Mostrando postagens com marcador Cúria Romana. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cúria Romana. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 15 de julho de 2010

O significado das novas "Normas sobre os delitos mais graves"


O significado da publicação das novas "Normas sobre os delitos mais graves"

Nota do diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi



Em 2001, o Santo Padre João Paulo II promulgou um decreto de extrema importância, o Motu Proprio "Sacramentorum Sanctitatis tutela", que atribuía à Congregação para a Doutrina da Fé a competência para tratar e julgar no âmbito do ordenamento canônico uma série de delitos particularmente graves, cuja competência anteriormente correspondia também a outros dicastérios ou não estava totalmente clara.

O Motu Proprio (a "lei", em sentido estrito) estava acompanhado por uma série de normas aplicativas e de procedimentos denominados "Normae de gravioribus delictis" ("Normas sobre os delitos mais graves"). A experiência acumulada no transcurso de novo anos consecutivos sugeriu a integração e atualização de tais normas, a fim de agilizar ou simplificar os procedimentos, tornando-os mais eficazes, bem como levar em conta novas questões. Isso se deveu, principalmente, à atribuição, por parte do Papa, de novas "atribuições" à Congregação para a Doutrina da Fé que, no entanto, não haviam sido incorporadas organicamente nas "Normas" iniciais. Essa incorporação é a que acontece agora, no contexto de uma revisão sistemática de ditas "Normas".

Os delitos gravíssimos aos que se referia essa normativa dizem respeito a realidades chave para a vida da Igreja, ou seja, aos sacramentos da Eucaristia e da Penitência, mas também aos abusos sexuais cometidos por um clérigo com um menor de 18 anos.

A vasta ressonância pública nos últimos anos deste tipo de delito foi causa de grande atenção e de intenso debate sobre as normas e procedimentos aplicados pela Igreja para o julgamento e punição dos mesmos.

Portanto, é justo que haja total clareza sobre a normativa atualmente em vigor neste âmbito e que tal normativa se apresente de maneira orgânica, para facilitar, assim, a orientação de todos os que lidam com estas questões.

Uma das primeiras contribuições para esse esclarecimento - muito útil para os que trabalham no setor de informação - foi a publicação, há poucos meses, no site Internet da Santa Sé, de um breve "Guia para a compreensão dos procedimentos básicos da Congregação para a Doutrina da Fé com relação às acusações de abusos sexuais". No entanto, a publicação das novas Normas é diferente, já que apresenta um texto jurídico oficial atualizado, válido para toda a Igreja.

Para facilitar a leitura por parte do público não especializado, que se interessa principalmente na problemática relativa aos abusos sexuais, destacamos alguns aspectos.

Entre as novidades introduzidas com relação às normas precedentes, deve-se salientar acima de tudo as que visam tornar os procedimentos mais rápidos, bem como a possibilidade de não seguir "o caminho de processo judicial", mas proceder "por decreto extrajudicial", ou a de apresentar ao Santo Padre, em circunstâncias especiais, os casos mais graves, tendo em vista a demissão do estado clerical.

Outra norma destinada a simplificar problemas precedentes e levar em contra a evolução da situação na Igreja é a de que sejam membros do tribunal, os advogados ou procuradores, não somente os sacerdotes, mas também leigos. Da mesma forma, para desenvolver essas funções, já não é estritamente necessário o doutorado em Direito Canônico. A competência requerida pode-se demonstrar de outra forma, por exemplo, com um título de licenciatura.

Também deve-se ressaltar que a prescrição passa de dez para vinte anos, deixando aberta a possibilidade de revogação desse item após superado o período.

É significativa a equiparação aos menores das pessoas com uso limitado da razão, e a introdução de uma nova questão: a pedo-pornografia, que se define assim: "a aquisição, posse e divulgação" por parte de um membro do clero "de qualquer forma e por qualquer meio, de imagens pornográficas que tenham como objeto menores de 14 anos".

Volta-se a propor a normativa da confidencialidade dos processos, para tutelar a dignidade de todas as pessoas envolvidas.

Um ponto que não se menciona, embora muitas vezes discutido nestes tempos, tem a ver com a colaboração com as autoridades civis. Deve-se levar em contra que as normas que se publicam agora fazem parte do regulamento penal canônico, em si completo e totalmente independente do dos Estados.

Neste contexto, pode-se recordar, no entanto, o "Guia para a compreensão dos procedimentos básicos da Congregação para a Doutrina da Fé com relação às acusações de abusos sexuais", publicado no site da Santa Sé. Neste "Guia", a indicação: "Deve sempre seguir-se o direito civil em matéria de informação dos delitos às autoridades competentes" foi incluída na seção dedicada aos "Procedimentos Preliminares". Isso significa que na práxis proposta pela Congregação para a Doutrina da Fé é necessário se adequar desde o primeiro momento às disposições de lei vigentes nos diversos países e não de modo desvinculado do procedimento canônico ou posteriormente.

A publicação destas normas supõe uma grande contribuição para o esclarecimento e a certeza do direito em um campo no qual a Igreja, nestes momentos, está muito determinada a agir com rigor e transparência, para responder plenamente às justas expectativas de tutela da coerência moral e da santidade evangélica que os fiéis e a opinião pública nutrem com relação a ela, e que o Santo Padre reafirmou constantemente.

Naturalmente, também são necessárias outras diversas medidas e iniciativas, por parte de diversas instâncias eclesiásticas. A Congregação para a Doutrina da Fé, de sua parte, está estudando como ajudar aos episcopados de todo o mundo a formular e implementar com coerência e eficácia as indicações e diretrizes necessárias para afrontar o problema dos abusos sexuais contra menores por parte de membros do clero ou no âmbito de atividades ou instituições relacionadas à Igreja, tendo em conta a situação e os problemas da sociedade em que trabalham.

Os frutos dos ensinamentos e reflexões amadurecidas ao longo do doloroso caso da "crise" devida aos abusos sexuais por parte de membros do clero serão um passo crucial no caminho da Igreja, que deverá traduzi-los em práticas permanentes e ser sempre consciente delas.

Para concluir este breve levantamento das principais inovações contidas nas "Normas", também deve-se citar as relativas a delitos de outra natureza. De fato, também nestes casos, não se trata tanto de novas determinações na substância, mas de incluir normas já em vigor, a fim de obter uma normativa completa mais ordenada e orgânica sobre os "delitos mais graves" reservados à Congregação para a Doutrina da Fé.

