan, Ana Paula Couto, Bianca Uehara Trava e Fernando Ribeiro Moretti, de Campinas.

HISTÓRICO DA CF - Em 1961, três padres responsáveis pela Cáritas Brasileira idealizaram uma campanha para arrecadar fundos para as atividades assistenciais e promocionais da instituição e torná-la autônoma financeiramente. A atividade foi chamada Campanha da Fraternidade e realizada pela primeira vez na quaresma de 1962, em Natal (RN), com adesão de outras três dioceses e apoio financeiro dos bispos norte-americanos. No ano seguinte, 16 dioceses do Nordeste realizaram a campanha. Não teve êxito financeiro, mas foi o embrião de um grande projeto anual de evangelização. A CF foi lançada, em nível nacional, no dia 26 de dezembro de 1963, sob o impulso renovador do espírito do Concílio Vaticano II e realizada pela primeira vez na Quaresma de 1964. Teve como tema “Igreja em Renovação” e como lema, “Lembre-se: você também é Igreja”.A Campanha da Fraternidade é uma atividade ampla de evangelização para ajudar os cristãos e as pessoas de boa vontade a viverem a fraternidade em compromissos concretos no processo de transformação da sociedade. É grande instrumento para desenvolver o espírito quaresmal de conversão, renovação interior e ação comunitária como a verdadeira penitência em preparação à Páscoa. É momento de conversão, de prática de gestos concretos de fraternidade.Tendo como motivação de fundo o mandamento do amor fraterno que os cristãos receberam de Jesus, a CF visa despertar e nutrir o espírito comunitário e a solidariedade na busca do bem comum. Tem como finalidade educar para a vida fraterna, a justiça e a caridade, que são exigências centrais do Evangelho. Também tem por meta a renovação da consciência sobre a responsabilidade de todos na promoção humana e na edificação de uma sociedade justa e solidária A CF propõe temas de reflexão e conversão relativos às várias situações sociais e existenciais do povo brasileiro, que requerem mais fraternidade.

Mensagem do Papa por ocasião da Campanha da Fraternidade




O Papa Bento XVI enviou uma mensagem ao Presidente da CNBB, Dom Geraldo Lyrio Rocha, arcebispo de Mariana (MG), por ocasião da Campanha da Fraternidade 2009:
"Ao iniciar o itinerário espiritual da Quaresma, a caminho da Páscoa da ressurreição do Senhor, desejo uma vez mais aderir à Campanha da Fraternidade que, neste ano de 2009, está destinada a considerar o lema "A paz é fruto da justiça". É um tempo de conversão e de reconciliação de todos os cristãos, para que as mais nobres aspirações do coração humano possam ser satisfeitas, e prevaleça a verdadeira paz entre os povos e as comunidades.
Meu Venerável predecessor, o Papa João Paulo II, no Dia Mundial da Paz de 2002, ao ressaltar precisamente que a verdadeira paz é fruto da justiça, fazia notar que "a justiça humana é sempre frágil e imperfeita" devendo ser "exercida e de certa maneira completada com o perdão que cura as feridas e restabelece em profundidade as relações humanas transtornadas".
O Documento final de Aparecida, ao tratar do Reino de Deus e a promoção da dignidade humana, recordava os sinais evidentes da presença do Reino na vivência pessoal e comunitária das Bem-aventuranças, na evangelização dos pobres, no conhecimento e cumprimento da vontade do Pai, no martírio por causa da fé, no acesso de todos os bens da criação, e no perdão mútuo, sincero e fraterno, aceitando e respeitando a riqueza da pluralidade, e a luta para não sucumbir à tentação e não ser escravos do mal.
A Quaresma nos convida a lutar sem esmorecimento para fazer o bem, precisamente por sabermos como é difícil que nós, os homens, nos decidamos seriamente a praticar a justiça - e ainda falta muito para que a convivência se inspire na paz e no amor, e não no ódio ou na indiferença. Não ignoramos também que, embora se consiga atingir uma razoável distribuição dos bens e uma harmoniosa organização da sociedade, jamais desaparecerá a dor da doença, da incompreensão ou da solidão, da morte das pessoas que amamos, da experiência das nossas limitações.
Nosso Senhor abomina as injustiças e condena quem as comete. Mas respeita a liberdade de cada indivíduo e por isso permite que elas existam, pois fazem parte da condição humana, após o pecado original. Contudo, seu coração cheio de amor pelos homens levou-o a carregar, juntamente com a cruz, todos esses tormentos: o nosso sofrimento, a nossa tristeza, a nossa fome e sede de justiça. Vamos pedir-lhe que saibamos testemunhar os sentimentos de paz e de reconciliação que O inspiraram no Sermão da Montanha, para alcançar a eterna Bem-aventurança.