Mais especificamente, foram incluídos: os delitos contra a fé (heresia, apostasia e cisma), para os quais são normalmente competentes os ordinários, mas a Congregação é competente em caso de apelação; a divulgação e gravação - realizadas maliciosamente - das confissões sacramentais, sobre as quais já se havia emitido um decreto de condenação em 1988; a ordenação de mulheres, sobre a qual também existia um decreto de 2007.

sábado, 3 de julho de 2010

Cúria Romana: saiba o que é e confira as últimas mudanças


Bento XVI nomeou nos últimos dias três novas presidências para os dicastérios da Cúria Romana, confirmando, assim, a tendência de renovação dos últimos anos, que já chega à quase totalidade das Congregações e Conselhos Pontifícios.

Desde a sua eleição, em abril de 2005, o Papa nomeou um novo Secretário de Estado, substituiu sete dos nove prefeitos das Congregações da Cúria Romana e nove dos onze presidentes dos Conselhos Pontifícios, tendo ainda criado um novo Conselho para a Nova Evangelização durante a última semana.

As últimas mudanças referem-se à nomeação do Cardeal Marc Ouellet como novo Prefeito da Congregação para os Bispos, do Arcebispo Kurt Koch como novo presidente do Pontifício Conselho para a promoção da Unidade dos Cristãos e, finalmente, do Arcebispo Rino Fisichella à frente do anunciado Conselho Pontifício para a Nova Evangelização.

A atual Cúria Romana - o conjunto dos dicastérios e dos organismos que auxiliam o Papa no exercício da sua missão – tem uma presença europeia muito significativa, sobretudo da Itália.

De fato, na lista de Congregações, Tribunais, Conselhos Pontifícios, Ofícios e Institutos da Cúria surgem 12 italianos em um total de 22 nomes europeus, quatro dos quais poloneses. A esses, somam-se três norte-americanos, um canadense, um brasileiro e um argentino. Gana e Índia completam a lista de países representados nas presidências.

São esperadas para breve novas mudanças entre os mais diretos colaboradores do Papa, dado que os Cardeais Paul Josef Cordes e Franc Rodé completam 76 anos em setembro, e Dom Antoni Stankiewicz cumpre em outubro 75 anos de idade, o limite imposto pelo Direito Canônico.

Veja a lista completa das presidências
(Indica-se o ano de nomeação para o cargo. Em itálico, os nomeados por João Paulo II)

Secretaria de Estado do Vaticano (Secretário) – Cardeal Tarcisio Bertone (Itália) - 2006

Congregações:

Doutrina da Fé – Cardeal William J. Levada (EUA) – 2005
Igrejas Orientais – Cardeal Leonardo Sandri (Argentina) – 2007
Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos – Cardeal Antonio Cañizares Llovera (Espanha) – 2008
Causas dos Santos – Arcebispo Angelo Amato (Itália) – 2008
Evangelização dos Povos – Cardeal Ivan Dias (Índia) – 2006
Clero – Cardeal Cláudio Hummes (Brasil) – 2006
Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica – Cardeal Franc Rodè (Eslovênia) – 2004
Educação Católica (Seminários e Institutos de Estudo) – Cardeal Zenon Grocholewski (Polônia) - 1999
Bispos – Cardeal Mar Ouellet (Canadá) – 2010

Tribunais:

Penitenciária Apostólica (Penitenciário-mor) – Arcebispo Fortunato Baldelli (Itália) – 2007
Assinatura Apostólica – Arcebispo Raymond Leo Burke (EUA) – 2008
Rota Romana – D. Antoni Stankiewicz (Polônia) – 2004


Pontifícios Conselhos:

Leigos – Cardeal Stanislaw Rylko (Polônia) - 2003
Promoção da Unidade dos Cristãos – Arcebispo Kurt Koch (Suíça) - 2010
Família – Cardeal Ennio Antonelli (Itália) - 2008
"Justiça e Paz" – Cardeal Peter Turkson (Gana) - 2009
"Cor Unum" – Cardeal Paul Josef Cordes (Alemanha) - 1995
Pastoral dos Migrantes e Itinerantes – Arcebispo Antonio Maria Vegliò (Itália) - 2009
Pastoral da Saúde – Arcebispo Zygmunt Zimowski (Polônia) - 2009
Textos Legislativos – Arcebispo Francesco Coccopalmerio (Itália) - 2007
Diálogo Inter-religioso – Cardeal Jean-Louis Pierre Tauran (França) - 2007
Cultura – Arcebispo Gianfranco Ravasi (Itália) - 2007
Comunicações Sociais – Arcebispo Cláudio Maria Celli (Itália) - 2007
Nova Evangelização (anunciado) – Arcebispo Rino Fisichella (Itália) – 2010

Ofícios:

Câmara Apostólica (Camerlengo) – Cardeal Tarcisio Bertone (Itália) - 2007
Administração do Patrimônio da Sé Apostólica – Cardeal Attilio Nicora (Itália) - 2002
Prefeitura dos Assuntos Econômicos da Santa Sé– Arcebispo Velasio De Paolis (Itália) - 2008

Institutos:

Prefeitura da Casa Pontifícia – D. James Michael Harvey (EUA) - 1998
Departamento das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice – Mons. Guido Marino (Itália) - 2007

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Conselho para Promoção da Unidade dos Cristãos tem novo presidente


O novo presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos é o até então Bispo de Basileia (Suíça), Dom Kurt Koch. Ao mesmo tempo, Koch é elevado à dignidade de Arcebispo.

Bento XVI fez a nomeação nesta quinta-feira, 1º, ao mesmo tempo em que aceitou a renúncia do Cardeal Walter Kasper do cargo de presidente do Pontifício Conselho, apresentada por razões de limite de idade.

Dom Kurt Koch nasceu em março de 1950 e foi sagrado bispo em 1995. O alemão é membro desse Pontifício Conselho desde 2002 e foi presidente da Conferência Episcopal da Suíça de 2007 a 2009. Ele já escreveu mais de 60 livros e publicações diversas, como "A Simpatia de Deus" ("Sympathie Gottes") e, mais recentemente, "O tempo é do Senhor" ("Dem Herrn gehört die Zeit").

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Academia pra a Vida tem novo presidente


O Papa nomeou como presidente da Pontifícia Academia para a Vida o monsenhor Ignacio Carrasco de Paula, até agora Chanceler da mesma Academia.

O posto era ocupado pelo Arcebispo Rino Salvatore Fisichella, nomeado presidente do anunciado Pontifício Conselho para a promoção da Nova Evangelização.