Com estes auspícios, invoco a proteção do Altíssimo, para que sua mão benfazeja se estenda por todo o Brasil, e que a vida nova em Cristo alcance a todos em sua dimensão pessoal, familiar, social e cultural, derramando os dons da paz e da prosperidade, despertando em cada coração sentimentos de fraternidade e de viva cooperação. Com uma especial Bênção Apostólica”.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

CF - 2009




A Igreja Católica no Brasil promove, mais uma vez, a Campanha da Fraternidade. Neste ano de 2009 o tema versa sobre a “Fraternidade e a Segurança Pública”. A promoção da Campanha da Fraternidade, ultrapassados 40 anos desta prática, é uma promoção da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, convocando as comunidades de fé e congregando, em mutirão e cooperação, diferentes segmentos da sociedade brasileira em torno de uma questão da mais alta importância para a vida de todos. A Igreja pretende, pois, com esta Campanha, debater sobre a segurança pública com a finalidade de contribuir, à luz do Evangelho de Jesus Cristo, fonte inesgotável de valores e princípios, para que a sociedade avance no compromisso e na promoção da cultura da paz. Uma cultura da paz fundamentada e comprometida com a justiça social. A Igreja, pois, com sua ação evangelizadora, adentra em questões complexas que estão configurando as feições da sociedade brasileira contemporânea. Injustiças e violências estão grassando por todo lado na terra de Santa Cruz. A sociedade se torna cada vez mais um palco de inseguranças, gerando um sério comprometimento na convivência humana.
É preciso reverter este quadro. É uma aposta que não pode ser, absolutamente, descartada. Pelo contrário, é preciso enraizar as motivações e produzir lucidez gerando convicções para que um novo cenário seja desenhado como pano de fundo para a sociedade. Esta aposta numa reversão deste quadro complexo que se apresenta hoje não se conseguirá apenas com reformas paliativas, escondendo no seu bojo os interesses cartoriais de grupos e a desonestidade de tantos manipulando legislações, devorando os bens dos pobres e criando cercas para delimitar campos de defesas para as minorias privilegiadas. A revolução que o cenário violento e injusto posta na sociedade brasileira só poderá ter reversões substantivas na medida em que o ponto de partida for uma referência ética e moral. O Evangelho de Jesus Cristo é esta referência. Supõe sua escuta atenta e humilde.
A Campanha da Fraternidade, então, é promovida durante o tempo quaresmal para que o apelo à conversão, convite próprio e especial deste tempo, abra os ouvidos e o coração de todos para melhor enxergar os desafios múltiplos e complexos da realidade. Não basta apenas discorrer, analisar e explicar acerca da violência que amedronta na vida da sociedade. Nem também é qualificado lamentar a respeito de situações e acontecimentos. É preciso promover uma sensibilização produtora de gestos concretos e comprometimentos mais efetivos no coração e na vida das pessoas, levando-as a reconhecer a violência na sua realidade pessoal e social. A consideração das configurações estruturais e conjunturais da violência não dispensa o confronto de cada pessoa com sua própria responsabilidade. Ora, o problema da violência e a promoção da cultura da paz dependem e exigem uma postura própria de cada pessoa.
Esta dimensão de comprometimento pessoal se desdobra na direção do compromisso de denunciar a gravidade dos crimes contra a ética, a economia e as gestões públicas. Este âmbito, é uma convicção social, é um lamaçal terrível. Assim como noutros âmbitos importantes, a Igreja propõe, pela força do Evangelho e de seu compromisso ético, fortalecer a ação educativa e evangelizadora para alavancar a promoção e a cultura da paz. Ora, é preciso crescer na conscientização acerca da negação de direitos como causa de violência. A superação da violência é, pois, uma tarefa prioritária na sociedade brasileira. Esta tarefa não será realizada e suas metas não serão alcançadas sem o comprometimento efetivo de todos os segmentos da sociedade brasileira. Bem assim, não se mantém num ritmo adequado às exigências e demandas faltando uma iluminação ética incidente e interpeladora.
Esta iluminação ética a Igreja Católica tem como oferta, depositária que é do mandato do seu Senhor para o anúncio do Evangelho. Se é verdade que a segurança pública é dever do Estado, também é direito e responsabilidade de todos. Todas as pessoas aspiram por segurança e estão preocupadas com o problema da falta de segurança pública manifestada na violência no trânsito, no tráfico de drogas, nos cárceres, no tráfico de armas e de pessoas, nas desigualdades sociais, na miséria e na fome, na corrupção. Ao promover a Campanha da Fraternidade 2009 a Igreja Católica se engaja e trabalha para convencer a sociedade inteira acerca da convicção de que a cultura da paz é o maior patrimônio de uma sociedade e que sua conquista não depende apenas e não se resume em discursos ou mesmo só em conjunto de propostas. Na verdade, é um investimento maciço numa mentalidade que determine e modifique o modo de pensar e agir das pessoas. Na verdade, é uma cultura. Este é o compromisso de uma Igreja perita em humanidade! - Dom Walmor Oliveira de Azevedo

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Secretário da CNBB fala sobre a Campanha da Fraternidade












Faltando poucos dias para a abertura da Campanha da Fraternidade (CF), o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Dimas Lara Barbosa, em entrevista exclusiva à Assessoria de Imprensa da CNBB, explica os objetivos desta Campanha que convoca a sociedade brasileira a debater o tema da Segurança Pública. Fala da indústria da violência e do medo, além de apontar as ações práticas em favor de uma cultura de paz. Dom Dimas explica, ainda, o processo de escolha dos temas, realizado dois anos antes do lançamento da Campanha da Fraternidade.“Nosso objetivo é suscitar um debate sobre a questão da Segurança Pública e as causas da violência, sobre a cultura do medo, que reina em muitos lugares, e promover uma cultura da paz, em todos os âmbitos”, afirma dom Dimas ao esclarecer os objetivos da Campanha da Fraternidade de 2009. Com o tema “Fraternidade e Segurança Pública”, a campanha será aberta no próximo dia 25, Quarta-feira de Cinzas, durante a missa das 9h, no Basílica Nacional de Senhora Aparecida, em Aparecida (SP). A missa será presidida pelo arcebispo de Aparecida, dom Raymundo Damasceno Assis, e concelebrada por dom Dimas. Após a missa, os bispos darão uma entrevista coletiva.Segundo dom Dimas, é crescente a onda de violência no país e isso tem gerado medo na população. “A indústria do medo é um subproduto do sentimento de insegurança que as pessoas têm”, lembra o bispo. Entre as ações sugeridas pelo secretário-geral está a organização das chamadas Conferências Livres de Segurança Pública.Abaixo, a íntegra da entrevista. 1. Dom Dimas, que motivos levaram a CNBB a escolher Segurança Pública como tema da Campanha da Fraternidade (CF) deste ano?Dom Dimas - O tema da CF é sempre escolhido após uma mobilização das bases que coletam assinaturas nos Regionais1 e as enviam à CNBB defendendo temas que uma pastoral, movimento ou regional considera importante. Para 2009 havia mais de 20 propostas diferentes, entre as quais Segurança Pública, liderada pela Pastoral da Criança e pela Pastoral Carcerária. A Pastoral da Juventude e as pastorais sociais também propunham temas específicos, mas depois decidiram pelo tema da Segurança Pública, facilitando a votação. Esta votação é feita numa reunião especial do Conselho Episcopal Pastoral (Consep), da qual participam não só os bispos do Conselho e os assessores [da CNBB], mas também os delegados dos Regionais para a Campanha da Fraternidade. 2. Quais são os objetivos da CF 2009?Dom Dimas - A CF tem como objetivo mais profundo levar à vivência da Quaresma, tempo forte de conversão, em que por meio da oração, do jejum, da caridade, da escuta da Palavra, da vida comunitária, nos preparamos para viver de maneira mais concreta a própria Páscoa. A Campanha deste ano mostra a preocupação da Igreja com o problema da violência e da insegurança que assola a sociedade de maneira geral, nos grandes centros, no interior e no campo. Nosso objetivo é suscitar um debate sobre a questão da Segurança Pública, [conhecer] as causas da violência e a cultura do medo que reina em muitos lugares. Queremos promover uma cultura da paz em todos os âmbitos. 