Papa nomeia 1º presidente do Conselho Para a Nova Evangelização


O Papa Bento XVI nomeou nesta quarta-feira, 30, o presidente do anunciado Pontifício Conselho para a promoção da Nova Evangelização, o Arcebispo Titular de Voghenza, Dom Rino Salvatore Fisichella, até então presidente da Pontifícia Academia para a Vida.

O Santo Padre anunciou a criação deste novo organismo da Santa Sé na última segunda-feira, 28, nas vésperas da Solenidade de São Pedro e São Paulo, na Basílica São Paulo fora dos muros, quando destacou que existem "regiões no mundo que ainda esperam uma primeira evangelização e outras que embora já o tenham recebido necessitam um trabalho 'mais profundo'".

E para ir ao encontro dessa necessidade, criaria um Pontifício Conselho com a tarefa de "promover uma renovada evangelização nos países onde já ressoou o primeiro anúncio da fé e buscar meios adequados para propor novamente a perene verdade do Evangelho de Cristo".

Este é o primeiro dicastério vaticano criado desde que o Papa João Paulo II criou o Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde em 1985.

Congregação para os Bispos tem novo prefeito


O Santo Padre acolheu a renúncia apresentada, por razões de limite de idade, do Cardeal Giovanni Battista Re do encargo de prefeito da Congregação para os Bispos e presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina.

Bento XVI nomeou como sucessor para as mesmas funções o Cardeal Marc Ouellet, até agora Arcebispo de Québec (Canadá). O novo prefeito tem 66 anos e é religioso sulpiciano.

No Vaticano, Ouellet já foi consultor da Congregação para a Doutrina da Fé e da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, membro da Commissão Interdicasterial Permanente para a Igreja na Europa Oriental. Atualmente, é membro da Pontifícia Academia de Teologia.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Cardeal Kasper anuncia seu afastamento do Conselho para o ecumenismo


O cardeal alemão Walter Kasper anunciou na última sexta-feira seu afastamento, por razões de idade, da presidência do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

"Meus sentimentos são ambivalentes - reconheceu ao falar com jornalistas. Por um lado, tornar-se emérito aos 77 é algo absolutamente normal, até mesmo um alívio. Por outro lado, deixo um trabalho no qual me engajei com entusiasmo, e que sempre considerei como um canteiro de obras da Igreja do futuro."

"Para a Igreja, o ecumenismo não constitui um opcional de luxo, e sim um de seus elementos constitutivos, um de seus objetivos principais, e o mesmo é também válido para as relações com o judaísmo", disse o purpurado, antecipando o anúncio oficial que a Santa Sé fará.

Até o momento, o nome do sucessor do cardeal Kasper à frente do conselho vaticano ainda não foi anunciado. O Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos tem duas atribuições principais: promover o verdadeiro espírito ecumênico no interior da Igreja Católica e favorecer as relações com as diversas Igrejas e comunidades cristãs, tendo em vista a unidade plena.

"Ao longo de 11 anos, esta foi uma função não apenas difícil, como também entusiasmante", comentou o purpurado.

O cardeal Walter Kasper foi nomeado secretário do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos em 16 de março de 1999, pelo Papa João Paulo II. Em 3 de março de 2001, o Papa Wojtyła nomeou-o presidente do conselho e presidente da Comissão Pontifícia para as Relações Religiosas com o Judaísmo.

O purpurado fez um balanço do ecumenismo promovido pela Igreja sublinhando, primeiramente, que "o ecumenismo não é algo que se faz na escrivaninha. Diálogo é vida. O diálogo é parte integrante da vida da Igreja".

"Deixo o conselho com esperança, que não é apenas um otimismo humano, mas esperança cristã", concluiu o cardeal.

Papa anuncia criação de novo Conselho Pontifício


Bento XVI anunciou nesta segunda-feira a criação do Conselho Pontifício para a Nova Evangelização, novo dicastério da Santa Sé cujo escopo será o de responder ao processo de secularização nos países cristãos.

O anúncio foi feito pelo Santo Padre na Basílica de São Paulo de fora dos muros durante a celebração das vésperas da Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, padroeiros da diocese de Roma.

Durante a homilia, o Papa afirmou que há regiões do mundo "em que o Evangelho fincou raízes há longo tempo, dando origem a uma verdadeira tradição cristã, mas onde nos últimos séculos - com dinâmicas complexas - o processo de secularização produziu uma grave crise de sentido na fé cristã".

Neste contexto, anunciou sua decisão de "criar um novo organismo, na forma de ‘Conselho Pontifício', com a missão de promover uma renovada evangelização nos países onde já ressoou o primeiro anúncio da fé e estão presentes Igrejas de antiga fundação, mas que assistem a uma progressiva secularização da sociedade e algo como um ‘eclipse do senso de Deus', que constituem desafios na busca por meios adequados de reapresentar a perene verdade do Evangelho de Cristo".

Dentro em breve deve ser comunicado pela Santa Sé o nome do presidente designado para o novo dicastério, além de detalhes acerca de sua organização específica.

O Santo Padre concluiu explicando que a nova evangelização interpela a Igreja universal "e nos pede também que prossigamos com empenho na busca pela plena unidade entre os cristãos", saudando a delegação do Patriarca Ecumênico de Constantinopla, enviada por Bartolomeu I e presidida por Sua Eminência Gennadios (Limouris), metropolitano de Sássima.

Sonoros aplausos preencheram a basílica no momento em que o Papa saudou seu convidado.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Crianças são capazes de praticar virtudes cristãs, explica cardeal


Em entrevista concedida ao jornal vaticano L’Osservatore Romano, o Prefeito Emérito da Congregação para as Causas dos Santos, o Cardeal português José Saraiva Martins, divulgou uma série de detalhes até agora desconhecidos sobre a beatificação dos dois pastorinhos de Fátima, Jacinta e Francisco Marto.

Um dos fatos foi a criação de uma comissão desejada pelo Papa João Paulo II que chegou à conclusão de que as crianças efetivamente podem viver as virtudes cristãs em grau heróico.

O cardeal explicou que a beatificação dos pastorinhos é “um evento histórico porque são as primeiras crianças não mártires a serem elevadas às honras dos altares”.

“Antes deles, de fato, não era praxe da Igreja a canonização de crianças: pensava-se, em consideração de sua idade, que não tinham a capacidade de praticar em grau heróico as virtudes cristãs, primeira condição para a beatificação. Lembro-me que, em seu caso, - continuou o purpurado - verificou-se uma coisa muito interessante: chegaram a Roma milhares de cartas de todo o mundo, não só da parte de fiéis leigos mas também de bispos e cardeais que solicitavam a beatificação dos pastorzinhos”, confidenciou o Cardeal.

Esta grande quantidade de solicitudes, destacou ainda o cardeal, “gerou uma reflexão dentro da Congregação das Causas dos Santos. João Paulo II nomeou uma comissão de peritos – teólogos, psicólogos, pedagogos – para examinar o problema. Logo depois de um estudo profundo, chegou-se a uma conclusão: as crianças são capazes de praticar as virtudes cristãs, naturalmente no modo possível para elas. Graças a esta conclusão foi possível proceder à beatificação”.

Sobre o processo de beatificação da Irmã Lúcia, a terceira vidente que faleceu há poucos anos atrás, o Cardeal recordou que este ainda está na fase diocesana dispensada dos cinco anos que se deve esperar em todos os casos para o começo do mesmo depois da morte.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Pesquisas com células-tronco: cardeal Martino explica posição do Vaticano


É lícita a pesquisa científica com células-tronco adultas? Porque o Vaticano tem apoiado tais pesquisas? O presidente emérito do Conselho Pontifício Justiça e Paz, cardeal Renato Martino, respondeu a perguntas como estas em uma entrevista transmitida pela Rádio Vaticana, logo após a Universidade de Maryland, nos EUA, anunciar a decisão da Santa Sé de doar milhões de dólares para pesquisas deste tipo.

“A Igreja quer contribuir para o progresso da ciência, mas sempre tendo em vista a defesa da vida dos doentes e evitando o emprego de células-tronco embrionárias nas pesquisas”, declarou o purpurado.

As células-tronco – também conhecidas como células-mãe – possuem a capacidade de se transformar em qualquer tipo de célula, incluindo células de tecidos cerebrais, cardíacos, de músculos, da pele e de outros órgãos.

Tais células são encontradas no cordão umbilical, na placenta, na medula óssea, nos intestinos e nos embriões. Várias clínicas de maternidade já oferecem o serviço de congelar amostras do cordão umbilical da placenta de recém-nascidos a fim de conservar células-tronco caso venham a ser necessárias em tratamentos no futuro – tanto do próprio bebê como também, em alguns casos, de seus pais ou irmãos.

O problema é quando as pesquisas se baseiam nas células-tronco extraídas de embriões jovens – nos quais estão também presentes em grandes quantidades.“Quando se utiliza um embrião para obter células-tronco, o restante do embrião é eliminado, e uma vida humana é destruída”, enfatizou o cardeal.
“Ao contrário, quando células-tronco adultas são usadas, não se assassina ninguém!”, acrescentou.

“Esta iniciativa propõe a extração de células-tronco adultas do intestino do paciente, para tratar doenças com o Alzheimer”, disse o purpurado.

A reunião de organização foi realizada no hospital do Menino Jesus de Roma – que pertence ao Vaticano – e que colocou à disposição seus próprios laboratórios para os estudos.

O cardeal afirmou que “a primeira contribuição da Igreja católica a tais pesquisas será oferecer um local onde poderão ser realizadas”.

Recentemente, o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi S.J., disse que “sempre se reconheceu como legítimos a pesquisa científica e o uso clínico de células-tronco provenientes de tecidos adultos” – como ocorre neste caso. “A distinção entre células-tronco adultas e embrionárias é fundamental sob o ponto de vista ético”.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Dom Odilo é nomeado para o Pontifício Conselho para a Família


O Papa Bento XVI nomeou o Cardeal Arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer, como membro do Pontifício Conselho para a Família. A nomeção foi divulgada através do boletim da Santa Sé, nesta quarta-feira, 30.Dom Odilo, que é natural de Cerro Largo (RS), foi nomeado por Bento XVI Arcebispo de São Paulo, no dia 21 de março de 2007, e cardeal, no Consistório Ordinário Público, de 24 de novembro de 2007.Atualmente é membro do Conselho Permanente da CNBB, da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé, da Pontifícia Comissão de Vigilância sobre o Instituto para as Obras de Religião (IOR), da Congregação para o Clero e do Conselho do Sínodo dos Bispos.O Pontifício Conselho para a Família foi instituido pelo Papa João Paulo II em 1981. Este organismo da Santa Sé é responsável pela promoção da Pastoral da Família, aplicando os ensinamentos e orientações do Magistério da Igreja para ajudar as famílias cristãs a cumprir sua missão educativa e apostólica.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Arcebispo de BH é novo membro da Congregação para Doutrina da Fé




O arcebispo de Belo Horizonte (MG), dom Walmor Oliveira de Azevedo, foi nomeado pelo papa Bento XVI membro da Congregação para a Doutrina da Fé. "O ato do papa é uma deferência e demonstração de confiança e reconhecimento para com a Igreja no Brasil, com a CNBB e a Arquidiocese de Belo Horizonte", disse dom Walmor, único brasileiro a integrar a Congregação. Segundo o jornal O Estado de Minas, o comunicado oficial foi feito esta semana pelo secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarciso Bertone.
"Trata-se de uma das congregações mais antigas, remontando aos tempos medievais. Ela tem a tarefa de zelar pela Igreja, a verdade da fé e a fidelidade aos seus princípios. Trabalha com o que a Igreja crê e ensina", declarou o arcebispo ao jornal O Estado de Minas.
"As questões doutrinais dizem respeito ao ensino teológico e à proclamação zelosa da fé. Terei que estudar muito, pesquisar mais ainda para auxiliar o papa, dar pareceres e examinar as matérias que tratam de moral, fé e das relações com um mundo plural", explicou dom Walmor, que ficará cinco anos no cargo. Na CNBB, ele preside há seis anos a Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Cardeal Hummes destaca riqueza inestimável do diaconato permanente




O prefeito da Congregação para o Clero, Cardeal Cláudio Hummes, enviou uma carta aos diáconos permanentes de todo o mundo, sublinhando a "inestimável riqueza" deste serviço que foi restabelecido pelo Concílio Vaticano II."A Igreja agradece e reconhece a vossa dedicação e o vosso qualificado trabalho ministerial. Ao mesmo tempo, quer encorajar-vos na estrada da santificação pessoal, da vida de oração e da espiritualidade diaconal”, escreve o Cardeal brasileiro.Em pleno ano sacerdotal, Dom Cláudio pede "um esforço constante para estudar a Palavra e fazê-la sua". "Ao mesmo tempo, a formação intelectual, teológica e pastoral apresenta-se como desafio para toda a vida. Um qualificado e atualizado ministério da Palavra depende muito dessa formação aprofundada", acrescenta.Na carta, Dom Cláudio destaca ainda o reconhecimento da Igreja ao papel de suas famílias. "A Igreja também respeita e admira as esposas e filhos dos diáconos permanentes, e lhes agradece pelo apoio e multiforme colaboração que prestam aos seus esposos e, respectivamente, pais no ministério diaconal”.