3. Em 1983, a Campanha da Fraternidade abordou o tema Fraternidade e Violência; em 2005, a promoção de uma cultura de paz. O que leva a Igreja a retomar tais temas em 2009? Dom Dimas - De fato, o texto-base da CF deste ano retoma temas que já foram abordados em campanhas anteriores como “Fraternidade e os encarcerados”; “Fraternidade sim, violência não”; a problemática dos menores e do desemprego. Todos esses temas são recolhidos e atualizados [no texto da Campanha deste ano]. Existem certos temas [que acabam voltando] como, por exemplo, o problema ecológico discutido em 1979 com a campanha “Preserve o que é de todos”. Essa temática é retomada nas campanhas sobre a água (2004) e a Amazônia (2007). Já tivemos também uma CF sobre as drogas, que é uma das causas da violência. Todos esses problemas são complexos e interdisciplinares, por isso é muito importante que sejam retomados. Os jovens, por exemplo, queriam de novo uma CF sobre a juventude, já que a Assembléia dos Bispos, há dois anos, aprovou um documento sobre a Evangelização da Juventude. No entanto, quando eles perceberam que a Pastoral Carcerária e a Pastoral da Criança estavam se mobilizando em torno do tema da Segurança Pública, eles mesmos abriram mão da sua proposta, porque têm consciência de que as principais vítimas da violência são os jovens. 4. Dom Dimas, o texto-base da CF 2009 fala em conflito e violência. Qual a diferença entre esses dois atos? Como lidar com cada tipo de situação? Dom Dimas - Pode haver um conflito de idéias ou de decisões, por exemplo, no momento de uma assembleia escolher a prioridade da diocese ou da paróquia. Os conflitos podem surgir, inclusive, dentro da própria casa. A questão é a maneira como se vai resolver o conflito, se através do diálogo, buscando uma síntese, ou da força, da violência, de modo que as opiniões de uma pessoa prevaleçam diante da realidade do outro. Se por conflitos entendemos divergências, é evidente que ao se trabalhar juntos, eles vão surgir. O conflito não precisa necessariamente levar à violência. Queremos trabalhar o conflito através do diálogo. Para mediar os conflitos mais sérios, podemos criar, no nível de Igreja, um ministério e, no nível dos poderes públicos, uma atividade institucional. Atualmente o principal mediador de conflitos é o juiz, o sistema judiciário que, diante de um conflito de interesses, verifica, à luz da legislação, quem é que tem razão. Existem propostas de leis para se ampliar essa mediação de conflitos de modo que não apenas advogados, mas também psicólogos, teólogos, possam atuar como mediadores de conflitos, por exemplo, entre casais.5. E a violência?Dom Dimas - Se a violência existe, ela precisa ser denunciada. A sociedade tem o direito de defender, sobretudo, aqueles que são mais vulneráveis. Sabemos que existe a violência doméstica gravíssima, sobretudo, contra a mulher e a criança. Existe a violência dos grupos do crime organizado; há a violência tanto praticada quanto sofrida por policiais; existe o racismo, violência simbólica. Isso sem contar os abusos explícitos no que diz respeito aos direitos humanos: tortura nas prisões, trabalho escravo. Há casos em que é possível fazer com que essas violências cessem através de uma mediação, de um trabalho de reconciliação e de perdão. Há excelentes trabalhos como o da Pastoral Familiar, Pastoral Carcerária, Pastoral do Menor, que ajudam pessoas que, muitas vezes, estão vivenciando uma verdadeira desestruturação psicológica e familiar. Existem outros casos, no entanto, em que é preciso a denúncia profética para que a força da autoridade pública se faça valer. Aí o judiciário e a polícia têm mais eficiência. Não somos contra uma ação da polícia, mas ela não precisa ser feita de modo a combater a violência com mais violência. Quando a violência existe, a postura tem de ser de defesa, sobretudo, dos inocentes e mais vulneráveis. 6. Como lidar com a indústria do medo?Dom Dimas – Há uma verdadeira indústria que vai se desenvolvendo, dos alarmes, dos seguranças particulares, dos carros blindados e até mesmo de certos programas de rádio e televisão, que só fazem aumentar o medo. Numa cidade do interior que visitei, foram instaladas mais de mil cercas elétricas nas casas. A indústria do medo é um subproduto do sentimento de insegurança que as pessoas têm. O que a gente tem de combater é a violência e a insegurança. À medida que elas são combatidas, essa indústria do medo perde sua eficácia. 