Diaconato

Na Igreja Católica, o diaconato permanente é aberto aos homens casados. Um homem solteiro, porém, uma vez ordenado diácono não pode mais casar-se. O diácono pode administrar alguns sacramentos, como o batismo e o matrimônio, presidir funerais e conceder bênçãos. Nas Missas ele, geralmente, proclama a leitura do Evangelho. O papel e o número de diáconos permanentes têm aumentado muito nas últimas décadas. Sua importância é sempre maior para a Igreja Católica. "Quando os bispos veem à Congregação para o Clero, comentam muito o tema do diaconato, estão muito contentes por vocês, e cheios de esperança. Isso nos faz muito feliz", escreve Dom Cláudio.Em sua carta, o cardeal recorda também que as características próprias do trabalho do diácono são ajudar e estar perto dos pobres: "Os diáconos se identificam especialmente com a caridade. Os pobres constituem um de seus ambientes cotidianos e objeto de sua incansável solicitude. Não se compreenderia um Diácono que não se envolvesse pessoalmente na caridade e na solidariedade para com os pobres, que hoje de novo se multiplicam"."Com efeito, devemos amar os pobres de maneira preferencial, como o fez Jesus Cristo. Ser solidários com eles. Procurar construir uma sociedade justa, fraterna e pacífica. A recente carta encíclica de Bento XVI, Caritas in veritate (Caridade na verdade), seja nosso guia", concluiu. O diaconato é o grau inferior do Sacramento da Ordem e os diáconos permanentes não são ordenados em função do sacerdócio.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Cardeal orienta as famílias a pedirem vocações sacerdotais


O prefeito da congregação para o Clero, Cardeal Dom Claudio Humme, pediu nesta terça-feira, 4, aos pais de família que não tenham medo de uma possível vocação sacerdotal do filho, mas que ousem pedir a Deus essa graça e descubram que doar à Igreja um sacerdote é uma verdadeira bênção. Ele enfatizou ainda o papel da família no cultivo das vocações. "As famílias devem ser verdadeiras Igrejas domésticas, fontes de fé e de amor, onde se reza junto", destacou.
O pedido de Dom Claudio, foi feito ontem de manhã, dia do padre, na Diocese de Belley-Ars, na França em uma missa celebrada por ocasião do 150º aniversário da morte de São João Maria Vianney, o Santo Cura d’Ars, padroeiro dos párocos.
Em sua homilia, Dom Claudio destacou que a vida de São João Maria Vianney, modelo de fé, de constante oração, espiritualidade profunda e sólida, exemplo de penitencia, humildade e pobreza, é rica em ensinamentos para o homem de hoje.
O cardeal definiu "admirável" a escolha de Cura d’Ars de colocar a celebração da Missa no centro da vida paroquial, e exemplar o seu amor pelos pobres, e sua caridade pastoral, que o fazia encontrar todos os seus paroquianos.
Além da missa, houve uma procissão da relíquia do coração do santo e a solene celebração das Vésperas. Ao falar do Ano Sacerdotal, o cardeal afirmou que se trata de um tempo de graças. "A Igreja quer dizer aos sacerdotes que agradece a Deus por sua presença, que os admira e os ama. Além disso, os sustenta com a oração e quer ajudá-los concretamente no desempenho de sua missão sacerdotal".
O arcebispo emérito de São Paulo falou ainda sobre a importância do sacramento da reconciliação, que deve ser cumprido com fé, espírito de sacrifício e amor pastoral, com grande generosidade.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

"Somos chamados com urgência à missão", diz Dom Cláudio Hummes



Nesta segunda-feira, 3, o Cardeal-Prefeito da Congregação para o Clero, Dom Claudio Hummes, publicou uma carta aos sacerdortes, por ocasião deste mês dedicado às vocações e do Dia do Padre, a ser celebrado nesta terça-feira, 4, Festa de São João Maria Vianney, o São Cura d’Ars.
No texto, Dom Cláudio Hummes convoca os presbíteros à missão, em meio à uma cultura que ele considera marcada pelo relativismo e subjetivismo individualista, na qual os padres teriam a missão de semear a Palavra de Deus e anunciar a Verdade, que é Jesus Cristo.

Leia a íntegra da carta:

Caros Presbíteros,

A atual cultura ocidental dominante, sempre mais difundida em todo o mundo, através da mídia global e da mobilidade humana, também nos países de outras culturas, apresenta novos desafios, não pouco empenhativos, para a evangelização. Trata-se de uma cultura marcada profundamente por um relativismo que recusa toda afirmação de uma verdade absoluta e transcendente e, em consequência, arruina também os fundamentos da moral e se fecha à religião. Dessa forma, perde-se a paixão pela verdade, relegada a uma “paixão inútil”. Jesus Cristo, no entanto, apresenta-se como a Verdade, o Logos universal, a Razão que ilumina e explica tudo o que existe. O relativismo, ademais, vem acompanhado de um subjetivismo individualista, que põe no centro de tudo o próprio ego. Por fim, chega-se ao niilismo, segundo o qual não há nada nem ninguém pelo qual vale a pena investir a própria inteira vida e, portanto, a vida humana carece de um verdadeiro sentido. Todavia, é preciso reconhecer que a atual cultura dominante, pós-moderna, traz consigo um grande e verdadeiro progresso científico e tecnológico, que fascina o ser humano, principalmente os jovens. O uso deste progresso, infelizmente, não tem sempre como escopo principal o bem do homem e de todos os homens. Falta-lhe um humanismo integral, capaz de dar-lhe seu verdadeiro sentido e finalidade. Poderíamos referir-nos ainda a outros aspectos dessa cultura: consumismo, libertinagem, cultura do espetáculo e do corpo. Não se pode, porém, não frisar que tudo isso produz um laicismo, que não quer a religião, faz de tudo para enfraquecê-la ou, ao menos, relegá-la à vida particular das pessoas.
Essa cultura produz uma descristianização, por demais visível, na maioria dos países cristãos, especialmente no Ocidente. O número das vocações sacerdotais caiu. Diminuiu também o número dos presbíteros, seja pela falta de vocações seja pelo influxo do ambiente cultural em que vivem. Tais circunstâncias poderiam conduzir-nos à tentação de um pessimismo desencorajante, que condena o mundo atual, e induzir-nos à retirada para a defensiva, nas trincheiras da resistência.
Jesus Cristo, ao invés, afirma: “Eu não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo” (Jo 12,47). Não podemos nem desencorajar-nos nem ter medo da sociedade atual nem simplesmente condená-la. É preciso salvá-la! Cada cultura humana, também a atual, pode ser evangelizada. Em cada cultura há “sementes do Verbo”, como aberturas para o Evangelho. Certamente, também na nossa atual cultura. Sem dúvida, também os assim chamados “pós-cristãos” poderiam ser tocados e reabrir-se, caso fossem levados a um verdadeiro encontro pessoal e comunitário com a pessoa de Jesus Cristo vivo. Em tal encontro, cada pessoa humana de boa vontade pode, por Ele, ser alcançada. Ele ama a todos e bate à porta de todos, porque quer salvar a todos, sem exceção. Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida, para todos. É o único mediador entre Deus e os homens.
Caríssimos Presbíteros, nós, pastores, nos tempos de hoje, somos chamados com urgência à missão, seja “ad gentes”, seja nas regiões dos países cristãos, onde tantos batizados afastaram-se da partecipação em nossas comunidades ou, até mesmo, perderam a fé. Não podemos ter medo nem permanecer quietos em casa. O Senhor disse a seus discípulos: “Por que tendes medo, homens fracos na fé?” (Mt 8, 26). “Não se acende uma lâmpada e se coloca debaixo do alqueire, mas no candieiro, para que ilumine a todos os que estão na casa” (5,15). “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15). “Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28,20).
Não lançaremos a semente da Palavra de Deus apenas da janela de nossa casa paroquial, mas sairemos ao campo aberto da nossa sociedade, a começar pelos pobres, para chegar também a todas as camadas e instituições sociais. Iremos visitar as famílias, todas as pessoas, principalmente os batizados que se afastaram. Nosso povo quer sentir a proximidade da sua Igreja. Faremo-lo, indo à nossa sociedade com alegria e entusiasmo, certos da presença do Senhor conosco na missão e certos de que Ele baterá à porta dos corações aos quais O anunciarmos.

Cardeal Cláudio Hummes
Arcebispo Emérito de São Paulo
Prefeito da Congregação para o Clero

domingo, 28 de junho de 2009

Dom Cláudio Hummes condena pedofilia no ministério sacerdotal


O prefeito da Congregação para o Clero, Cardeal Cláudio Hummes, qualificou a pedofilia como "um crime terrível". Reconhecendo que a questão afeta 4% do clero, o cardeal precisou, todavia, que "não há lugar no ministério sacerdotal, para as pessoas que cometem tais crimes".O cardeal assinala que a Igreja "não pode fechar os olhos" diante desse problema. "Os culpados devem ser castigados, tanto pelas leis da sociedade civil quanto pelas normas canônicas", ressaltou, declarando, porém, que a maioria do clero não está inserida nesse problema.O Cardeal Hummes disse que a Igreja "deve reagir e não aceitar" essa imagem do sacerdote católico. Uma imagem formada a partir de um "preconceito negativo muito forte, que humilha e fere a imensa maioria dos sacerdotes".Falando acerca do celibato − condição que alguns sacerdotes não respeitam − o prefeito da Congregação para o Clero fez questão de enfatizar que a grande maioria dos presbíteros é formada por "homens dignos e honrados", que "defendem a dignidade humana, os direitos humanos, a justiça social e a solidariedade para com os pobres".

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Carta do cardeal Dom Claudio Hummes por ocasião do Ano Sacerdotal




Caros Sacerdotes,O Ano Sacerdotal, anunciado por nosso amado Papa Bento XVI, para celebrar o 150º aniversário da morte de S. João Maria Vianney, o Santo Cura DArs, está às portas. O Santo Padre o abrirá a 19 de junho p.f., festa do Sagrado Coração de Jesus e Dia Mundial de oração pela santificação dos sacerdotes. O anúncio deste ano especial teve uma repercussão mundial positiva, especialmente entre os próprios sacerdotes. Todos queremos empenhar-nos com determinação, profundidade e fervor, a fim de que seja um ano amplamente celebrado em todo o mundo, nas dioceses, nas paróquias, em cada comunidade local, com envolvimento caloroso do nosso povo católico, que sem dúvida ama seus padres e os quer ver felizes, santos e alegres no trabalho apostólico quotidiano.Deverá ser um ano positivo e propositivo, em que a Igreja quer dizer antes de tudo aos sacerdotes, mas também a todos os cristãos, à sociedade mundial, através dos meios de comunicação global, que ela se orgulha de seus sacerdotes, os ama, os venera, os admira e reconhece com gratidão seu trabalho pastoral e seu testemunho de vida. Realmente, os sacerdotes são importantes não só pelo que fazem, mas também pelo que são. Ao mesmo tempo, é verdade que alguns deles apareceram envolvidos em problemas graves e situações delituosas. Obviamente, é preciso continuar a investigá-los, julgá-los devidamente e puni-los. Estes casos, contudo, dizem respeito somente a uma porcentagem muito pequena do clero. Na sua imensa maioria, os sacerdotes são pessoas muito dignas, dedicadas ao ministério, homens de oração e de caridade pastoral, que investem toda sua vida na realização de sua vocação e missão, muitas vezes com grandes sacrifícios pessoais, mas sempre com amor autêntico a Jesus Cristo, à Igreja e ao povo, solidários com os pobres e os sofridos. Por isso, a Igreja está orgulhosa de seus sacerdotes em todo o mundo.Este ano seja também ocasião para um período de intenso aprofundamento da identidade sacerdotal, da teologia do sacerdócio católico e do sentido extraordinário da vocação e da missão dos sacerdotes na Igreja e na sociedade. Isso exigirá congressos de estudo, jornadas de reflexão, exercícios espirituais específicos, conferências e semanas teológicas em nossa faculdades eclesiásticas, pesquisas científicas e respectivas publicações.O Santo Padre, em seu discurso de anúncio, durante a Assembléia Plenária da Congregação para o Clero, a 16 de março p.p., disse que com este ano especial pretende-se “favorecer esta tensão dos sacerdotes para a perfeição espiritual da qual sobretudo depende a eficácia do seu ministério”. Por esta razão, deve ser, de modo muito especial, um ano de oração dos sacerdotes, com eles e por eles, um ano de renovação da espiritualidade do presbitério e de cada presbítero. A adoração eucarística pela santificação dos sacerdotes e a maternidade espiritual de monjas, de religiosas consagradas e de leigas referente a sacerdotes , como já proposto, tempos atrás, pela Congregação para o Clero, poderiam ser desenvolvidas com frutos reais de santificação.Seja um ano em que se examinem de novo as condições concretas e a sustentação material em que vivem nossos sacerdotes, às vezes submetidos a situações de dura pobreza.Seja, ao mesmo tempo, um ano de celebrações religiosas e públicas, que levem o povo, as comunidades católicas locais, a rezar, a meditar, a festejar e a prestar uma justa homenagem a seus sacerdotes. A festa na comunidade eclesial constitui uma expressão muito cordial, que exprime e nutre a alegria cristã, uma alegria que brota da certeza de que Deus nos ama e festeja conosco. Será uma oportunidade para desenvolver a comunhão e a amizade dos sacerdotes com a comunidade que lhes foi confiada.Muitos outros aspectos e iniciativas poderiam ser nomeados para enriquecer o Ano Sacerdotal. Aqui deverá entrar a justa creatividade das Igrejas locais. Por esta razão, convem que cada Conferência Episcopal, cada diocese, cada paróquia e comunidade local estabeleçam, quanto antes, um verdadeiro e próprio programa para este ano especial. Obviamente, será muito importante começar o ano com um evento significativo. No próprio dia da abertura do Ano Sacerdotal em Roma com o Santo Padre, 19 de junho, as Igrejas locais são convidadas a participar, de algum modo, quiçá com um ato litúrgico específico e festivo. Os que puderem vir a Roma para a abertura, venham para manifestar assim a própria participação nesta feliz iniciativa do Papa. Deus, sem dúvida, abençoará este empenho com grande amor. E a Santíssima Virgem Maria, Rainha do Clero, intercederá por todos vós, caros sacerdotes!
Cardeal Dom Cláudio Hummes
Arcebispo Emérito de São Paulo
Prefeito da Congregação para o Clero