7. Como a Igreja vai agir junto às comunidades para trabalhar um tema tão complexo como Segurança Pública?Dom Dimas – Acima de tudo a Campanha da Fraternidade quer suscitar o debate para que cada comunidade levante as situações de mais insegurança e violência presentes nela, questione sobre suas causas e procure se organizar para combatê-las pela raiz. Nesse sentido, a paz que queremos construir como fruto da justiça há de ser resultado de um mutirão, com a sociedade organizada atuando em parceria com as organizações da Igreja e o Poder Público para buscar soluções. O texto-base da CF, no entanto, apresenta, como sugestões, várias pistas de ação. Algumas, evidentemente, valem para todos, como procurar conhecer a Defensoria Pública e fazer parcerias com ela para que, por exemplo, os pobres tenham um advogado que os defenda em casos de necessidade. As comunidades podem participar das conferências municipais, estaduais e nacional de Segurança Pública, organizadas pelo Ministério da Justiça que permite, ainda, a realização das chamadas Conferências Livres. Elas podem ser organizadas por qualquer comunidade, associação de moradores, condomínios. As conclusões destas Conferências Livres podem ser enviadas diretamente para o Ministério da Justiça, sem a necessidade de passar pela Secretaria Estadual e Municipal de Segurança Pública. 8. Como despertar nas comunidades a responsabilidade pela Segurança Pública e pela promoção da cultura de paz? Dom Dimas - Através da própria dinâmica da CF, que apresenta diversos subsídios. O texto-base é apenas o texto fundamental, a partir do qual foram elaborados ourtos como celebrações penitenciais, via-sacra, círculos bíblicos, encontros para as famílias, para a juventude, para as escolas. Além disso, o tema da CF é apresentado no Congresso Nacional e o texto-base enviado aos deputados, ministros e outras autoridades. O tema é discutido também nas escolas e universidades. A CF atinge desde as populações ribeirinhas, no Amazonas, até os condomínios das nossas grandes cidades. Nenhum outro instrumento da Igreja Católica no Brasil tem uma capilaridade como essa. 9. A Campanha da Fraternidade tem um gesto concreto que é a Coleta da Solidariedade. Qual sua finalidade? Dom Dimas - O gesto concreto é uma atividade peculiar, enquanto se trata de uma doação em dinheiro feita na coleta do domingo de Ramos. Com isso é constituído o Fundo Nacional de Solidariedade que financia projetos das mais diversas comunidades. Centenas de projetos, pequenos, médios e grandes, são financiados a partir desta colaboração. Essa é outra forma de colaborar com a Campanha da Fraternidade. 1. São 17 os Regionais da CNBB (Norte 1 e 2; Nordeste 1, 2, 3, 4, 5; Noroeste; Oeste 1 e 2; Centro Oeste; Leste 1 e 2; Sul 1, 2, 3, 4). Alguns Regionais são formados por dioceses de estados vizinhos, outros por dioceses de um único estado.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Abertura da CF 2009 será no Santuário Nacional


A Campanha da Fraternidade 2009 (CF), promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), terá sua abertura no dia 25 de fevereiro, na Basílica Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP). O tema deste ano é "Fraternidade e Segurança Pública". Esta é a segunda vez que a abertura da CF não é feita em Brasília. Em 2007, a Campanha abordou o tema "Amazônia" e teve sua abertura em Belém (PA).De acordo com o secretário-executivo da CF, Padre José Adalberto Vanzella, a abertura da CF será durante a Missa da Quarta-feira de Cinzas (25/02), às 9h, na Basílica de Aparecida, seguida de uma entrevista coletiva. Segundo ele, o principal motivo para a realização do evento em Aparecida, e não na sede da CNBB como de costume, é mostrar o vínculo entre a Campanha da Fraternidade e o Tempo Quaresmal, "de modo que a mesma celebração que abre o Tempo Quaresmal dá início também à Campanha da Fraternidade". "Aparecida foi escolhida por ser o Santuário Nacional, já que a Campanha da Fraternidade também é nacional", resume o secretário. A Missa será presidida pelo Arcebispo de Aparecida, Dom Raymundo Damasceno Assis, e a homilia será proferida pelo secretário geral da CNBB, Dom Dimas Lara Barbosa.Segurança PúblicaConforme o texto base publicado pela CNBB, com a Campanha a Igreja do Brasil quer "suscitar o debate sobre a segurança pública e contribuir para a promoção da cultura da paz nas pessoas, na família, na comunidade e na sociedade, a fim de que todos se empenhem efetivamente na construção da justiça social que seja garantia de segurança para todos".Segundo Padre Vanzella, a Campanha da Fraternidade deste ano "mostra a preocupação da Igreja no Brasil em criar condições para que o Evangelho seja mais bem vivido em uma sociedade que, a cada dia, se torna mais violenta e insegura para as pessoas e procura contribuir para que este processo seja revertido através da força transformadora do Reino de Deus"."A paz buscada é a paz positiva, orientada por valores humanos como a solidariedade, a fraternidade, o respeito ao "outro" e a mediação pacífica dos conflitos, e não a paz negativa, orientada pelo uso da força das armas, a intolerância com os "diferentes", e tendo como foco os bens materiais", conclui.