quinta-feira, 21 de maio de 2009

" Os padres são importantes pelo que são " , diz Cardeal Hummes





O prefeito da Congregação para o Clero, Cardeal Cláudio Hummes, divulgou uma carta por ocasião do Ano Sacerdotal, que terá início no dia 19 de junho, festa do Sagrado Coração de Jesus e Dia Mundial de Oração pela santificação dos sacerdotes.
Para o cardeal, a convocação deste ano teve uma repercussão mundial positiva, em especial entre os próprios sacerdotes: "Todos queremos nos empenhar, com determinação, profundidade e fervor, a fim de que seja um ano amplamente celebrado em todo o mundo, com toda a sua grandeza e com a participação do nosso povo católico, que sem dúvida ama seus sacerdotes e os quer ver felizes, santos e repletos de alegria".
Deverá ser um ano positivo e propositivo, em que a Igreja quer dizer que está orgulhosa de seus sacerdotes. "Eles são importantes não somente por aquilo que fazem – afirma o cardeal brasileiro –, mas por aquilo que são."
É verdade que alguns deles se viram implicados em graves problemas, mas representam uma porcentagem muito pequena em relação ao número total do clero: "A imensa maioria dos sacerdotes são pessoas digníssimas, dedicadas ao ministério, homens de oração e de caridade pastoral, que vivem para atuar a própria vocação e missão com grandes sacrifícios pessoais, solidários para com os pobres e com quem sofre".
O Ano Sacerdotal, portanto, deve ser uma ocasião para aprofundar a identidade sacerdotal, a teologia sobre o sacerdócio católico e o sentido da vocação e da missão dos sacerdotes na Igreja e na sociedade. Para isso, será necessário organizar encontros de estudo, jornadas de reflexão, exercícios espirituais específicos, conferências e semanas teológicas.
Em especial, deverá ser um ano de oração dos sacerdotes, com os sacerdotes e pelos sacerdotes, para que sejam examinadas as condições concretas, espirituais e materiais em que vivem; um ano de renovação da espiritualidade do presbitério e de cada um dos presbíteros.
Por fim, o cardeal convida todas as Igrejas locais a participarem da inauguração do Ano Sacerdotal com um ato litúrgico específico. "Serão bem recebidos em Roma todos aqueles que poderão estar presentes, a fim de manifestar a própria participação a esta feliz iniciativa do papa."
O Ano Sacerdotal foi convocado por Bento XVI para celebrar os 150 anos da morte de São João Maria Batista Vianney, o Santo Cura d'Ars.

sábado, 18 de abril de 2009

Pontifício Concelho da Saúde tem novo presidente



O Papa Bento XVI aceitou o pedido de renúncia, por razões de idade, do Cardeal Javier Lozano Barragán, ao cargo de presidente do Pontifício Conselho da Pastoral para os Agentes de Saúde.
O sucessor será o atual atual bispo de Radomum, Dom Zygmunt Zimowski, que foi colaborador por quase 20 anos, do então Cardeal Joseph Ratzinger quando estava à frente da Congregação para a Doutrina da Fé.

Dom Zygmunt Zimowski

Nasceu em Kupienin, na Polônia, no dia 7 de abril de 1949. Foi ordenado sacerdote no dia 27 de maio de 1973, tendo obtido a licenciatura em Teologia Dogmática, na Universidade de Lublin, e o doutorado em Teologia Dogmática, na Faculdade Teológica da Universidade Leopold-Franzens, de Innsbruck, Áustria.
No dia 1º de fevereiro de 1983, iniciou seu serviço na Congregação para a Doutrina da Fé. Foi nomeado capelão do Papa João Paulo II, no dia 14 de abril de 1988, e prelado de honra no dia 10 de julho de 1999.
Foi postulador dos processos de beatificação e canonização de Karolina Kózka, do Reverendo Roman Sitko e da Irmã Maria Julittae Ritz. Além disso, foi professor de Eclesiologia na Universidade Católica de Lublin e na Universidade Cardeal Stefan Wyszynski, de Varsóvia.
É autor de 120 publicações, 40 cartas pastorais e alguns livros, além de numerosos artigos. Dom Zygmunt Zimowski foi colaborador assíduo do Programa Polonês da Rádio Vaticano. Além do polonês, conhece o italiano, alemão, inglês, francês e russo

segunda-feira, 16 de março de 2009

Dom Rino Fisichella comenta caso de Alagoinha





O presidente da Pontifícia Academia para a Vida, Dom Rino Fisichella, comentou no jornal da Santa Sé, L’Osservatore Romano, o caso da menina brasileira de nove anos que interrompeu a gravidez de dois gêmeos concebidos após ser violentada pelo seu padrasto em Alagoinha (PE).
A seguir o texto do arcebispo Dom Rino Fisichella
"O debate sobre algumas questões freqüentemente se torna cerrado e as diferentes perspectivas nem sempre permitem considerar o quanto o acontecimento em jogo seja realmente grande. É este o momento em que se deve olhar o essencial e, por um momento, deixar de lado aquilo que não toca diretamente o problema. O caso em sua dramaticidade é simples. Uma menina de apenas nove anos, a quem chamaremos Carmen, e a quem devemos olhar fixamente nos olhos sem distrair sequer um minuto, para fazê-la entender o quanto a queremos bem. Carmen, em Alagoinha, foi violentada várias vezes pelo seu jovem padrasto, engravidou de dois gêmeos e nunca mais teve uma vida tranqüila. A ferida é profunda porque a violência a destruiu por dentro e dificilmente lhe permitirá no futuro olhar os outros com amor.
Carmen representa uma história de violência cotidiana e ganhou as páginas dos jornais somente porque o arcebispo de Olinda e Recife se apressou em excomungar os médicos que a ajudaram a interromper a gravidez. Uma história de violência que, infelizmente, teria passado despercebida, pois estamos acostumados a ver todos os dias fatos de uma gravidade sem igual, se não fossem as reações causadas pela atuação do bispo. A violência sobre uma mulher é grave, e se torna ainda mais deplorável quando perpetrada contra uma menina pobre, que vive em condição de degradação social. Não existe linguagem correspondente para condenar tais episódios, e os sentimentos que surgem são muitas vezes uma mistura de raiva e de rancor que se acalmam somente quando a justiça é feita realmente e se tem certeza de que o criminoso será punido.
Carmen deveria ter sido em primeiro lugar defendida, abraçada, acariciada com doçura para fazê-la sentir que estamos todos com ela; todos, sem exceção. Antes de pensar na excomunhão era necessário e urgente salvaguardar sua vida inocente e recolocá-la num nível de humanidade da qual nós homens de Igreja devemos ser anunciadores e mestres. Assim não foi feito e, infelizmente, a credibilidade de nosso ensinamento sofre com isso, pois aparece aos olhos de muitos como insensível, incompreensível e sem misericórdia. É verdade, Carmen trazia consigo outras vidas inocentes como a sua, não obstante fossem frutos da violência, e foram ceifadas; isso, todavia, não basta para fazer um julgamento que pesa como uma guilhotina.
No caso de Carmen se confrontaram a vida e a morte. Por causa de sua tenra idade e de suas condições de saúde precárias sua vida corria sério risco por causa da gravidez. Como agir nestes casos? Decisão árdua para o médico e para a lei moral. Escolha como esta, mesmo como uma casuística diferente, se repetem cotidianamente nas salas de tratamento intensivo e o médico se encontra só no ato de decidir o que fazer. Ninguém chega a uma decisão desse tipo com desenvoltura; é injusto e ofensivo pensá-lo.
O respeito devido ao profissionalismo do médico é uma regra que deve envolver todos e não pode consentir chegar a um julgamento negativo sem antes considerar o conflito criado em seu íntimo. O médico traz consigo sua história e sua experiência; uma escolha como essa de ter que salvar uma vida, sabendo que coloca em sério risco outra, jamais é vivida com facilidade. Certo, alguns se acostumam a tais situações que e as vivem sem sentimento; nestes casos, porém, a vocação de ser médico é reduzida apenas a uma profissão vivida sem entusiasmo e passivamente. Fazer de um caso um todo, além de incorreto seria injusto.
Carmen repropôs um caso moral entre os mais delicados; tratá-lo de forma rápida não faria justiça nem à sua frágil pessoa nem aos que estão envolvidos no caso. Como todo caso singular e concreto, merece ser analisado de forma peculiar, sem generalizações. A moral católica possui princípios dos quais não pode prescindir, mesmo se o quisesse. A defesa de uma vida humana desde a sua concepção pertence a um destes princípios e se justifica pela sacralidade da existência. Todo ser humano, de fato, desde o primeiro instante de vida traz consigo a imagem do Criador, e por isto estamos convictos de que devem ser reconhecidos os direitos e a dignidade de toda pessoa, primeiro entre todos o de sua intangibilidade e inviolabilidade. O aborto não espontâneo sempre foi condenado pela lei moral como um ato intrinsecamente mau e este ensinamento permanece imutável em nossos dias desde os primórdios da Igreja. O Concílio Vaticano II na Gaudium es spes - documento de grande abertura e perspicácia em relação ao mundo contemporâneo - usa de forma inesperada palavras inequívocas e duríssimas contra o aborto direto. A colaboração formal constitui uma culpa grave que, quando realizada, exclui automaticamente da comunidade cristã. Tecnicamente, o código de Direito Canônico usa a expressão latae sententiae para indicar que a excomunhão se atua automaticamente no momento em que o fato acontece.
Não era preciso tanta urgência e publicidade ao declarar um fato que se realiza de maneira automática. O que se sente maior necessidade neste momento é o sinal de um testemunho de proximidade a quem sofre, um ato de misericórdia que, mesmo mantendo firme o princípio, é capaz de olhar além da esfera jurídica para atingir aquilo que o direito prevê como objetivo de sua existência: o bem e a salvação daqueles que crêem no amor do Pai e daqueles que acolhem o Evangelho de Cristo como as crianças, que Jesus chamava para junto de si e as abraçava dizendo que o reino dos céus pertence a quem é como elas.
Carmen, estamos do seu lado. Partilhamos o sofrimento pelo qual passou, queremos fazer de tudo para lhe restituir a dignidade que lhe foi tirada e o amor de que você precisa ainda mais. São outros que merecem a excomunhão e o nosso perdão, não os que lhe permitiram viver e ajudam a recuperar a esperança e a confiança, não obstante a presença do mal e a maldade de muitos".